Na Minha Vida escrita por André Tornado


Capítulo 20
Uma viagem em terra firme, para variar


Notas iniciais do capítulo

No capítulo anterior:
Os quatro rapazes estiveram dentro de um barco, perdidos em alto mar. Passaram por muitas fases, boas e más, com música e confissões à mistura, o grupo tornou-se mais unido e no fim tudo correu bem para John, Paul, George e Ringo.



No porto de abrigo daquela vila pesqueira, no pontão de cimento, John, George e Ringo aguardavam que a despedida terminasse para que pudessem prosseguir a sua viagem, que eles não sabiam muito bem onde os levaria. Talvez de regresso a casa, talvez não, porque seriam homens procurados.

Paul abraçava e beijava Margaret, a filha do capitão do barco que os tinha resgatado do mar, seis dias antes. Estava tudo a desenrolar-se normalmente entre os dois. Uma conversa amigável, sorrisos, até que ele agarrou na mão dela, os olhos da mulher brilharam num claro convite e a aproximação aconteceu. Ela inclinara a cabeça naquele gesto típico e ele não se fizera rogado.

Dos três, John era o que estava mais descontraído, por estar habituado aos dotes de conquistador do seu amigo. As mulheres simplesmente não resistiam àquela atitude educada, quase frágil, de Paul McCartney, e tinha de admitir que ele era um rapaz bem-parecido, polido, com uma boa apresentação mesmo depois de ter estado naufragado durante dias, com a roupa rasgada e a cheirar tão mal quanto uma doninha fedorenta.

Ao lado de John, Ringo enfiou as mãos nos bolsos das calças e George cruzou os braços, passando o peso de uma perna para a outra.

— Como foi que ele conseguiu chamar a atenção dela… dessa maneira? – indagou o mais novo.

A dúvida era legítima, pois Margaret demonstrou o mesmo grau de atenção para com os quatro, logo que o navio os recolhera da sua situação aflitiva. Dera-lhes água, comida em pequenas quantidades para não lhes sobrecarregar os estômagos fracos, uma cama para descansarem, conforto complementado com carinhos e sussurros, que lhes garantia que iriam ficar bem.

— Ele consegue chamar a atenção delas – respondeu John acendendo um cigarro.

E também lhes tinha dado tabaco, que foi algo que John pediu raivoso e descontrolado, a espumar dos cantos da boca, logo que recuperou as forças minimamente para fazer exigências. O engraçado foi que a mulher não se intimidara com os seus modos bruscos e trouxera-lhes maços de cigarros, com o aviso sério de que aquilo dava-lhes cabo da saúde. Ringo prometera que iria deixar o vício assim que pisasse terra.

Esse mesmo Ringo que franzia uma sobrancelha.

— A Margaret foi simpática connosco, sem fazer distinção.

— Pelos vistos, gostou mais do Paul e só esperava uma oportunidade para… bem, para o agarrar como está a fazê-lo – resmungou George. – Sempre foi assim com o teu amigo? Ele as mulheres?

— Sempre – confirmou John saboreando a nicotina em breves tragos do fumo. – No início também me fazia confusão, mas depois aprendi a não cobiçar as tipas que são mais do jeito dele. Sabem? Existe uma espécie específica de mulher que cai nos encantos do Paul. Se as mantiverem longe dos vossos interesses pessoais, se olharem para as outras tipas, tudo acaba por correr bem.

— Uma espécie específica? – estranhou Ringo, sublinhando o pleonasmo.

— Hum-hum. Percebi que as mulheres que olham para o Paul… são mais para o desengraçado. Prefiro-as com outras características.

— A Margaret não é desengraçada.

— Oh, gostaste dela, George? Esquece-a… A partir de hoje só vai ter olhos para o Paul e vai ansiar todos os dias pelo seu regresso, suspirando à sua janela com uma chávena de café quente nas mãos.

— Que romântico… – desdenhou Ringo.

— Gostaram os dois dela – descobriu John, sorrindo com algum sarcasmo.

— E tu também gostaste – acusou George incomodado. – Ronronavas como um gatinho quando ela te trazia a comida e ria-se com as tuas piadas.

— Ah ah! Boa tentativa! Eu vi logo que ela era do Paul, só estava a ser simpático.

Os ciúmes faziam-nos injustos para com a mulher que os tinha tratado tão bem a bordo da traineira que pertencia ao pai, que era o seu capitão e mestre. Andavam na captura do atum e da corvina, numa campanha de um mês, quando encontraram o pequeno barco à deriva com os quatro rapazes no seu interior, desfalecidos, queimados pelo sol e miseráveis. Tinham sido alimentados por ela que fazia parte da tripulação que os recebera com cortesia, aparte da indiferença e da frieza com que os outros marinheiros os tratavam, apesar de nunca terem sido ofensivos ou maldosos, pois eram sempre solidários com os náufragos. Fora ela que os alimentara e vestira, entregando-lhes roupas que tinham pertencido a outros tripulantes.

A campanha não podia terminar e eles não deviam ficar no navio, por causa dos inspetores. Havia multas avultadas pela transgressão aos regulamentos por existirem pessoas não autorizadas embarcadas, então o capitão combinara deixá-los no porto mais próximo. E assim tinha acontecido naquele dia. O pai de Margaret era austero e antipático, resmungava demasiado e nunca os olhava nos olhos quando falava com eles. Era facto, contudo, que nunca se negara a prestar-lhes os cuidados necessários para que recuperassem a saúde e as forças. Talvez se tivesse apercebido do interesse da filha por um deles. E quando notara que seis dias tinham bastado para que os rapazes clandestinos ficassem na posse plena das suas capacidades, arranjou lugar para deixá-los.

Trocaram um aperto de mão, um resmungo e o capitão regressara ao navio. A filha ficara no pontão, onde a traineira atracara, para as despedidas mais cordiais e com Paul estava a ser extremamente cordial.

George virou costas à cena. Não conseguia suportar ver aquele beijo que começara com um tímido encosto de lábios e que agora desenvolvia-se em algo mais lambuzado, com línguas pelo meio. Apetecia-lhe gritar “Arranjem um quarto!”, depois lembrou-se do pai da moça que podia ouvir aquilo, viria espreitar o que se passava, surpreendia aquelas liberdades e ainda mandaria os seus marinheiros darem-lhes um enxerto de porrada por andarem a seduzir a filha. Paul seria o primeiro a apanhar e eles levariam por tabela por não terem puxado o amigo e terminado com a pouca vergonha.

John distraía-se com o seu cigarro e George acreditou nas suas palavras, que numa primeira avaliação soaram como bazófia. Ele estava mesmo vacinado contra os poderes de sedução de Paul. Bom, eram amigos, conheciam-se, aprenderam a lidar um com o outro, especialmente com as diferenças. Ringo tinha uma expressão ausente, perdia-se nos seus pensamentos que não deviam ser muito complexos. Talvez uma recordação simples de um prato de comida, de um qualquer beijo especial que teria recebido da sua ex-mulher.

Junto a eles, num amontoado cuidadoso pois não existiam estojos, estavam as guitarras, a viola-baixo e as baquetas. Tudo fora salvo do barquito condenado, eles e a sua bagagem, incluindo o saco castanho que Ringo conseguiu, com relativo sucesso, manter longe da curiosidade de Margaret. Carregava-o ao pescoço, como Paul fizera na ilha, usando os cordões atados como fio. Era leve, não pesava nada. Incomodava um pouco quando caminhava, porque o seu volume impedia a visão completa do chão, mas nada que não se pudesse superar. O dinheiro ali dentro valia qualquer maçada.

O seu barco, esse, acabou por ser afundado e foi a única coisa que se perdeu naquela experiência desagradável. A traineira não podia arrastar aquele peso suplementar, já que o combustível tinha sido calculado tendo em atenção principalmente o peso das redes usadas na faina e o peixe acondicionado nos frigoríficos do porão. Então o afundamento fora provocado. Não sentiram nada de especial quando viram o barco a desaparecer sob as ondas, chegaram até a pensar que era um alívio livrarem-se daquela coisa que lhes tinha criado mais armadilhas do que soluções.

George começou a observar aquele porto. Era pequeno, um local construído numa enseada para proteger os barcos de pesca daquela povoação que vivia do mar. Uma vila humilde, com casas modestas, construída num pedaço de terra protegido pelos contrafortes de uma montanha amarela, despida de vegetação. Estavam muito longe de casa e essa impressão de desamparo atingiu-o com algum desconforto. Sacudiu os ombros e respirou fundo. Tinham chegado a uma terra estrangeira, mas os seus habitantes, carrancudos e desconfiados, certamente que não os iriam servir num banquete em honra dos seus deuses esquisitos, como quiseram fazer com eles na tal ilha.

Interessava-se por geografia e marcou mentalmente investigar que ilha seria aquela, assim que voltasse a casa. Era um objetivo mínimo, desprezível, mas não queria pôr-se lamechas e pensar na sua família, para não se sentir ainda mais sozinho. Bem, tinha aqueles três a fazer-lhe companhia, as aventuras prometiam continuar pela estrada fora, não se podia queixar muito, não estava completamente sozinho.

Eles gostavam de música e esse pormenor ajudava a criar um laço forte, de camaradagem e cumplicidade, que nunca conseguira criar com mais ninguém. Os seus amigos eram habitualmente rapazes com outros interesses, mais realistas do que essa pretensa vaidade de inventar canções para mudar o mundo.

Por fim Margaret e Paul separaram-se, de mãos dadas, langorosamente, numa imagem copiada de um postal ilustrado sobre o amor. O vento agitou a saia dela, os cabelos dele. Os sorrisos eram melosos e perfeitos, escondiam os suspiros que guardavam nos peitos ardentes de tanta paixão.

Foi ela que o soltou, foi ela que se afastou com passos lentos, olhou para trás, acenou com a mão. No olhar havia o brilho das lágrimas que lhe humedeciam os expressivos olhos negros, mas não deixava de sorrir, enlevada e enamorada, linda com as faces coradas e os lábios vermelhos. Resolveu-se a prosseguir. Desceu as escadas metálicas enferrujadas, entrou na traineira do pai para continuar a campanha da pesca do atum e da corvina.

Paul só deu meia volta quando escutou o motor da traineira a trabalhar, com a certeza de que a moça não iria regressar para mais um abraço e outro beijo. Penteava os cabelos com as mãos, empurrando a franja para trás, quando se juntou aos companheiros. Vestia, como os outros, roupa emprestada, mas mantivera a sua gravata e o seu casaco de verão que limpou o melhor que conseguiu enquanto estivera na traineira, remendando os rasgões toscamente com uma agulha e linha branca. Tinha um especial carinho por aquele casaco, explicou quando lhe perguntaram porque não tinha lançado as roupas rasgadas e sujas na fornalha do barco, como todos tinham feito.

Ringo piscou-lhe o olho, divertido.

— Ganhaste uma amiga, hum?

Paul replicou, encolhendo os ombros:

— Ela também é vossa amiga…

— Tu és o preferido do grupo, sem dúvida – observou George, apoiando-se em Ringo e também piscou o olho. – Ela é bonita. Acho que em breve vais esquecer a Jane…

— É um bom conhecimento – rebateu Paul tentando soar prático. – Revelou-me onde mora. Fica longe daqui, numa cidade junto à costa. Por aquilo que me contou, sobre este lugarejo onde nos encontramos e sobre a sua cidade, estamos muito longe e espera-nos uma grande viagem de largos quilómetros. Deu-me a sua morada. – E mostrou-lhes um cartãozinho rosado, com corações estilizados num dos cantos, escrito com letras elegantes douradas.

— Oh, então a tua exploração da boca da Margaret resultou em informações úteis – disse John cáustico, apagando a beata do cigarro debaixo da bota.

— John!

— Não digo exploração do corpo porque não o podias fazer num local tão público…

— John!

— O que foi? Não a querias levar para a cama?

— John!

— Eu levava-a para a cama, mas ela deu-me cigarros e fiquei satisfeito com os cigarros. Foi uma boa substituição, embora não iria recusar os cigarros e a cama da filha do capitão. Se tivesse as duas coisas ficava no paraíso.

— John!

— Estavas a gostar de estar ali agarradinho a ela… Qual é o problema?

— A Margaret… Ela… – Paul não conseguiu prosseguir, corado e envergonhado com a falta de diplomacia do amigo. Mas John sempre fora desbocado e quando se tratava de mulheres, especialmente as conquistas fáceis, não tinha papas na língua. Em abono da verdade, nem sequer respeitava muito as namoradas mais sérias, aquelas que em teoria seriam para casar e assentar arraiais. Sempre insultara a Jane e implicava com tudo o que ela dizia ou fazia.

George e Ringo riram-se. Ele descontraiu-se e sorriu, penteando outra vez a franja.

John espreitou o cartão que Paul segurava com cuidado entre o polegar e o indicador. Leu-o rapidamente, reparou que exalava um ligeiro perfume, muito parecido ao que a Margaret usava. Já tinha aquela fisgada durante a despedida, deixar os seus contactos com McCartney. Queria vê-lo outra vez, conhecê-lo… com mais intimidade. O beijo não tinha sido um mero acaso. A possível inocência que teria desfez-se como fumo. A mulher era uma leoa. Bem, todas as mulheres eram leoas.

— Hum, estou a perceber o teu interesse – disse, pensativo. – É outra cidade…

— Sim, Johnny, outra cidade – admitiu Paul. – Temos de ir para algum sítio a partir daqui e acho que seria uma boa ideia, espero que concordem comigo, seguirmos para outra cidade, que não aquela onde moramos.

Ringo e George aquiesceram com um curto aceno de cabeça.

— O Banco Central foi assaltado – prosseguiu Paul –, a polícia perseguiu-nos de carro, nós provocámos um acidente que destruiu propriedade do município, nomeadamente os automóveis da autoridade, foram tentar apanhar-nos no tal armazém do cais antigo, andam à nossa procura. Deixemos a poeira assentar, vamos tirar umas férias para que se esqueçam do sucedido, talvez encontrar outro lugar para morar… O John perdeu o emprego, o Ringo já nem trabalhava, eu já nem devo ter o meu lugar naquele escritório competitivo de advogados e tu, George, irias fazer uma viagem de qualquer maneira.

— Por mim, tudo bem – disse John. – Depois do mar, terra firme será uma mudança agradável.

— Hum, concordo com a tua ideia – anuiu Ringo pousando uma mão sobre o saco castanho. – Devemos passar despercebidos até que esse assunto do assalto esmoreça. Quando ninguém se lembrar mais do que aconteceu, podemos regressar à nossa cidade. Ou não. Podemos ficar nessa nova cidade, se formos bem acolhidos, se nos estabelecermos com sucesso. Agrada-me. Construir uma nova vida. Temos dinheiro para fazê-lo…

— Já temos alguém conhecido nessa nova cidade – lembrou John. E arrastou a voz, troçando do amigo: – A querida e doce Margaret!

— Melhor do que nada – defendeu Ringo, olhando de John para Paul.

— A casa dela é grande, Macca?

— A casa dela?

— Presumo que ela nos ofereceu a sua casa, para ficarmos provisoriamente até encontrarmos um apartamento para nós.

— Bem, ela não foi tão explícita…

— Ah, ofereceu a casa só a ti.

— Não, nem a mim. Só me deu o cartão e…

— Compreendido, Macca! Vamos ficar na casa da querida e doce Margaret.

— Espera, não devemos abusar da sua hospitalidade – cortou Paul. – Já nos socorreu do mar, cuidou de nós enquanto estivemos a convalescer na traineira do pai, deixou-nos a sua morada. Não achas que já fez demais?

— Não – respondeu John admirado. – Salvar-nos do mar faz parte do código dos marinheiros ou algo parecido, não se deixa ninguém a morrer no mar uma vez encontrado num barco à deriva. Depois, ela trabalha com o pai que é pescador e que passa longas temporadas fora, logo tem a casa disponível.

— O John tem bons argumentos – disse Ringo.

— Ele tem sempre bons argumentos – suspirou Paul.

— E o que fazemos a partir daqui? – perguntou George. – Estamos num fim de mundo, não sei se já repararam.

— Sim, reparei – explicou Paul, guardando o cartãozinho no bolso interior do casaco de onde o tinha tirado. – A Margaret conhece esta vila e deixou-me com algumas instruções. O único meio de transporte que viaja para o exterior é um autocarro. O terminal fica nos limites da povoação, no início das montanhas. Temos de andar um pouco. Compramos o bilhete e começamos a nossa viagem.

Pegaram cada um na sua guitarra, Ringo levou as baquetas e a velha guitarra acústica e puseram-se a caminho, perguntando por direções à medida que se foram embrenhando na vila.

Era um lugarejo pobre, com estradas de terra e poucos automóveis. As crianças brincavam descalças nas ruas com brinquedos artesanais. Quando os viam a passar, suspendiam as correrias e ficavam a olhar embasbacados, apontando curiosos para os instrumentos musicais que baloiçavam nas costas deles.

Um grupo de meninos jogava futebol com uma bola de trapos. George intercetou um passe e passou a bola para Paul que fez uma finta. John fez umas habilidades e Ringo tropeçou nas próprias pernas, demonstrando que era bastante melhor a usar as mãos. Trocaram a bola com os miúdos, correram, riram-se e depois de alguns minutos de diversão largaram o jogo, despedindo-se efusivamente. Os mais jovens eram bastante mais simpáticos do que os mais velhos.

Alcançaram, por fim, o terminal. Era um lugar deprimente, composto por um toldo de lona erguido sobre dois postes de madeira, com bancos de pedra onde os passageiros aguardavam e um quiosque a exigir reforma, paredes com tinta lascada e um telhado de chapa de zinco que tornava o ar impossível de respirar de tão quente, no seu interior. O empregado que vendia os bilhetes suava copiosamente.

Pediram-lhe quatro bilhetes para a cidade de Margaret. O empregado espantou-se e esclareceu:

— Não é possível, amigos. O autocarro daqui só vai até Viejos.

— Viejos?

— É uma aldeia perto da fronteira.

George fez uma careta para Ringo. A viagem seria composta por várias etapas, como numa maratona para novatos. Contudo, não podiam ir para outro lado a partir daquela vila isolada. Tinham de se conformar.

— Vocês são músicos – acrescentou o empregado. – Gostam de música para essas bandas.

— Ah, ainda bem! – ironizou John.

O empregado explicou também que de Viejos podiam arranjar um carro facilmente e que, escolhendo a autoestrada, conseguiriam chegar a essa cidade da costa. Ficaram mais animados e Paul comprou os quatro bilhetes para o autocarro que iria partir dali a quinze minutos. Espantou-os por sacar da sua carteira do bolso interior do casaco, onde também tinha o cartão de Margaret. Paul contou-lhes, como se fosse óbvio, que continuava com a sua carteira, só tinha deixado o telemóvel no escritório.

Entraram na velha carripana a que os locais chamavam de autocarro, um veículo prateado e baço, com traços dos anos cinquenta do século vinte. Era desconfortável, abafado mas eles estavam ansiosos para começar a viagem e falavam alto, muito animados.



Notas finais do capítulo

Os rapazes estão com os pés bem assentes no chão e não pensam ver mar tão cedo, depois da curta mas intensa aventura na ilha (e eu não os vou arrancar desse chão, por isso podermos ficar todos descansados...)
O Paul começa a mostrar os seus dotes de conquistador, desta feita com a Margaret, a filha do capitão do barco pesqueiro que os salvou. Se para John é normal, para Ringo e George têm se ir habituando...

Falemos agora de geografia. Como já tinha referido nos capítulos iniciais, estamos numa aventura da imaginação e não defini um espaço físico coerente. Confesso que quando esta história foi imaginada, passava-se nos Estados Unidos da América e no México - aqui seria a parte mexicana. Mas quando a escrevi a partir desse roteiro inicial resolvi não indicar lugares. São cidades, são ilhas, são caminhos e estradas. É uma viagem de conhecimento, de revelação, de maravilha que leva à união de quatro rapazes dispersos, que leva à criação de uma entidade musical que vai superar a simples soma das quatro partes. Por isso não tentem traçar uma rota nem me peçam para fazê-lo. A rota não existe no nosso mundo.
Lembrei-me de uma passagem do livro fabuloso A Sabedoria dos Mitos, de Luc Ferry, a propósito das viagens de Ulisses (sem querer comparar esta humilde fanfic com a Odisseia): "(...) é absurdo querer, a qualquer preço, localizar num mapa geográfico as etapas da sua viagem. (...) O mundo no qual evolui Ulisses não é o mundo real."
O mesmo se passa aqui. Muito obrigado pela compreensão por mais este devaneio de escritor.

Próximo capítulo:
A inspiração do deserto.



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