With a Little Help From My Friends escrita por Mariana Mendonça


Capítulo 32
Capítulo 32 - Aquele com Verdade e Consequência parte 2





                          

Cameron para Ethan.

— Verdade ou consequência? - Cameron pergunta com a voz sem emoção.

— Consequência - Ethan responde sem se deixar intimidar.

— Desenha um pau na sua testa - os olhos verdes de Cameron possuem um brilho perverso.

— Que criancice - murmuro mas Cameron não ouve.

— Não tenho pincel - Ethan dá de ombros.

— Eu tenho - Cameron tira um pincel pilot do bolso da calça jeans e joga rudemente para Ethan, que o pega antes de atingir o chão.

— Por que diabos você anda com isso? - Erick faz a pergunta em nome de todos.

— Para emergências como essa - ele esfrega as mãos e volta a encarar Ethan - Vai fazer ou não?

— Aham - Ethan resmunga e solta um suspiro pesado - Mas não vou conseguir fazer sozinho, tem como você desenhar para mim, Anne? - ele me entrega o pincel mas antes que eu o pegue ele some da minha frente.

— Nem fodendo - Cameron fala sem se alterar, segurando o pincel com força em suas mãos.

— Ela não pode desenhar se nunca viu um - Tracy começa a achar graça da própria piada. Erick revira os olhos ao mesmo tempo que eu.

— Vamo logo com isso - Cam segura a cabeça de Ethan de uma forma nada gentil e rapidamente faz um rabisco de um pênis gigante no meio da testa dele e volta a se sentar mal-humorado. Dou um sorriso compreensivo para Ethan, tentando melhorar a situação mas ele parece está levando tudo na esportiva.

Mais uma rodada. Eu para Tracy. O doce sabor da vingança me faz sorrir.

— Consequência - ela diz antes que eu pergunte, o jeito como ela fala faz parecer que eu que estou sendo desafiada.

Em um estado normal, eu provavelmente me sentiria intimidada, mas como álcool está começando a fazer efeito, estou me sentindo bem atrevida. Aposto que a Senhorita Tracy/Capitã das Ravens/Shirley Temple não ouviu falar que me transformo em uma vadia louca quando estou bêbada.

— Fica caladinha a menos que precise falar por conta do jogo. Então a menos que você tenha que perguntar ou responder, mantém a sua boquinha venenosa bem fechadinha, tá coleguinha? - começo a rir quando percebo que a frase saiu rimada, os outros soltam suspiros de assombro e aguardam a resposta de Tracy, que está boquiaberta. Erick ergue o polegar positivamente para mim.

— Como quiser - ela arqueia sua sobrancelha perfeitamente definida - Só tenha em mente que ainda consigo fazer um grande estrago com a boca fechada.

Finalmente Tracy cala a boca e eu posso relaxar sem ficar me preocupando com os seus comentários sínicos. Ela fica melhor quando está calada.

Me distraio com o crepitar da fogueira e quase não percebo que Henry tenta chamar minha atenção estalando os dedos na frente do meu rosto.

— Você concorda? - como não estava prestando atenção não sei sobre o que Henry está falando.

— Desculpa - pisco algumas vezes e tento focar no seu rosto - Pode repetir a pergunta?

— A consequência de Cameron é te dar um chupão - esclarece Thereza, se divertindo com situação.

Demoro um pouco para processar a informação, mas finalmente digo: - Não! nem pensar! - um vez Saulo me mostrou um artigo que dizia que um chupão pode formar um coágulo, que viajar até o cérebro, e pode levar a um acidente vascular cerebral, o que significa que posso morrer. Nem pensar!

Cameron nem ao menos contesta minha decisão, ele passa os longos dedos pela borda da garrafa que contém a vodka, sabendo que vai ter que beber.

— Me dá - me precipito na direção de Cameron, tentando pegar a vodka de suas mãos - Eu bebo por você - não é justo que ele tenha que beber já que eu é que não quero aceitar o desafio.

— Nem pensar, você já bebeu demais - ele me dá um empurrão leve, mesmo assim eu me desequilibro, as mãos de Ethan me impedem de cair.

Volto a sentar e fico olhando Cameron inclinar a garrafa levemente para dar um gole, ele parece magoado, mas não mais que eu.

O jogo começa a me cansar e me sinto sonolenta, provavelmente por conta do álcool. Tento me concentrar em outras coisas, como no vento desmanchando o meu coque ou em algumas formigas passeando pelo chão, não quero me lembrar do jeito que Cameron me empurrou para longe, ele sempre me afasta quando tento ajudar. Sinto que minha amizade com ele está ficando cada vez mais desgastada, por conta de ele sempre me culpar por não ser capaz de ler nas entrelinhas, por ele nunca ter paciência e por ser incrivelmente irritante e no segundo seguinte gentil, o que me deixa sem saber o que pensar. Eu também não tento facilitar as coisas, sempre deixando o meu orgulho prevalecer e continuando brigas ou invés de por um fim nelas.

A minha primeira experiência com bebidas alcoólicas me proporcionou uma sensaçã completamente diferente dessa que estou sentindo. No dia da festa que aconteceu na casa de Henry eu me sentia poderosa, capaz de fazer qualquer coisa, prova disso que até tentei ficar com Rey, a simples lembrança me deixa vermelha, foi divertido até eu começar a vomitar e me esquecer de tudo. Dessa vez eu sinto como ser o ar estivesse se comprimindo em volta de mim, todos parecem estar tendo o melhor momento de suas vidas e o máximo que consigo fazer é forçar sorrisos, estou angustiada porque sei que Cameron está com raiva, porque estou longe de casa, porque tem um garoto muito lindo interessado em mostrar coisas incríveis para mim mas o meu interesse não poderia ser menor e porque minha melhor amiga não consegue perceber a vaca que Tracy é. Talvez eu só  precise beber mais...naquela noite eu tinha bebido bastante, mas sei que não posso, Cameron já me alertou que não vai ser minha babá  e também não quero ser a pessoa que vai atrapalhar a transa magnífica que ele vai ter com Tracy mais tarde.Espero que ele dê um chupão no pescoço dela.

As rodadas seguintes incluem um desafio para Erick tirar a camisa, o que ele faz a contragosto, outro para que Dylan beije Henry e uma pergunta para saber com quantos caras Tracy  já transou.Foram 2.

  - Verdade ou Consequência? - Dylan pergunta para Ethan, que responde "consequência".

Dylan fica em silêncio, batucando rapidamente o dedo indicador em seu próprio joelho, Henry, percebendo que Dylan está com dificuldade de pensar em alguma coisa, sussurra uma sugestão em seu ouvido. Dylan balança a cabeça concordando com o que Henry diz e finalmente se volta para o resto do grupo com um sorriso travesso estampado no rosto.

— Ethan, quero que você sussurre coisas obscenas para Anne - fulmino Henry com os olhos, dou o tapa em seu ombro e me viro a tempo de ver Cameron sussurrando alguma coisa no ouvido de Tracy, que apenas move a cabeça concordando com qualquer coisa que ele diz.

— Por você tudo bem? - ele pergunta cautelosamente. Dou de ombros ainda olhando para os dois.

— Não vai falar coisa muito pesada, ela ainda é nossa bebê - Thereza faz uma cara séria por brincadeira e se aconchega ainda mais nos braços de Erick.

Ao invés de responder Thereza, Ethan se aproxima de mim e coloca alguns fios soltos atrás da minha orelha. Engulo em seco, sentindo um frio na barriga.

Ele umedece os lábios e cola a boca no meu ouvido, o que faz com que eu me contorça  por conta dos arrepios que não posso evitar sentir - Eu adoraria falar como quero tirar esse seu vestidinho azul, mandar ele pra longe junto com sua índole de boa garota - ele diz só para que eu posso ouvir e começo a ruborizar imediatamente, os outros se inclinam pra frente, aguçando os ouvidos tentando pescar qualquer parte do monólogo, exceto Erick e Cameron, ambos possuem uma expressão de puro nojo - Mas não vou fazer isso, te respeito demais e não quero te deixar com medo ao ouvir as coisas que adoraria fazer com você - abro a boca lentamente mas logo volto a fecha-la - Mas eu também não quero beber a vodka então vou recitar a abertura de pokémon. Balança a cabeça se você concordar - mexo a cabeça rapidamente, o que faz ele rir de encontro a minha orelha me provocando mais uma onda de arrepios.

— Apaga aquela fogueira porque já temos fogo suficiente vindo daqui - Dylan fala e Henry começa a abana-lo enquanto dá várias risadinhas.

— Esse meu jeito de viver, ninguém nunca foi igual, a minha vida é fazer, o bem vencer o mal... - Ethan recita a música toda com um tom de solenidade que me força a pressionar os lábios com força para não começar a rir.

— Acho que já chega, né? - Erick  interrompe de forma impetuosa ao mesmo tempo que Ethan finaliza a música.

— Ficou com ciúmes? - Thereza pergunta bem-humorada mas eu sinceramente estou preocupada que tenha sido isso mesmo, ciúmes. Não que eu pense que Erick goste de mim mas a forma que ele falou fez parecer que ele não estava mesmo suportando ver a cena.

— É claro - Erick olha pra mim - Anne, fica longe do Ethan, já estava pensando em pegar ele mais tarde. - Thereza começa a rir da brincadeira do namorado.

— É todo seu - digo, fazendo um gesto de rendição.

— Você gostou? - Ethan pergunta para que todos possam ouvir em seguida dá uma piscadela de cumplicidade, pois só nós dois sabemos o que ele realmente disse.

— Foi a melhor coisa que já ouvi - digo levando a mão ao peito, Thereza e Henry dão gritinhos agudos.

— Você está mudada para sempre - Henry leva as mãos ao peito que nem uma mãe orgulhosa por seu bebê ter começado a dar os primeiros passos sozinho.

— Tá bom, chega dessa brincadeira - Cameron diz e começa a beber a vodka de uma vez só, observo abismada o seu pomo-de-adão subindo e descendo várias vezes enquanto uma parte do líquido escorre pelo seu queixo.

— Você tá louco, cara? - Erick se levanta e tenta tirar a bebida das mãos de Cameron, mas ele o afasta com um empurrão, em seguida,  Cameron joga o frasco com o resto do conteúdo para bem longe, o barulho de vidro sendo quebrado é a única coisa que preenche o nosso silêncio espantado.

— Ei! eu ia beber aquilo mais tarde -  ouvir a voz Tracy me causa uma sensação esquisita, pois já estava acostumada com o seu silêncio.

— Eu tô fora do jogo - ele ainda não está bêbado, provavelmente vai ficar muito louco mais tarde, quando todo seu sangue se transformar em álcool.

— Ah, não! por quê?! - Tracy faz um beicinho com direito a voz de bebê.

Cameron pede pra que ela se cale com um gesto, o que ela faz aparentando está muito ofendida - Mas antes.. - ele aponta o dedo pra mim de uma forma ríspida, por reflexo, meus ombros se contraem.

— Cala a boca antes que você diga alguma bobagem - Erick interrompe Cameron enquanto tenta abaixar sua mão que está apontando para mim, mas ele o afasta novamente.

— Você é a garota... - prendo a respiração e Erick passa a mão pelo rosto, desesperado - mais... malvada...não... desprezível... você é a garota mais desprezível que eu já conheci em toda minha vida - acho que esqueci como respirar, o silêncio toma conta do local rapidamente, os campistas olham para mim com piedade, até mesmo Tracy.

— Cameron! - Thereza o reprende com a voz esganiçada - Retira o que disse agora mesmo!

— Não vou retirar porra nenhuma! - ele resmunga sem alterar o tom de voz, olho para os meus amigos em busca de algum sinal de que isso tudo seja somente uma ótima encenação.

— Anne, é melhor você ir para barraca - Erick aconselha calmamente enquanto lança olhares furiosos para Cameron.

Olho para Thereza em busca de ajuda, implorando silenciosamente que ela me lembre como levantar pois o peso das palavras de Cameron me prendem ao chão.

— Você quer dar pra ele, Anne? - Cameron aponta vagamente para Ethan. Henry leva a mão a boca, Horrorizado, eu faria a mesma coisa se conseguisse me mexer. Estou gastando toda energia que tenho para não chorar, o que não impede que um nó se forme em minha garganta - Faz o que você quiser, só não vem chorar pra mim depois que ele te machucar - eu não sei quem é esse garoto que está na minha frente, sinto as lágrimas ameaçando escorrer pelo meu rosto.

— Qual o seu problema, cara? - Ethan esbraveja mas Cameron se limita a lançar um olhar de indiferença.

— E pra encerrar esse jogo - um sorriso maligno contorce o seu rosto perfeito - Eu desafio a Tracy a me dar um beijo - Fico calada, sem saber o que fazer, quando Cameron puxa Tracy pela nuca violentamente, ela monta em seu colo, seus cabelos se tornam cortinas que me impedem de ver a cena.

Preciso sair daqui agora mesmo mas não tenho controle sobre minhas pernas. Vamos lá, Anne! levante e vá pra cabana.Durma e assim que amanhecer, pegue um carro e volte para Deadwood, um lugar da onde você nunca deveria ter saído. Não olhe para trás. Nunca mais fale com esse garoto.

Finalmente consigo levantar e vou cambaleando até as barracas.





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