A Garota da Torta de Maçã escrita por A S Victorian


Capítulo 1
Capítulo 1





A primeira coisa que Juliana se rendeu a fazer ao sair no saguão de desembarque foi franzir o rosto. A pouca umidade e o calor a pegaram de jeito, só para recordá-la como odiava voltar para aquela cidade. Penteou os cachos com os dedos, sentindo a pele fria tocar o couro cabeludo e, então, arrumou os óculos escuros sobre o rosto tentando esconder suas tão conhecidas feições.

Estava de volta a Brasília. Nascera e crescera naquela cidade, mas ainda a incomodava ter que voltar ali depois de tanto tempo. Porém, era seu dever retornar. Havia obrigações que não poderia apenas ignorar.

Tentou afastar a irritação e acelerou o passo. Seus olhos fixaram-se vagamente no homem alto, vestido de cinza bem na sua frente. Marcelo, seu empresário que também lhe servia de segurança, abria espaço pela multidão e impedia que qualquer pessoa se aproximasse ou tirasse fotos indesejadas. Mas só a cara de poucos amigos de Juliana já era suficiente para afastar qualquer pessoa que ao menos pensasse em fazer qualquer coisa. Ela desejava do fundo do coração que nem Marcelo estivesse ali. Queria ter liberdade para andar sem ser incomodada ou vigiada. E ainda, queria estar sozinha ao chegar em casa.

Ainda estava com o rosto franzido quando entrou no carro alugado e quando este parou diante do imenso portão branco da mansão.

Marcelo se ofereceu para carregar as malas até dentro da casa, mas ela recusou rispidamente. Só queria que ele fosse logo embora, que sumisse dali e a deixasse em paz pelo tempo que durassem suas férias. Arrastou sua mala até a entrada e, só depois de escutar o carro dando partida e se afastando, acionou o portão elétrico.

Demorou seu olhar sobre a fachada da casa. Estava exatamente como havia deixado há quase dois anos. As paredes pintadas de bege não pareciam ter envelhecido. O jardim e a grama do quintal estavam perfeitos como tanto prezava. A única coisa que estragava a vista era o velho Palio de segunda mão estacionado na garagem. Afastou aquela imagem repugnante dos olhos e da cabeça e examinou novamente a mansão. Tentou localizar algum sentimento que pudesse ser confundido com saudade. Nada. Mas achou raiva, quando percebeu que nenhum de seus quatro empregados iria aparecer para lhe ajudar com as malas.

Como não tinha outra escolha, puxou seus pertences para dentro, praguejando contra o calor que fazia seu cabelo grudar no rosto e sua maquiagem derreter. Subiu os olhos finalmente para o interior e se deparou com o imenso espelho circular, seu velho amigo, dando as boas vindas.

Ela estava horrível como bem imaginava. A maquiagem parecia não existir mais ali, seu rosto estava suado e cansado, por mais que boa parte dele ainda estivesse escondido sob os óculos escuros.

A casa cheirava a torta e aquilo a deixou mais irritada, mas de resto tudo era a mesma coisa. Suas fotos ainda estavam nas paredes, junto com recortes de revistas e jornais onde seu belo rosto estava estampado. Sempre aparecia radiante nas fotos. Os olhos escuros brilhando de excitação, os dentes brancos e perfeitamente alinhados contrastando com a pele negra, os cachos perfeitos emoldurando o rosto levemente arredondado.

Havia esquecido por segundos a irritação de estar de volta ali, mas então escutou passos no primeiro andar.

— Mamãe? – Uma cabeça branca apareceu no topo da escada. Juliana revirou os olhos. Escutou os pés destrambelhados descendo às pressas os degraus até pararem finalmente na frente da mulher. – Podia ter me avisado que voltaria hoje, eu iria lhe pegar no aeroporto.

— E deixar que me vissem naquela lata velha que você chama de carro? Nem morta. – Os óculos escuros foram jogados sobre o aparador abaixo do espelho, junto com a imensa bolsa de marca cara. – Onde estão os empregados?

— Ah, eu dei alguns dias de folga para eles. Não é como se eu precisasse deles o tempo todo.

— Eu pago uma fortuna para você dispensar aquele monte de desocupados? E fez isso sem nem ao menos me consultar?

— Não queria lhe incomodar e não pensei que a senhora fosse se importar tanto com isso. Mas… Como foi a viagem? – Tratou de mudar logo o assunto. – Parece cansada.

— Voltar para esse fim de mundo me cansa. Eu estava muito bem longe o suficiente daqui para me esquecer que esse lugar existia.

A garota sabia que a mãe não se referia a Brasília, mas sim a própria existência da filha. Ficar longe da cidade significava ficar longe dela e aquilo era mais do que óbvio. Porém, mesmo sentindo uma pontada dolorosa no coração, não desfez o sorriso animado e infantil.

— Deve estar com fome, irei arrumar algo para a senhora comer.

— Filha minha não vai fazer esse tipo de serviço não. Você acha que pago tão caro para você ficar cozinhando?

— Ah, mas eu adoro cozinhar, não vou me importar nenhum pouco.

Juliana demorou um pouco, os olhos reprovadores fazendo o ambiente ficar desconfortável. Então, suspirou e concordou com a cabeça.

— Faça isso, já que fez o favor de dar uma folguinha para meus empregados. – Suas palavras pingavam veneno, mas, mesmo assim, a garota não se abalou. – E suba com minhas malas para o quarto também, é o mínimo que pode fazer.

— S-sim, senhora. – A garota puxou as malas até o pé da escada.

— Joana. – A mãe chamou. Joana se virou de imediato. – Tome cuidado com as malas, você teria que trabalhar três anos para pagar por uma delas.

— Ok, mamãe, vou tomar cuidado.

Enquanto a filha acabava o trabalho, Juliana se ocupou em fechar as cortinas. Odiava aquela mania que Joana tinha de deixar a casa sempre tão clara. Preferia o escuro, era mais acolhedor. Em cima da bancada da cozinha, uma revista lançada naquela semana descansava. A mulher sorriu ao notar seu rosto estampado na capa.

Desde muito cedo começara a trabalhar como modelo, passando quase em seguida a estrelar famosas telenovelas e filmes. Em pouco tempo ficara famosa e seu rosto passara a aparecer e todas as principais mídias do país. Ganhara muitos prêmios durante seus mais de vinte anos de trabalho e, mesmo já não tão nova quanto costumava ser, continuava sendo extremamente popular.

Deixou a revista de lado quando escutou novamente os passos da filha se aproximando.

— A senhora quer comer o quê? – Joana abriu a geladeira, esperando calmamente a resposta da mãe.

— Qualquer coisa que não me faça engordar.

A garota revirou os olhos e riu. Juliana estava até aquele momento evitando olhar a filha, mas seus olhos finalmente se deram ao trabalho de pousar sobre a figura pálida da garota. Ela usava um vestido simples, azul, a saia curta demais sobre as pernas grossas. A pele parecia mais branca do que nunca, o que fazia as bochechas redondas avermelharem-se por qualquer coisa. Joana havia crescido naqueles dois anos, se podia ser possível, mas continuava baixa para os padrões da mãe. E pior, havia engordado ainda mais.

— Você está igual ao seu pai. – Juliana comentou. – Parece uma bola de demolição. Eu pensei que havia mandado você perder peso no tempo que fiquei fora, mas o que você fez foi engordar mais.

— Eu gosto do meu corpo. Meu médico disse que estou bem e estou praticando exercícios. Não me sinto obrigada a emagrecer.

— Pois deveria, quem vai querer alguém assim?

— Ah, falando nisso, eu estou namorando. – Joana serviu um copo de suco para a mãe e uma fatia da torta recém-assada. – Ele é um cara legal, podíamos marcar de sair para a senhora conhecê-lo.

— Tá, tá, tá. O que é isso? – Fincou o garfo na torta.

— Torta de maçã. Está bem fresquinha, acho que a senhora vai gostar.

— Eu pedi algo que não me engordasse.

— Um pedacinho de torta fora da dieta não vai matar ninguém. Prova, eu que fiz. Me diga o que achou.

Juliana revirou os olhos novamente. Cortou um minúsculo pedaço e o levou à boca. Há tempos não comia algo tão bom que sentiu vontade de sorrir, mas seu rosto continuou sério. Não iria dar o braço a torcer e incentivar a filha a continuar com aquela maluquice de cozinhar.

— Está bem ruim. – Afastou o prato e deu um longo gole no suco como se quisesse se livrar do gosto da boca.

— Nossa… Eu pensei que estivesse bom. Sinto muito. – Foi a primeira vez desde o momento que chegou que Joana desfez o sorriso. Preparou qualquer outra coisa para a mãe comer e pediu licença para se retirar.

Alegou ser tarde, precisava se arrumar para a aula. Mas aquilo não passava de uma desculpa. Queria espaço da mãe. Por sorte, ou o que já era esperado, Juliana nem ao menos se importou. Joana subiu correndo para o quarto e ficou lá dentro até escutar a mãe entrando na porta ao lado. Só então se motivou a sair.

 

As luzes do estacionamento já estavam acesas. O fim de tarde havia chegado rápido, colorindo o céu de Brasília de forma tão bela que fez Joana parar para apreciar a vista. O aborrecimento havia passado quando encontrou uma vaga perfeita bem perto do prédio onde teria aula, e o pôr do sol só a deixou mais alegre. Para que se preocupar com a mãe se a noite seria linda e bastante proveitosa?

Sorriu para o prédio à sua frente, os janelões que acompanhavam quase todo o formato comprido da construção permitia ver o interior das salas de aula, com suas luzes fortes fugindo pelas persianas. Havia gente ali, onde ela não se sentia tão solitária quanto em casa. Era bom ouvir o som das vozes e sentir o vento em seu rosto. Talvez sentisse falta dali quando finalmente se formasse e fosse seguir seu caminho.

O celular dentro da bolsa vibrou novamente. Ela havia se esquecido que recebera uma notificação enquanto dirigia, provavelmente de Luca avisando que já a esperava. Estava certa. Luca lhe mandara duas mensagens indicando onde estava e a comunicando que morreria de saudades caso tivesse que esperar mais um minuto sequer.

Ele era assim, Joana aprendeu rápido desde quando começaram a namorar dez meses antes, ou oito ou oitenta. Poderia passar um mês sem mandar mensagem, ou poderia ter um acesso de carência e querer vê-la todos os dias da semana. Ela não se importava muito, já havia se acostumado, não precisava desconfiar do namorado e também não se sentia obrigada a conversar 24 horas por dia. Gostava mais de aproveitar os momentos que estavam juntos do que cansar um ao outro com mensagens despropositadas.

Recolheu seu material e caminhou vagarosamente até o amarelinho, escutando seu salto vermelho estralar sobre o asfalto. O lugar estava animado: alguns alunos aproveitavam a janela entre as aulas para lanchar, imprimir trabalhos ou se divertir na aula de dança. Aquilo deixou Joana ainda mais sorridente. Por mais que aquela noite estivesse um pouco mais fria do que fora o restante da semana, a quantidade de gente deixava o ar aquecido.

Não demorou a encontrar Luca. De longe conseguia ver seus cabelos castanhos levemente bagunçados, como de costume, o que lhe conferia um ar descontraído e desleixado. Vestia uma camiseta azul-claro e Joana podia ter certeza que também as velhas jeans escuras. Era seu visual favorito: um tanto quanto displicente, mas que lhe conferia um ar de ocupado—estudante-jovem, o que atraia o olhar de tantas garotas. Poderiam dizer que não havia demorado um segundo sequer se arrumando, mas Joana sabia que todo aquele visual era muito bem pensado.

— Aí está minha linda namorada. – Ele se levantou e a cumprimentou com um selinho. – Pensei que havia me abandonado aqui.

— Oi, Luc. Desculpe a demora. Estava um pouco ocupada. – As bochechas da moça acerejaram como de costume. Ele achava aquilo uma graça. – Preparado para mais uma instigante aula de o-professor-só-usa-slides-e-não-sabe-explicar?

— Nunca estou, não posso negar. Mas precisamos dessa maravilhosa matéria se quisermos ter o tão esperado diploma nas nossas mãos.

— Ninguém disse que a vida seria justa.

— Nunca foi e nunca será. Por que você parece diferente hoje? Alguma coisa aconteceu?

— Ah… Minha mãe voltou hoje para casa.

— Quer dizer que a famosa supermodel Juliana das Neves finalmente resolveu retornar ao lar?

— Sim. O que me deixa chateada é que parece que ela saiu apenas por algumas horas. Foi um ano e dez meses e ela nem ao menos parece que sentiu a minha falta.

— Ela sentiu, se preocupa não. O problema é que ela é a rainha do gelo, com o coração congelado demais para demonstrar alguma coisa.

— Não fale assim dela. – Franziu o rosto da mesma forma que a mãe fazia quando não estava satisfeita. – Ela ainda é minha mãe.

— Foi mal. – Ele a puxou para mais um beijo. Joana relaxou o rosto e o correspondeu. Luca se afastou ligeiramente, apenas para poder perguntar – Já comeu alguma coisa?

— Nop. Vou comer algo depois dessa aula. Estava pensado da gente ir para algum lugar e jantar.

— Super aprovo. Ainda mais se esse lugar for a minha casa e você passar a noite lá.

— Tudo vai depender do seu comportamento. – Riu, pregando os lábios novamente nos dele. – Mas vamos que estamos atrasados.

— Sim, senhorita.

Ele a puxou pela mão até a sala. Sentaram nos mesmos lugares, ele junto à parede, ela mais ao centro da sala. Foi só o professor apagar a luz e passar as primeiras imagens que o rapaz debruçou-se sobre a carteira e se entregou ao sono. Joana até tentou focar nas projeções, mas aquela aula estava pior do que as outras.

Rodou os olhos pela sala e percebeu que nem o professor parecia muito contente de estar ali, então deixou sua mente se afastar. Virou-se para Luca e pensou em acordá-lo, mas então se lembrou como ele detestava aquilo e não queria arrumar uma briga logo naquele dia.

Sem perceber, passou a esquadrinhá-lo com os olhos. Ele dormia inabalavelmente, como um bebezinho. Apurou a visão e o examinou com ainda mais vontade. Queria guardar todos os detalhes em sua mente, por mais que já conhecesse todos de cor.

Sabia muito bem porque ele era a sensação entre as garotas. Sua pele morena de sol era lisa como a superfície de um balão, o rosto comprido era sempre muito bem barbeado, o que lhe rejuvenescia pelo menos dois anos na aparência. Tinha olhos grandes, de um verde profundo e elétrico, sempre convidativo, ainda mais quando abria seu sorriso de perfeitos dentes brancos e retos. Joana o classificava como “o garoto fofo”, aquele de quem todos querem ser amigos e por quem todas as garotas mais novas se apaixonam.

Luca era o príncipe encantado que muita adolescente espera chegar em um cavalo branco para resgatá-la do tédio de suas vidas. Era alto, com o corpo nas proporções ideais, sorriso de comercial de creme dental, estiloso, educado… O pacote completo.

Mas não havia sido exatamente aquilo que havia conquistado Joana. Talvez depois de muita insistência do garoto, ela finalmente havia notado que tinham gostos semelhantes e poderiam dar certo. Gostavam das mesmas músicas, um pouco de MPB, rock e pop dos anos 70 e 80; ambos preferiam suco de pêssego e detestavam o de manga; ele adorava a comida que ela fazia; eles gostavam de conversar por horas sobre coisas aleatórias e pareciam nunca ficar sem assunto quando estavam um com o outro…

Além disso, Joana adorava o dom que ele tinha de lhe indicar livros desconhecidos, mas que se encaixavam perfeitamente ao gosto dela. Gostava também como suas mãos pareciam se encaixar perfeitamente quando enlaçavam os dedos.

Eles pareciam ter nascido para ficar juntos.

Mas, como nada podia ser perfeito, Joana tinha uma listinha de coisas que desgostava nele: às vezes ciumento demais, às vezes presunçoso demais, às vezes intransigente demais, às vezes fechado demais, às vezes bebia demais. Porém, pior do que tudo isso: ele era rico. Realmente rico.

Aquilo a incomodava profundamente, mesmo nunca tendo trazido o assunto à pauta de suas conversas. Ele acharia estranho, já que os pais dela também eram, e tecnicamente Joana herdaria tudo. Mas Joana detestava toda a atenção que o dinheiro trazia.

A moça estava tão entregue a seus pensamentos que não notou a aula sendo finalizada, nem quando Luca acordou.

— Eu sou tão lindo assim para você ficar me encarando? – Ele a assustou com a pergunta, arrancando-lhe de seus pensamentos.

— Bem… Um pouco, não posso negar.

— Hum, você vai ter problemas com minha namorada se continuar assim.

— Mas ela é uma garota tão gracinha. Acho que não vou ter problema nenhum.

— Sua convencida. Já que a senhorita parece ter ficado de bom humor, vamos para a minha casa logo para eu poder usufruir dos seus dotes.

— Não acredito que vai querer que eu cozinhe para você.

— Eu estava falando de outra coisa. Cozinhar eu cozinho, sei como você adora meu tradicional miojo.

— Bleh. Ok, já me convenceu de cozinhar. Agora sobre essa “outra coisa” irá ter que se esforçar mais um pouquinho.

— Hum. – Ele a beijou. – Eu adoro um desafio.

 

Luca não morava longe. Ela estacionou na frente da casa dele e esperou que abrisse o portão para que pudesse estacionar. A casa era grande demais para quem morava sozinho. A família do rapaz não era da cidade, de modo que tiveram que alugar um lugar para o filho morar enquanto não se formava na faculdade. Joana não precisava perguntar para ter certeza de que manter o filho na cidade não era menos do que uma fortuna, ainda mais com os gostos apurados de Luca.

Ele não deixou ela cozinhar, preferiu pedir uma pizza e foram comer deitados no sofá da sala com as luzes apagadas.

— A noite está linda. – Ela comentou, o rosto branco iluminado pelo brilho igualmente branco da lua. Joana parecia um fantasma naquela escuridão e Luca achou o fato engraçado.

— Não tão bonita quanto você.

— Pare com esses elogios baratos. – Ela gargalhou, enfiando mais uma fatia da pizza na boca para esconder o rubor.

— Vou ter que mudar de estratégia mesmo, já que você só quer olhar para a lua e não vê que tem alguém muito mais bonito aqui.

— Onde? Não consigo ver.

— Bem aqui! – Ele a abraçou pela cintura, colando o corpo dela ao seu e beijando o pescoço despido.

Ela alcançou-lhe a mão e entrelaçou a sua a dele. Encarou as duas sob a pouca luz. A dele comprida e fina, a dela pequena e rechonchuda. Por um instante sentiu que não reconhecia mais o toque da mão dele, mas logo ele voltou a ser familiar.

Luca beijou novamente seu pescoço, fazendo cócegas com os lábios. Ela se virou, colocando-se de frente a ele, os olhos no mesmo ângulo.

— Já pensou no que vai fazer daqui… Hum… Sei lá, uns cinco anos? – Joana se sentiu necessitada de perguntar. Não queria que aquela noite se resumisse a jantar e sexo. Precisava se sentir conectada com ele de alguma forma. Mesmo que aquela forma fosse uma pergunta aleatória.

— Espero já ter minha empresa no exterior.

— Não parece algo muito improvável. Não é como se fosse muito difícil no universo em que você vive.

— Você não acha que vou conseguir construir meu futuro sem o dinheiro de meus pais?

— Claro que consegue. Mas é bom saber que tem com quem contar caso precise de ajuda, não é?

— Sua mãe também tem dinheiro. Não é como se você não entendesse nada desse “universo”.

— Sei lá. As coisas são diferentes…

— Falando nisso, quando vou conhecer minha sogra?

— Eu falei com ela hoje sobre isso. Mas ela anda sempre tão ocupada que não sei se vai ter tempo. – Preferiu não comentar sobre o total descaso da mãe quando comentou sobre marcar para conhecer Luca. Não queria piorar a visão que ele tinha de Juliana, que sabia ser muito ruim.

— Pois trate de arrumar um horário na agenda dela. Porque já namoramos há…

— Dez meses e doze dias.

— Isso… Já está na hora de conhecê-la.

— Esse assunto está ficando chato demais. Vamos conversar sobre outra coisa.

— Mas me diga você: o que pretende fazer daqui a cinco anos?

— Quero abrir minha confeitaria. Talvez me mudar de cidade. Sei lá.

— Não pensa em, sei lá, constituir uma família com este que vos fala?

Ela riu. Nem ela, nem ele pensavam em casar e constituir uma família tão cedo. Mas achou fofa a pergunta.

— Nem. Por que vou querer me juntar com alguém que me dá tanto trabalho e é tão insuportável? – Zombou.

— Porque eu com certeza sou a melhor pessoa com quem você transou e você não vai conseguir viver longe de mim.

— Você é tão convencido que me dá dó. Pois saiba que eu não tenho certeza que você é tão bom assim não, ok?

— Vou precisar provar mais uma vez? – Luca a puxou para baixo, subindo sobre ela. Joana riu e enlaçou os braços no pescoço dele.

— Vai sim.

Ele avançou na direção dos lábios dela.





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