Encadeados escrita por Nipuni


Capítulo 3
Sasuke


Notas iniciais do capítulo

Olá! >///< muito obrigada pelos comentários e favoritos, espero que gostem desse capítulo tanto quanto eu ♥



— Você não devia estar aqui.

Pisquei duas vezes quando o bar caiu no silêncio. O velho resmungou alguma coisa enquanto ainda estava estirado no chão, levando a mão ao nariz que estava inchado como uma batata, e o cara do hospital agarrou meu pulso e quase teve que me arrastar pra fora.

Eu estava atônita demais para reclamar. Mal me lembrava do motivo de tê-lo seguido até ali, e depois dessa última proeza eu nem sabia mais o que perguntar. Como ele havia aparecido na minha frente tão rápido? Ou como havia derrubado um homem duas vezes o seu tamanho em um segundo?

A situação começava a parecer areia movediça – quanto mais eu me debatia, mais afundava. E não via nenhuma luz para me esclarecer no final disso tudo, nenhuma corda pra me tirar dali.

Fora do bar, ele soltou meu pulso e recuou um passo. A viela estava vazia e eu tinha a leve impressão de que ninguém no seguiria até lá depois do acontecido. Seus olhos eram como dois poços sem fundo, engolindo tudo e não deixando nada sair, e agora me encaravam sem a menor hesitação. Cruzei os braços na frente do corpo me sentindo nua, como se ele pudesse ver até mesmo através de minhas roupas.

— Me seguiu até aqui? – sua expressão incrédula fez com que eu me descompassasse.

— N-não! – virei o rosto tentando me concentrar em qualquer coisa que não fosse ele.

— Sério? – avançou um passo e depois mais um, estreitando a distância entre nós. – Porque esse não parece o tipo de lugar que alguém como você frequentaria.

Mordi o interior da bochecha e xinguei mentalmente. Esse cara fazia com que eu me sentisse estúpida por ter tentado mentir, e não estava nem se esforçando.

— Foi um engano. – murmurei, fechando as mãos em punho para tentar me recompor.

— Você é aquela do hospital, não é? A enfermeira.

— Sou estudante. – corrigi, irritada. Agora que ele havia trazido o assunto à tona, eu poderia confrontá-lo. Abri a boca para continuar, mas ele foi mais rápido.

— Certo, a residente. É uma coincidência estranha, não é? – ele cruzou os braços e soltou um sorriso debochado, e no caso estava debochando de mim. – Dois encontros no mesmo dia.

— Eu disse que foi um engano, não uma coincidência. – dei com a língua nos dentes ao terminar de falar. Ele havia acabado com o ogro do bar mais depressa do que eu consegui ver, e provocá-lo poderia não ser a melhor ideia afinal. Teria que ter cuidado com meu tom dali em diante. – Vai me contar o que aconteceu?

Ele franziu as sobrancelhas com uma risada astuta, tirando os cabelos desalinhados da testa ao me olhar de cima.

— Do que você tá falando?

Eu estava falando dos dois. Me referia ao hospital, mas também estava com uma pulga atrás da orelha sobre o que havia acontecido instantes atrás no bar.

— Como você fez aquilo de manhã? – resolvi começar pela ordem cronológica, indagando sobre sua cura miraculosa primeiro. – Você devia estar num coma, mas ainda assim levantou e saiu andando como se não fosse nada.

— Talvez vocês exageraram e eu não estava tão machucado assim.

Cerrei os olhos me esforçando para não ranger os dentes. Ele esperava mesmo que eu acreditasse naquilo?

— Porque você estava sem documentos? Não conseguiram te identificar.

— Eu não tenho documentos.

— O que é você, algum fugitivo da polícia?

Ele gargalhou com escárnio, não se preocupando com o que eu ia pensar.

— Ia ser uma bela reviravolta, não é? – ele se aproximou ainda mais e eu tentei recuar. Minhas costas tocaram a parede e um tipo distinto de desespero me consumiu. Ele já estava bem perto e, se desse mais um passo, eu não teria mais pra onde ir.

Respirei fundo, tentando me acalmar.

— Qual o seu nome? – notei a decadência nas minhas próprias perguntas. Tinha ido até lá na intenção de colocá-lo contra a parede e não de ficar contra a parede.

Ele levantou o rosto e pareceu meio ofendido, por algum motivo. Orgulho ferido?

— Sasuke.

Tomei uma nota mental para não esquecer, mas sabia que seu nome nunca iria sair da minha cabeça.

— Tem sobrenome, Sasuke?

— Nenhum que você precise saber.

Bufei com a resposta. Porque ele era tão evasivo? Até agora, a única coisa que eu sabia era como ele se chamava e só. Não tinha conseguido a resposta para seu poder curativo ou por como ele havia derrubado o velho. Como meu último recurso, tentei uma estratégia final.

— Porque você me protegeu?

Sua expressão mudou num piscar de olhos. Foi como se uma torneira tivesse sido aberta, pois toda a gracinha que ele tinha sumiu num instante, e até mesmo seu sorriso de raposa desbotou um pouco. Não sabia direito que nervo eu havia tocado, mas serviu muito bem para mudar sua postura. Me parabenizei silenciosamente.

— Alguém tinha que proteger.

Não era bem essa a resposta que eu esperava ouvir. Mesmo que agora estivesse extremamente sério, Sasuke não parecia disposto a me permitir saber qualquer coisa a seu respeito. Sua aura obscura se expandiu tanto que eu podia sentir seu peso no ar ao meu redor, fazendo com que eu me encolhesse dentro de meus botões.

Olhei o relógio na parte interna do meu pulso e meu queixo caiu quando vi que quarenta minutos já haviam passado. Como aquilo era possível, não se passaram nem quinze direito!

— Eu tenho que ir. – apertei a bolsa sobre o ombro e me virei para sair do beco.

— Espere. – sua voz estava calma e baixa, e mesmo sem que houvesse qualquer urgência na sua chamada eu me vi parando.

Sasuke andou até mim e puxou uma caneta de CDs do bolso do casaco, arrancando a tampa com os dentes. Pegou minha mão e escreveu onze dígitos desleixados na palma.

— O que é isso? – tentei decifrar os números na minha mão com uma carranca no rosto. Aquilo era um quatro ou um nove?

— Meu número. No caso de você querer conhecer um bar melhor que esse.

— Já tenho planos. – mesmo que ele não tivesse dito que dia, assumi que essa era a resposta mais segura.

Sasuke deu um último sorriso presunçoso antes de se virar e sair pelo outro lado do beco.

— Eu também.

[...]

Assisti quieta enquanto Naruto e Hinata se deleitavam com antigas histórias – de três semanas atrás. Hinata se mostrou sim uma pessoa agradável e educada, e mesmo que eu a conhecesse há apenas algumas horas, sabia que ela era alguém especial. E melhor, estava com outro alguém especial, um que precisava disso.

Mesmo assim, esse sentimento irritante continuava a me cutucar por dentro. Queria muito estar realmente envolvida naquele jantar e conseguir prestar atenção em tudo que Hinata dizia para poder fazer uma avaliação depois, mas eu não conseguia. Não depois de conhecer Sasuke.

Agora que não estava mais na sua presença, conseguia destilar e separar tudo o que ele havia me mostrado. Como era astuto, esperto e parecia gostar de bancar o cara misterioso. E como era difícil me concentrar em qualquer coisa mesmo depois de vê-lo, como eu ainda sentia seu fantasma me observando.

Levei a mão até o queixo e enrolei o indicador em uma mecha de cabelo. Era um comportamento que eu evitava a todo custo, pois denunciava sempre que eu estava pensando demais. Rezei para que Naruto não percebesse; felizmente, Hinata estava ali para distraí-lo.

— O que é isso na sua mão? – ouvi a voz de Hinata me chamando e pisquei. Ela tinha esse ar confuso ao seu redor, e logo Naruto pareceu indagador também.

Soltei a mecha e vi os onze dígitos escritos na minha pele. A tinta já começava a borrar e alguns números estavam mais ilegíveis que outros, então peguei meu celular e os digitei enquanto ainda conseguia ler.

— É uma senha. – menti, não olhando para ela na tentativa de não me sentir culpada. Não funcionou.

— Sua amiga que te deu? – Naruto perguntou.

— Que... – Ah! Quase me esqueci da história que havia contado a ele para ir atrás de Sasuke. Me corrigi bem a tempo. – Sim, foi ela.

Por mais vinte minutos, o casal continuou com sua conversa animada e eu me afogava mais em mais nas minhas próprias dúvidas. Depois da conta – que Naruto fez questão de pagar sozinho – fui deixada na porta do meu apartamento. As avenidas já haviam esvaziado e os carros já estavam todos estacionados, dando à minha rua um clima tão monótono que só serviu para me dar sono.

Rodei minhas chaves barulhentas na fechadura e entrei, tirando os sapatos apertados e me arrastando de volta para meu quarto. Vi Temari apagada no sofá com vários livros e apostilas espalhadas pelo chão, o que me deixou com vontade de chorar – afinal, era esse o destino que me aguardava amanhã.

Quase sem forças, arranquei o vestido e me escondi dentro de um blusão, deitando na cama e olhando para varanda por alguns instantes.

A garra de gato branca iluminava parte do céu, meio escondida atrás de nuvens claras. Com um suspiro, fechei os olhos e me permiti uma boa noite de sono, tendo a impressão que seria a última por um bom tempo.



Notas finais do capítulo

E então? ^/////^



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