A história de Sakura escrita por Hanako


Capítulo 9
Almoço


Notas iniciais do capítulo

Voltei :)



Eu ainda estava um pouco atordoada pelo que tinha acontecido. Seu cheiro de roupa limpa ainda estava em minhas narinas e me ruborizava um pouco. Naruto não perguntou sobre os olhos inchados do amigo. Não sei se o fez por empatia ou por não ter notado mesmo. O que tinha aprendido sobre o loiro era que seu coração era quase tão grande quanto a sua burrice.

Almocei ao lado de Sasuke e conseguia sentir o roçar de sua manga em meu braço. Eu gostava da sensação e me sentia ansiosa por um pouco mais de contato físico. Ao mesmo tempo, me julgava por ter me tornado uma pessoa terrível, tirando proveito do sofrimento do pobre garoto. Que horror, Sakura! Bem, se ele precisasse... Eu estaria lá, certo?!

Comemos rápido e fui direto ao meu quarto com as meninas, pegar as minhas coisas e fazer a higiene pessoal. Hinata já estava lá, com seus olhos perolados, mexendo timidamente em suas coisas. Ela me viu ali e ficou um pouco receosa até que chegou perto de minha cama e perguntou:

— Você é a Sakura, não é mesmo?

Eu assenti e a olhei com certo interesse. Por muito tempo tive apenas a Ino como amiga do sexo feminino. Talvez essa fosse a nossa chance de formar um grupo, quem sabe. Sempre quis ter aquele grupo de meninas que andavam sempre juntas, como nos filmes.

— Você faz trio com o Naruto, certo? – ela continuou – O que acha dele?

De acordo com a forma que ela olhava para o chão enquanto seus dedos se moviam ansiosamente, pude presumir que ela sentia certa insegurança ao meu lado. Então, considerando que estávamos falando de garotos, já liguei uma coisa à outra e percebi que ela estava apaixonada pelo loiro.

Bem, Naruto já tinha me ajudado bastante. Tínhamos nos tornado amigos e eu já havia me acostumado com o seu jeito. Brincalhão e meio lerdo para entender as coisas, nunca perdia a oportunidade de fazer uma piada ruim e, como eu, era extremamente competitivo. Eu gostava muito dele, mas não do mesmo jeito que ele gostava de mim, insistindo para que eu fosse sua namorada. Eu queria que ele fosse feliz e parasse de correr atrás de algo que nunca teria. Meu coração era do Sasuke e sempre seria assim.

Então, olhei para a Hinata e sorri enquanto dizia:

— Acho ele muito legal, Hina – respirei fundo analisando sua reação – Vocês seriam um casal bem fofo, na verdade. Você gosta dele, não é?

Ela ficou vermelha como um pimentão. Eu tinha acertado na mosca. O bom é que assim ela parava de me ver como uma rival e eu abria as portas para uma nova amizade. Começamos a rir juntas enquanto passávamos o protetor solar, até que as nossas outras colegas de quarto chegaram.  Assim que Ino me viu, ela pulou para frente e apontou o dedo bem na minha cara:

— Se prepare sua testuda! – gritou – Esse passeio será uma grande oportunidade e eu vou fazer com que o Sasuke se apaixone por mim! Quando ele olhar para essa gata aqui, não haverá mais chance nem para você e nem para nenhuma garota dessa escola! Talvez eu devesse usar essa sua testa como um outdoor para que ele encontre o caminho que o leve até a minha boca!

Eu já estava acostumada com suas ameaças e sempre respondia à altura. Dessa vez, aproveitei para deixar em segredo o meu avanço com o garoto. Um deleite que ainda me pegaria pensando muitas vezes posteriormente. Limitei-me apenas a sorrir de olhos fechados e retrucar, como sempre fazia:

— Ino, Ino... – introduzi a minha voz de deboche à provocação – Será mesmo que algum garoto na face da Terra te beijaria ao saber que é tão porca que nunca deve ter visto uma escova de dente? Pobres rapazes...

Falando isso, a deixei gritando sozinha e saí do quarto com Hinata. Ela estava um pouco assustada com o que havia acontecido e claramente queria conversar comigo sobre. Antecipando suas palavras, me desculpei:

— Mil perdões pelo que você viu. Eu te juro que eu não sou sempre assim. É que eu e a Ino gostamos do Sasuke e isso nos tornou meio inimigas. Desde então, nunca perdemos a oportunidade de competir uma contra a outra.

Eu estava fazendo de tudo para que não destruísse a minha imagem e perdesse uma amizade que nem havia começado direito quando a dos olhos perolados finalmente falou:

— Na verdade, eu admiro vocês duas – ela sorriu – No começo eu fiquei com medo de que você gostasse do Naruto, porque eu vejo na escola o quão forte e incrível você é. Só que eu não tenho o direito de ter medo ou inveja, você é demais! A coragem que vocês tiveram para admitir e lutar pelo garoto que gostam é algo inspirador. Eu queria ser mais como você e Ino!

Ah se ela soubesse... Se conseguisse ler a minha mente, perceberia o mundo de inseguranças dentro da minha cabeça. O medo que ela tem, eu também tenho. Pareço ser forte na frente da Ino, mas nunca sei o que Sasuke pensa. Quanto mais parava para analisar, mais batia o desespero de agora ele me ver como uma irmã que precisa tomar conta. O bagunçado do cabelo, o abraço... O que ele queria dizer?

— Obrigada, Hina – desviei o olhar e ignorei meus pensamentos – O Naruto é um pouco devagar para essas coisas, mas eu acho que você consegue!

— Você jura? – agora ela tinha um sorriso largo – Muito obrigada!

Deixamos o prédio e ela foi se encontrar com o seu trio, que também parecia bastante animado (provavelmente não pelo mesmo motivo). Ela era uma boa garota, mas tinha que se soltar mais. Era como eu antes da Ino. Então, olhei ao redor e notei o tanto de gente que estava pronto para o desafio.

Engoli seco. Depois de ter toda aquela conversa, tinha me esquecido que o pior estava por vir: as garotas mais velhas. A gente tinha se preparado para aquilo com exercícios físicos e um treinamento quase que militar desenvolvido pelo Naruto para que eu pudesse correr e fugir o mais rápido possível. Ainda assim, não podia deixar de pensar que elas aprontariam alguma contra mim e meus amigos.

Naruto e Sasuke já estavam posicionados e tinham pegado o material com os professores: um mapa, uma bússola, um cartão para recolher selos e o número do nosso trio: sete. Eu nunca fui muito supersticiosa, mas tentei levar como um número da sorte para me acalmar. O meu garoto de cabelos negros já não tinha seus olhos vermelhos e exalava confiança. Quando ninguém estava olhando, pude sentir sua boca próxima à minha orelha e ouvir o seu sussurro “Não se preocupe, vai ficar tudo bem”.

Tentei me segurar em suas palavras enquanto colocava o nosso número em minha blusa e prendia o meu cabelo curto com a famosa fita vermelha. Era tempo de luta, não de desistir. Eu consigo!





Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "A história de Sakura" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.