Na Minha Vida escrita por André Tornado


Capítulo 28
Atraiçoados


Notas iniciais do capítulo

No capítulo anterior:
John, Paul, George e Ringo encontram-se novamente com a Margaret numa cafetaria da nova cidade. Apesar de ela se mostrar tão simpática, John fica desconfiado. Paul continua amoroso e George e Ringo só querem aproveitar a comida disponível no lugar.



O apartamento de Margaret era um estúdio situado na cobertura de um prédio de um bairro elegante, próximo do centro da cidade. Uma zona nobre com árvores a bordejar os passeios e crianças a andar de bicicleta na estrada pouco movimentada. Os vizinhos cumprimentavam-se e havia uma certa placidez a permear todo o lugar, um refúgio do bulício citadino.

Subiram de elevador até um determinado patamar e depois seguiram por umas escadas decoradas com plantas envasadas. Uma claraboia iluminava a plataforma que permitia aceder à casa da mulher, vencida a escadaria, através de uma porta sólida de madeira cara, enfeitada com painéis.

O apartamento em si era pequeno, discreto, bem decorado, com aquele indesmentível toque feminino – cores a combinar entre si, quadros sobre paredes garridas, mais plantas envasadas, almofadas e fotografias em molduras, candeeiros, tapetes e mobiliário moderno entre peças antigas recuperadas.

Havia uma sala grande que servia também de escritório, onde se juntava uma minicozinha equipada com um balcão servido por duas cadeiras altas. Uma cortina levava a um curto corredor através do qual se acedia à casa de banho e a dois quartos, um dos quais um cubículo tão minúsculo que só tinha dentro um sofá pequeno coberto por uma colcha tricotada e uma estante pejada de livros.

A apresentação do apartamento foi rápida e sumária, mas Margaret mostrou-se sempre muito cordial em todo o processo. John continuava desconfiado, retraído, ressentido. Ela enlaçava os braços no de Paul, era como se fossem um casal que estivesse a fazer a introdução da casinha que os dois partilhavam depois de uma secreta cerimónia de casamento. John não queria crer que se tratava de ciúmes, mas se prosseguisse no seu azedume era logo esse o argumento que seria usado e tentou mostrar-se mais amigável. No entanto, continuava a sentir uma certa atmosfera… A insinceridade dos olhos de Margaret que não condiziam com o sorriso aberto com que ela enfeitava resolutamente a boca carnuda.

Saiu-lhe este comentário, de forma inesperada:

— Bem, nós ficamos na sala. Dormimos no sofá e no chão… Eu não me importo de ocupar o tapete. O Paul fica contigo no quarto, acho que será lógico… Os dois pombinhos precisam de privacidade! Só não façam muito barulho. Tenho o sono leve e não queria ter de fumar à janela enquanto imagino as várias posições que estão a experimentar.

Mordeu a língua a seguir, mas manteve a expressão zombeteira no rosto afetado, um meio sorriso provocador. Ringo revirou os olhos, George arqueou as sobrancelhas, Paul cerrou os dentes. Margaret reagiu incrivelmente bem a mais aquela alfinetada.

— Oh, não te preocupes. Seremos bastante discretos – disse ela. – Não pretendo acender-te… os sentidos ou ainda vais querer juntar-te a nós. E ter-te no meu quarto está muito longe das minhas fantasias.

— Tenho a certeza de que o John não quis ofender-te, Margaret – avançou Paul conciliador – e que lamenta qualquer insinuação menos própria. Se não achares conveniente que fiquemos na tua casa, podemos ir embora. Basta que nos indiques um hotel simpático. Não queremos incomodar-te. Fizeste bastante por nós a bordo do barco do teu pai, continuas a fazer. Não te sintas obrigada a nada, querida.

O tratamento enterneceu-a. Pestanejou rapidamente, o sorriso foi mais dengoso. Puxou Paul para si, colou-se descaradamente a ele, o peito subiu e desceu quando suspirou.

— Oh, Paul! Vocês não me incomodam nada. Adoro ter-vos comigo. São tão engraçados e divertidos!

— Isso quer dizer que podemos… ficar na tua sala? – perguntou George.

— O sofá dá para nós os dois? – perguntou Ringo, por sua vez. – Se o John não se importa de dormir no tapete, nós não nos importamos de ficar juntos. Estou habituado a dormir em sofás.

George acenou com a cabeça, sorrindo com toda a sua simpatia, indicando que ele também não se importava de dormir ao lado do baterista. John cruzou os braços. Dentro da boca, soltou a língua dos dentes. Se continuasse a morder ainda se punha a sangrar…

Ela concordou:

— Sim, não existe qualquer problema se ficarem no sofá. É um sofá-cama. O estrado estende-se, a cobertura deita-se e forma assim um colchão. Depois dar-vos-ei cobertores e almofadas. Tens a certeza que ficas com o tapete, John? No segundo quarto tenho outro sofá. É mais pequeno, ficarias com as pernas de fora, mas será mais confortável do que o chão.

— Tenho alma de soldado, love. Não me vou importar com o teu chão duro.

— Ah, bom… Tu é que sabes. Também te darei cobertores e uma almofada.

Com o desenho daquele quadro de distribuição de lugares para passarem aquela próxima noite, Paul corou.

— Margaret, eu posso ficar com o John no tapete… Não preciso de ficar no teu quarto.

Ela também corou.

— Sentes-te incomodado com o quê? Se eu concordo, se os teus amigos não se importam, o que tens a objetar? – E acrescentou delambida: – Sim, querido?

A respiração de John acelerou ligeiramente. Fechou os punhos que os braços cruzados escondiam. Lembrou-se da irmã da Conchita… Talvez a namorada de Viejos incomodasse o amigo? Seria demasiado recente para se enfiar entre os lençóis de outra? Não seria timidez, retraimento, decoro. Na noite anterior não se importara de estar na cama ao lado da dele a amar a moça, enquanto ele fazia o mesmo à bela Conchita dos olhos verdes. E Paul nunca observara um período mínimo de intervalo entre uma namorada e outra. Estava a fazê-lo por consideração a Margaret? Porque era uma mulher… que mereceria essa consideração? Semicerrou as pálpebras, irritado. Aquela história com aquela tipa começava a causar-lhe asco. Tudo exagerado, tudo plastificado.

Paul deixou um beijo na boca de Margaret.

— Não, está tudo bem. Fico no teu quarto.

Ela afastou-se dele, soltando-lhe o braço. John pensou que já era tempo de se deligar do seu amigo, se prolongasse o contacto começaria a chamar-lhe lapa. Margaret deu dois passos, num meio círculo. Apontou para Ringo, curiosa.

— O que tens dentro desse saco, que levas para todo o lado?

A pergunta não lhe fora diretamente dirigida, mas Paul, conivente com aquele maldito saco e o seu conteúdo, ficou lívido. John reparou nesse detalhe e sorriu.

O assalto ao Banco Central era um tipo de pecado que Paul McCartney não gostaria de confessar à sua namorada cosmopolita da cidade grande. Já com a menina de Viejos seria diferente. Só engrandeceria a sua lenda. Gringo, músico talentoso, sedutor e bem-parecido, assaltante de bancos com um cunho romântico, um vigarista irresistível… Embora a namorada citadina andasse à pesca com o pai, não tinha o típico aspeto e os trejeitos de um pescador curtido pelos infindos mares do mundo. Era realmente uma moça com uma certa sofisticação, daquelas que nunca destoaria das festas dos ricos em mansões isoladas em ilhas de difícil e secreto acesso. Aquilo seria um elogio? Lennon achou que estava a deslizar para um território detestável e parou. Ele e Margaret eram opositores. Gostou dessa classificação. Opositores.

George olhou para o baterista que não hesitou um instante e respondeu com a naturalidade ensaiada de um grande ator de teatro:

— A minha roupa interior. Sabes… Cuecas, meias, esse tipo de roupa interior.

A réplica tinha sido inteligente, hilariante, concisa e irrepreensível. John corroborou com a mesma naturalidade:

— Sim, love. O Ringo gosta muito das suas cuecas e das suas meias. Nunca se separa delas.

— Oh…

Ela deu mostras de não ter ficado muito convencida com aquela explicação, o saco não teria configuração para ser usado, pelos padrões dela, para acondicionar roupa, mas não quis insistir na questão. Elaborou a sua dúvida com outra pergunta:

— Não têm outra bagagem para além… das meias do Ringo?

— Sim, temos guitarras – explicou George inocentemente. – Estão no nosso carro.

— As mesmas guitarras que vinham convosco naquele barco condenado?

— As mesmas guitarras – anuiu George.

— E nada de roupa… A não ser aquela que está dentro daquele saco?

— Como podes ver ainda estamos vestidos com a roupa que nos deste, love— contou John aborrecido. – Não se passaram assim tantos dias e temos andado ocupados a viajar. A nossa prioridade é regressar a casa, comer e dormir, não é andar às compras.

Ela abanou uma mão.

— Claro. Claro, têm razão. Desculpa por ter mencionado essa estupidez.

— Qual delas? A curiosidade pelas cuecas do Ringo ou o facto de sermos pobres?

Endireitando-se para assumir uma posição autoritária, Paul interveio:

— John!

— Está bem – concedeu Lennon cada vez mais aborrecido. – Está bem. Já percebi… Estou a ofender a nossa anfitriã. Estou a ser um menino muito mau, papá. Desculpa… Posso comer o gelado? Compras-me o gelado mesmo que eu tivesse sido um menino tão mau?

George riu-se. Paul desanimou-se e também abanou uma mão.

Margaret também fingiu que se ria. Não soou nada sincera mas talvez fossem os seus ouvidos, pensou Lennon voltando costas ao quadro que se compunha na sala acolhedora. Ringo e o saco do dinheiro, George como um rapazinho terno, Paul subtilmente apaixonado e a mulher tão perfeita e educada que suportava todos os projéteis atirados contra si, mantendo a sua hospitalidade ainda mais perfeita.

Bem, impunha-se prosseguir com aquela comédia. John sentia-se afogado, precisava de desabafar e queria muito falar com Paul – sem mais ninguém por perto. Imaginava-se num daqueles palcos dispostos para a filmagem de uma sitcom americana, com uma plateia selecionada através de um questionário que determinava as suas preferências e a sua capacidade para gargalhar perante determinadas situações corriqueiras. Eram todos atores – os verdadeiros a desempenhar os seus papéis no palco, os falsos, os espetadores, que reagiam conforme lhes era exigido.

E a comédia prosseguiu. Margaret pediu a Paul que a ajudasse e separou os cobertores e as almofadas prometidos, que ele carregou e empilhou, num conjunto de três peças cada, num canto da sala, junto à mesa onde estava um computador portátil. Acrescentou toalhas de vários tamanhos e ela disponibilizou a casa de banho, acaso algum deles quisesse refrescar-se. Claro que o primeiro a aceitar foi Paul. Tinha de estar bem lavado e perfumado para logo à noite…

Depois foi a vez de John que praticamente atropelou George que se tinha proposto como o próximo. Enfiou-se debaixo de um duche quente – frio seria o mais indicado para despertá-lo daquela irritação, mas ele não queria acordar do que quer que fosse – e ficou a desfiar o fio dos seus pensamentos incoerentes que tinham a Margaret no centro. Pensou em pedir-lhe um charro, ficar pedrado ajudá-lo-ia a suportar a estadia no apartamento, mas logo avaliou que ela não era menina de ganza, antes seria adepta de ácido. Um elegante comprimido colorido tomado com um gole de água mineral engarrafada oriunda dos Alpes e depois punha-se a elaborar sobre os mistérios universais enquanto afirmava que contemplava a face divina dos deuses antigos, aqueles que eram adorados desde o dealbar dos tempos. Algo assim rebuscado.

Saiu para a sala e George avisou que ninguém lhe voltava a tirar a vez, encaminhando-se para a casa de banho brandindo a sua toalha como uma arma dissuasora. John ainda troçou dizendo que o que ele tinha comido nas últimas horas iria provocar-lhe uma congestão, que teria de ter cuidado, desfiando uma série de sinais sonoros que ele devia utilizar para pedir auxílio e indicar que estava atrapalhado. A seguir pediu a Ringo que fosse com ele até à janela para fumar um cigarro. O baterista acedeu e ficaram simplesmente a saborear a nicotina, expelindo baforadas de fumo, sem falar, sem tomar atenção à rua pacata mais abaixo. Entretanto, Paul tinha-se enfiado no quarto com Margaret. Escutavam-se murmúrios, risinhos, agitar de panos. Estariam a preparar a cama…

Ringo foi o último a usar a casa de banho e John fumou um segundo cigarro na companhia de George que também nada comentou ou afirmou. Os dois aprovaram o silêncio e calados puseram-se a fumar. O guitarrista, porém, parecia genuinamente interessado no movimento lento da rua. Debruçava-se sobre o parapeito, sorria com o que via. As crianças nas bicicletas, uma senhora a passear o cão, dois amigos a conversar no passeio, o verde das árvores e os canteiros ornados com flores amarelas, um jornal caído na porta de um prédio. Estava engraçado com o cabelo lavado e completamente despenteado em grandes novelos. Era um miúdo, pensou John condescendente. Apesar de ele próprio não ser muito mais velho do que o outro. Eram dois miúdos a fumar um cigarro na janela da casa de uma estranha, numa cidade também estranha. Muito estranho… Very strange… Acordes nas traseiras da sua mente sobressaltaram-no. A música surgia, insinuada… Lembrou-se de tirar a harmónica do porta-luvas do Cadillac. Iria distraí-lo naquela noite, faria com que fixasse as notas musicais que ele estava a inventar, iria talvez irritar a mulher.

Quando o baterista entrou na sala, com o seu banho tomado, balançando o saco castanho na mão esquerda – tinha-se enfiado na casa de banho com o saco, nunca se separava do saco, iria dormir com o saco, era um excelente guardião do saco – Paul e Margaret também apareceram, exibindo uma felicidade descabida. John fechou a janela com um safanão, George projetou o corpo para trás ou ficaria sem nariz.

Ela dirigiu-se à minicozinha. Verificou os armários e o frigorífico tagarelando amavelmente sobre o jantar, perguntando a Paul o que gostaria de comer naquela noite, estendendo a pergunta obviamente aos restantes três rapazes. Não era assim tão óbvio, considerou John. De bom grado ela expulsava-os do apartamento para ter uma ceia íntima à luz das velas, que terminaria com dois copos de vinho tinto, gargalhadas e ação no tapete. No mesmo tapete onde ele iria dormir. Fez uma careta de nojo.

Cavalheiro como era seu hábito, Paul ofereceu-se para ir fazer as compras dos ingredientes do jantar que ela estaria a imaginar, bastava que lhos escrevesse numa lista e que lhe indicasse um bom supermercado que ficasse próximo. Acrescentou:

— O John vai comigo.

— Vou? – admirou-se Lennon. Depois percebeu que era a sua oportunidade para sair dali, para estar sozinho com o amigo. – Sim, vou. Vou contigo, Macca.

Colou-se à porta da rua, enfiou as mãos nos bolsos e ficou à espera. Paul também esperou que Margaret escrevesse a lista num pequeno bloco de notas que tinha agarrado, com um íman, à porta do frigorífico prateado. Deu-lhe algumas indicações sobre uma loja do bairro onde poderia fazer as compras, quis dar-lhe dinheiro mas Paul recusou, alegando que o jantar era por conta dele. Beijaram-se sobre a bancada e depois ele saiu empurrando John à sua frente.

Margaret ligou a televisão e entregou o comando a Ringo.

— Ah, televisão! – suspirou George. – Há tanto tempo que não via televisão.

Recebeu uma cotovelada do baterista.

— O que foi? Ela sabe que estivemos perdidos no mar.

— Existem canais de cinema. Apetece-lhes ver um filme? – perguntou ela com um sorriso meigo.

— Um filme seria ótimo!

George puxou por Ringo e sentaram-se os dois, ao mesmo tempo, no sofá, atirando-se para o meio das almofadas que saltitaram com o peso deles. O primeiro descalçou-se e cruzou as pernas, começando a carregar no botão que mudava de canal para encontrar um programa satisfatório, o tal filme que o iria distrair até à hora do jantar. Ringo deitou-se sobre duas almofadas que amarfanhou num monte para aconchegar melhor o pescoço. Suspirou deleitado com os confortos que experimentava, pois no seu esconderijo não tinha nada daquilo. Uma televisão, um sofá macio… George encontrou um western antigo, protagonizado pelo John Wayne e deixou ficar.

— Pode ser este? – perguntou, pousando o comando no espaço entre as pernas.

— Podia ser até um musical – respondeu Ringo arrastando a voz. – Qualquer coisa serve. Só quero estar aqui deitado…

Voltou a suspirar, num completo bem-estar, sorridente.

— Lembro-me de ter visto este filme quando era miúdo.

— Tu és um miúdo.

— Quando era mais novo do que sou agora – emendou George cáustico. Depois regressou ao bom humor: – Sempre gostei de filmes de cowboys.

— Eu também.

Escutou-se um bipe e a Margaret apareceu diante deles com uma enorme tigela a abarrotar de pipocas fumegantes a cheirar a manteiga, acabadas de fazer no micro-ondas. George recebeu a tigela com as duas mãos e os seus olhos brilharam de gula. Ringo agradeceu com uma frase melosa, dizendo que ela estava a ser muito querida e adorável. Ela disse-lhes que iria mudar de roupa, pediu-lhes que ficassem à vontade, se precisassem de alguma coisa era só chamá-la.

E eles, por sua vez, disseram em coro, quase a cantar:

— Obrigado, Margaret!

A mulher foi para o seu quarto e fechou a porta devagar. O trinco encaixou-se silenciosamente na respetiva ranhura com um estalido quase insonoro. Os rapazes ficaram na sala a ver o filme com o John Wayne a comer mãozadas de pipocas que enfiavam lentamente na boca, que trincavam e que saboreavam deliciados.

Eles estavam distraídos, relaxados, confiantes, indefesos.

Sim, sem qualquer defesa.

Eles não podiam saber que a Margaret não tinha ido para o quarto para simplesmente trocar de roupa, que assim que se viu fechada sentiu-se mais segura, que tinha respirado fundo, que agarrava na bolsa que levara à cafetaria e que retirava o papel que aí tinha enfiado, dobrado em quatro.

Eles não podiam imaginar que a Margaret não tinha abandonado a traineira do seu pai por causa de uma reunião com o armador, mas sim por causa de um alerta emitido pela polícia sobre quatro fugitivos que tinham assaltado um banco importante, que o pai lhe tinha pedido para investigar se eram os quatro náufragos que tinham resgatado e que lhe tinha ordenado que fosse falar com o detetive que estava a investigar o caso o quanto antes pois não queria problemas com a autoridade.

Eles também não podiam antever que ela só tinha regressado à sua cidade para se encontrar com esse detetive na cafetaria onde todos se tinham revisto com espanto e alegria, um encontro que não fora assim tão inocente, que fora todavia inteiramente fruto do acaso para fortuna dela, não deles, pois o detetive tinha acabado de deixar o papel onde se indicava que eles eram procurados, os três rostos dos ladrões, o quarto ainda por identificar já que não tinha sido apanhado pelas câmaras de vigilância do banco, eram eles tinha ela afirmado inequivocamente e sabia onde eles estavam, tinha adiantado.

Eles nem sonhavam que ela se sentava na sua cama, que agarrava no seu telemóvel e que digitava o número de telefone do detetive rabiscado nas costas do papel, um número particular que ela devia contactar se se cruzasse novamente com a quadrilha, escrito pelo punho dela, que o detetive saíra pela mesma porta que eles tinham segurado para poderem entrar na cafetaria.

Eles não sabiam, estavam a ver um filme e a comer pipocas descontraidamente, os amigos tinham saído para irem às compras, eles não sabiam ainda mas acabavam de ser atraiçoados.



Notas finais do capítulo

No final das contas, John tinha razão quanto à Margaret - ela acabou mesmo por denunciá-los à polícia. Por enquanto eles ainda não sabem. O John foi às compras com o Paul, George e Ringo estão descansados a ver um filme.
O que irá acontecer a seguir?

Próximo capítulo:
Adrenalina.



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