Boku no Hero Academia Oneshots escrita por Nanahoshi


Capítulo 5
O estalinho e a pedra do sapato [Bakugou Katsuki x reader]


Notas iniciais do capítulo

A NANA ESCREVENDO ONESHOT DO BAKUGOU QUEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE????? É ISSO MESMO, PRODUÇÃO?

Bom, caso você, minha cara leitora, já me conheça através das fanfics 23 de dezembro e Um rio, vai saber que o segundo personagem que eu mais odeeeeeeeeeeeeeeeeeeeio em BNHA é o Todoroki. Daí muita gente ficava se perguntando quem era o primeiro. Quem está em primeiríssimo lugar disparado é essa praga do Bakugou. Entretanto, por algum motivo desconhecido que parece ser mt avançado para meu cérebro realista demais que só vê o Bakugou como um embuste mal educado, uma praga barulhenta q só serve para tirar a paz dos outros, as meninas costumam dar uns berros por ele e achar que ele é o melhor namorado do universo. Sendo assim, por que não me aproveitar disso? Ele pode ser um embuste, mas se ele me der views, votos e coments, ORA PORQUE NÃO? além disso, por algum milagre de Jesus, eu consegui ter uma única boa ideia de "fluff" no qual o Bakugou ficou completamente fiel.

MAS EU JÁ LOGO AVISO. DOIS AVISOS IMPORTANTÍSSIMO ANTES DE VOCÊ LER ESSA ONESHOT.

1. Se você é daquelas fãs doentias (que nem umas que apareceram lá na fanfic do todoroki e me ameaçaram de morte caso eu fizesse ele sofrer mais - é sério não to brincando isso aconteceu) do Bakugou, NÃO-LEIA-ESSA-ONESHOT. Pq minha filha, o Bakugou nunca apanhou tanto em sua tão egocêntrica vida. E sim, ele apanhou da reader.

2. Se você tem aqueles complexos de donzela em perigo e não curte muito empoderamento feminino, MIGA COOOOORRE! Não leia essa oneshot COOORRE VAI SER TORTURA PRA VC! Pq olha, eu costumo falar que Girl Power é meu sobrenome e eu faço questão de fazer minahs OCs tudo badasss MAS DESSA VEZ EU PESEI A MÃO COM FORÇA! Então oh, sigam conscientesA DE UMA PUTA OVERDOSE DE GIRL POWER.

Bom, às sobreviventes que passaram pelos avisos, ESPERO QUE VOCÊS GOSTEM MUITO, porque no final das contas eu consegui fazer um fluff com o Bakugou sem tirar ele da personalidade dele E EU TO MT NOOOOSSSA pq não achei q isso fosse possível. Já aviso também que essa porra ficou quilométrica AUSHAUHSHAUH Escrever oneshot pequena não é comigo infelizmente.

E a você, MINHA LEITORA LINDA E MARAVILHOSA QUE VEM AQUI NÃO IMPORTANDO A PORRA QUE EU ESCREVA, NEM NA ONESHOT NEM DAS MINHAS NOTAS SEM NOÇÃO, meu amor infinito, muitos abraços de ursos fantasiados de lhamas super heroínas. Podem ter certeza que vocês tem um lugar reservado no meu coraçãozinho sofrido de escritora! Um beijão pra vocês da Nana-chan e boa leitura!



A ideia viera de Uraraka. É claro que [Nome] recusara veementemente, já que estava morrendo de sono e não estava nem um pouco a fim de enfrentar a ira de Aizawa caso fosse pega fora dos dormitórios àquela hora. Mas a amiga insistira para que ela seguisse Bakugou e Midoriya, pois seu pressentimento (obviamente) não era bom.

[Nome] saiu praguejando do dormitório, sem se lembrar de início de manter o tom baixo.

— Aqueles moleques de merda, ficam achando que podem fazer o que querem... E não é porque eu conheço aquelas pragas há mais tempo que significa que eu sou babá deles! Miséria!

[Nome] enterrou as mãos no bolso de sua calça enquanto seguia-os de longe. Não queria pensar no que Bakugou iria querer com Midoriya àquela hora, mas sua mente teimava em desenhar teorias. Tinha acompanhado a intriga desses dois como a uma novela que estivesse esperando o lançamento há tempos: desde o primeiro capítulo. Entretanto, sempre tomara o cuidado de não se misturar. Andava com os dois, preferindo sempre a companhia de Midoriya, mas nunca chegava muito longe em questões pessoais. As únicas vezes que interferira era quando flagrava uma briga. Sua Peculiaridade sempre fora perfeita para colocar Bakugou no seu devido lugar, o que sempre o deixava louco de raiva. Perdera as contas de quantas vezes o garoto das explosões a desafiara para uma luta, mas ela apenas fazia um gesto com a mão de dispensa, dizendo que não gostava de brincar com estalinhos. Era óbvio que nessa hora ela precisava parar de um a três ataques de Bakugou até conseguir imobilizá-lo. No final das contas, Bakugou nunca tivera o que queria, e ela permaneceu apenas como uma pedra em seu sapato, ofuscando o brilho de suas explosões.

[Nome] sorriu diante da ideia de ser uma pedra no sapato do infame prodígio. Já se acostumara tanto a ser vista como um incômodo, ou até uma potencial ameaça em escala global, ser alvo de olhares apavorados ou repletos de nojo quando ela ativava sua Peculiaridade, que ser uma mísera pedrinha no sapato de um garoto mimado pareceu até um elogio.

***

Ela não soube exatamente por que ficou ali, empoleirada no alto de um dos prédios, assistindo ao diálogo. No começo, uma profunda expressão de tédio tomou conta de seu rosto ao ouvir os motivos de Bakugou para lutar. Sua surpresa se estampou apenas com a revelação sobre a ligação da Peculiaridade de Midoriya e a do All Might. Mas logo sua atenção foi desviada para o fato de que eles realmente iam lutar. Ela ergueu os olhos para o nada fazendo cara de paisagem e sentiu a raiva e a decepção borbulhando dentro de seu estômago.

“É sério mesmo, Midoriya, que você vai entrar no joguinho fajuto do infeliz do Bakugou?”, pensou ela, indignada. “Estou de-ce-pcionada com você.”

Ela se preparou pra interferir, traçando um plano para parar os dois. Impedir que Bakugou batesse em um Midoriya indefeso era uma coisa. Entrar no meio de uma luta com os dois usando ao máximo de suas Peculiridade e não receber nenhum dano era outra. Não estava muito a fim de ativar a sua de forma intensa: iria demorar horas para dormir pois o processo restauração substancial das partes convertidas era bastante desconfortável.  Mas talvez tivesse que sacrificar um braço... Ou talvez dois. Mas seu ponto principal era fazer isso antes que o professor Aizawa chegasse. Iria arrastar os dois feito dois sacos de batata para a o dormitório.

Entretanto, naquele momento, os movimentos pararam. [Nome] se posicionou para saltar para o chão, mas as palavras que ouviu desviaram completamente o foco de sua atenção:

— Não se preocupe comigo! – Bakugou havia acabado de dar um tapa na mão de Midoriya, que a estendera para ajuda-lo a se levantar – Lute!! Qual é o seu problema!?

Bakugou colocou-se de pé e arrastou uma perna para se firmar.

— Por quê? Por que eu acabei correndo atrás de uma pessoa que sempre esteve atrás de mim? – ele agora se curvara para frente, e parecia tremer de raiva – Por que um merdinha como você ficou tão forte e foi reconhecido pelo All Might? Por que você se tornou tão forte enquanto eu... Por que fui eu... – ele ergueu a cabeça lentamente e encarou Midoriya com uma expressão que transpareceu completamente em sua voz, descartando a necessidade de vê-la – Por que eu fui o responsável pelo fim do All Might? 

O prodígio infame fez uma pequena pausa, ainda encarando o herdeiro do One for All. Por fim, continuou no mesmo tom de agonia:

— Se eu fosse mais forte, se não tivesse sido sequestrado pelos vilões, então aquilo tudo não teria acontecido... – Bakugou pareceu por um instante enxugar os olhos – O All Might tentou manter isso em segredo... Eu não pude contar pra ninguém!

As palavras de Bakugou pareceram se converter em duas flechas que acertaram direto no coração de [Nome]. A primeira estaria envenenada com um misto de emoções estranhas: pena, dor, compaixão. Ela jamais ouvira-o falar daquela maneira tão aberta e tão sincera, admitindo sua fraqueza, limitações e, principalmente, os seus pesadelos. As coisas que o assombravam sempre eram um mistério para todos ao seu redor, devido sempre à sua atitude agressiva e arrogante. Entretanto, a segunda flecha rapidamente espalhou seu veneno sobre o da primeira, borrando as emoções anteriores. Raiva. Era isso que [Nome] sentia. Uma raiva sem precedentes que era dirigida unicamente a Bakugou. Independente de estar admitindo coisas que jamais admitira, seu comportamento essencial não mudara: ele continuava sendo o centro do universo. Era tão importante que ele tivesse sido reconhecido no lugar de Midoriya... Tão importante que ele estivesse mais forte...

Como se toda a culpa da aposentadoria do All Might fosse dele. Única e exclusivamente dele.

Quem ele achava que era pra ser integralmente responsável por algo tão importante?

Bakugou era completamente incapaz de analisar o contexto, seja para trás, para frente ou para os lados. Ele era incapaz de ver que a aposentadoria do All Might era uma pura questão de tempo. Fora incapaz de fazer a soma dos eventos que precederam aquele. Se não ele... Poderia ter sido qualquer pessoa.

Qualquer uma.

— Mesmo que eu tente não pensar nisso, isso sempre vem na minha mente do nada! – gritou Bakugou. – Eu não sei o que fazer!

 Aquilo fora a gota d’água, pois a resposta estava muito clara para [Nome]. A garota tocou os dois antebraços com suas mãos, e imediatamente sentiu o calor familiar de sua Peculiaridade se ativando. Já que se conformara que não dormiria aquela noite, tocou as pernas e sentiu a temperatura subir em toda sua extensão delas até a ponta dos pés. Concentrou-se em estender o calor para dentro do corpo, para que ele envolvesse cada célula do seu corpo. Ela sabia que não tinha muito tempo, mas precisava ativar ao máximo de sua Peculiaridade para não haver riscos.

Nesse instante a lua refletiu em seus braços, criando um feixe de luz que chamou a atenção de Midoriya. Ele sequer precisou olhá-la diretamente para reconhece-la, já que a voz alcançou-o antes:

— Ah, pode ficar tranquilo, Katsuki. Por que eu sei o que fazer.

Bakugou ergueu-se a tempo apenas de ver um borrão desaparecer do alto do prédio. Segundos depois, uma dor excruciante ferroou o ponto exato de sua coluna antes que se espalhasse graças ao impacto de seu corpo com o asfalto. O asfaltou trincou e cedeu, obrigando Midoriya a dar alguns pulos para trás.

— [Nome]-chan! – chamou ele num tom que pedia claramente para que ela parasse.

Mas ela nem tinha começado.

Quando a nuvem de poeira baixou, os olhos de Midoriya se arregalaram até estremecerem ao ver [Nome] de pé, pisando sobre as costas de Bakugou com as pernas tingidas de uma tonalidade dourada ao mesmo tempo linda e terrível. Ela se abaixou e estendeu um braço, este coberto por uma tonalidade prateada, para agarrar o cabelo de Bakugou e puxá-lo sem cuidado para erguer sua cabeça.

— Mas você é um merda mesmo, hein? – cuspiu [Nome] com a voz perigosamente desdenhosa. – Quando a gente acha que você vai fazer ou pelo menos falar alguma coisa que presta, você caga tudo.

Bakugou tentou virar a cabeça ao mesmo tempo em que se debatia, mas o peso da perna de [Nome] o impediam de sair do lugar.

— O que você tá fazendo, sua vadia!? – berrou ele a plenos pulmões.

Num gesto brusco, [Nome] virou Bakugou de barriga para cima e agarrou seu pescoço. Com os braços convertidos, não foi nada penoso erguê-lo até que apenas a ponta dos pés do garoto estivesse raspando o chão. Seus dedos se fecharam com firmeza ao redor da garganta do garoto das explosões, que tossiu duas vezes e agarrou seu antebraço com ambas as mãos.

— Estou fazendo o que já devia ter feito há muito tempo – a raiva vincava cada canto móvel do rosto de [Nome] – Te colocando de vez na porra do seu lugar.

— Vai pro inferno! – berrou Bakugou disparando uma sequência de explosões contra o braço de [Nome]. Uma cortina de fumaça envolveu os dois, impedindo que Midoriya os visse por alguns instantes, mas não que ouvisse a risada escandalosa da garota.

— Ai, isso é sério, Katsuki? Depois de todos esses anos, você ainda não aprendeu? – quando a fumaça se dissipou, Midoriya tornou a sentir o corpo gelar ao ver agora o rosto de [Nome] coberto pela camada prateada.  Vê-la usar sua Peculiaridade daquela forma sempre o deixara estranhamento arrepiado de medo. A garota voltou a estreitar o aperto no pescoço de Bakugou para depois girar e atirá-lo de novo ao chão, mas sem soltá-lo. Agachou-se rapidamente e prendeu uma das pernas dele sob o peso doloroso de uma das suas.

— Vamos revisar um pouco de Química? – disse ela num tom doce, um que lembrava muito o tom usados por professoras do primário. Isso tornou a levar a raiva de Bakugou ao ápice, que gerou mais uma série de explosões que foram completamente inúteis contra o aperto de [Nome]. – Titânio, número atômico 22, 47,897 gramas por mol – ela tornou a sufocar Bakugou por um instante, que tossiu enquanto batia debilmente contra seu braço. – Ponto de fusão: 1668 graus Celsius.

Um sorriso afetado expôs os dentes de [Nome] enquanto ela soltava uma risada.

— Eu nem preciso usar tungstênio com você, já que suas explosões não passam de estalinhos.

 [Sobrenome] [Nome]

Peculiaridade: Alquimia

Ela é capaz de converter matéria em qualquer tipo de metal através do toque, desde que ela esteja tocando ao mesmo tempo em alguma amostra desse metal. Para garantir que ela sempre possa usar sua Peculiaridade, ela usa diversos brincos na orelha de composições diferentes e tem implantes do corpo! O tamanho da amostra e o metal em si influenciam na velocidade, na duração e na efetividade da Alquimia. O conhecimento de Gina sobre o metal também é decisivo para uma conversão efetiva. Existem sete tipos de Alquimia possíveis que podem ser ativados separados ou combinados, e alguns, ao serem dominados, podem remover algumas limitações! Entretanto, há um sério risco ao se utilizar a Alquimia continuamente: o usuário sofrerá continuamente com intoxicações por excesso de íons pesados! Os sintomas podem ir desde vômitos, tonteiras até a morte!

A raiva distorceu cada traço do rosto de Bakugou, que parecia prestes a explodir. Ainda sorrindo, [Nome] curvou-se para frente para jogar o corpo do garoto com toda a força no chão, mas sem soltar seu pescoço.

— [Nome]-chan, para!! – protestou Midoriya correndo na direção dos dois, mas logo parou derrapando quando a voz de Bakugou o alcançou:

— Fica longe daqui, De-

Mas ele não conseguiu terminar a frase, pois [Nome] tornou a sufoca-lo.

— Você fica com essa sua boca suja bem caladinha, porque agora você só vai escutar. E Izuku! – ela ergueu os olhos e fuzilou o garoto sardento com olhos. – Você fica bem aí, sem mexer um músculo, ou você vai apanhar também! E não vai ser pouco!

Tornando a endurecer os olhos enquanto seu sorriso desaparecia, [Nome] tornou a encarar Bakugou, que lutava sem sucesso para sair de seu aperto de titânio. Suas pernas, convertidas em ouro puro, pressionavam dolorosamente as do garoto esquentadinho, impedindo-o de se debater. Ela ergueu um pouco seu tronco e tornou a empurrá-lo com toda a força contra o asfalto já esmigalhado.

— Viu só? Fica aí com essa pose toda, mas não passa de um merda zero a esquerda! – berrou ela no mesmo tom que Bakugou costumava usar para se comunicar rotineiramente. – E você sabe disso, não sabe!?

O garoto das explosões apertava os dentes, e se remoía de ódio por dentro por inúmeros motivos que se misturavam numa tempestade furiosa, que parecia numa iminência eterna de explodir de dentro dele.

— Você fica aí – continuou [Nome] possessa de raiva – berrando pra todos os lados que vai ser o herói número 1, que vai ser como o All Might e, enfim superá-lo... Mas a única porra que você consegue ver na sua frente é a desgraça do seu umbigo!! Tudo precisa girar em torno de você, - a na frase seguinte, a cada enumeração, ela puxava o tronco de Bakugou para batê-lo contra o chão – tudo tem que ser ao seu favor, todos tem babar nos seus ovos, a buceta do universo inteiro tem-que-girar-em-torno-do-seu-umbigo-de-merda!

Na última pancada, Bakugou tossiu espirrando algumas gostas de sangue. Midoriya cerrou os punhos e sentiu o corpo tremer. Mesmo sabendo que seriam dois contra uma, sentia que deveria ficar imóvel, ou as consequências seriam mil vezes piores.

— Você tem alguma noção, seu desgraçado, do que significa dizer que quer ser igual ao All Might!? Você sabe quem ele é!? Você sabe o que ele representa para todos nós!?

[Nome] bateu o tronco de Bakugou contra o chão mais uma vez e parou. Ela respirava pesado, e ainda mantinha os dedos de titânio apertados contra o pescoço do garoto. Com a voz trêmula de raiva e os olhos opacos, como se ela estivesse vendo algo além do asfalto que encarava, ela continuou:

— É claro que você não sabe... Se você soubesse nunca ousaria sair falando com essa boca imunda que seria como ele – ela fez uma pausa longa, na qual Midoriya rezou para que tudo tivesse acabado. Entretanto, ele sequer sonhava que [Nome] estava apenas começando.

— De pé – disse ela de súbito, puxando Bakugou pelo pescoço até que ele firmasse debilmente os pés no chão. Mal ele sentiu o aperto em sua garganta se aliviando, uma pancada excruciante esmagou seu abdômen, lançando-o vários metros para trás. Ele rolou no chão várias vezes até parar, sentindo a pele sendo rasgada em vários pontos pelo atrito com o asfalto. Ele lutou para se levantar, mas a série de pancadas contra o chão o haviam deixado bastante atordoado. Grogue de dor e raiva ele se apoiou nos braços e ergueu o tronco, mas ainda incapaz de focalizar direito o que estava à sua frente.

— Sabe qual eu acho que seja o seu problema, Katsuki? – a voz de [Nome] alcançou-o, áspera e cheia de desprezo, antes que ele pudesse focalizar sua silhueta.

Aquele som pareceu rasgar seus ouvidos, e uma dor amorfa, mas insuportável, pareceu espremer seus pulmões e seu coração. Por quê? Por que aquele tom de desprezo na voz de [Nome] o incomodava... o machucava tanto? Ele não devia ligar pra uma virgula do que aquela vadia falava...

— O seu problema é essa sua insegurança doentia e infantil – a garota começou a caminhar vagarosamente na direção de Bakugou, quase arrastando os pés, e a visão fez um arrepio correr a espinha de Midoriya. – “Por que um merdinha como você ficou tão forte e foi reconhecido pelo All Might? Por que você se tornou tão forte”... Ah, faça-me o favor, Katsuki. Tem tanto medo que ele supere você e se torne o novo Símbolo da Paz, o novo número um? Você tem tanto medo assim do Izuku?

Bakugou rolou no chão, ficando de frente para [Nome]. A visão de sua silhueta quase coberta por completo por tons metálicos colocou-o em estado de extremo alerta. Ele estava completamente sem condições de revidar, e mal conseguia ficar de pé. Mas havia uma outra emoção por baixo. Uma necessidade enorme de correr até ela e poder devolver todos os golpes que recebera. Poder finalmente quebrar aquela defesa impenetrável e fazê-la sentir o verdadeiro poder contido em suas explosões. Bakugou morreria pra fazer isso. Fazer isso até que... Até que... Ela finalmente...

O reconhecesse.

Quando essa última palavra se materializou em sua mente, Bakugou soltou um urro de ódio, e uma nova enxurrada de adrenalina o colocou de pé. Com o corpo dormente e trêmulo de raiva, o garoto avançou feito um animal enlouquecido na direção de [Nome].

— Sua vadia desgraçada! – xingou ele avançando já com uma nuvem de explosões em cada mão.

[Nome] apenas esperou, ainda caminhando lentamente na direção do amigo de infância. Quando Bakugou estava à menos de um metro, pronto para explodir seu tórax, que não estava protegido pela Alquimia, ela simplesmente esticou as mãos e segurou as de Bakugou, encaixando os dedos entre os dele e travando seus braços. As explosões foram abafadas entre as palmas dos dois, e acabaram queimando a pele de Bakugou, que trincou os dentes para não gemer de dor. O garoto fuzilou [Nome] com o olhar enquanto lutava contra a força dos braços dela, que o empurravam lentamente para baixo.

— Mas é um imbecil mesmo... – riu-se ela com desprezo. Ela foi se curvando e se aproximando, forçando Bakugou a se ajoelhar. Naquele ponto, ele sabia que seus braços deveriam estar completamente convertidos em titânio, e as pernas em ouro. Seria inútil disputar forças.

— Olha bem pra onde e como você está agora, Katsuki – ela tornou a abrir seu sorriso quase sádico. – É o seu lugar se você quiser chegar a algum lugar.

Ela ergueu uma das pernas e colocou o pé contra o peito de Bakugou, empurrando-o de novo contra o chão. Ele agarrou seu tornozelo e tentou movê-lo, mas a única coisa que ganhou com isso foi um pisão sobre seu esterno. Ele tossiu de novo e engasgou, tentado respirar.

— Os verdadeiros heróis – disse [Nome] retomando a expressão séria. – Começam aí, no chão. Pisoteados e desprezados por pessoas que disseram que eles não eram capazes. Isso não te parece familiar?

Ela tornou a forçar o pé sobre o tórax de Bakugou. O garoto esperneou e gerou uma série de explosões involuntárias que, novamente, sequer arranharam a pele de [Nome].

— Em quantos você pisou, Katsuki? A quantos você disse que eram completamente incapazes, que eram lixos comparados a você? Não percebe que você só consegue se sentir em cima quando coloca os outros ao seu redor para baixo!?

[Nome] se curvou e desferiu um soco na lateral esquerda do rosto de Bakugou, que novamente teve que trincar os dentes para não gemer.

— É esse quem você é, Katsuki. Um merda que só consegue subir fazendo os outros descerem. – ela deu uma risadinha. – Baixa essa bola. E fica tranquilo. Você não é tão especial assim a ponto de ser o motivo da aposentadoria do All Might. Do jeito que você é egocêntrico, você é completamente incapaz de ver que tudo foi uma soma de fatores e uma pura questão de tempo. E o All Might estava completamente consciente disso quando ele fez o que fez.

[Nome] tornou a agarrar Bakugou pela garganta e levantá-lo até que ele fosse incapaz de tocar o chão com os pés.

— Só pra ficar bem claro: vê se lembra depois dessa surra que você ainda não passa de um estalinho. A merda de um estalinho. E pior ainda, um que se acha tão heroico e sequer sabe o que é ser herói de verdade – ela balançou a cabeça e fez um ar decepcionado. – Tsc-tsc. Tem que parar com isso Katsuki. Tem que parar de se achar a última Coca-cola do deserto, porque você não é. Você é só mais um nesse mundo. E infelizmente faz parte da categoria dos lixos arrogantes que querem ser heróis por puro luxo do seu ego.

— Cala a boca!! – berrou Bakugou com um fôlego que surpreendeu [Nome]. Mas o que mais a surpreendeu foi o desespero misturado com a raiva que permearam aquele grito de gelar a alma e... as duas lágrimas que saltaram dos olhos do prodígio infame.

No instante de hesitação de [Nome], uma voz cortou a noite irrequieta:

— Já basta!

O corpo da garota enrijeceu assim que reconheceu a voz. Ela virou lentamente na direção da qual a voz viera, enquanto afrouxava os dedos que apertavam o pescoço de Bakugou. O garoto caiu de joelhos no chão e se curvou para tossir. [Nome] e Midoriya fitaram a silhueta magricela e pesarosa de All Might se aproximando.  O garoto de cabelos verdes ainda estava plantado no mesmo lugar desde o início da “luta” entre seus dois amigos de infância, e só ousou se mexer diante da presença de seu mestre.

— Desculpem, mas eu escutei tudo – disse o Símbolo da Paz com a voz soturna, carregada de culpa. – Eu sinto muito por não ter notado antes.

Bakugou colocou-se de pé a muito custo e encarou All Might com os olhos arregalados. Depois, ele tornou a desviar os olhos e a virar o rosto de forma que o herói não o visse e murmurou:

— É tarde demais... – houve um silêncio pesado, no qual All Might continuou se aproximando.

Por fim, cerrando os punhos, Bakugou perguntou:

— Por que o Deku...?

Os olhos de [Nome] se arregalaram enquanto ela se virava lentamente para encarar Bakugou. Isso era sério!? Ele tinha escutado alguma coisa do que ela tinha falado!? A garota puxou o ar, segurando a imensa vontade de espancar Bakugou até que não pudesse mais se mexer e jogou as mãos pro alto.

— Tudo bem, ok! Eu tô fora – disse ela num tom de quem não conseguia acreditar no que acabara de ouvir. – Se eu ficar mais dez segundos aqui, eu vou acabar espancando o Katsuki até a morte então... Melhor eu vazar.

[Nome] girou nos calcanhares sem cerimônia e rumou para a direção da saída do Ground Beta. Entretanto, mal tinha dado três passos, a voz do Símbolo da Paz a fez parar:

— [Nome] shoujo, espere um pouco! O quanto exatamente você escutou da conversa entre os dois...?

A garota virou o suficiente para que Toshinori visse o lado direito de seu rosto.

— Eu ouvi sobre a parte da Peculiaridade do Izuku ter a ver com você – ela percebeu o nervosismo trespassando os olhos aflitos do Símbolo da Paz, o que a fez sentir um aperto no coração. Então se apressou em dizer – Mas eu juro pela minha vida que não contarei a ninguém. Nem sequer vou comentar com esses dois, nem pedir mais informações.

Ela deu um sorrisinho triste e olhou para baixo.

— Te dou a minha palavra, All Might. Até porque... Não quero ter mais uma informação que seja mais uma razão para quererem me matar.

Os olhos de Toshinori tremeram diante da fala de [Nome], e ele baixou os olhos. Precisava cuidar da questão inerente a ela, mas... Um problema de cada vez. Ele sabia as circunstâncias trazidas pela Peculiaridade da garota, e esse era mais um motivo para que ele interferisse assim que terminasse a questão entre os dois.

— Muito obrigado, [Nome] shoujo. De fundo do coração, obrigado – disse All Might fazendo uma leve reverência.

Ela também fez uma mesura e tornou a se virar. Entretanto, outra voz interrompeu a quietude do ar da noite mais uma vez:

— Oi! Sua desgraçada! Volta aqui! Nós não terminamos!

Pelo tom de Bakugou, [Nome] nem precisou olhar para ter certeza que o garoto estava espumando de raiva. Ela deu uma risadinha e ergueu o braço, balançando-o num sinal de dispensa.

— Terminamos sim, Katsuki. Você tomou a surra que andava precisando tomar. Com o resto, não tenho nada a ver.

— Sua- – o garoto ia tornar a berrar, mas foi interrompido por um murmúrio que [Nome] não conseguiu entender.

A garota seguiu seu caminho para o dormitório sem pressa, e a cada passo que dava, sentia um pinicar desconfortável nos braços e nas pernas. A Alquimia estava se desfazendo. Ela apertou os olhos e se amaldiçoou por ter se metido naquilo. Devia ter ficado no seu canto, como sempre fizera.

Sempre era melhor não se envolver.

***

Depois de muitos minutos ouvindo um belo esporro de Aizawa, [Nome], Bakugou e Midoriya foram finalmente liberados para dormir levando de brinde alguns dias de detenção. Faltou muito pouco para que [Nome] não acabasse com os dois ali mesmo, tamanha era indignação que sentia. Definitivamente não deveria ter ido atrás deles. Ela marchou direto para a ala comum, pois tinha deixado seus materiais de estudo lá antes de sair a pedido de Uraraka. Entretanto, ao passar por Bakugou e Midoriya, o primeiro chamou:

— Oi. Eu e você não terminamos.

[Nome] interrompeu sua caminhada abruptamente, trincando os dentes para não explodir. Ela preparou cuidadosamente sua resposta, curta, grossa e negativa, mas nesse instante, Midoriya passou por ela, indo em direção aos dormitórios, e sussurrou:

— Converse com ele. É importante.

Os olhos da garota se arregalaram diante da fala de Midoriya, e depois o seguiram com um ar desconfiado e confuso. Seria fácil recusar, mas [Nome] aprendera que nunca era sábio rejeitar uma sugestão do amigo sardento. Ela cerrou os punhos e ficou em silêncio alguns instantes, de costas para Bakugou enquanto fitava as costas de Midoriya, que se afastava. Enfim, virou-se num gesto brusco e perguntou:

— O que você quer?

Como de praxe, o prodígio das explosões a encarava com toda sua agressividade. Tinha as mãos enterradas nos bolsos e os ombros anormalmente caídos.

— Você acha que pode fazer o que bem entende e depois ficar por isso mesmo? – rosnou ele, de início baixo. Depois sua voz cresceu, assumindo quase a altura normal. – Você sempre interfere nas minhas lutas e depois sai como se não tivesse nada a ver com isso!!

— E eu não tenho – disse ela expirando pelo nariz com desdenho. – Só não acho certo você espancar indefesos e não fazer nada.

— Não foi só esse tipo de caso que você interferiu! – acusou ele tentando manter a voz baixa o suficiente para que Aizawa não viesse atrás dos dois. – A luta de hoje...

Ele deixou a frase morrer e trincou os dentes, fuzilando-a com os olhos.

— Eu sei que você não vai parar – disse ele enfim, depois de alguns instantes de silêncio. A afirmativa pegou [Nome] de surpresa, que arregalou levemente os olhos. – Mas sei que você também não vai parar de fugir! É sempre, sempre, sempre assim! Você é covarde ou quê!?

Dessa vez, foi [Nome] quem trincou os dentes e tensionou todos os músculos de seu corpo para não partir para briga de novo. Ele a encarou em desafio, esperando a resposta. A garota sustentou seu olhar, mas no momento em que fez isso, soube que Bakugou não aceitaria qualquer resposta.

— Se vai continuar interferindo e fugindo, quero saber um bom motivo pra você fazer isso – rosnou ele com a voz rouca.

Pela primeira vez na vida, [Nome] se sentiu acuada diante do garoto estalinho. Não, não era ele quem gerava o medo. Era a resposta que ele exigia. Ela conhecia a teimosia e a cabeça-dura de Bakugou. Não seria capaz de escapar daquela vez, não conseguiria evitar colocar as cartaz na mesa.

— Sua vadia, eu quero respostas! – disse ele avançando um passo na direção dela. – Você sempre fez essas merdas de interferir, mas nunca se envolver! Você sempre seguia a mim e o Deku, de longe, sem dizer nada. Se não fosse pelo merda do Deku você nunca teria conversado com a gente! E mesmo depois, você continuou fugindo. Nunca tinha nada a ver com você. Desaparecia sem deixar pistas, reaparecia como se nada tivesse acontecido e ainda achava que tinha o direito de interferir em alguma coisa! Então se vai continuar fodendo com a minha vida, eu quero saber o porquê!

[Nome] deu um passo inconsciente para trás. Jamais admitira de forma inconsciente, mas aquela última frase de Bakugou de fato a machucou. Ela olhou para o chão e apertou os lábios. No final das contas, o laço tênue que estabelecera com Bakugou e Midoriya não passava de uma ilusão que ela criara. Uma ilusão para amenizar a dor que se intensificava a cada vez que ativava sua Peculiaridade. A verdade sombria que ela trazia.

Ela tornou a erguer os olhos, espremidos numa expressão de raiva que não passava de uma máscara de defesa. Ela jamais se permitira fraquejar na frente de Bakugou, principalmente agora que sabia que ele a via da mesma forma que todos os outros que conheciam a real natureza de sua Peculiaridade...

Um estorvo.

— É mais conveniente – ela disse tentando injetar desdenho na voz. – Se envolver gasta tempo e energia. Se você se compromete, fica mais difícil lidar caso aconteça alguma coisa – um sorrisinho curvou seus lábios, fazendo uma nova careta de raiva distorcer o rosto de Bakugou – Mas não sei porque você se importa com isso. Afinal, você também não dispensa esse tipo de coisa?

Houve um momento de silêncio, no qual Bakugou parecia estar perscrutando cada centímetro da alma de [Nome]. Por fim, ele trincou os dentes e rosnou, avançando até agarrar a gola da camisa da garota:

— Você tá mentindo, sua desgraçada! Eu quero a porra da verdade! – ele puxou o tecido com agressividade de um lado para o outro, sacudindo o tronco de [Nome].

Lentamente, [Nome] ergueu a mão direita, que ainda estava convertida em titânio, e fechou os dedos ao redor do pulso de Bakugou. Ela sentiu a tensão se espalhando por seu braço e um sorrisinho voltou a curvar seus lábios. Estava escrito nos olhos de Bakugou que ele sabia o que ela poderia fazer. Entretanto, mesmo sentido que recuperara a vantagem, a garota decidiu ir até o fim, já que ele não iria parar até obter o que queria.

— Às vezes – começou ela - quando eu fico muito tempo esperando por um livro e finalmente ganho ou consigo comprar, eu fico horas admirando a capa e passando a mão nele. Daí, em algum momento, abro-o e dou uma lida rápida na primeira página, e torno a fechar. Às vezes faço isso por dias, e com alguns livros, nunca passei dessa parte – ela ergueu os olhos e olhou bem fundo nas pupilas irrequietas de Bakugou – E eu faço a mesma coisa com os laços que eu tenho. Admiro-os, mas não os vivo de fato. Eu não posso fazer isso.

Bakugou trincou os dentes, os olhos trêmulos de raiva e tornou a dar um puxão na gola da camisa de [Nome].

— Eu já falei que eu não entendo porra nenhuma dessas metáforas idiotas que você usa. Fala de uma vez, sua vadia!

Agora ele realmente tinha passado dos limites. Enraivecida e com a paciência completamente esgotada, [Nome] segurou o braço de Bakugou com as duas mãos e o espremeu com força. O garoto a soltou, soltando uma enxurrada de palavrões, mas não teve mais do que dois segundos para se preocupar com seu braço. [Nome] avançou e tornou a segurá-lo pelo pescoço, empurrando-o até que suas costas batessem contra uma das colunas.

— Você é burro, Katsuki!? – gritou ela fazendo um esforço enorme para não esmurrá-lo. – Você nunca prestou atenção na minha Peculiaridade!?

A cabeça de Bakugou de um giro enquanto ele tentava se localizar. O que a Peculiaridade dela tinha a ver com a pergunta que ele tinha feito?

[Nome] aproximou a mão livre do rosto do garoto, colocando a ponta dos dedos prateados na altura de seus olhos. De súbito, as unhas e a pele das falanges distais começaram a mudar de tom e textura, criando um padrão fluído metálico. Ele viu a pele dela ganhar diversos tons prateados, depois dourado, acobreado, um cinza escuro fosco e depois outro reluzente.

— Eu consigo converter qualquer coisa em qualquer metal, Katsuki. QualquerMetal.

O garoto piscou, exibindo uma mistura de raiva e confusão frustrada. Vendo que ele não tinha entendido, [Nome] suspirou pesadamente o soltou, afastando-se na direção da janela. Incrivelmente, o garoto não desatou a xingá-la, exigindo a resposta, e a garota presumiu que ele digeria a informação que acabara de dar. Lançando um olhar de esguelha para Bakugou, [Nome] tornou a suspirar enquanto fitava a ponta de seus dedos, que reluziam em diversas tonalidades metálicas.

— Sétimo período da tabela periódica – sentenciou [Nome] como se estivesse dando uma aula. – Grupo dos actinoides, número atômico 94 – ela tornou a se virar de frente para Bakugou, mas com um olhar carregado de tristeza – Plutônio.

Demorou alguns segundos para que as informações se conectassem no cérebro do prodígio das explosões. Seus olhos se arregalaram numa expressão quase mórbida. [Nome] abriu um sorriso triste.

— Entendeu porque, perto de mim, você é um estalinho? – ela deu alguns passos para trás para se apoiar na lateral de um dos sofás. Olhou para o lado com um ar que misturava tristeza e conformidade e deu soquinhos no encosto almofadado. – Você pode pôr abaixo um prédio se quiser, em alguns minutos talvez uma quadra. Se se dedicar, em algumas horas pode acabar com umas cinco, talvez. Me dê uma hora, e eu posso produzir plutônio suficiente para explodir o planeta dez vezes.

Um silêncio estranho pesou entre os dois, mas, estranhamente, [Nome] se sentiu à vontade para continuar. Era bom, enfim, falar tudo aquilo em voz alta.

— Eu só fui aceita na UA para ser vigiada – continuou ela. – Por que você acha que sempre teve uns caras estranhos rondando a vizinhança quando eu estava por lá? Não é como se eu fosse me tornar uma heroína. Aqui eles podem controlar o desenvolvimento da minha Peculiaridade, e vigiar o meu futuro para que eu não saia daqui com poderes demais e ideias erradas na cabeça. Eles querem garantir que eu não me torne uma ameaça maior do que eu já sou simplesmente por existir. Você acha seguro para alguém como eu estabelecer laços definitivos com as pessoas?

Ela fez uma pausa e, fazendo o estômago de Bakugou ferver de raiva, soltou uma risada.

— Não é como eu tivesse almejado ser uma heroína um dia. Afinal, desde o começo eu sempre soube que não iria longe...

Pegando [Nome] completamente de surpresa, Bakugou tornou a avançar, furioso, enquanto gritava:

— Eu não aceito isso! Eu não vou aceitar essa porra nem fodendo! – ele a agarrou pelos ombros e a empurra com força contra o chão, imobilizando-a como ela havia feito mais cedo com ele. Ele pressiona um de seus antebraços contra a garganta dela e continua berrando – Não aceito, desgraça! Eu não vou aceitar! Não vou aceitar essa porra de que alguém que não tem ambição de ser um herói ter me vencido! É mentira! É tudo mentira toda essa merda que que você tá falando! Você tem! Você tem a porra de uma ambição! Você tem que ter!

Com a cabeça girando devido aos efeitos colaterais de sua Peculiaridade e os gritos de Bakugou, [nome] deixa a raiva de apoderar de seus membros novamente e consegue libertar um dos braços do aperto do garoto. Ela acerta um murro em sua mandíbula e avança para derrubá-lo no chão, invertendo as posições. Agora ela o imobilizava, só que dessa vez seus braços se dedicavam a segurar os dois braços dele contra o chão, sobre sua cabeça.

— É verdade! – ela berrou, cuspindo na cara de Bakugou. A raiva e a frustração engolfavam sua garganta. Como? Como naquele momento ele só conseguia pensar no fato de que ela tinha ganhado dele? Era sempre assim? Seu ego sempre seria o mais importante? – Eu tenho um objetivo! Eu tenho uma ambição!

Bakugou parou de tentar se libertar e encarou a amiga com os olhos estreitos. Ela o olhava com a testa vincada por sua fúria.

— A minha ambição... É ganhar, Katsuki.

A confusão permeou o olhar de Bakugou por alguns instantes, antes que eles se arregalassem diante do que ele viu no rosto de [Nome]. Lágrimas grossas empossaram seus olhos e pingaram, caindo sobre a bochecha do garoto e, por fim, escorrendo para o chão.

— Eu quero ganhar... – repetiu ela lutando contra os soluços – O direito de viver em paz! Quero provar para todos que eu posso controlar minha Individualidade, sem oferecer riscos para ninguém! Quero provar que eu nunca vou produzir nada que seja uma ameaça pra humanidade, mesmo que pra isso eu tenha que me matar!

Os olhos de Bakugou se arregalaram ainda mais, completamente vidrados no rosto de [Nome]... No rosto que ele jamais vira demonstrar uma mísera fraqueza. O rosto que tinha sido a fortaleza que ele mais admirara na vida depois de seu ídolo. A pessoa que ele mais julgava estar perto de se tornar... Uma heroína de verdade.

— Mas quem se importa, não é? – cuspiu ela largando os braços de Bakugou e jogando os seus para cima num gesto de impaciência. – Por que isso importa pra você? Qual foi a utilidade de saber de tudo isso?

Ela se levantou, ajeitando a roupa e se afastando na direção da mesa em que estavam seus materiais de estudo. Entretanto, antes que pudesse dar mais do que dois passos, uma mão agarrou seu antebraço e a puxou para trás. Ela voltou o rosto, irada, pronta para soca-lo novamente, mas a expressão no rosto dele e a sua voz fizeram-na congelar no lugar:

— Eu me importo! – cuspiu ele com raiva. – Me importo, porque a pessoa atrás da qual eu corria antes do Deku me passar... Era você!

Nesse instante, dois pulsos pareceram oscilar, acelerando de um jeito estranho, mas de alguma forma, confortável. Por impulso, [Nome] puxou o braço, livrando-o do aperto de Bakugou. O garoto desviou os olhos e voltou a enterrar as mãos nos bolsos.

— Pra falar a verdade – continuou ele – Quando o Deku me passou, eu perdi você de vista completamente. Você sempre esteve... muito na frente.

[Nome] apertou os lábios para reprimir o desejo de perguntar se ele estava doente. O silêncio se adensou entre os dois, até quem, enfim, Bakugou estalou a língua e tornou a encará-la com a agressividade habitual.

— É melhor você continuar treinando pra ficar bem atrás de mim. Não vou aceitar você abaixo do terceiro lugar no ranking dos heróis.

[Nome] revirou os olhos.

— E por que diabos minha colocação no ranking importa pra você?

Bakugou tem mais um de seus acessos de raiva, encrespando as mãos e fazendo uma enorme carranca:

— Porque se descobrirem que eu perdi pra você, vai pegar muito mal pra mim se você estiver mal colocada no ranking!

[Nome] arregalou os olhos, e depois balançou a cabeça em desaprovação, com ar de vencida, finalmente se encaminhando para seus materiais.

— Sempre pensando no seu ego e na sua reputação – desdenhou ela se jogando no sofá – Babaca.

A garota ergueu as mãos ainda metalizadas e fitou-as por alguns segundos, completamente alheia ao olhar de Bakugou sobre ela, que agora perdera completamente a animosidade. Sentiu a o formigamento incômodo característico de quando a Alquimia começava a se desfazer. Não iria conseguir dormir por nada naquele mundo, já que não só seus braços, como suas pernas estavam convertidos. Pegando-a de surpresa, cortando o silêncio que se instalara na área comum, Bakugou perguntou:

— Você não vai dormir agora, não é?

[Nome] começou a organizar seus materiais sobre a mesa de centro e puxou seu fichário para o colo.

— Nem se eu quisesse – respondeu erguendo uma das mãos prateadas, mas sem encará-lo. – Vou estudar.

Bakugou estala a língua, hesita por alguns segundos e enfim dirige-se para seu quarto. Entretanto, alguns minutos depois, ele reaparece e se dirige silenciosamente ao mesmo sofá em que ela estava sentada, com as mãos enterradas nos bolsos. Ela o encara com uma interrogação entre as sobrancelhas quando ele se joga ao lado dela.

— Foi por minha culpa que você usou sua Individualidade tão tarde; por isso vou ficar acordado com você.

[Nome] encarou-o, incrédula. Ela piscou lentamente, sem conseguir disfarçar que o encarava quase como se visse uma aberração. E, Bakugou, claro, não gostou nem um pouco:

— Que que foi, hein!?

Ela piscou, apertando os lábios para reprimir uma risadinha e se esticou para pegar sua lapiseira, sua borracha e uma caneta em seu estojo, voltando sua atenção para o fichário.

— Ah, nada. Só estava me perguntando se você tinha batido a cabeça em algum lugar ou talvez tivesse sido abduzido e tivessem colocado um clone seu no lugar, só que um clone educado.

— Ah, vai tomar no seu cu!

— É, talvez você não tenha sido abduzido. Ah, e a propósito – ela bateu a lapiseira algumas vezes no lábio inferior. – Se você já ia ficar acordado, porque você foi e voltou?

Fulo de raiva, Bakugou quase gritou na cara de [Nome]:

— Não posso mais ir cagar não?

Ela soltou uma gargalhada, mas imediatamente sua atenção foi direcionada para o cheiro que ela sentira no momento em que Bakugou berrara em sua cara. Ela apertou os lábios enquanto seu tronco se sacudia com as risadas contidas.

— E também foi escovar os dentinhos – murmurou ela quase cantarolando.

— Dá pra você calar a boca, desgraça!? – berrou Bakugou mais alto ainda, esquecendo-se do horário. Ele não percebera de forma consciente, mas o fato de [Nome] ter reparado que ele escovara os dentes pelo seu hálito fizera seu coração saltar de um jeito desconfortável dentro de seu peito. Por um instante, ele quase se pegou fazendo uma pergunta:

“O que mais [Nome] reparava nele?”

— Pelo amor de Deus, Katsuki, é você que tem que calar a porra da sua boca! O Aizawa-sensei vai vir dar um esporro na gente se você gritar dessa droga de altura mais uma vez!

Ela voltou sua atenção para seu fichário, o qual estava aberto em seus estudos sobre ligas metálicas. Precisava por tudo aprender a produzi-las com sua Individualidade. Ela mergulhou em uma série de anotações sobre o arranjo molecular da liga crômio-níquel enquanto Bakugou se dedicava a mirar o teto. Não devia ter deixado seu celular no quarto.

Os dois permaneceram num silêncio estranhamente confortável por longos minutos. O único barulho que o quebrava de vez em quando, era o arranhar da caneta e da lapiseira de [Nome] no papel. Sendo gradativamente tomado pelo tédio, Bakugou começou a ficar inquieto, até por fim voltar sua atenção para [Nome].

— Que merda você tá estudando tanto aí se o semestre mal começou? – perguntou ele num tom que misturava sua usual pitada de agressividade e uma estranha dose de curiosidade sincera.

[Nome] puxou o ar, repetindo para si mesma mentalmente para manter a calma. Num tom perigosamente doce, respondeu:

— Estou estudando o impacto ambiental do uso de canudinhos de plástico... É claro que eu tô estudando química, sua mula mal parida!

— Como é que!? – rosnou ele, já começando a se levantar do sofá.

— Katsuki – cortou a garota massageando uma das têmporas. – Se não for pra calar a boca, vai pra porra do seu quarto, pelo amor de Deus! Eu quero estudar.

Ele tornou a se jogar no sofá e olhou emburrado e furioso para ela. O silêncio torna a se instalar até que enfim, o tédio vence Bakugou mais uma vez.

— Que química você tá estudando aí? – perguntou ele inclinando-se de forma desconfiada na direção do fichário.

[Nome] torna a suspirar e responde com ar cansado:

— Quer mesmo saber?

Devagar, ele balança positivamente a cabeça. Ela estende o fichário para ele, mostrando o desenho do arranjo molecular que fizera da liga que estava estudando. Havia diversos cálculos de carga, simulações de estrutura 3D e vários dados anotados numéricos sobre a liga. Ele tenta lê-las por quase um minuto, mas assim que percebe que não estava entendendo bulhufas do que estava escrito, volta a se recostar no sofá. [Nome] dá uma risadinha e volta sua atenção pata as folhas. Menos de dois minutos depois, Bakugou torna a perguntar:

— Estudar isso vai me ajudar a te derrotar?

— Pelo amor, Katsuki, cala-a-boca!

*

Já era tarde da noite. Devia passar das três e meia da manhã. [Nome] agarrava seu fichário com força, os olhos cravados em suas anotações. Estava quase lá! Se memorizasse todas aquelas simulações de estrutura, talvez finalmente conseguisse...

De súbito, alguma coisa encostou em seu ombro, fazendo a dar um pulinho. [Nome] olhou para o lado e, instantaneamente, seu corpo todo enrijeceu. Bakugou ressonava tranquilo, agora recostado em seu braço. Entretanto, assim que ele sentiu que havia algum tipo de apoio, ele se aproximou mais, ainda adormecido, e acabou perdendo o apoio do ombro de [Nome]. Seu tronco pendeu devagar até que sua cabeça se aninhou no colo da garota, que por puro reflexo, ergueu o fichário antes que ele deitasse em cima de suas anotações. Parecendo satisfeito com a posição que encontrara, Bakugou se ajeitou no sofá, quase enterrando o rosto na barriga de [Nome] e passou um por seu quadril, provavelmente pensando que era um travesseiro. E a puxou para si, e enfim, tornou a ressonar, imóvel.

A garota, que ainda mantinha o fichário erguido, mal ousava respirar. Seu coração estava disparado e ela não tinha a mínima ideia do que fazer. Um calor nada familiar se espalhou por seu peito enquanto seus batimentos disparavam a galope. Que sensação era aquela? Depois de alguns minutos completamente tensa, [Nome] foi relaxando até, enfim baixar o fichário cuidadosamente, mantendo-o suspenso sobre a cabeça de Bakugou. Uma mistura de sensações apossou-se de sua mente. Estava com raiva porque agora não conseguiria estudar direito, não com Bakugou segurando-a daquele jeito. Mas, abaixo da raiva, havia uma sensação quente e confortável, mas estranha, que a fazia de alguma forma gostar daquele toque. E entre as duas, estava o nervosismo, que fazia seu coração bater mais rápido do que deveria estar batendo. [Nome] fechou os olhos lentamente, e se permitiu buscar pela sensação desconhecida e, estranhamente, apreciou o ritmo acelerado de seu coração. Ela ficou ali, suspensa naquele furacão de emoções, desfrutando algo que jamais se permitira desfrutar.

Passado um tempo, devagar, ela pousou o fichário sobre a cabeça de Bakugou no intuito de voltar a estudar. Com o toque do objeto, o garoto se remexeu, encolhendo-se mais e estreitando ainda mais o meio abraço que dava no quadril de [Nome]. A garota reprimiu uma risadinha e balançou a cabeça numa desaprovação contida. Tinha certeza que, agora, não só não conseguiria dormir, como também não conseguiria se concentrar para estudar. Suspirou, tornou a erguer o fichário e fitou o rosto adormecido de Bakugou. Ao voltar a cobrir a cabeça do garoto com suas anotações, um sorriso torto curvou um dos cantos de sua boca enquanto seu coração tornava a bater daquela forma estranha e confortável. Baixinho, [Nome] murmurou:

— Seu merdinha...



Notas finais do capítulo

Notas:

¹ Plutônio = foi o núcleo de fissão usado na bomba "Fat Man", a que foi jogada sobre Nagasaki.



E AÍ SUAS LINDAS??? QUE Q VCS ACHARAM? Acharam um fluff minimamente decente mantendo a personalidade do Bakugou? (infelizmente n dá pra fazer mt mais que isso sem fazer ele completamente OOC). Espero que vocês tenham gostado e desfrutado desse evento astronômico. Evento astronômico pq eu escrever sobre Bakugou acontece q nem a passagem do cometa Halley: só a cada 79 anos. Mas quem sabe, QUEM SABE? Vai que um milagre acontece e eu tenho uma boa ideia ou pra continuar essa ou fazer outra dependendo do meu ânimo, do movimento das estrelas, e do feedback AUSHAUHSAHSHAHSUAHH

Também espero que vocês tenham gostado da nova quirk que eu trouxe. Esse oneshot foi o test drive dela. Espero estar trazendo MUITO MAIS DESSA QUIRK pq eu tô muito hypada com ela pq foi uma das quirks mais complexas q eu criei e com várias possibilidades de desenvolvimento. NOVAMENTE PEÇO PARA QUE, NO CASO DE QUIRKS MT ESPECÍFICAS, OU DETALHES ESPECÍFICOS DA QUIRK, NÃO-PLAGIEM. É um desrespeito total com quem gasta horas e horas fazendo brainstorm e escrevendo uma ficha de seis páginas descrevendo as minúcias da quirk.

Mais uma vez, muuuuuuuuuito obrigada pelo carinho, pelo apoio, pelo amor maravilhoso que vocês leitoras deixam aqui e que enchem a gente de ânimo pra enfrentar os dragões da vida (vulgo tcc no meu caso, vulgo trabalho no caso da Daphinne) pra vir aqui escrever mais e dar mais oneshots pra vcs curtirem muito com os personagens favoritos de vocês. UM BEIJÃO DA NANA-CHAN NO CORAÇÃO DE VCS E ATÉ A PRÓXIMA!



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