Semele - O Desejo Sombrio da Bailaria escrita por Elle Maria


Capítulo 1
O Desejo Sombrio da Bailarina


Notas iniciais do capítulo

Semele o desejo sombrio, se trata da historia da misteriosa bailarina do circo da meia-noite antes e depois dela encontra o circo que mudou sua vida. Espero que gostem da leitura




Ela os amava mesmo depois de tantos anos, os amava. Idolatrava suas memórias, respirava profundamente os perfumes que  os lembravam, guardava cada pedacinhos de tecidos que sobreviveu durantes todos os incontáveis anos com ela em uma caixa decorada.

    Sorria a cada brincadeira de mal gosto que a vida lhe fazia, ela merecia isso , merecia cada dor que sentia cada cicatriz em seu coração.

   Vamos lá,está quase na hora. Antes das cortinas se abrirem e o show começar ela tem que se lembrar do dia que a trouxe aqui, no paraíso do espetáculo e o inferno de sua eterna vida. . .

   O belo rosto pálido como uma aparição, refletia na frente o espelho enquanto surgiam imagens em sua mente como um rosto que surgi na água turva. Aconteceu a tanto tempo, mas as lembranças ainda estava fresca em sua memória. . .

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   Todos estavam ali, brindando e comemorando mais um solo de balé que Kora havia ganho, ignorando como sempre a existência da caçula.

Semele sempre foi pura em seus sentimentos, nunca sentiu ódio ou inveja pela sua irmã e nem por ninguém, por isso nunca compreendeu o porque que sua família sempre jogavam veneno nela, dizendo que sentia inveja criando intrigas.

O que a jovem bailarina havia feito de errado para merecer isso?

Não adiantava negar. Era pior. Naquela festa ela pela primeira vez odiava, odiava a todos. Desejava que todos virassem cinzas .

Então começou a imaginar a casa incendiada por chamas amarelas e laranjas que dançavam como bailarinos. A casa estava brilhante como nunca esteve antes, e todos seus parentes agora eram cinzas escuras e feias. Ela iria se levantar e começar a dançar junto com os bailarinos de fogo dando piruetas e passos de balé.

— Viram. Agora eu sou a luz e vocês não passam de escuridão. — Ela diria sorrindo enquanto eles lhe implorariam misericórdia, e ela pisaria em suas almas podres.

De repente ela se pegou tendo uma crise de riso incontrolável. Ela até tentou conter o riso pondo a mão na frente da boca, Mas,se tornou impossível conter os soluços histéricos.   

   Todos a olharam com reprovação dizendo que finalmente ela tinha enlouquecido.

Não tendo escolha ela correu para o jardim onde pode soltar seu riso livremente.

Semele ria incontrolavelmente ao ponto de se curvar para frente se apoiando em seu joelho. Ela estava enlouquecendo? Eles eram sua família. Como poderia ter pensamentos assim? Não era ela. Não poderia ser.

Ela se deitou na grama sentindo o frio das pequenas gotas de água que a tranquilizava e fazia com que a loucura passasse . Das gotas frias e calmantes vinheram gotas quentes e amargas que brotaram de seu rosto. . . Era tão errado assim desejar se amada?

Luzes coloridas e faiscante iluminaram seu rosto, o som suave de um acordeom entraram em seu ouvido. A lembrança inocente de uma noite mágica no circo brotaram em sua mente como magia.  O belo sorriso do jovem de cartola negra sempre estava lá. Ela tinha que ir para lá, o único lugar onde se sentia feliz  o único lugar onde sua existência parecia ter importância  onde o fantástico era real.

 Semele se levantou e caminhou  até o pequeno portão de ferro e saiu, sabia o caminho onde estava o circo: perto da floresta próximo ao parque. Era noite de lua cheia as ruas estavam cobertas por uma luz azulada, tudo estava tão quieto,tão calmo, não havia ninguém nas ruas o que causou a estranheza da jovem enquanto caminhava.

“ Bem, Isso não importa.”  Disse ela decida em seu caminho.

 Enquanto caminhava não conseguia conter o sorriso, tudo o queria era se sentar junto a plateia e sorri, se com sorte seria chamada novamente para dança  no meio do picadeiro.

Entretanto, seu sorriso logo sumiu assim que passou em frente a um cemitério, a estranha imagem de pessoas meio mortas meio vivas caminhando em direção ao circo lhe veio à mente e arrepiou os pelos de seu corpo. Tão assustador, talvez nem tanto quanto a imagem e uma criança que gritava e chorava no meio deles. . .  Era apenas um pensamento, um tosco pensamento, logo estaria lá, logo veria as luzes coloridas sentiria o gosto do algodão-doce e iria gargalhar das trapalhadas dos palhaços gentis, sentiria novamente aquela sensação quente que corria seu corpo.

 

   Três passos,quatro passos, ela estava lá, chegou como uma criança que pula em vez de caminhar. Pobre criança. Mau podia imaginar o que lhe esperava. . .  

As belas luzes como gostava piscavam e coloriam o céu escuro, os truques de magia encantava e prendia o público, as trapalhadas dos palhaços os acorrentavam em seus lugares até o grande final.  Ninguém sentia o cheiro agridoce que vinha em suas direção, nem uma alma pressentia o que estava preste a acontecer, muito menos a doce Semele. . .

   

   Chamas dançantes apareceram consumindo a lona do circo, eles dançavam e abraçavam o respeitável público que se desmanchavam em cinzas escuras e irreconhecíveis .

O som do choro da criança estava em sua cabeça tão viva que teve botar a mãos em seus ouvidos enquanto tinha que assistir o massacre sem poder fazer nada. As lágrimas escorriam pelo seu rosto quente e incessantemente, estava desesperada e não podia fazer nada. Não acreditava que aquilo estava acontecendo, que estava vendo. . . Tão horroroso, tão torturante.

“Por favor senhor, faça isso parar.” Suplicava com os olhos fechados. Não podia acreditar. Enquanto rezava escutava uma risada masculina em ao seu lado, era tão  atraente  que se deixou mergulhar nela enquanto tudo aos poucos se transformava em cinzas para depois em nada.

Sonhos. Sonhos nem sempre são bons, nem sempre são doce, às vezes são cruéis, frios e sombrios. Você sabe quando está acordada? Sabe quando é real ou apenas uma ilusão

Um velho sobrado em chamas brilhantes como havia imaginado. A casa inteira estava silenciosa, só as chamas falavam.

“Não pode ser ” Realmente não poderia ser, a casa que queimava era onde Semele tinha vivido toda sua vida, tudo estava inflamado, todos de sua família estavam dentro, até mesmo seu pequeno primo.  Logo na frente estava um palhaço risonho tocando alegremente seu acordeon. Que música agitada,que triste melodia. . .  

  Um pequeno e delicado som de metais se chocando fez com que Semele despertasse.

Ao correr os olhos na luxuosa tenta percebeu que estava só. Ela se levantando saiu para fora da tenda onde caminhou lentamente até encontrar o mágico.

Ele como sempre estava elegante com seu longo cabelo negro penteado para trás com a tradicional cartola negra. Ele sorria com tanta pureza que às vezes Semele chegava pensar que ele brilhava. Entretanto, porque mesmo assim rodeada por todos do circo que compartilhava de sua felicidade, ela sentia algo sombrio ao redor o mágico e dos outro.

“O sonho. Não foi um sonho” Ainda podia sentir o cheiro de queimado e magia.

   Estranhamente uma energia agridoce a circulou, algo que a perturbou profundamente.

Ela girou sobre os calcanhares e olhou para cada rosto. Todos eles estavam igual assim quando ela chegou, porém, algo preenchia a aura deles,algo obscuro.

Olhando para o mágico que lhe sorria em seguida para sua mão, notou que também estava mudada.

—— Agora somos sua única família, ma chère, — Disse o mágico sedutoramente.

O que ele quis dizer com única família?

Uma vontade de correr surgiu em seus pés ,quando menos percebeu estava distante de todos na rua onde vivera todo sua infância até que seus pés pararam onde deveria existir um sobrado de cor beje com um belo jardim. Porém, o que havia no lugar era uma casa destruída, já não havia teto e nem metade da parede do segundo andar, era apenas uma sombra de memórias tristes de uma jovem, mesmo assim não pode acreditar.

Tudo estava acabado? Finalmente poderia ser feliz, como deveria ser o justo? Então porque se sentia infeliz? Ela ainda os amava. Seu desejo não passava de um momento de raiva, nunca desejou de verdade algo horrível. Seu verdadeiro desejo era que eles a amasse, assim como ela os amava. . .

— Triste o que ouve. — Disse um senhor que surgiu ao seu lado. Ele era gentil e seus olhos triste.

— Uma família inteira. Todos. Que tristeza. . .  — Ele respirou fundo e continuou. — Graças ao bom Deus que a criança se salvou.

Seu primo. Seu pequeno e inocente primo, a testemunha inocente de seu pecado.

Ela correu novamente até chegar ao velho edificou onde cuidavam de crianças órfãs.

Deitado febril, inconsciente. Seu primo era o último de uma fila de camas com crianças doentes. O médico apontou a cama em seguida se retirou a deixando só com seu primo. O que ela poderia dizer ou falar? Não havia voz suficiente, estava envergonhada, e suja.

Uma lágrima tão brilhante quanto qualquer joia escorreu de seus olhos.

Já não suportava olhar para ele, sentia ódio e nojo de si mesma, era um ser horrível.

Desesperada ela correu enquanto soluçava com seu choro até chegar a escadaria que dava para rua. Miserável, assim ela se intitulava agora, um ser miserável. Ela não sabia como havia acontecido, mas, sabia que em parte a culpa era dela. Afinal o pensamento era dela, o desejo era dela.

No meio de uma rua antiga com seu prédios altos e deformados, lá estava ele: seu amante rodeado pelas criaturas do circo, sua nova família que assim como ela eram condenados.

Já não poderia viver como as outras pessoas, não suportaria viver com o olhar puro de seu primo.

  O ar que agora respirava era o mesmo que sua nova família respirava: um ar pesado e obscuro com cheiro de flores, com cheiro de morte, já não pertencia àquele mundo.

Passos delicado em meio a uma noite assombrosa, aceitando seu destino. Viver no mundo do circo da meia-noite . Viver um sonho em um pesadelo. Se apaixonar pelos rostos daqueles que vão amar vê la dançar, e depois sofre com a morte precoce desses. Anos após anos, décadas após décadas, com o mesmo peso do mundo nas costas.

E aos poucos talvez, se conformando com seu destino.

A história de um bailarina que realizou seu sonho de ser amada e de ser aplaudida, porém teve que pagar um alto pesar para conseguir.



Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado da leitura. Beijos



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