Segunda Chance escrita por KayallaCullen, Miss Clarke


Capítulo 9
8 - Fantasmas do passado




Dias atuais...

Nem conseguia acreditar que já havia se passado um mês desde que Felipe havia me pedido o divorcio e que minha avó havia falecido. Havia sido um mês difícil, do qual ainda não havia me recuperado, mas decide voltar ao meu trabalho para tentar tirar forças do que amava fazer, só assim poderia seguir em frente.

—Dra. Valentina tem um oficial de justiça que gostaria de falar com a senhora. - Gloria disse assim que abriu a porta do meu escritório depois que autorizei a sua entrada.

—Mande-o entrar, por favor, deve ser algum comunicado de um cliente nosso. - disse e ela concordou antes de conduzi-lo para dentro da minha sala.

—Sra. Montenegro?- o oficial questionou assim que entrou  na minha sala.

—Sim.

—Por favor, assine aqui.- ele disse me entregando um papel o qual assinei antes de receber um envelope dele.

—Tenha um bom dia senhora.- ele disse suave e desejei o mesmo antes dele sair.

Assim que abri o envelope e tomei ciência do que se tratava precisei me apoiar na mesa para não cair.

—A Dra. Está bem?- Gloria questionou preocupada.

—Chame o Dr. Fabrício Avelar aqui. O mais rápido possível Gloria. - implorei ainda em choque e ela concordou enquanto pegava o telefone e ligava para o ramal da área de direito da família.

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—Nunca pensei que diria isso, mas a proposta de divorcio amigável será muito vantajosa para você. Nunca vi um marido tão desapegado aos bens quanto o seu está sendo. - Fabrício disse depois que leu o comunicado oficial do divorcio e a proposta de divisão de bens feita pelo advogado de Felipe.

—Não quero o dinheiro dele. A única coisa que sempre quis de Felipe foi o amor dele. E agora, ele trata o nosso casamento como se fosse uma troca de loja. Vou dá uma boa grana para minha ex por que assim ela não faz escândalo. - disse indignada enquanto andava de um lado para o outro do escritório.

—Valentina, isso não é o acordo final, é apenas uma proposta. Ainda vamos discutir todos os termos do divorcio no dia da audiência que segundo o comunicado será depois de amanhã.

—Quanta sensibilidade a do Felipe. Me mandar o comunicado oficial do divorcio no dia que nosso filho está fazendo três anos de morto. Nunca pensei que diria isso, mas graças a Deus que estou me separando desse insensível. - disse chorando de raiva enquanto pegava minha bolsa.

—Onde você vai?- Fabrício questionou confuso enquanto segurava meu braço.

—Preciso respirar um pouco.

—Você não pode sair por ai desse jeito, ainda mais hoje.

—Tenho que me acostumar a ficar sozinha, afinal esse parecer ser o meu destino Fabrício. - disse seria e ele me soltou, pois sabia que não ia adiantar tentar me fazer mudar de ideia.

Peguei meu carro e sai dirigindo pelas ruas de São Paulo, até que parei no único lugar que sempre evitava passar. Mas parecia que hoje precisava desesperadamente estar aqui, precisava comprovar que ele realmente existiu.

Comprei um lindo buquê de flores na floricultura que havia no cemitério e me encaminhei até o local onde meu filho estava.

Não podia acreditar que já havia se passado três anos.

Três anos que perdi a pessoa que mais amava nesse mundo, aquela que nem  pode conhecer direito.

Me sentei no gramado  em frente a lapide do meu filho, sem me importar se iria sujar a minha roupa. Comecei a acariciar de leve o mármore frio como se pudesse acariciar seu rosto.

Nem que eu vivesse mil anos iria esquecer como era o meu filho. O meu Miguel.

Ele era uma copia perfeita de Felipe, não havia puxado praticamente nada de mim, o que me deixou mais apaixonada por ele. Jamais iria esquecer a sensação de tê-lo em meus braços nos poucos instantes em que ele viveu.

E jamais esquecerei a dor que senti quando ele morreu. Acho que é a pior dor do mundo.

—Isso não é justo. Você não deveria ter ido primeiro. Não é a lei natural das coisas.- solucei com dor para o vazio.

—Penso nisso todos os dias. - ouvi Felipe dizer atrás de mim e me levantei para vê-lo.

—O que você faz aqui?- questionei com raiva.

—Ele era o meu filho também, tenho direito de vê-lo. - ele me lembrou com a voz rouca.

—Você não sabe o quanto me arrependo de ter me casado com você. Maldita hora que você entrou na minha vida.

—Não fale isso. Não na frente do nosso filho. - Felipe pediu com pesar.

—Nosso filho não pode escutar meus gritos Felipe, por que ele está morto. E talvez tenha sido melhor, afinal ele não terá que ser disputado nos tribunais pelos pais. E quanta sensibilidade a sua de me mandar o comunicado oficial do nosso divorcio no dia que nosso filho faz três anos de morto. - o acusei furiosa e ele me olhou chocado.

 -Eu não sabia disso. Jamais faria uma coisa dessas num dia tão doloroso para nós dois.

—Como se você se  importasse com os meus sentimentos. E quer saber mais? Eu odeio você. Eu odeio você. - gritei enlouquecida de raiva e dor enquanto começava a bater em Felipe, que logo segurou meus braços me impedindo de machucá-lo.

Esperneei em seus braços tentando me soltar até que minhas forças acabaram sobrando apenas à dor que dilacerava minha alma.

—Mais calma agora?- ele questionou assim que me ajudou a sentar ao seu lado na grama.

—Não sei por que você se importa comigo. Deve estar louco para se livrar de mim.

—Isso não é verdade. Eu me importo muito com você. Valentina, você foi à mãe do único filho que tive e terei na vida. Amei e ainda amo você com  todas as minhas forças e sei que sempre vou amá-la para o resto da minha vida. - Felipe disse entre lagrimas e pisquei confusa.

—Você ainda me ama?

—Amo demais. Você é a minha vida, meu bem. - ele disse apaixonado e sorri feliz.

—Eu também  te amo. - sussurrei e quando fui beijá-lo Felipe me afastou.

—Mas só o amor não é mais o suficiente pra mim, Valentina. Você me destruiu por dentro. Você quebrou o meu coração de uma forma que sempre penso que irei morrer diante de tanta dor. - ele soluçou com dor me deixando confusa, pois não estava entendendo do que ele estava falando.

—Não consigo entender do que você está falando. - disse confusa e ele sorriu triste antes de enxugar as suas lagrimas.

—Talvez você entenda quando refletir sobre o passado. Tudo que posso dizer que apesar de amar você com tudo que sou, não posso mais ficar com você. Amar você está acabando comigo. Espero sinceramente que algum dia você entenda do que estou falando.

—Por que você não tenta me explicar? Talvez possamos resolver tudo e acabar de vez com essa historia de divorcio. - implorei esperançosa.

—Esse momento passou.

—Então, por que você disse que ainda me amava? Se iria mesmo seguir em frente não precisava ter dito nada.

—Sei disso. Mas você precisava saber que não estou  me divorciado de você por falta de amor, e sim por que você me machucou demais. E isso não tem amor que cure, por mais forte que ele seja. - Felipe disse com dor antes de se levantar e me deixar sozinha no cemitério.

Naquele momento deixei as lagrimas caírem enquanto via o homem que eu amava se afastar de mim e isso doía demais.

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—Espero vê-la em breve, Julia. - Laura disse saindo do seu consultório ao lado de uma jovem que deveria ser sua paciente.

—Até a próxima consulta Dra. Dutra. - Julia disse se despendido antes de sair.

—O que aconteceu Valentina?- minha amiga questionou preocupada assim que se aproximou de mim.

E naquele momento tentei ser forte para admitir que fui egoísta.

Que fui à pior pessoa do mundo para Felipe.

—Meu marido vai se separar de mim por que não aguentou as minhas acusações. Laura, eu sou um monstro. Fiz o homem que amo sofrer durante três anos acusando-o de ter matado nosso filho, quando ele não teve culpa. Meu Deus, que tipo de pessoa eu sou?- questionei desesperada por finalmente ter entendido o que Felipe havia me dito.

—Está tudo bem amiga. - ela disse e me abraçou com força enquanto eu chorava sem parar nos seus braços.

Assim que sai do prédio que abrigava o consultório de Laura, fui surpreendida por inúmeros fotógrafos que estavam  na porta, no momento em que me viram vieram para cima de mim disparando fleches e inúmeras perguntas, me deixando tonta.

—É verdade que Felipe Montenegro pediu o divorcio?- um repórter questionou curioso para obter uma exclusiva.

—É verdade que você o traiu, por isso ele pediu o divorcio?

—Já chega. A Sra. Montenegro não tem nada a declarar.- o porteiro do prédio de Laura disse serio enquanto afastava os jornalistas e me conduzia para dentro do prédio.

Tive que esperar meus pais e meu irmão virem me buscar, já que até a garagem subterrânea estava cheia de jornalistas impossibilitando assim a minha saída.

—Vou ligar para o senhor Felipe e dizer umas poucas e boas. Quem ele pensa que é para expor a minha filha dessa forma?!- meu pai disse furioso assim que chegamos em casa.

—Pai, por favor, chega de confusão por hoje.- pedi cansada e fui em direção ao meu quarto.

Precisava de um bom  banho, afinal o dia havia sido cheio de emoções.

—Valentina?- ouvi minha mãe gritar enquanto batia na porta do meu banheiro desesperada.

—Aconteceu alguma coisa?- questionei preocupada assim que abri a porta do banheiro.

Minha mãe não disse nada, apenas me arrastou de roupão e tudo para a sala onde meu pai e meu irmão olhavam para a televisão totalmente confusos.

— O que está havendo mãe?- questionei sem entender o porquê dela me arrastar até a sala sem um motivo.

—Apenas preste atenção na televisão querida.- ela disse suave me incentivando a olhar para a televisão.

Assim que percebi que meu marido estava ao vivo em uma coletiva de empresa na sala da casa dos pais dele fiquei sem saber o que dizer.

—É verdade que você pediu o divorcio, Felipe?- um dos vários repórter questionou.

—Sim.

—É verdade que houve traição, por isso você pediu o divorcio?- outro jornalista questionou e Felipe olhou para ele indignado.

—Não estamos nos divorciando por que houve uma traição. Jamais houve traição de nenhuma das partes, minha esposa sempre foi fiel a mim assim como eu fui a ela. E jamais seria capaz de submetê-la a algo tão baixo e cruel.

—Então porque o divorcio?

—Não somos mais como antes. - Felipe disse serio e alguns jornalistas tentaram obter mais detalhes sobre a sua explicação, mas ele se recusou. - Tudo que peço e que deixem minha esposa em paz. Valentina não está acostumada ao assedio da mídia como eu. Obrigado pela atenção de vocês e a entrevista está encerrada.

—A cada dia eu entendo menos esse divorcio de vocês.- meu pai disse confuso assim que virou para me ver.

—Eu também pai.- sussurrei e logo minha mãe foi atender ao telefone que estava tocando.

—Filha, é o Felipe, ele quer falar com você.- mamãe disse me entregando o telefone e agradeci antes de começar a falar com meu marido.

—Você está bem?- Felipe questionou preocupado assim que disse alô.

—Sim, só um pouco assustada com  tanto assedio. Nunca tinha visto tanto jornalista junto.- sussurrei e ele concordou.

—Me desculpe por isso, pedi para o meu advogado colocar o processo do nosso divorcio em segredo de justiça, mas alguém acabou vazando a noticia. Espero que depois dessa coletiva, eles lhe deixem em paz.

—Duvido, eles só vão sossegar quando descobrirem o que motivou o seu pedido de divorcio, algo que nem eu mesma sei. Será que algum dia você me dirá?- questionei seria, tentando comprovar  se o que eu havia descoberto era verdade.

—O motivo é a sua felicidade. E eu não estava mais proporcionando isso a você.- ele disse e tentei dizer que não era verdade, mas ele me interrompeu.-Tenho que desligar, só liguei para saber se você estava bem depois de tudo. Boa noite.

—Boa noite.- sussurrei antes de desligar o telefone.

—Ele ainda senti algo por você, filha.- minha mãe disse sorrindo assim que lhe entreguei o telefone.

—Não sei mãe, estou tão confusa com tudo. Não sei o que pensar ou fazer.- solucei e ela me abraçou com carinho.

—Não se preocupe no momento certo seu coração irá lhe dizer o que fazer.- ela sussurrou amorosa e beijou a minha testa com cuidado.