Winter Song escrita por Lux Noctis


Capítulo 1
Capítulo 1


Notas iniciais do capítulo

Fic inspirada na música Winter Song - Sara Bareilles.
(Desafio dado, é desafio aceito!)
Obviamente me apaixonei pelo ship.



Os minutos tornavam-se horas, as horas dias, e os dias semanas. O tempo é um remédio. Ele sempre ouviu isso de qualquer pessoa, menos seu pai. “O tempo é o remédio para as feridas.” Até mesmo Maria havia lhe dito umas centenas de vezes. Nem sempre com essas palavras exatas, mas sempre com esse significado.

Era tão difícil acreditar que o tempo iria curá-lo. Era tão difícil aceitar a ideia de que só o tempo seria capaz de lhe trazer conforto. Era difícil aceitar que havia, novamente, se auto destruído. E mais uma vez deixava-se afogar no líquido âmbar que lhe servia de fiel escudeiro.

Ele poderia ter lhe contado a verdade, poderia ter contado antes que tudo fosse por água abaixo daquela maneira ridícula. Mas qual seria o motivo de contar? Por que ele iria abrir a boca para lhe contar aquilo? Não tinha nenhum dever para com ele, tinha?

Se nem ao menos Steve Rogers havia lhe contado a verdade, por que Bucky Barnes o faria?

Ao contrário do que todos pensavam, ou até mesmo esperavam… Ele não o culpava pela morte de seus pais. Não à Bucky Barnes, não ao soldado que viveu além de seu tempo, não ao moreno de pele clara e belos olhos claros. Ele culpava a máquina da Hydra, ele culpava o Soldado Invernal, e infelizmente, por alguns minutos ele não soube diferenciar. Ele só se sentiu sem chão, ele perdeu o ar e com isso, seu cérebro focou apenas em vingar a morte da pessoa que mais amou na vida; Maria.

Ele sabia que se Steve não intervisse, ele poderia se arrepender depois, e só depois. E muito provavelmente estaria mais ébrio que o atual momento, no qual se encontrava jogado no chão da sala, com a cabeça apoiada na enorme janela que dava ampla visão à cidade absurdamente movimentada e iluminada. Como se ninguém sentisse o impacto de se sentir traído, abandonado, confuso. E ninguém sabia. Ele não havia contado pra ninguém.

A cidade continuava a todo vapor, as pessoas ainda sorriam na Times Square, os namorados ainda passeavam de mãos dadas. A vida continuava a mesma para os residentes de NY. Menos pra ele. Tudo tinha mudado, no passar de uma gravação.

Havia bebido quantas doses? Ainda contava como doses, sendo que na maior parte das vezes seu copo ficava quase cheio? O álcool era o único capaz de inebriar os sentidos. O único capaz de lhe proporcionar uma noite sem sonhos, ou pesadelos. A coisa que o apagava, tirando-lhe a razão de qualquer coisa. E mesmo que tivesse prometido para Pepper, não poderia se afastar da bebida, pelo menos não por hora.




 

—  Tem certeza? Acha que ficar congelado é o melhor? Fique e lute para retomar o controle de sua mente, e corpo. —  Steve tinha receio em sua voz, uma pitada de remorso e dor.

—  Steve, sabemos que sou perigoso. Enquanto homens como Zemo souberem da existência desse livro, eu posso ser controlado. Eu já feri pessoas demais. Pessoas que não mereciam, pessoas que deixaram filhos sozinhos, por minha causa. —  a dor na voz de Steve, nem se comparava a dor que as orbes de Bucky revelavam. Era algo latente. Como um coração a pulsar. Como um rasgo em seu músculo cardíaco, ferindo-o a cada batimento.

—  Você disse que não conseguia se deter, mas estava sempre ciente do que acontecia, certo? Não tinha como você impedir, Bucky. A culpa não foi sua. E faremos o possível para evitar que isso torne a acontecer. Mas você precisa ficar com a gente. Aqui é um bom lugar, T’Challa está te oferecendo uma oportunidade de melhorar. Estão trabalhando num protótipo para seu braço. —  as palavras saiam quase cuspidas de sua boca, buscando qualquer coisa que servisse para ancorar Bucky aquela vida. Para lhe dar um motivo para ficar alerta, para ficar acordado.

—  Acha que ele será capaz de perdoar? —  Steve sabia exatamente de quem o amigo falava. Ele sempre soube que Bucky se sentia culpado, soube das visitas que ele fez ao bilionário, sabia de seus passos. Mesmo que Bucky não se sentisse confortável ainda para falar.

—  Tony pode ser muita coisa, mas não é burro. Ela sabe que a culpa não foi sua. Ele sabe que você não tinha controle sobre suas ações, ele só estava irritado, com dor, se sentiu traído. Eu menti, acho que tenho uma grande parcela de culpa.

O silêncio fora a única resposta plausível. Bucky estava perdido em pensamentos, em lembranças.



 

A neve caia vagarosamente, como se algo estivesse peneirando-a, apenas flocos quase imperceptíveis tocavam o chão, e qualquer superfície acima. Bucky, estava observando aquela casa há dois longos dias. Ninguém havia entrado, ou saído. Mas ele permanecia ali, precisava se certificar que o jovem estava bem. Não sabia exatamente o motivo que o fez sair, que o fez burlar os sistemas previamente impostos por uma ditadura na qual vivia. Ali permaneceria, pelo menos enquanto não tivesse certeza do bem estar daquele jovem que havia perdido os pais.

Sua vontade era arrombar as portas da casa, e procurar por qualquer sinal do rapaz, mas seria invasivo demais, e ele buscava o anonimato.

Umas das muitas janelas do segundo piso, fora aberta parcialmente, deixando o vento frio adentrar pela fresta, e logo era visível um rosto sem expressões de fácil compreensão. Tony Stark estava com os cotovelos apoiados no beiral da janela, apreciando a vista, sem de fato olhá-la. Estava apenas inebriando-se com o vento frio que lhe açoitava a face.

—  Você pode ser muitas coisas, mas não é invisível. —  o jovem Stark falou em direção à árvore, aparentemente solitária. —  Sabe, quando as cortinas estão fechadas, eu posso observar você. Você se mexeu mais cedo, pensei que fosse entrar aqui. Mas não o fez, então descartei as possibilidades de ser algum ladrão. Se for um segurança que Obbie contratou, não precisa ficar pendurado na árvore feito macaco.

Tony olhava para a árvore, tentando localizar o homem de vestes negras e longas madeixas, mas ele permanecia imóvel, dificultando para que Stark o visse. O sol já havia se pôsto, e a iluminação presente era do cômodo no qual Tony estava. Sua sombra era projetada janela afora, cobrindo boa parte dos galhos cobertos de neve.

—  Se você disser seu nome, fica mais fácil de falar para o Obbie que eu não preciso de uma babá.

—  Não estou aqui para ser seu segurança.

—  O homem da árvore sabe falar. Que progresso!

O farfalhar de galhos entregou a posição de Bucky, que logo tratou de se aproximar da janela na qual Tony estava basicamente debruçado.

—  Então, qual a razão de estar aqui me observando?

—  Apenas queria ter certeza de que você está bem. Conhecia seu pai.

— Normalmente pessoas que se conhecem, entram pela porta, mas gostaria de entrar pela janela? —  Tony não sabia dizer o que o levou a fazer tal convite inusitado. E bucky menos ainda o que o levou a aceitar.

Tony afastou-se da janela, abrindo-a por completo, facilitando para que o misterioso homem na árvore entrasse. Estavam cara-a-cara e Tony não conteve sua curiosidade ao tocar o braço esquerdo do homem, não conteve sua feição de espanto ao constatar que o braço era de alguma liga metálica. Não havia reparado apenas isso. Notou a coloração dos olhos, o comprimento dos fios, o furinho no queixo, e um leve sombreado abaixo dos olhos, indicando noites mal dormidas.

Bucky havia esquecido de respirar normalmente, havia pausado a respiração quando sentiu a aproximação do jovem curioso, quando o viu levar a mão até seu braço. Voltando a respirar normalmente apenas quando sentiu-se observado por aqueles grandes olhos castanhos. Tão intensos quanto uma tempestade no verão.

Ele não deveria estar ali, mas não conseguia sair. Passou a noite ouvindo Tony falar sobre física, ou ao menos pensou que fosse isso. Ele não havia perguntado seu nome, talvez tivesse notado que o soldado não estaria disposto a responder. Ele precisava sair dali o quanto antes. Não faria bem para nenhum dos dois, vítima e assassino no mesmo lugar. Sim, Bucky se via como o assassino dos pais daquele garoto inteligente. E se ele descobrisse? Era mau sinal estar tão preocupado, e Bucky sabia disso.

Estava olhando para a janela, novamente aberta, prestes a sair, deixando tudo para trás. Até que sentiu um leve toque em sua mão metálica. Levou menos de cinco segundos para piscar os olhos e se virar, encontrando Tony a poucos centímetros de distância.

Era algo que o soldadinho da Hydra jamais fosse esperar, um beijo. Tão singelo quanto se pode ser, tão repleto de insegurança, por ambos. Um simples selar de lábios, que logo dava lugar a algo mais íntimo, uma dança de línguas que buscavam explorar a boca do outro, de maneira lenta e instigante.

—  Caso não veja você quando resolver brincar de pique-árvore. —  se de fato aquela brincadeira existisse, Tony jamais saberia. —  E caso resolva aparecer, a janela estará aberta. A porta não. Gosto de dificultar as coisas.

Bucky sorriu. Há quanto tempo ele não sabia o que era sorrir? Uma vida, talvez. Pelo menos desde que havia caído de um trem, ele não se lembrava ao certo.

Sempre que possível, ele visitava o jovem. O viu erguer um império, o viu mudar, se formar um homem. Ele estava presente, mesmo que nas sombras. Ele apareceu mais uma vez, no inverno. E eles sabiam que seria a última vez.

Até que o Soldado Invernal regressasse de vez.



 

—  Tenho certeza, Steve. —  Bucky saiu do frenesi causado por suas recordações. —  Prefiro ficar inerte, e não machucar mais ninguém.

Não teria como discutir, não mais. Steve precisava aceitar a vontade do amigo, e de certa forma conseguia compreender. Estaria seguro ali, em Wakanda, aos cuidados do rei, o Pantera Negra.

A câmara estava pronta, Bucky acomodou-se, olhou para onde estivera seu braço metálico, piscou os olhos recordando de quando Stark havia tocado-o tão gentilmente. Era melhor dormir do que lembrar.



 

Tony sempre soube que a vida era uma brincadeira sem graça, uma história sem nexo, e muitas vezes com finais horríveis. Ele sabia também que ficar sentado bebendo, em nada resolveria. Era atrasar o irremediável. Estava retardando o tanto quanto conseguia. Mas estava disposto a tentar, afinal, ele conheceu Bucky Barnes, e conheceu o Soldado Invernal, e definitivamente não eram iguais. Dois seres em um só corpo, e Tony faria o possível para ter de volta aquele homem de feições angelicais que conheceu na sua árvore. O ajudaria, indo contra seu orgulho, faria aquilo que estivesse ao seu alcance para que ninguém mais o controlasse. E começaria com o braço, afinal, o livro vermelho estava em suas mãos, trancado à sete chaves, com tanto cuidado que nem mesmo o próprio caveira vermelha seria capaz de colocar as mãos naquele livro.

As feridas curariam com o tempo, e com trabalho para se distrair. Só depois pensaria no que fazer quando encontrasse Bucky de novo. Só depois pensaria em como as coisas terminariam… Ou como iriam recomeçar.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado, de verdade.
Nem sei se terá leitores, mas okay. Eu achei fofinho. Enfim...
O BUCKY literalmente foge da minha zona de conforto, e espero que não tenha descaracterizado o bichinho.



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Winter Song" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.