Segunda Chance escrita por KayallaCullen, Miss Clarke


Capítulo 18
17 - Momento a dois




Dias atuais...

Após a resposta de Rafael pedi para Fabrício dá entrada nos últimos documentos para a adoção, enquanto toda a burocracia legal ocorria, pedi ajuda de Laura e de Crystal para nos ajudar com a reforma do quarto que pertenceria a Rafael.

E o tema escolhido para a decoração foi o pequeno príncipe, já que nosso garotinho amava o livro. Me diverti muito com as meninas nas compras, todos participaram um pouco da arrumação, demonstrando assim o quanto estavam felizes em saber que Rafael seria em breve da família.

—Tenho que admitir que você não perdeu seus dotes decorativos amor.- Arthur disse para a esposa que sorriu antes de lhe dá um beijo.

—Ele tem razão. Ficou tudo lindo Crystal, sem você não saberia onde colocar tudo para ficar idêntico ao livro. - comentei enquanto servia um lanche para todos na sala naquela tarde ensolarada de sábado.

Arthur, Crystal, Laura, Fabrício e meu irmão se prontificaram em me ajudar a terminar de arrumar tudo, pois Felipe teria que ir para uma reunião na qual assinaria os documentos em que autenticavam seu desligamento da editora.

—Olha só quem chegou. Meu caçula favorito.- Arthur disse assim que viu o irmão entrar em casa.

—Como foi à reunião, amor?- questionei curiosa para Felipe, após ter lhe cumprimentado com um beijo.

—Cansativa. Eles tentaram a todo custo me fazer desistir de deixar à editora, mas já havia me decido e nada me faria mudar de ideia.

—Tem certeza que está feliz com sua decisão?- questionei olhando em seus olhos, afinal sabia o quanto escrever era importante para Felipe.

—Estou, já não me sentia em “casa” na minha antiga editora há muito tempo.

—E o que você vai fazer agora, irmão?- Arthur questionou preocupado.

—Andei conversando com Cesar, meu antigo editor, e ele me convidou para fazer parte da editora que está montando. Vou ser um dos acionistas e o editor chefe, da editora.- Felipe disse feliz e o olhei surpresa.

—Então, você vai deixar de escrever?

—Talvez, não sei. Tudo que sei, e que vou poder trabalhar em casa. Foi uma das minhas condições. Afinal, quero ficar perto do meu filho.

—Não consigo te imaginar sem escrever.- disse surpresa e ele sorriu amoroso.

—Eu sei, mas acho que preciso tentar fazer algo novo. Se a saudade for forte demais, posso voltar a escrever de casa e publicar na minha editora.

—Espero que você seja muito feliz nessa nova fase. Mas como sua leitora, espero que você não desista de escrever. Seus livros são maravilhosos. - Crystal segredou e sorrimos.

—Está tudo ótimo, mas ainda temos um quarto para terminar.- meu irmão nos lembrou e concordamos.

—Vou trocar de roupa e irei ajudá-los em seguida.

—Não.- eu e Arthur gritamos o que fez Felipe rir.

—Nem pensar, você é alérgico a maioria das coisas que existem no mundo. Tá querendo se matar?- Artur questionou e Felipe suspirou.

—Tudo bem. Vou subir e tomar um banho, depois peço o jantar para todo mundo. - Felipe disse e me deu um beijo antes de subir.

Passamos o dia todo terminando de arrumar o quarto que seria de Rafael, afinal quando a assistente social viesse nos visitar queríamos mostrar a ela que estávamos preparados para a chegada do nosso príncipe. Assim que terminamos, liguei para um restaurante e pedi jantar para todos, antes deles irem embora. Ficando apenas eu e Felipe na sala.

—Você acha que Rafael irá gostar?- questionei preocupada assim que meu marido voltou da cozinha com uma garrafa de vinho tinto e duas taças.

—Tenho certeza. Acho que será difícil tirá-lo do quarto, depois que o ver.- ele disse e sorrimos enquanto Felipe me oferecia uma taça.

—E para completar... - ele disse antes de pegar o controle e ligar o som, enchendo o ambiente com a voz de um cantor muito conhecida por nós dois. – Quer dançar comigo?

—Você sabe que não sou boa nessa historia de dançar. - lembrei e ele sorriu enquanto se levantava e me oferecia sua mão.

—Você é perfeita. A melhor parceira que eu poderia ter. - ele disse e sorri antes de aceitar sua mão e ir para seus braços sem reclamar.

—Amor?- questionei enquanto dançávamos sem pressa pela nossa sala.

—Sim.- ele sussurrou enquanto me olhava com seus olhos azuis escuros.

—Posso lhe fazer uma pergunta? A qual quero fazer a muito tempo.- questionei e ele concordou.

—Por que você decidiu que meu anel de noivado e nossas alianças seriam em ouro preto e diamante preto?-questionei confusa e ele sorriu surpreso.

—Pensei que você nunca fosse me perguntar.- ele disse suave antes de me girar, o que me fez rir.

—Porque é uma joia única e especial. Passei meses pensando em algo diferente de todos os anéis de noivado que já tinha visto. Afinal, não poderia lhe dar um anel normal. Porque você é diferente de todas as outras, foi quando Crystal me sugeriu tal cor e aprovei. Pois ele combinava muito com você. Toda vez que olho para minha aliança lembro dos seus olhos, do seu cabelo...Me lembro de você.- Felipe disse amoroso e sorri suave antes de ficar na ponta dos pés para beijá-lo.

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Acordei com o barulho insistente da campainha, tentei ignorá-la colocando o travesseiro em minha cabeça, mas o barulho continuou.

Furiosa, decide me levantar da cama para ver quem estava tocando a campainha da minha casa em plena madrugada de um domingo, assim que me sentei na cama fui atingida por uma leve dor de cabeça, a qual deveria ser efeito das duas garrafas de vinho que tomei junto com meu marido ontem.

Coloquei rapidamente o vestido que estava usando ontem e escovei os dentes antes de sair sem fazer barulho, afinal Felipe ainda estava dormindo profundamente.

—Sim?- questionei confusa para uma senhora bem vestida assim que abri a porta da frente.

A senhora aparentava ter uns cinquenta e seis anos de idade e me pareceu muito simpática.

—Bom dia, é a casa dos senhores Montenegro?- a senhora questionou suave.

—Sim. Quem é a senhora?

—Sou Ângela Soares, assistente social encarregada para analisar o processo de adoção.- ela disse e parei de respirar, afinal havia sido pega de surpresa.

Disfarçadamente olhei para a sala e agradeci por Felipe ter tido o bom senso de sugerir que deveríamos ir para a cama, assim que as coisas começaram a esquentar entre nós dois. Se não minha sala estaria com roupas espalhadas para todos os lados, ou algo pior.

O que seria péssimo para o processo de adoção.

—E então, os senhores Montenegro estão?- a assistente questionou e pisquei voltando a realidade.

—Há sim. Sou Valentina Montenegro, entre, por favor.- disse abrindo a porta e convidando-o para entrar.

—Me desculpe por deixá-la esperando tanto tempo lá fora, é que passei a noite toda trabalhando e acabei de acordar. Mas sente-se.- disse indicando o sofá da sala.

—Deseja algo, uma água ou café?- questionei nervosa.

Afinal, não deveria estar com uma aparência apresentável.

—Estou bem obrigada, mas onde está o seu marido?- ela questionou suave.

—Ele ainda está dormindo. Mas irei chamá-lo em um minuto. - prometi suave.

—Não tenha pressa, afinal fui eu que me adiantei. - ela explicou e concordei antes de subir correndo para o meu quarto.

Foi um verdadeiro sacrifício acordar meu marido, assim que Felipe terminou de se arrumar, ele foi fazer companhia para a Sra. Soares enquanto eu ia me arrumar em tempo recorde.

Assim que desci me surpreendi por ver que os dois estavam falando sobre o porquê queríamos adotar uma criança.

—Entendo Sr. Montenegro, mas quero ter certeza que a adoção do menor não está sendo como uma forma de compensar a perda do seu filho.- ela disse suave antes de tomar o seu café.

—Adotar o Rafael não é uma forma de compensar a perda do meu filho, por que nenhuma criança irá substituir meu filho. Rafael é único e especial ao seu modo assim como meu bebê era.- Meu marido disse suave e ela concordou enquanto anotava algo em sua pasta.- Estamos adotando o Rafael porque desejamos ser pais, e nos apaixonamos por esse garotinho maravilhoso.

—É verdade. Não consigo imaginar nossa vida sem ele.- disse assim que apareci na sala.

—O juizado foi informado que recentemente os senhores haviam entrado com o pedido de divorcio, o qual não foi concluído. Gostaríamos de saber por que não concretizaram o divorcio?- ela questionou seria e olhei para Felipe sem saber o que dizer, afinal jamais havíamos pensado que iriam nos perguntar sobre o nosso quase divorcio.

—Não foi um pedido de comum acordo Sra. Soares. Fui eu que pedi o divorcio.- Felipe disse e a assistente social piscou surpresa. – Pedi o divorcio, por que não aguentava mais saber que não podia ajudar a mulher que eu tanto amo, a superar a dor de perder um filho. Não suportei saber que uma historia tão linda e forte como a nossa, estava se transformando em magoa. Então, tomei a decisão errada de me separar de Valentina. Mas graças a Deus, tomei consciência de que jamais poderíamos viver separados, por que nos amamos demais.

—Isso é verdade. - disse suave e sorri com carinho para o me marido.

—Sou mãe de três crianças, e não consigo imaginar a dor de perder um filho.- ela disse sensibilizada.

—É a pior sensação do mundo. Nós ficamos sem chão.- sussurrei pensando no passado mas sorri tentando afastar a tristeza. – Passei um bom tempo inconformada com a morte do meu filho, achando que meu marido tinha culpa. Mas agora sei, que Felipe não tem culpa de nada. Ele foi apenas uma vitima do destino, assim como eu.

—Porque a senhora achava que a culpa era do seu marido?- assistente social questionou confusa.

—Porque sou portador de um gene, que transmite uma grave doença genética chamada Cardiomiopatia hipertrófica. Ela causa o aumento da espessura da parede do coração causando a diminuição da função cardíaca, podendo ocasionar uma parada cardíaca que o levaria a óbito. -Felipe explicou suave e ela olhou com pesar para ele. – O que me deixa praticamente proibido de ter um filho biológico. Não quero mais fazer um filho nosso passar por tudo que Miguel passou.

—Sinto muito. De verdade.- ela disse com pesar enquanto olhava para nós dois. – Que tal se mudássemos de assunto? Soube que o senhor é um grande escritor.

—Nem tanto.- Felipe disse sorrindo antes de começar a falar sobre o seu trabalho, e sorri de forma agradecida para a Sra. Soares, por ter mudado de assunto assim que percebeu o quanto aquele assunto deixava o meu marido triste.

Em seguida, ela pediu para ver a nossa casa e se surpreendeu assim que viu o quarto que havíamos reformado para Rafael.

—Vocês dois me parecem ótimas pessoas, e percebo só pela fala de vocês que nutrem um grande sentimento pelo menor. A prova maior disso é este quarto feito com todo cuidado e amor.

—Estamos ansiosos para tê-lo em nossa casa, como nosso filho de forma oficial. Por que em nosso coração, Rafael já é nosso.- disse e ela sorriu amável antes de se despedir de nós.

—Será que conseguimos?- questionei preocupada assim que a assistente social saiu.

—Tenho certeza que sim.- Felipe disse amoroso antes de me envolver em um abraço carinho



Notas finais do capítulo

Imagem do capitulo:

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