Moonlight escrita por Angel Carol Platt Cullen


Capítulo 3
Capítulo 34


Notas iniciais do capítulo

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I think... Acho que meu carro não cabe mais ninguém. – diz Edward.  Ele fala em português por minha causa, o que é muito gentil da parte dele.

Ele caminha para o lugar do motorista no Volvo.

— It means that I will have to go with that girl?  - diz Rosalie apontando para mim sem nenhum receio, ela não fala em português porque não quer fazer algo por mim. Ela me odeia. Ao que parece, de antemão sem eu ter feito nada para ela.  Por quê?

                Eu posso entender que ela não queira falar português comigo porque eu estou no país dela e não tem sentido falar português aqui. Eu que tenho que falar inglês e eu não me incomodaria se fosse apenas isso, mas tem mais, muito mais. Se fosse apenas isso tudo bem. Ela me despreza como se eu fosse uma lesma. Eu sei que nós humanos somos fracos comparados aos vampiros, mas ela poderia ser um pouco mais educada comigo, sabe; eu sei que eles são superiores, mas também não precisa esnobar.

                - Se você prefere pode levar o Jacob, irmã – diz Edward para ela. Rosalie faz uma cara azeda, como se dissesse ‘não, isso não!’Hoje eu sei o que ele dizia por trás dessas palavras: se referia ao cheiro de cachorro.

Rosalie não gosta de Jacob. Nem eu vou muito com a cara dele, mas não fico maltratando ele.

Podemos ir com Rose e Emmett - diz Jasper apaziguando. É a primeira vez que ele se pronuncia e agora eu também compreendo porque: por causa do dom peculiar dele.

— Papai e mamãe podem ir com o Jeep levar a Carol – diz Alice. – Você empresta o seu carro, não é Emmett?

É claro que ela já viu que ele iria emprestar, se não fosse ela viria com seu Porche amarelo, e não se importaria de emprestá-lo. Carlisle não faria qualquer dano ao carro, ele é um excelente motorista.

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                Fiquei com medo pensando que ele fosse negar e nós teríamos que ir para casa à pé. Não que não poderíamos ir correndo. Esme e Carlisle poderiam sim, eu é que demoraria cinco dias para chegar lá, isso se eu não me perdesse.... Mas já estava tudo combinado e eles vieram com os três carros por isso mesmo. Já sabiam que iriam precisar de mais três lugares e que o carro de papai ficou no Brasil. Carlisle poderia tê-lo mandado num navio, mas não mandou. Também não teria muito porque trazê-lo se vamos voltar. Se tivéssemos vindo para ficar, aí sim faria sentido enviá-lo.

— Podemos ir com a sua pick-up? – pergunta papai para o menino grande.

Ele parecia que não iria deixar, mas num instante sua expressão carrancuda se desfez num sorriso brincalhão e eu suspiro aliviada, pois estava apreensiva com o que ele iria responder:

— Claro, pai.

 Entramos nos carros e Esme me ajuda a colocar o complicado sinto de segurança. Não iríamos bater tenho certeza, mas devemos seguir as leis de trânsito. Não quero que papai leve uma multa por minha causa. Enquanto isso Carlisle liga o veículo e dirige para a saída do estacionamento do aeroporto e pegamos depois uma rodovia.

Eu fico fascinada observando o tamanho do edifício os reflexos de alguns raios de sol nascente iluminam as árvores. Estava chovendo e o tempo abriu de repente, logo vai chover outra vez. Ainda vai demorar um pouco até chegarmos em Forks. Uma hora talvez. A distância é quase a mesma de minha cidade até Foz do Iguaçu.

...XXX...

Em um determinado momento chegamos a um entroncamento da estrada e os carros de Rosalie e Edward que vinham atrás nos seguindo pegaram a outra direção. Eu me sobressalto:

— Papai, meus irmãos foram pelo outro caminho.

— Tudo bem, filha. Não se preocupe. Eles irão nos encontrar depois, só foram guardar os carros em casa.

— Quer dizer que nós não vamos para casa?

— Você é bem esperta filha, me orgulho muito de você. Sim, nós vamos fazer outra coisa antes – responde Carlisle sem desviar os olhos da estrada. Seus olhos mesmo me vendo pelo retrovisor ainda são bastante constrangedores e me deixam ruborizada.

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— Tudo bem – digo, desviando o rosto para me poupar a vergonha de morrer de vergonha. – O que nós vamos fazer então?

— Nós vamos jogar beisebol – Carlisle quase transborda de felicidade, ele deve gostar muito de praticar esse esporte.

Eu não vejo graça em nenhum esporte, na verdade prefiro os menos violentos, natação e ginástica. Aqueles que têm uma vertente artística como ginástica e patinação. Não gosto, acho que porque eu sou uma descoordenada e nunca consegui jogar direito qualquer esporte coletivo. Era péssima no vôlei e pior ainda no basquete. Mas deixa ele, não vou cortar a sua onda e ser estraga prazeres:

— Mas eu não sei jogar... – me encolho no banco traseiro enquanto ele me fita com seus olhos ardentes.

— Na verdade querida você vai arbitrar com a sua mãe – Carlisle diz diminuindo seu entusiasmo.

Então vampiros gostam de esportes? Deve ser porque tem que caçar e precisam praticar atividade física como os cães de algumas raças tem que gastar sua energia e não ficar presos o tempo todo senão ficam agressivos.

Não quero dizer que eles são cães, estão mais para felinos. Tigre e tigresa. Eu os vejo assim. Papai é um tigre meio panda, um tigre vegetariano. Ele pode ser como um tigre, mas geralmente é um panda. Tão fofo! Mas não deixe essa fofura te enganar, ele pode sim ser bravo como um tigre se for necessário. Mamãe é uma tigresa fofa.

— É claro que nós sabemos que você não sabe – diz Esme. – o beisebol é quase um esporte nacional dos Estados Unidos; você no Brasil dificilmente saberia. Não era obrigada a saber e entendemos perfeitamente.

— Mas, eu poderia saber mesmo assim... – com minha curiosidade de saber coisas eu poderia saber isso.

— Claro, sweetie — diz Esme me apaziguando.

— O que quero dizer é que não sou boa nos esportes – me explico.

— Por enquanto.  – diz mamãe. - Nossos filhos são excelentes nas aulas de educação física. As meninas arrasam na ginástica e os meninos preferem os esportes de contato como rugby e futebol americano e basquete.

— O meu esporte é xadrez, só sei jogar xadrez.

Esme e Carlisle se entreolham e sorriem.

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— O que foi, falei algo errado? – faço cara de boba eu sei, tenho plena consciência que estou parecendo uma idiota.

— Não, querida. Você é mesmo inocente, não daria para ter adivinhado antes, de qualquer forma... É que, na nossa família, bem, jogar xadrez tem outro significado. Não apenas o jogo de tabuleiro. Eu e Carlisle, por exemplo, adoramos jogar xadrez dos dois modos.

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— Quer dizer que xadrez é fazer amor? – tenho um estalo e a revelação subitamente me aparece.

— Para nós tem esse significado também.

— Só para você e papai ou para meus irmãos também?

— Na verdade quem começou com isso foram Bella e Edward e depois nós todos. Durante a lua de mel deles na minha ilha eles jogaram xadrez e acabaram na cama.

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— Aquela ilha que papai te deu fica lá no Brasil, não é mãe?

— Sim, depois vamos levar você lá.

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Eu não queria forçar eles, nem pedi para ir lá, mas se eles querem me levar, que assim seja. Imagina a cena: eles dois no quarto e eu na sala. No mínimo esquisito. Mas eu não me importo de ficar segurando vela, não é muito diferente de quando estamos na nossa própria casa.

Mais alguns minutos de viagem e por fim descemos do carro no final de uma estrada rural que Carlisle havia pegado.

— Chegamos ou ainda vamos ter que andar? – pergunto tentando tirar o cinto de segurança.

Não pergunto arrogante, espero que não tenha soado assim minha fala. Estou apenas curiosa. Não sei onde meus pais estão me levando, mas confio neles. Eles não iriam me deixar perdida numa floresta ainda mais nos EUA. Eles não fariam isso comigo. Imagino-me perdida num país estrangeiro... Não, melhor nem imaginar.

— Ainda estamos um pouco longe do nosso campo – responde Carlisle – mas não se preocupe que eu vou levar você até lá. Suba – ele diz me virando as costas.

— De novo?

— Não gostou quando eu te carreguei, filha? – diz Esme magoada.

— Não mãe, eu adorei. Me desculpe. Droga! Sempre faço uma coisa idiota que decepciona quem eu amo – fico exasperada comigo mesma.

— Não fique assim Carol, está tudo bem. Não estou zangada nem magoada com você – Esme diz arrependida de ter fingido mágoa. Não faria isso se soubesse que eu iria ficar tão nervosa e indignada contra mim mesma.

— Vem filha, não podemos perder tempo! – papai me chama para montar em suas costas.

Meu pai humano nunca que me levou assim nem quando eu era criança e ele me aguentaria , muito menos agora que sou pesada e ele tem dor na coluna.

Carlisle é alto então tem de sentar para eu poder subir nele. Porém Esme me levanta do chão e me coloca nele como se eu fosse uma mochila.  Ela me ergue pela cintura com as duas mãos e eu me agarro nas costas de papai.

— Pronta? – pergunta Carlisle assim que mamãe me solta a perceber que eu estou segura.

Eu aperto Carlisle tão forte, tenho tanto medo de cair, mas ele não reclama. Acho que nem estou apertando tanto... Se ele fosse humano e eu poderia saber, deixaria marca na pele, mas ele é como uma montanha. Literalmente, alto e duro. E frio, mas isso não vem ao caso. Ele parece o monte Everest e eu sou uma alpinista. Espero que eu sobreviva a escalada.

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— Sim, estou – minto. Não estou, mas vai assim mesmo.

Ele ri.

— Não se esqueça de fechar os olhos para não ficar tonta – ele me recomenda.

— Não se preocupe pai. Eu sei que nós não vamos nem roçar de leve em nada.

— Mas é melhor você fechar os olhos para não ficar tonta, criança.

— OK.

Eu não resisto e abro os olhos para ver as árvores passando por nós mais rápido do que um foguete. Parece que elas estão se mexendo, mas nós é que estamos nos deslocando. Assim que um borrão passa já vem outro e mais outro, numa sucessão que parece infinita.

Eu não enxergava bem, mas papai enxergava tudo nitidamente.

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Esme está ao nosso lado esquerdo, mal distingo seu vulto, mas eu sei que é ela por causa do borrão caramelo dos cabelos.

Dali a pouco paramos na margem de um imenso descampado e um trovão ecoa sobre minha cabeça. O tempo havia fechado e o céu escureceu enquanto nós corríamos pela floresta. As arvores eram tão próximas e suas copas tão densas que não nos permitia ver as nuvens.

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Com medo de ser atingida por um raio – porque eu era o ponto mais alto do campo encarapitada nas costas de Carlisle- fiquei assustada com o barulho e acabei me soltando. Só não caí no chão porque Esme viu e me segurou antes que eu pudesse fechar os olhos. Foi tudo muito rápido e ela me colocou no chão.

Se eu tivesse caído acho que não teria me machucado muito, mas que bom que o pior não aconteceu. Foi apenas um susto. Tentei me levantar, mas ainda estava meio tonta e quase cai dessa vez por causa da vertigem.

— Falei para você não abrir os olhos, filha – Carlisle diz quase ríspido e eu fico tão assustada que quase choro.

Não posso evitar lembrar de meu pai humano, quando ele gritava comigo, falava  desse jeito bravo, logo vinha o castigo. Agora eu sei que eu mereço, cometi uma falta, desobedeci a uma ordem e mereço ser punida. Fecho os olhos instintivamente esperando o golpe.

— Filha, me desculpe. Eu não queria ser tão áspero com você. Você é só uma criança, me perdoe. Eu nunca levantei a mão contra você, eu sei o que aconteceria se eu te batesse... Esse nem seria meu estilo se eu fosse humano, sou totalmente contra violência de todas as formas.

                Abro os olhos ainda receosa e olho para cima, para encará-lo ainda atônita. Ele não me bateu?! Estou perplexa, não que eu quisesse apanhar, ninguém gosta de apanhar, só os doentes masoquistas, eu passei quase uma década levando surra que eu nem sabia o motivo. Só sabia que era assim que começava. Meu pai não tinha nenhum auto-controle, Carlisle tem muito auto-domínio; ele não é nervoso nem impulsivo como meu pai era.

— Desculpe, papai. Eu não posso evitar, é mais forte do que eu. Vivi quase 10 anos sabendo que iria apanhar quando meu pai falava assim comigo.

— Eu nunca vou bater em você, criança. No máximo eu dou uma bronca e falo assim mais severo.

— Vai demorar até eu me acostumar que você não vai me bater quando falar assim comigo – ainda que minha mente recorde por muito tempo ainda do que meu pai fazia. Eu não vou esquecer tão rápido, ainda vai levar um tempo. Mas tenho certeza que ele e Esme irão ser pacientes comigo e me ajudar a superar, até me curar completamente.

— Não foi uma falta tão grave que você cometeu. Mas você deveria ter ouvido meu conselho, eu disse para o seu bem.

Carlisle parece um pouco orgulhoso por eu ter desobedecido a uma ordem expressa. Ele é aquariano e não gosta de seguir regras, assim como eu. Apenas respeitamos aquelas que consideramos justas.

— Agora eu sei, papai. Sempre vou confiar em você

Se eu não posso obedecer a uma ordem simples como essa, que dirá guardar o segredo da nossa existência quando for preciso. Mas vai ser diferente porque minha vida vai depender do segredo.

Carlisle olha para mim com compaixão.

— Eu jamais vou machucar você, filha. Eu prometo. Castigos físicos não são eficazes e fazem mais mal do que bem. Se é que fazem algum bem. Uma criança não deve ser educada através do medo, mas sim do carinho e compreensão; aprendi na minha vida que o exemplo provoca mais respeito do que o temor. Mesmo se eu não houvesse tido um pai como era o seu, acredito, eu não poderia fazer isso com você. Não sabendo que você é humana e eu poderia matá-la se exagerasse. Eu nem sei como é bater em alguém. Para mim não faz sentido, eu não sei o que seu pai e o ex-marido da minha esposa tinham na cabeça. Nem sei se tinham algo... - Carlisle olha para Esme e ambos trocam uma mensagem silenciosa. Carlisle nunca fará o que Charles fez, nunca tratará a esposa menos do que ela merece.

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Logo chegamos ao campo de beisebol e todos já estão posicionados e preparados para jogar, apenas esperando por nós. Nunca vi uma partida de beisebol antes, mas esse terreno é muito maior do que as medidas oficiais.

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...XXX...



Notas finais do capítulo

~~ esse capítulo ficou bem grande, geralmente eu tento escrever cerca de 2000 palavras esse passou um pouco.



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