A Garota da Torta de Maçã escrita por A S Victorian


Capítulo 4
Capítulo 3 (parte 1)





A entrevista pareceu surgir efeito. As pessoas deram um pouco mais de espaço para Joana e agora ela podia andar com mais liberdade pela cidade. Ainda sentia os olhos pregados nela quando passava pelos corredores da UnB, mas não acreditava que seria tão assediada quanto em suas semanas de mini-fama.

Não que aquela loucura houvesse acabado da noite para o dia, Joana sentia que estava longe de melhorar totalmente, mas, enquanto deixassem ela viver em paz, poderiam falar o que quisessem.

Era tarde naquela noite. Luca não havia ido para a aula e Joana estava cansada demais para esperar o final do horário. Saiu mais cedo, contente por receber a notícia de que a mãe havia viajado e que ela podia finalmente voltar para casa por alguns dias.

Havia deixado o carro estacionado no ICC Norte. Ela detestava aquele lugar a noite, pelo simples fato de que facilmente serviria como cenário de filme de terror. Mas não havia encontrado uma vaga mais perto.

Observava sua sombra se mover sobre os círculos alaranjados das luzes do campus. O som da noite a agradava, adorava estudar no turno noturno por conta daquilo. Adorava o ar calmo e a luz da lua.

Porém, a lua estava encoberta naquela noite e aquilo a deixou um pouco menos feliz. Pelo menos logo estaria em sua própria casa, sem ter que aguentar o mau humor da mãe ou do namorado. E no dia seguinte seria um feriado, então ela poderia passar a manhã inteira dormindo.

Chegou perto do carro e procurou a chave na bolsa. Um barulho a fez congelar, não havia visto ninguém por perto quando se aproximou, nem passos ao longe. Mas mesmo assim sentiu a presença de alguém ao seu lado.

— Você vai ficar quietinha. – Escutou a voz áspera perto da sua orelha, no mesmo instante que o cano frio tocou sua pele.

Joana sempre pensou que conseguiria agir com calma caso qualquer coisa como aquela acontecesse, mas a única coisa que conseguiu fazer foi congelar de choque. Sentiu suas pernas moles e não soube como continuou de pé. Então, sentiu algo duro bater em sua cabeça e apagou.

 

Os olhos demoraram a focar. O lugar era muito mal iluminado por um poste distante. Estava frio e Joana sentia a cabeça latejando. Demorou a entender que o mundo girava a sua volta e que estava com os braços presos às costas. Tentou se sentar, mas algo a impossibilitava.

A porta do carro foi aberta e a luz de uma lanterna foi jogada em sua cara. Não conseguia ver o rosto da pessoa, mas se lembrou de imediato do que havia acontecido. Puxou seu corpo para longe, afastando-se da luz da lanterna, desesperada.

— Desce. – Ele a puxou pela gola, jogando-a contra o chão arenoso.

Estavam perto do lago, em um espaço vazio. Era bem tarde e nenhuma viva alma parecia existir no raio de dois quilômetros.

— Humhum. – Joana tomou coragem para falar, mas algo em sua boca a impediu de formular as palavras.

— Fique quieta, para eu acabar logo com isso.

Ele não pareceu ter dificuldade em mover os mais de 90 kg de Joana e colocara na posição que desejava. Puxou-lhe os pés, abrindo as partes da garota.

Joana esperneou, tentando chutá-lo. Mas ele conseguiu se colocar entre as pernas dela.

— Pare de chorar. – Ele virou o rosto dela de lado. Joana se debatia, tentava empurrar o homem.

As lágrimas umedeceram a fita em sua boca e a descolou levemente em um dos cantos. Assim que percebeu que conseguia falar, começou a gritar.

— Olha, não dificulta o trabalho? – Ele tentou colocar a fita novamente, mas ela foi mais rápida.

— P-por favor. Por que tá fazendo isso?

— Fica calada! Não é hora de conversar.

Ela tentou empurrá-lo para trás, o que fez agarrá-la pelos ombros e segurá-la com mais força contra o chão. Ela chorava alto, engasgando em seus próprios soluços. Seu rosto estava vermelho e por pouco ela não estava ficando sem ar. Não iria se entregar tão facilmente e continuaria lutando.

— Eu tinha que ter cobrado mais por esse serviço…

— E-eu te pago. Eu pago mais! Me deixa ir.

— Você não tem o tanto que me ofereceram.

— Eu arrumo. Não sei quando, mas arrumo!

Ele parou e a encarou nos olhos. Joana não conseguia ver o rosto dele direito, estava coberto por uma máscara, deixando apenas os olhos a mostra. Ele não parecia contente de estar ali e aquilo deu coragem a Joana para continuar negociando. Mas ela não precisou de muito. Ele se afastou dela.

— Eu não faço isso há algum tempo já, mas a proposta que me fizeram foi muito tentadora. Eu preciso de dinheiro.

Ela não respondeu, apenas puxou as pernas para junto do corpo e se arrastou na direção do carro.

— Alguém me contratou para acabar com sua vida. A pessoa não queria você morta, mas também era pra você ficar como se tivesse morrido.

— Quem quer isso? Eu não fiz nada para ninguém.

— Não sei o nome. Mesmo assim, não iria dizer. – Ele a encarou nos olhos, examinando de forma calma o rosto alvo que brilhava na escuridão. Sabia muito bem quem era a pessoa, mas não queria acreditar que uma mãe faria aquilo com a filha. – Eu não vou fazer mais nada com você… Hoje. Mas você vai ter que me obedecer.

— Eu-eu… Obedeço.

— Saia de casa, fuja, vá pra qualquer lugar longe. Viva como se estivesse morta. Ou senão vou atrás de você, da sua família e amigos. E eu sei muito sobre você, não pense que estou blefando. Hoje eu estou bonzinho, mas quando nos encontrarmos novamente, não prometo estar.

Aquelas foram suas últimas palavras. Cortou a corda que prendia os braços da garota e, antes que ela conseguisse fazer qualquer coisa, havia desaparecido na escuridão.

Joana continuou deitada, chorando, sentindo o ar faltar em seus pulmões. Seus pensamentos não conseguiam se organizar, eles gritavam em sua cabeça, mas ela continuou deitada em posição fetal debulhando-se em lágrimas.



Notas finais do capítulo

Olá, pessoal! Aqui é a autora que resolveu finalmente deixar uma nota. Primeiramente quero pedir desculpas por estar picotando os capítulos (parece que eu tenho esse hábito ruim...), mas estou revisando os capítulos anteriores e lidando com muita coisa na vida, então, para deixar as postagens em dia, tenho que postar por pedacinhos.
Espero que estejam gostando da história. Deixem um comentário, vou ficar muito feliz com a opinião de vocês.
Os capítulos anteriores estão sendo revisados e melhorados, assim que estiverem em sua nova versão, aviso para que possam reler :)
Semana que vem sai o resto do capítulo e iremos conhecer os personagens novos hehe
Beijinhos



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