O brilho de uma vida escrita por Camila J Pereira


Capítulo 11
Capítulo 11




Este capítulo também está disponível no +Fiction: plusfiction.com/book/725442/chapter/11

Tinha decidido que seria a última vez que se envolveria em um crime cibernético. Não tinha pedido por esse dom, mas já que ele ajudaria em seus estudos, tinha que aceitar fazer isso mais uma vez. Sim, ele era um hacker que fazia serviços de invasão e roubo de dados, as vezes também trabalhava com seus colegas do ramo, os pirates que distribuíam os softwares.

Horas depois de ter terminado aquele que seria sem dúvidas o seu último serviço, a policia invadiu o seu pequeno cubículo. Agressivamente eles o deteram enquanto vasculhavam a sua casa e suas máquinas. Grunhiu de raiva quando viram quebrarem o porta retrato que guardava uma foto sua com Bella. Além de pegarem suas máquinas, também descobriram as suas ervas, ele não tinha dúvidas de que seria detido.

Quando saiu de sua casa com os policiais segurando-o, deu de cara com um Alec sorridente encostado em seu carro do ano do lado de fora. Ele estava esperando ver aquela cena e pareceu se deliciar. Encontrando forças vindas de seu interior, Edward desvencilhou-se dos policiais e investiu contra Alec socando-o repetidas vezes. Um dos policiais o empurrou para longe, mas viu sangue escorrendo do rosto de Alec e sorriu perversamente.

— Ótimo, adicione isso a sua sentença, miserável!

Claro, Edward além de estar sendo julgado por crimes cibernéticos também foi julgado por agressão física.

Ele apagou o cigarro que havia comprado ao lado de casa. Espantou a fumaça com a mão como se quisesse também espantar aquelas lembranças. Não era saudável prender-se aquilo naquele momento. Queria superar a situação, embora a confirmação da sua sogra estar envolvida em sua acusação mexesse com ele. Olhou para o relógio em seu pulso, já havia passado por volta de 30 minutos. Decidiu voltar para casa e fazer o possível para Bella sentir-se bem.

— Bella! – A chamou assim que entrou em casa. Não havia ninguém na sala, considerou que a sogra havia ido embora. – Bella! – Edward ouviu o barulho da água do chuveiro, encostou na porta do banheiro tentando ouvir qualquer ruído a mais. – Queria, estou de volta. – Bella não estava respondendo, Edward tocou na maçaneta decidido a entrara caso ela continuasse calada. – Amor... eu voltei.

— Sim, estou saindo. – Ele soltou o ar que estava prendendo.

Edward esperou sentado na cama, Bella saiu e sem olhar diretamente para ele, vestiu-se. Esperou que ela penteasse e secasse os cabelos.

— Quer me falar sobre a conversa? Você chorou. – Ele notou a vermelhidão no rosto dela.

— Não mudou muito depois que saiu. – Bella sentou ao seu lado ainda cabisbaixa. – Ela me contou que você foi até o meu pai ontem e que parece que fui rejeitada pela família. Nós discutimos, não sei bem o que eu disse, estava irritada. Ela disse que cresci sem apanhar e que se arrependia, então me deu uns bons golpes de bolsa. – Riu nervosa. Edward segurou o seu rosto, preocupado procurou por marcas em seu corpo. – Está tudo bem, ela tinha que desabafar. Não precisamos nos ver mais.

— Não diga isso, não é isso o que quer.

— Sinto muita vergonha por eles. Sou tão bem acolhida por seus pais...

— Não faça isso, Bella. Com confiança, vamos para um nível melhor desse jogo. – Ela sacudiu a cabeça e o abraçou. – Vamos trabalhar hoje, voltar aos eixos. Que acha?

— Acho...acho sensato.

— Perfeito. – Beijou-lhe nos cabelos.

— Mas você ainda precisa repousar.

— Pegarei leve. Não se preocupe.

***

— Ele disse o que?! – Emmet estava diante dele, olhos arregalados mais do que o normal, perplexo, assim como ele mesmo. – Repete.

— Quer ponderar a sua decisão inicial de nos contratar. – Edward referia-se a Liam Tanner. Tinham tido a primeira reunião com o grupo de sua empresa, tudo parecia ir bem até aquela ligação onde o secretário do presidente Tanner lhes pedia um tempo.

— Eles podem fazer isso?

— Não assinamos nenhum contrato ainda. Isso seria na próxima reunião.

— Que merda aconteceu? – Edward não respondeu, virou-se novamente para seu computador e procurou por novos possíveis trabalhos.

A noite, exausto, jogou-se no sofá. Bella correu até ele como sempre e sentada ao seu lado beijou o seu rosto.

— Muito cansado? Cheguei mais cedo para ficar com você, mas você chegou bem cedinho hoje.

— Sim, finalizei mais cedo hoje.

— Está com essa expressão pensativa porque? – Bella estava analisando o seu rosto com atenção. Ele se recompôs. Queria parecer confiante diante dela.

— Estou pensando no novo jogo que quero iniciar amanhã. Precisarei de investidores, então já estou pensando nos possíveis.

— Não pode ser o Presidente Tanner um deles? Talvez ele goste tanto do jogo que se torne seu maior investidor.

— Talvez não fechemos negócios com ele. Parece que ele quer repensar nos contratar.

— Mas porque? – Bella quis saber. – Oh meu Deus... – Ela parecia compreender algo que ele mesmo não compreendia.

— O que?

— Oh meu Deus, oh meu Deus, oh meu Deus...

— Querida, o que é? – Bella calou-se, parecia indecisa se a sua informação seria bem aceita. – O que sabe? – Bella levantou-se.

— Ah, não é nada. Lembrei apenas que ta-talvez não tenha posto o tempero certo na sopa que fiz hoje para nós.

— Provavelmente acertará na próxima vez. – Era sempre uma variação disso que ele respondia em suas tentativas de cozinhar, mas na maioria das vezes Edward estava responsável em alimentá-los. – Mas sabe? Tenho dúvidas se é sobre o nosso jantar mesmo o seu espanto.

— Espanto? – Ela soluçou nervosa ao mesmo tempo que falou.

— Bella Swan.

— Edward Cullen, não me olhe assim.

— A minha noiva está omitindo alguma coisa importante. Como quer que olhe para ela? – Disse sério.

— Com amor.

— Eu te amo, mas preciso saber a verdade. – Bella suspirou vencida.

— Talvez isso seja a vingança do Alec. Eu te falei que ele foi na loja depois que soube do nosso noivado. Então, quando me disse sobre o Tanner agora, lembrei que ele mencionou algo sobre acabar com os seus planos. Pareceu que ele se referia a isso.

— É claro. – Edward teve que admitir que a maneira que foi avisado parecia bastante suspeita. – Vamos apenas continuar com outros projetos.

***

Apesar de dizer que iria se envolver com outros projetos, Edward ainda tentou de todas as maneiras possíveis fazer o Presidente Liam Tanner voltar atrás, mas não houve maneiras de fazê-lo contratar seus serviços. Estava claro que ele foi influenciado, talvez soubesse que Edward era um ex condenado ou apenas tinha algo a ver com a família do Alec.

De qualquer forma, empurrou o aborrecimento para baixo, escondendo em um lugar não tão visível, mas ainda sentindo-o próximo, Edward tinha iniciado o seu projeto, o grande projeto que sempre quis. O motivo maior era para esquecer aquele murro no estomago que a vida lhe dava mais uma vez. O seu grande mundo virtual, que fazia parte de um jogo gigantesco trazia elementos de fantasia que iria satisfazer qualquer bom jogador. Com aquele projeto, queria mudar o seu padrão de vida. Dar um pouco mais de conforto a Bella.

— Não está trabalhando demais? – Bella o abraçou pro trás. Ela tinha acordado no meio da noite e procurado por ele. Várias noites tinham sido assim, Edward parecia não pensar em outra coisa. – Quer comer alguma coisa?

— Não. – Nem ao menos tirou seus olhos da tela e seus dedos longos e finos, mostravam total agilidade nas teclas.

— Quando vai deitar?

— Estou indo em seguida. Vá na frente. – Ele havia dito isso horas atrás. Os diálogos deles estavam cada vez menos variados e emotivos. Bella estava começando a se incomodar, mas tentava não deixar as coisas piores. Percebia o quanto aquilo era importante para ele e passava por cima de sua própria tristeza a cerca dos pais e dedicava-se a Edward. Foi até a cozinha e preparou um prato com frutas, deixou ao lado dele, deu-lhe um beijo na testa e voltou para a cama.

Tudo pareceu piorar gradativamente nos dias e semanas seguintes. Edward não conseguia nenhum investidor e para avançar em alguns aspectos, eles precisavam de dinheiro. Ele não aceitava o dinheiro de Emmet e quando Bella se ofereceu, pois ainda tinha alguma reserva que poderia ajudar um pouco. Edward ficava irritado a cada vez que ela sugeria aquilo.

Bella começou a temer, Edward parecia cada vez mais longe dela. Quanto mais queria dividir o peso das dificuldades com ele, mas ele a rejeitava. Isso tudo aconteceu nos dois meses seguintes a sua mudança. Ela via tudo novamente, numa lente que era apenas dela, pois ela guardava a recordação da experiência, a experiência de ser deixada pelo amor de sua vida.

— Não era para isso ser divertido? – Rosie falou ao lado de Bella.

Estavam sentadas a mesa com petiscos saborosos e cerveja. Bella olhou para as meninas a sua volta, além de Rosie, estavam a Alice e a Jéssica. Depois, melancolicamente olhou a diante para os seus companheiros sentados com seus computadores.

— O erro foi ter marcado de ser aqui na casa do Emm. – Alice suspirou.

— Que adianta nos reunirmos se não estamos de fato reunidos. Eles só trabalham. – Jéssica completou.

— De fato, Bella... – Rosie falou diretamente para ela prendendo a sua atenção. – Edward está tão rude, só o que faz é trabalhar, só o que fala é de trabalho e está levando os outros a exaustão. Me pergunto se isso não está passando do ponto. – Falou pensativa e preocupada.

— De fato... – Foi o que Bella respondeu sem energia.

— Bella você parece bem tristonha. – Alice disse.

— Vocês tem razão em tudo. Edward só pensa em trabalho, só fala e só respira trabalho. Não sei como abordar isso mais claramente com ele, já que ele sempre tem uma resposta afiada ou apenas me ignora. Então estou tristonha porque desde que ele se mudou... – Bella não quis concluir, mordeu o lábio.

— Assim não dá. – Rosie sacudio a cabeça. – Estou indo para um bom restaurante agora e quem quiser me siga. Além do mais, quem quiser continuar desfrutando da honra de ser o meu namorado também me seguirá. – Imediatamente Ememt parou o que estava fazendo e olhou para ela. Na verdade, todos pararam, até Edward notando o clima do ambiente olhou em volta.

— Faço minhas as palavras da Rosie. – Alice também levantou sacudindo as migalhas dos petiscos em sua roupa.

— Acho vocês bastante sábias. – Jéssica seguiu o exemplo.

Bella permaneceu olhando para elas. Rosie pigarreou, mas não obteve reação dela, ela voltou a pigarrear mais alto olhando incisivamente para a amiga que entendendo a deixa suspirou.

— Não faz mal tentar. – Bella enfim levantou-se.

Pegaram suas bolsas e caminharam até a porta ouvindo os companheiros conversando.

— Edward você pirou? Anda logo, larga isso e vamos com elas antes que seja tarde. Isso pareceu muito sério. – Bella ainda ouviu Emmet falando com o seu noivo.

Estavam decidindo como iriam se dividir nos carros quando todos eles se aproximaram.

— Você quer tanto sair assim? – Edward se aproximou o bastante para colar seu corpo completamente ao dela. Quanto tempo fazia desde a última evz?

— É... bom... seria bom. – Gaguejou.

— Tudo bem linda. Vamos. – Ele beijou a sua testa com carinho. Bella sentiu-se nas nuvens.

Pareceu um pouco como antes, embora Edward não estivesse cem por cento naquele ambiente com os amigos. Eles riam, ele tentava rir, na maioria das vezes seu riso era sincero, em outras ele estava completamente disperso e só se deixava levar. Estava extremamente preocupado, quase desesperado, porque embora seu projeto estivesse caminhando bem, ele ainda precisava de alguém que acreditasse nele. Como poderia dar a vida que queria para Bella? Seu dinheiro iria acabar em breve, precisava de alguma forma dar a volta por cima e só sabia trabalhar naquele momento.

— Vamos para casa? – Perguntou baixinho para ela.

— Mas acabamos de chegar?

— Deixei algo inacabado. – Ele viu o rosto dela transformar-se em pura tristeza e sentiu-se culpado. – Desculpe amor. Tudo bem, podemos ficar mais um pouco.

— Não pode apenas curtir um pouco como antes?

— Ficarei mais um pouco. – Repetiu.

— Não. Vá para casa ou para a casa do Emm terminar o que quer que esteja fazendo. – Bella não estava mais falando baixo e seus amigos mais próximos ouviram as suas palavras duras.

— Querida...

— Não é interessante para mim ter alguém que não está presente. Se está preocupado com seu trabalho inacabado, se não pode deixar isso de lado por algumas horas, então volte para ele.

— Está sendo um pouco dura. – Ele revidou sentindo a magoa invadir seu peito. – Estou falando de trabalho.

— Sim, está. Todo o tempo, não é mesmo?

— Sabe porque estou fazendo isso. Não é justo.

— Não é justo para mim também. – Agora a mesa toda estava em silêncio. Bella pegou a chave do carro em sua bolsa e entregou para ele. – Vá.

— Espere um pouco, Bella.

— Vá. – Edward olhou em volta, estava irritado com a situação. Algo nele estava borbulhando, estava com raiva e sentindo mágoa. Levantou-se sem pegar a chave e foi embora. Suas têmporas pulsavam, sentia as pontas dos dedos formigando. Iria embora e não voltaria atrás.

Pediu um taxi, deu o endereço do Emmet. Voltaria e trabalharia do ponto em que parou. Bella não sabia o que estava falando, estava irritada e falou coisas injustas. Sabia que não deveria ficar irritado, mas ficou completamente fora de si. Respirou fundo e pediu para que o motorista o levasse para a sua casa. Esperaria Bella e conversariam com calma.

Deitou-se no sofá pensando no que havia acontecido. Percebeu que talvez o motivo de Bella estar tão irritada era que estava tão focado em seus objetivos que por várias vezes estava negligenciando momentos com ela. Achava que estava explicito seus motivos, que queria uma vida melhor para ambos. Ela merecia, ela era o brilho de sua vida... e estava negligenciando ela. Seus pensamentos estavam se tornando tristes a medida que olhava do ponto de vista de Bella.

Bella teria que aguentar um pouco mais, seus motivos eram sinceros. Ele tinha que conseguir sucesso em sua carreira. Queria mimá-la e passar mais tempo com ela. Ter uma grande casa como a casa dos pais dela, viajara por todo o mundo como seus pais podiam fazer por ela. Agora eles estavam juntos e Bella estava longe dos pais que a mimaram tanto, ele não podia fazer o mesmo.

Só percebeu que adormeceu quando assustou-se e sentou-se no sofá. Olhou em volta, estava tudo escuro e silencioso. Olhou para o relógio em seu pulso, era uma da manhã. Trôpego, caminhou até o quarto e não viu sinal de Bella, com esperança correu a casa toda e não a encontrou.

Procurou por seu celular e ligou repetidas vezes para ela. Bella parecia estar com o seu aparelho desligado. Aquele alarme incomodo soou em sua mente, algo estava completamente errado ali.


Não quer ver anúncios?

Com uma contribuição de R$29,90 você deixa de ver anúncios no Nyah e em seu sucessor, o +Fiction, durante 1 ano!

Seu apoio é fundamental. Torne-se um herói!




Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "O brilho de uma vida" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.