O brilho de uma vida escrita por Camila J Pereira


Capítulo 9
Capítulo 9




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— Ficamos interessados na sua proposta. – Depois de um sinal breve de cabeça o um dos seus acompanhantes entregou o cartão de visitas de sua empresa. – Marcaremos um encontro para a próxima semana para discutirmos um pouco mais. – Na recepção do pequeno e elegante auditório, Edward e Emmet recebiam o aperto de mão de Liam Tanner, Presidente de uma empresa de brinquedos que estava atrás de pequenos jogos para o seu marketing. Ao lado dele estavam mais dois diretores que trocavam informações entre eles, falavam baixo e contidos.

— Ficamos honrados em sermos escolhidos. – Edward já havia se acostumado com o terno alugado.

— Agradecemos a oportunidade. – Emmet estava radiante.

— Muito obrigado. – Jasper e Laurent agradeceram.

— Vocês têm o que queremos, é um jogo simples, com gráficos suaves. A história é interessante também.

— Obrigado. – Disseram juntos.

— Até mais então.

Esperaram que se afastassem para então darem seu high five. Não podiam evitar um abraço recheado de tapas nas costas. Quando as pessoas começaram a olhar para eles, tiveram que se recompor.

— Conseguimos!

— Conseguimos. – Sorridente, Edward repetiu com convicção.

— Como poderia ser diferente com você na equipe? – Emmet o parabenizava.

— Todos trabalhamos muito com esse projeto.

— Vamos, temos que beber! – Caminharam até o carro, liderados por Emmet.

— Não poderei beber hoje. Deixarei para outro dia.

— Porque? – Emmet estava na porta do motorista olhando significativamente para o amigo. Aquele era o tipo do momento que Edward adorava, festejar.

— Tenho um encontro com a Bella. Se não irmos logo estarei em apuros, estou me atrasando.

— Sabe, vamos deixar para outro dia. Também tenho um compromisso com a Alice. – Jasper revelou.

— Por mim tudo bem. – Laurent respondeu. – Porque não vem comigo já que é caminho? Emmet pode ir com o Edward.

— Tremo toda a vez que tenho que entrar nesse carro velho. – Jasper dirigiu-se para o carro ao lado que pertencia a Laurent.

— Não reclame de barriga cheia. – Laurent fungou exageradamente.

— Até, mais! Conseguimos! – Gritou antes de entrar, Laurent também urrou vitorioso e entrou no carro, partindo em seguida.

Edward olhou para o relógio e entrou no carro do amigo. Emmet o seguiu dando a partida imediatamente.

— Estamos mesmo ficando velhos? - Ainda queria festejar.

— Cara, pela primeira vez Bella vai me deixar entrar na casa dela. Isso é importante.

— É como namorar pela primeira vez com a garota de novo. – Emmet gargalhou.

— Quando começamos a namorar ela morava com os pais, agora é uma mulher que mora sozinha.

— Sabe que ela saiu de casa para ficar mais livre da influência deles, não é? Depois que se separaram, ela não quis voltar para a casa deles novamente. Até agora os pais dela não se conformaram com isso. – Emmet estalou a língua ao lembrar daquele assunto. – Eles já sabem que saiu?

— Se o Alec sabe, eles também. – Edward teve essa certeza desde o dia em que esbarrou com ele na loja.

— Cara insuportável. O que pretende fazer? – Edward estava analisando com seu celular na mão, queria mandar uma mensagem para Bella, mas parou ao ser questionado.

— Pretendo conversar com os pais dela, talvez essa semana.

— Como assim? – Emmet estava surpreso.

— Eles nunca quiseram trocar mais de duas palavras com você. Sempre te tratam horrivelmente.

— Obrigado, amigo. – Edward agradeceu desgostoso com a lembrança. – Preciso tentar, por mim e por Bella. Quero mostrar para eles que estou na vida dela e não sairei. Que posso ser um bom marido.

— Eles não vão entender. É como falar com alienígenas, cara.

— Emmet, preste atenção. – Edward o chama a atenção porque ele tinha freado rapidamente. Voltaram a rodar na estrada de mão dupla quando começou a chover.

— Ah... uma chuva enquanto estou com o meu amor... – Edward achou eu seria uma bela noite.

— Eu acho que vocês deveriam... – Foi ainda mais rápido quando o caminhão veio na direção contrária de frente para eles.

— Emmet! – Sem pensar em nada além de proteger o amigo, Edward virou o volante de vez. Sentiu o impacto, achou que doeria, mas ele apenas viu uma luz forte e apagou. Ele sabia que tinha apagado porque quase imediatamente começou a sonhar.

Não era um sonho, estava tendo acesso a uma parte de suas lembranças. Aquilo havia se tornado comum também em seus momentos mais traumáticos na prisão. Prisão... Edward via-se ali, sentado em uma cadeira desconfortável, usando o uniforme de presidiário que o humilhava ainda mais. Seus cabelos estavam quase que completamente raspados. Através da pequena parede de vidro ele via Bella, a olhava com carinho e com o coração partido.

Via os olhos antes tão felizes, tristonhos e úmidos. Bella estava pálida e emagrecera bastante. Tossiu algumas vezes antes de pôr novamente a sua máscara cirúrgica. Quando ele fora preso, Bella estava ainda no hospital em tratamento. Claro que ele não pôde ajudar em nada, era um zé ninguém, mas agradeceu aquele momento pelos pais dela serem ricos. Edward se odiou ainda mais, se odiaria cada vez mais a partir daquele momento. No entanto, era o melhor a se fazer.

— O que está fazendo aqui de novo? – Tentou soar o mais duro possível.

— Disse que voltaria.

— Ainda está tossindo, não é possível que pense um pouco em você?

— Precisava ver você. – Bella justificou-se. – Meu amor, me sinto triste quando não te vejo.

— Está feliz agora me vendo aqui?

— Edward! – Bella zangou-se. Não gostava quando ele se menosprezava.

— Você mal se recuperou, pneumonia não é para se levar levianamente.

— Não estou.

— Eu te disse que não te quero aqui. – Edward sentia sua garganta fechar.

— Eu sei que não quer que eu venha aqui e que não quer que eu te veja assim...

— Bella, você não entendeu. – Seu tom de voz pedia atenção e ela atendeu. – Eu não quero que volte nunca mais, não quero que se preocupe comigo. Porque eu não quero me preocupar com você, só tenho espaço para me preocupar comigo mesmo agora.

— O que está dizendo? – Parecia que ela ganhava ainda mais palidez, seus olhos encheram-se de lágrimas novamente.

— Estou rompendo com o nosso noivado. Estou rompendo com qualquer relacionamento que tenhamos.

— Está falando isso porque quer me poupar. Acha que não suportaria ser sua noiva enquanto está aqui?

— Eu já disse as minhas razões.

— São desculpas esfarrapadas. Eu não vou abandonar você, não pode me obrigar a isso.

— Bella, sou eu quem está te deixando. – Bella ficou séria, estava tentando manter-se calma, achar as palavras certas para dissuadi-lo daquela decisão.

— Não pode ser sério...

— É bastante. – Edward levantou-se. – Não volte.

Edward deu as costas a ela, mesmo quando ela o chamou várias vezes. Ele não olhou para trás nenhuma vez, sabia que aquilo a despedaçaria, mas tinha confiança de que em algumas semanas Bella estaria bem outra vez. Foi ele quem não suportou, quem ficou deprimido e que entrou em algumas brigas até voltar a razão.

Se negou a recebe-la todas as vezes que ela ia até lá visita-lo. Seus amigos, seus pais tentavam persuadi-lo também, diziam o quanto Bella estava triste e saudosa. Ele também estava, ele estava morrendo sem ela. Piorava quando seus amigos e sua família pareciam entende-lo. Queria que brigassem com ele, queria se sentir ainda mais miserável até virar pó. Bella foi visita-lo por 8 semanas e depois parou.  Quando não recebeu mais a sua visita, ele teve certeza de que ela tinha desistido e se afundou ainda mais em suas lembranças, fugindo da total loucura.

Edward abriu os olhos, a primeira coisa que viu foram as luzes. Sentiu o cheiro familiar não reconfortante. Soube imediatamente que estava em um hospital. Ouviu sons ao longe pessoas estavam ali, ele olhou para o lado, era um quarto individual. Tentou mover as pernas, os braços, sentia-os até demais, principalmente a sua cabeça. Na verdade, parecia que tinha um balão no lugar dela. E seu pescoço, ele estava com uma tala, sentia dor nele.

Precisava saber de Emmet, mas não havia forças em seu corpo para erguê-lo. Estava moído, tinha sido triturado e ao mesmo tempo sabia que poderia ter sido pior. Claro, passaram por um grande aperto, mas estavam vivos, tinha certeza que Emmet estava vivo, caso contrário não estaria naquele lugar e sim dividindo um espaço com muitas outras pessoas.

— Filho da mãe! – Edward assustou-se quando Emmet entrou de rompante no quarto. – Seus olhos estão abertos agora. Santo Deus! Você me deixou preocupado dessa vez.

— Você está bem. – Edward constatou. Seu amigo parecia não ter tido nenhum arranhão.

— É claro que estou, seu idiota! Diga, está se sentindo bem? – Emmet estava perto demais para o gosto dele.

— Estou vivo, embora esteja um pouco dolorido. Agora afaste-se de mim ou admita que quer me beijar.

— O que estava pensando? Porque virou o volante todo... Você receberia todo o impacto.

— Mas não recebi, não do caminhão. – Edward disse aliviado.

— Mas do porte sim. Ainda bem que não se machucou muito. Acha que me sentiria bem se você tivesse sofrido algo grave? O que eu diria aos seus pais, a Bella? – Emmet estava nervoso, ele entendeu.

— Desculpe. Ei, sintetize as suas mensagens. – Edward estava com um pouco de dor de cabeça.

— Você é um cretino mesmo. – Reclamou. – Mas não deveria estar se desculpando. Eu que devo fazer isso, não estava prestando atenção. – Edward percebeu que o amigo estava mesmo se sentindo culpado e forçou-se a manter uma conversa.

— Emmet, isso acontece, pode acontecer com qualquer um. Se está pensando em se sentir culpado, pare. Além do mais, o caminhão que estava desgovernado. – Edward parou por um instante. – Espere, falou algo sobre isso com meus pais?

— Sim, liguei para eles, já devem estar chegando. – Edward rolou os olhos.

— Você não deveria... Que horas são? Eles sairão de lá como, não deve ter mais ônibus já deve ser bem tarde.

— Edward, são 10 da manhã. – Edward ficou tenso, fez muitos cálculos em sua cabeça e o resultado era sempre o mesmo: Bella deveria estar uma fera.

— 10 da manhã?! – De repente a sua cabeça doía ainda mais.

— Você apagou. Eu falei com eles ontem que você não tinha se ferido muito e que poderiam vir pela manhã. Foi difícil acalmá-los, mas os convenci.

— E a Bella?

— Eu esqueci. – Emmet fez uma cara de culpado.

— Você não avisou a minha noiva que estava esperando por mim ontem à noite? – Edward quis levantar-se, conseguiu erguer um pouco o corpo e olhar para o amigo com rancor.

— Eu lembrei desse detalhe hoje e já a avisei. – Informou com cautela.

— Eu vou te matar quando levantar daqui. – Ameaçou.

— Ei! – Emmet afastou-se e sentou-se na cadeira bem longe. – Desculpe.

— Desculpe?

— Ed! – Bella entrou interrompendo a sessão de ameaças que Edward começaria. Ela correu para perto dele e abraçou. – Ed!

— Ei, está tudo bem, está tudo bem.

— Eu fiquei preocupada! Está doendo? – Ela tocou o seu rosto e o pescoço.

— Um pouco. – Sentia-se derreter, estava caindo na sensação de conforto e mimo.

— Emmet, você merece um cascudo por não ter me avisado ontem. – Bella também o ameaçou e Edward sorriu aprovando.

— Merece mais do que um. – Apoiou.

— Vocês realmente combinam. – Bufou de longe.

— Você esperou muito?

— Esperei a noite toda. Liguei para o seu celular várias vezes até que ele parou de chamar.

— Você é adorável, meu amor. Desculpe.

— Não está mesmo machucado? Fizeram um raio-x? Está tudo bem? – Ela perguntava para Emmet.

— Está sim, ele teve uma contusão, mas está bem. Vou chamar o médico e avisá-lo que acordou. – Emmet saiu silenciosamente. Edward voltou a deitar completamente, estava exausto só com aquele pequeno esforço.

— Machucou um pouco a cabeça. – Bella tocava de leve na atadura em seu supercílio esquerdo. – Quando vai parar de se machucar? Mais uma cicatriz para coleção.

— Sinto muito.

— Se quer voltar para a minha vida, tente se manter vivo por bastante tempo. Cuide de você para que eu fique tranquila. Ficar sem notícias suas quase me matou.  

— Está chorando? – Bella secou suas lágrimas, mas não adiantou, outras caiam rapidamente.

— Sabe como me senti quando liguei para você e não conseguia falar? Pensei que tivesse desaparecido de novo. Estava com tanta vergonha de tentar falar com um dos meninos... Eu não deveria.

— Oh meu amor, eu sinto muito. – Edward sentou-se com dificuldade a puxou para perto dele. Mantinha suas mãos na cintura de Bella.

— Edward. – Ela o abraçou com cuidado, estava debruçada sobre ele, seus cabelos espalhados por todo o lado. – Não desapareça da minha vida novamente. Por favor, eu não quero sentir isso uma outra vez.

— Eu voltei para ficar com você para sempre. Sinto muito por ter feito você passar por isso ontem.

— Eu te amo.

— Eu sei. – Edward sorriu feliz.

***

— Deite-se agora. – Carlisle ajudava o filho a deitar-se, enquanto Bella e Esme puxavam os lençóis da cama.

— Precisa de alguma coisa agora? – Bella perguntou quando ele estava instalado em sua cama. Edward pegou em suas mãos.

— Só de você.

— Muito obrigada, filho ingrato. – Esme fingiu estar ofendida, mas o beijou na testa. – Obrigada por nos trazer, Bella.

— Esme, não foi nada. – Foi Bella quem a abraçou apertado.

— Que bom que voltou a ser a minha nora. Vou deixá-los sozinhos agora. Vamos querido. – Chamou o marido que a seguiu.

— Não está cansada de dirigir? Deite-se ao meu lado.

— Eu deveria, não é mesmo? – Com ar sapeca, Bella deitou-se ao lado dele.

— Nem acredito que passei 24 horas em um hospital.

— Até as meninas foram te ver.

— Parece como antes. – Edward entrelaçou seus dedos nos dela.

— Vamos fazer melhor do que antes.

— Vamos. – Concordou. – Você está aqui de novo. Você está comigo. – Reafirmou maravilhado.

Bella o beijou e sem nem perceber estavam muito envolvidos. Não notaram quando Esme entrou bateu à porta e quando ela entrou, ela teve que pigarrear alto.

— Desculpe sogra. – Bella levantou-se e ficou de pé.

— Porque fica vermelha toda vez? – Esme estava rindo. Pôs a bandeja que trazia no criado mudo. – Trouxe um chá para vocês. É basicamente calmante. Não querem comer nada?

— Não, estou bem. Comi algo no hospital.

— Eu também estou bem.

— Bella dormirá aqui, não é mesmo? Precisa que eu traga mais alguns lençóis?

— Oh, Esme, não, está tudo bem. – Bella não queria impor trabalho extra a sogra.

— Estamos bem, mãe. Vou apenas dormir. – Ela o olhou desconfiada.

— Por favor faça isso. Você deveria ajuda-lo nisso, ainda está se recuperando. Bella, você tem mais juízo. – Falou com Bella que estava vermelha. – Boa noite. – Esme os deixou e Bella cobriu os olhos envergonhada.

— Vem cá. – Edward pediu. Bella sentou ao seu lado e tomaram o chá conversando um pouco. Como a Esme quis, eles apenas dormiram abraçados.

No dia seguinte Bella despertou e o viu ao celular. Esfregou os olhos e tentou enxergar o que ele fazia.

— O que está fazendo tão cedo?

— Estou tão frustrado. Perdi aquele apartamento porque não confirmei primeiro.

— Ainda está procurando?

— Claro, será nossa casa. – Ela ficou quieta, estava pensativa, o que fez Edward desligar o aparelho e questioná-la. – O que foi?

— Porque simplesmente não mora comigo?

— Está me dizendo que aceita casar comigo? – Se aquilo fosse verdade, estaria nas nuvens.

— É, eu quis dizer que caso contigo. Com uma condição. – Ela o calou antes que dissesse algo. – Que faça a mudança assim que possível. Quero que fique onde eu possa vê-lo. – Edward a beijou diversas vezes.

— Eu gostaria muito de mudar para a sua casa imediatamente, mas eu não sei se devemos.

— Como assim? Não era morar junto que queria? – Bella estava confusa.

— É que... Gostaria de começar algo nosso, cem nosso... Seu apartamento...

— É meu, Edward. – Bella entendeu. – Acredite, não há dinheiro dos meus pais envolvido. – Ela suspirou e aconchegou-se nele. – Quando nos separamos, não quis voltar para casa. Eles estavam impossíveis, tão articulados, tão cheios de moral e razão. Decidi entregar o seu apartamento como pediu e investi naquele, fui direto para lá. Meus pais quase enlouqueceram. Mas parece que agora sou considerada a ovelha negra mesmo, a filha desnaturada.

— Não fique chateada. Eu adoraria morar com você lá.

— Está combinado? – Bella tinha o rosto brilhante de expectativa.

— Combinado. – Edward estava cada vez mais feliz.


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