A história de Sakura escrita por Hanako


Capítulo 4
O garoto da enfermaria


Notas iniciais do capítulo

Desculpem a demora, pessoal!



Com o nariz já desinchado, lá estava eu na escola, um pouco ansiosa para descobrir o nome do meu mais novo amigo da enfermaria. Ino ainda queria que eu fizesse um relato completo sobre a história, para analisar todos os detalhes sobre o garoto e usar da sua intuição para descobrir quem era. Mesmo avisando a ela que isso só seria possível no intervalo entre as aulas, foi a primeira vez de muitas em que não consegui me concentrar em nenhuma palavra que o professor dizia.

— Bem, Sakura, acabou o tempo de você me enrolar – Ino disse na primeira oportunidade – Eu quero saber tudo sobre esse garoto, cor dos olhos, cabelo, altura, signo, ascendente... Você não falou nada com nada da última vez, só relatos de uma apaixonada sobre como o sol brilhava no cabelo e outras coisas que não ajudam a descobrir quem é o dito cujo. Então eu te dou um minuto para desembuchar sobre tudo o que houver de mais externo nesse menino!

— Está bem! Que estresse! – eu suspirei fundo – Vamos nessa então! Cor dos olhos: pretos. Cabelos: mesma cor dos olhos. Pele branca... O que diabo é um ascendente?

— Deixa pra lá! Não tenho tempo para pensar nisso agora! – Ino fez a sua famosa cara pensativa que eu amava por sempre trazer uma solução – Existem muitos meninos com essas características na escola, não é nada incomum... Não se lembra de mais nada nele que possa servir para identificação? Uma pinta no rosto ou uma cicatriz, por exemplo?

— Hm... Ele não tinha nada desse tipo – suspirei.

— Uma roupa? Uma camisa de banda famosa ou de time? – ela já estava nervosa.

—Sim! Agora eu me lembro! – sorri – Como estávamos nos jogos, ele estava com a camisa da sua turma! Era azul marinho, certeza. Ele também jogou vôlei, porque foi assim que torceu seu dedo.

Ino ficou estranha de um jeito indecifrável. Primeiro o seu rosto se iluminou como se tivesse encontrado a resposta e, consequentemente o nome do meu amado. Depois eu vi o que interpreto agora como a angústia em seus olhos, para então uma expressão de que nada havia acontecido.

— Você o conhece? – perguntei.

— Não, não conheço – ela disse sem olhar para mim – Podemos usar os intervalos para procurar por ele ou alguém da sala dele, quem sabe?!

Isso durou algumas semanas. A Ino me levava para corredores e salas que dizia ter recebido informações que era onde ele se encontrava, mas quando chegávamos lá não tinha ninguém. Eu não era boba, sabia que tinha algo errado que ela não queria me contar. Teria que dar um jeito nisso ou pelo menos descobrir o motivo. Se era tanto minha amiga, não fazia sentido uma sabotagem daquelas!

Foi então que comecei a conversar com os outros amigos mais próximos dela, coisas que eu achava que ela me contaria e fui tentando montar a solução do nosso problema. Encontrei-me com um rapaz, no final da aula, um amigo de família chamado Shikamaru. Ele estava sempre dormindo durante as aulas e, por isso, eu não gostava muito dele, mas era o único que parecia poder me ajudar.

Mesmo com muita preguiça de me responder e reclamando que isso era problema de mulher, foi Shikamaru quem me deu a informação mais valiosa: a Ino gostava de uma pessoa que se chamava Sasuke que estava no mesmo ano que a gente e na mesma escola. Agora eu só teria que descobrir quem era ele.

Eu estava decidida a encontrar esse garoto, mas parecia que a escola inteira não queria muito me ajudar. Todas as vezes que eu falava seu nome, as meninas davam risadinhas e os meninos ficavam emburrados. O que descobri é que ele era muito bonito, vinha de uma família rica e que possuía uma das maiores médias da escola. Também me contaram que o seu irmão tinha sido um dos alunos mais memoráveis e inclusive teria recebido um prêmio de aluno exemplar.

Eu tinha que tomar muito cuidado para que Ino não descobrisse o que eu andava fazendo. Como eu sabia que minha melhor amiga não era lá muito fã dos estudos, disse que estava em um grupo avançado de matemática e, por sorte, ela não quis nem chegar perto para conferir. Assim, pouco tempo depois, descobri que ele era do meu ano e estava na turma A.

Nessa hora eu já sabia que isso não acabaria bem para mim e para Ino. Algo dentro de mim já sabia perfeitamente quem ele era. Mesmo assim, para tirar a prova, fui à sala dele no começo da aula e fiz algo impensável para o meu eu há algum tempo atrás: gritei seu nome.

— Sasuke! – eu disse. E o garoto da enfermaria, que estava de costas, se virou para mim em câmera lenta e fez um movimento para se levantar. Eu, assustada, fiz a única coisa que pensei no momento, corri. Enquanto corria a esmo pelo colégio, com os olhos já cheios de lágrimas, acabei esbarrando justamente em Ino.

— Sakura – a loira olhou para mim preocupada – Aconteceu alguma coisa?

Eu estava decidida a conversar com ela de qualquer maneira, mas o corredor das salas onde todos pudessem nos ouvir não era lá o ambiente mais adequado. Então, respirei fundo e a convidei gentilmente para que nos encontrássemos próximo às árvores no pátio da escola. Ino foi um pouco tensa, era ansiosa e não gostava de surpresas.

Chegando lá, o silêncio pesado dominou o ambiente e a deixou ainda mais apreensiva. No começo, eu o senti travando a garganta, sussurrando para deixar aquilo tudo para lá, que seria melhor. Eu não podia fazer isso. Uma das coisas que a minha melhor amiga me ensinou foi que eu deveria me impor e mostrar aos outros quem eu era.

Não me entenda mal, eu não queria brigar com a Ino, muito pelo contrário. Ela era a minha melhor amiga e eu a amava como uma irmã. A loira tinha me ajudado tanto a crescer nesses últimos tempos que eu me sentia injustiçada por não ser tratada como igual. Ino me devia isso, pelo bem da nossa amizade. Então, para quebrar aquele silêncio, eu fui a primeira a falar.

— Ino, eu descobri quem era o garoto que estava na enfermaria – ela olhou para o chão e esboçou um sorriso meio frouxo.

— Finalmente! – ela disse ainda sem olhar para mim – Você não precisava fazer todo esse suspense para me contar!

—Ino... – suspirei – Por que não me contou que também gostava do Sasuke? Você sabia desde o começo que era ele na enfermaria!

— Eu...

— Será que nesse tempo todo você achou que eu não poderia competir com você? Eu não sou mais a garota que chora escondido, Ino, não mais!

— Você acha mesmo que consegue ser a minha rival? – gargalhou cinicamente.

— Não só consigo como vou ganhar de você!

— Então ótimo, Sakura. A partir de agora então é isso. Espero que não chore quando ele falar da testa enorme que você tem!

— Estarei aqui te esperando com um lenço quando ele te chamar de porca!

Mesmo que com muitas alfinetadas, a minha amizade com a Ino nunca acabou. Ainda que rivais, trocávamos segredos e até mesmo os gostos que descobríamos que Sasuke tinha. Deixamos o cabelo crescer quando surgiu um boato que era essa a sua preferência e nos tornamos cada vez mais vaidosas.

Entre todas as coisas eu sabia que tinha apenas uma única vantagem contra ela: minhas notas. No ano seguinte começaria o Fundamental II e as salas seriam divididas de acordo com o desempenho dos alunos. Sasuke era o melhor aluno da escola e eu estava em segundo lugar. Mesmo com a minha ajuda, Ino não ficaria nem entre os cinquenta melhores. Durante as férias eu pensei o tempo inteiro no que eu poderia fazer para que ele me notasse.





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