With a Little Help From My Friends escrita por Mariana Mendonça


Capítulo 16
Capítulo 16 - Aquele Com A Música Do The Smiths.





                    

 Sinto uma pontada aguda no pescoço e abro os olhos, estou encolhida no banco com a cabeça apoiada na janela. Olho para o lado e me deparo com Cameron atrás do volante, ele canta baixinho uma música do The Smiths enquanto batuca distraidamente. Olho para trás e vejo Henry dormindo com as costas apoiadas na janela, seus pés estão repousados no colo de Thereza que está dormindo com a cabeça no ombro de Erick.

— And if a double-decker bus crashes into us - Cameron canta para mim quando percebe que acordei, começo a rir das expressões que ele faz - Canta comigo - pede ele, tirando uma mão do volante,fazendo cosquinhas na minha barriga. Me contraio e começo a rir, tentando  afastar sua mão.

— To die by your side is such a heavenly way to die - começo a cantar enquanto alongo meu pescoço, devo ter dormindo na mesma posição por várias horas.

— And if a ten-ton truck kills the both of us, to die by you side - ele faz gestos para que eu continue, olhando pra mim de relance.

— Well the pleasure and the privilege is mine - cantamos juntos, ele olha pra mim sorrindo com os punhos cerrados em frente ao peito, incorporando a música. Percebo que seus olhos ficam lindos em contraste com o céu parcialmente iluminado

Diminuo o volume e pergunto:

— Que horas são?

— Acho que umas 4:30, por ai... - diz ele, olhando o céu pela janela do carro.

— Quando foi que vocês trocaram de lugar? - aponto com a cabeça na direção de Henry.

— Na hora que percebi que a possibilidade do Henry dormir segurando o volante era real, me ofereci pra dirigir no lugar dele.

— Então você não dormiu? - sinto vontade de assumir seu lugar como motorista para que ele possa cochilar um pouco, então lembro que não sei dirigir.

— Não estava com sono - assegura e olha pra mim de rabo de olho - E você, dormiu bem?

— Estou toda dolorida mas dormi bem - me alongo mais uma vez, ainda incomodada com a dor no pescoço.

— Cara, eu to morrendo de fome - assim que ele fala isso me dou conta de que também estou - Mas ainda não vi nenhum drive-thru.

— Ainda estamos em Dakota do Sul? - pergunto, olhando a rodovia em que estamos.

— Não, já estamos em Wyoming.

— Talvez fora da rodovia tenha algum lugar para comer - suspiro. Agora que notei a fome não consigo esquece-la.

— Iriamos demorar mais para chegar em Las vegas - diz ele, enquanto afundo no banco, derrotada - A propósito, feliz aniversário, Aninha - Ele aperta minha bochecha e eu franzo o nariz. Tanta coisa aconteceu nas últimas 5 horas que acabei esquecendo que hoje é meu aniversário.

— Obrigada - dou um sorriso tímido e viro o rosto pra janela.

Daqui a algumas horas mamãe vai se acordar para me desejar feliz aniversário, mas ao contrário dos outros anos, não vou estar no quarto para abraça-la. Será que ela só vai se dar conta que fugi quando averiguar cada compartimento da casa ou ela vai saber imediatamente? quase consigo ver seu sorriso sumindo gradativamente, a medida que meu silêncio se prolonga. Será que ela vai conseguir confiar em mim novamente?

— Porque você foi ontem lá em casa? - pergunto abruptamente.Fecho os olhos me arrependendo imediatamente, não sei se quero ter essa conversa.

— Como assim? - vejo ele franzir o cenho, tentando entender a onde quero chegar com essa conversa - Fui pegar você.

— Não, eu quis dizer porque você foi lá de última hora - reformulo a pergunta, observo Cameron tensionar o maxilar.

— Não estava nos meu planos passar lá - admite ele, sem olhar pra mim - Mas quando entrei no carro senti que faltava algo, só depois percebi que era você. Então Henry deu meia volta e o resto você já sabe.

— vocês já estavam muito longe quando decidiu voltar?

— Estávamos dirigindo a 20 minutos - ele diz sem realmente responder a minha pergunta ou talvez eu  não tenha perguntado da forma certa...  o que eu realmente queria saber é quanto tempo levou para que ele percebesse que não poderia ir sem mim.

— E se eu tivesse dito não? - pergunto, ele ergue as sobrancelhas e abre boca, pensando um pouco antes de responder.

— Não o quê? - sei que ele só esta enrolando para não responder - Se você tivesse dito que não iria com a gente?

— É - reviro os olhos e ele balança a cabeça rindo.

— Você não teria - ele fala com tanta convicção que tenho que me lembrar do conflito interno que passei antes de finalmente decidir acompanha-lo.

— Como você pode ter tanta certeza... eu poderia ter recusado! - Me viro para ele totalmente empertigada, ele ri ainda mais alto.

— Eu te conheço - ele bufa e eu cruzo os braços começando a ficar irritada com suas declarações presunçosas - Mesmo depois daquele seu discurso "Eu não vou com vocês pois sou uma garota muito obediente e madura" - ele usa os dedos para fazer aspas no ar, falhando ao fazer uma péssima imitação da minha voz - Eu sabia que você estava louca para conhecer  Las Vegas, só precisava que alguém dissesse as palavras certas

— Você é muito convencido... - digo o fuzilando com os olhos.

— O que foi que eu fiz agora?! - ele se  exalta e bate de leve no volante.Olho para trás me certificando se os outros ainda estão dormindo.

— Você deve achar que têm um influência muito grande sobre mim, não é mesmo?  - diminuo o tom e  tento dar uma risada, mas ela sai forçada demais, quase zombeteira.

— Você tá aqui, né? - ele fala de forma amarga, sinto os meus olhos se estreitarem enquanto balanço a cabeça lentamente, não acreditando no que ele disse.

— Vai se fuder, Cameron - falo cada palavra da forma mais articulada que posso.

O carro para com um solavanco, e se não fosse pelo cinto de segurança, eu teria dado de cara com o painel.Infelizmente os outros não tiveram a mesma sorte.

 





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