Família Moderna escrita por Erin Noble Dracula


Capítulo 8
Gesto


Notas iniciais do capítulo

https://youtu.be/4PCUTvTX8xU

https://youtu.be/xw_dEZM8PqI

https://youtu.be/YMl-1S6XDK0 (Melodia da Miranda)



P.O.V. Miranda.

Eu to tão cansada hoje foi um dia cheio.

—Eric. Eu to cansada Eric.

—Lembra disso?

—O colar que a minha mãe me deu. Eu pensei que tinha sumido.

—Obrigado.

Eu ia pegar, mas ele o afastou.

—Por favor devolva.

—Eu tenho que dizer uma coisa.

—Porque tem que dizer com o meu colar?

—Porque o que eu vou dizer agora é provavelmente a coisa mais egoísta que eu já disse na minha existência.

—Eric, não faça isso.

—Eu só tenho que dizer uma vez e você só tem que ouvir.

—Eu te amo Miranda. E é porque eu te amo que eu não posso ser egoísta com você. Por que eu não posso fazer isso. Eu não mereço você, mas o Bill merece. 

Ele beijou a minha testa.

—Eu queria que não tivesse que esquecer, mas você tem.

Ele tentou fazer aquele negócio de controlar a mente, mas não deu certo. Com ou sem o meu colar aquilo não funciona em mim.

—Oi. Eu vou á prefeitura amanhã e vou colocar a escritura da casa no seu nome.

—Obrigado. Por tudo. E só pra constar, eu acho que agora você me merece sim.

—O que?

Eu fui até ele e o beijei.

P.O.V. Eric.

Eu fui pego de surpresa por aquele beijo. Eu definitivamente não vi aquilo vindo.

—Eu amo você também.

—Mas, eu...

Ela sussurrou:

—Eu sou imune. Controle mental não funciona em mim.

Eu finalmente pude fazer o que eu queria fazer desde a primeira vez que coloquei meus olhos nela lá no Vamtasia. Mas, quando as coisas começaram a esquentar entre nós ela me afastou.

—Não. Isso não é certo. Eu tenho que terminar com o Bill primeiro e eu não vou dormir com você, eu prometi pra minha vó e pra mim mesma que só aquele que fosse o meu marido teria a minha pureza.

Eu ri. 

—Qual é a graça?

—Eu não mereço você mesmo. Você é boa demais pra mim.

—Você provavelmente tá certo, mas não tem como dizer a alguém o que sentir.

Ela deitou na cama e disse:

—Boa noite Eric. Amanhã, vou terminar com o Bill e terei um presente pra você.

—E o que seria?

—Surpresa.

Logo sua respiração ficou calma, tranquila, estava dormindo. Eu toquei o seu rosto bem, bem de leve, mas foi o suficiente para acordá-la.

—Eu ein.

Ela apagou o abajur e colocou um pequeno caderno que até então eu não havia notado em sua cabeceira e voltou a dormir.

Eu havia me escondido quando percebi que ela começava a acordar. Então senti outra presença no quarto.

—O que está fazendo aqui?

—O mesmo que você. Vendo a Miranda dormir.

—Vocês dois são patéticos.

—Oi Pam. Fale baixo vai acordá-la.

—Vocês estão muito ocupados brincando e dando amassos na solução ao invés de usá-la!

—Não tem nenhum jeito de usá-la. Não vai funcionar.

—Não! O Russel a quer, deem ela pra ele pra salvar suas próprias peles.

Eu e Bill demos a mesma resposta ao mesmo tempo:

—Não.

—Ele vai pegá-la de qualquer jeito, mais cedo ou mais tarde.

—Não. Eu não vou fazer isso com ela, eu não posso perder ela de novo.

—Você está escolhendo uma humana ao invés de si mesmo Eric? Ao invés de mim?

—Sua falta de sentimento era o que eu mais gostava em você. Não me decepcione agora.

—Eu não vou deixar você se matar por causa dessa garota. Pelo menos descubra um jeito de usá-la e rápido.

—Meu sangue.

—Ei, você devia estar dormindo.

—Impossível com esse falatório. Meu sangue. Aquele que bebe o meu sangue consegue sair ao sol, mas só funciona por alguns poucos minutos. Deem o meu sangue pra esse babaca beber e deixem ele queimar vivo. 

—Não vai funcionar.

—Vai. Eu tenho um plano, uma arma secreta. A maneira da natureza revidar, para cada força de vocês há uma fraqueza. Vou usar essa fraqueza contra esse filho da puta.

—A natureza revidar como assim?

Ela respirou fundo, se sentou na cama e respondeu:

—A natureza sempre busca um equilíbrio. Ela não aceita nada imortal. Vocês claramente não conhecem sua própria história.

—Então, nos esclareça.

—Os primeiros verdadeiros imortais foram criados por uma bruxa da linhagem Bennett chamada Qetsiyah á dois mil anos atrás, quando ela o fez perturbou o equilíbrio da natureza. Silas pediu a ela uma maneira dele e Qetsyiah ficarem juntos pra sempre, como uma tola apaixonada ela criou um jardim inteiro para o seu casamento e fez um feitiço que os manteria vivos para sempre. Um feitiço de imortalidade, assim eles nunca teriam que se separar.

—Espera, então os vampiros foram criados á partir de magia?

—Sim. Mas, eu não cheguei na parte dos vampiros ainda. Como eu estava dizendo eles nunca teriam que se separar, eles beberiam o elixir da imortalidade como parte de sua cerimônia de casamento. Mas, então tudo ao redor dela começou a morrer e ela percebeu o porque. Silas já tinha bebido o elixir em outro lugar. Ele pegou o que queria e então a abandonou.

—E?

—E... foi o início do fim. Ela achou que merecia uma chance de olhar nos olhos dele e fazê-lo entender o quanto ele a havia magoado, então ela o encontrou no bosque com a  mulher para a qual ele deu sua imortalidade, com a mulher que ele escolheu ao invés dela e é á partir desse ponto que estou envolvida. Quando ela pensou que sua traição não poderia cortar mais fundo, ela descobriu que o verdadeiro amor de Silas era alguém muito próximo dela, na verdade sua melhor amiga, sua confidente, sua criada e minha ancestral. Amara. 

—Ainda não respondeu a pergunta.

—Estou chegando lá. Silas foi a primeira versão do Eric e Amara foi a primeira versão de mim.

—O que?

—Quando Silas e Amara beberam o elixir da imortalidade eles violaram a lei natural de que todas as coisas vivas morrem, então a natureza encontrou um equilíbrio criando eu sombras mortais de Silas e Amara. Também chamadas de Duplicatas ou Doppleggangers. Como você Eric e eu, e sua esposa Tatiana e Eliza tudo causado pelo efeito cascata do pecado de Silas e Amara.

—E os vampiros?

—Mil anos após o que as bruxas chamam de Pecado Original, outra bruxa decidiu cometer o mesmo erro. Uma mãe que amava tanto seus filhos que não pode suportar a ideia de perdê-los, então transformou-os em vampiros. Ester Mikaelson, a bruxa Original, a bruxa da família Original. Vejam bem, uma bruxa é uma serva da natureza e um vampiro é uma abominação da natureza você pode ser uma coisa ou outra, em raros casos você pode ser os dois. Ester fez isso pelos filhos, mas ela não se transformou.

—E o que exatamente ela fez?

—Ela pediu ao sol pela vida e ao antigo carvalho branco, um dos objetos eternos da natureza pela imortalidade, naquela noite Mikael Mikaelson ofereceu aos filhos vinho misturado com sangue e então atravessou uma espada em seus corações.

—Ele os matou.

—Sim e não foi muito delicado quando o fez. Eles tiveram que beber mais sangue para completar o ritual, mas a bruxa Ayanna Bennett estava certa sobre as consequências. Os espíritos se viraram contra eles e a natureza revidou. Para cada força haveria uma fraqueza. O sol se tornou seu inimigo, os manteve presos em casa por semanas, mas a bruxa Ester achou uma solução.

—Que solução?

—Segredo. Mas, haviam outros problemas, os vizinhos que antes haviam aberto suas casas para eles agora podiam mantê-los longe. As flores que cresciam na base do carvalho branco os queimavam e protegiam os humanos do controle mental e o feitiço decretou que apenas a madeira da árvore que os deu a vida poderia tirá-la.  Mas, a pior consequência, aquela que Ester não previu foi a fome.

—Fome?

—O sangue os atrai acima de todas as outras coisas. Eles não podiam controlar e foi assim que nasceu a espécie predadora. Sua espécie. Fruto de magia negra. Por isso uma estaca no coração mata um vampiro, por isso se um vampiro sai no sol ele queima. Nada pode ser verdadeiramente imortal, por isso a cura!

—Cura?

—Sim. Existe uma cura. Uma cura para a imortalidade.

—Ta brincando né?

—Não. Agora que vocês sabem toda a verdade me deixem dormir.

—E como explica a prata?

—Vocês são uma raça de transição. Em algum momento houve uma evolução, não sei como nem porque, vocês são a ponte entre a raça dos originais e a mais evoluída de todas. Agora caiam fora.

—Então a magia é ruim?

—Não. A magia elemental é neutra, o bem ou mal tá no coração da bruxa.

Ela começou a cantarolar uma música, uma música bem específica.

—Onde aprendeu essa melodia?

—Ela toca na minha cabeça ás vezes. Sempre que falo sobre magia ela toca na minha cabeça, meu pai me ensinou a tocar ela no piano, foi a primeira música que eu aprendi.

—Meu Deus! Uma Balcoin. Porra, você não é só uma bruxa você é descendente de uma das primeiras linhagens de bruxos que já existiu, a primeira linhagem a desenvolver magia negra e magia negra da pesada.

—O que?

—Quem olha pra você te acha uma fofa, mas amor eu não quero conhecer o seu lado negro. To fora.

Ela saiu correndo.

—É impressão ou eu acabo de infringir medo no coração da vampira mais sem coração que eu conheci? E eu nem sei como.

—Você é mesmo uma Balcoin?

—Eu sei lá. Mas, tá piorando com a idade.

—Piorando? O que?

—Ta ficando mais forte. É uma coisa do mal.

—Uma coisa do mal?

—Me deixem dormir e vocês vão ver exatamente do que eu to falando.

E nós vimos. No começo ficou tudo normal, mas com o decorrer da noite começou a ficar assustador.

Era como estar num filme de terror muito genuíno.

—O que? Ela ta fazendo isso?

—Eu é que não sou.

Os olhos dela se abriram. Mas, nada nos preparou para o que veio a seguir.

 





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