Segunda Chance escrita por KayallaCullen, Miss Clarke


Capítulo 17
16 - Escolhas




Dias atuais...

Assim que dissemos a Sarah que gostaríamos de conhecer Rafael melhor, ela concordou em nos deixar visitá-lo toda à tarde. Felipe e eu sabíamos que nosso coração o havia escolhido, mas queríamos ter certeza absoluta que Rafael havia também nos escolhido.

Afinal, não queríamos apenas escolher uma criança e trazê-la para casa, queríamos que ela também nos escolhesse.

Enquanto pensava nisso dirigia pelas ruas de São Paulo em direção a editora de Felipe para buscá-lo, pois ele teve uma reunião pela tarde com sua editora e seu carro estava na revisão mensal.

Quando cheguei à editora fui cumprimentada por todos, até me aproximar de Priscila, a secretaria da editora de Felipe.

—Boa tarde, Priscila.- a cumprimentei e ela sorriu amigável enquanto me desejava boa tarde.

—Priscila, pode me informar se a reunião...- comecei a falar e foi fui interrompida por Felipe que saiu da sala da sua editora feito um furacão enquanto ela o seguia.

—Felipe, podemos conversar sobre isso?- ela questionou assim que o alcançou no corredor, o qual tinha ampla visão para a mesa da secretaria.

—Não há nada para conversarmos, e me solte.- Felipe disse furioso enquanto se afastava dela.- Não pretendo ficar mais nenhum minuto se quer nessa editora.

—Você não pode romper o contrato, isso abalaria a sua carreira.- ela o lembrou seria.

—Não me importo com isso. Apenas, não vou admitir que você ache que pode ficar flertando comigo, ou que pode nutrir esperanças em relação a mim. Nunca lhe dei motivos para isso. Se não se lembra Iara, sou muito bem casado. E em breve meu advogado entrará em contato com você, para dá entrada no meu desligamento da editora.- Felipe disse serio antes de se afastar de Iara e dá de cara comigo.

—Valentina?- ele sussurrou surpreso ao me ver e corou assim que percebeu que eu devia ter acompanhado toda a discussão.

—Oi amor.- disse amorosa e lhe dei um beijo suave em seus lábios.- Já está pronto?

—Já.- ele disse ainda surpreso e pareceu se lembrar de algo.- Preciso buscar minha bolsa que esqueci na sala da Iara. O presente do Rafael está lá.

—Tudo bem, pode ir para o carro eu pego.- assegurei e ele me olhou desconfiado.

—Tem certeza disso?

—Claro, não vou demorar. -disse e ele concordou antes de lhe entregar a chave do meu carro.

—Será que você poderia me acompanhar, Iara?- pedi assim que Felipe saiu e ela concordou seria.

Segui Iara tentando me controlar para não pular em seu pescoço, afinal estava tentando ser uma pessoa diferente. Em breve, se tudo desse certo, eu seria mãe, e não poderia mais ficar fazendo escândalos.

—Aqui está.- Iara disse suave assim que entramos em sua sala e apontou a bolsa carteiro cinza que pertencia ao meu marido.

—Obrigada.- disse pegando a mesma e me surpreendendo o quanto ela estava leve.

O que era uma novidade, afinal meu marido andava para cima e para baixo com o notebook, pois se ele tivesse alguma ideia sensacional para um livro, ele poderia arquivar a mesmo em seus documentos.

—De nada. Sobre o que você ouviu na recepção...- ela começou a dizer e lhe interrompi.

—Isso não me importa. Desde que você ficou no lugar do antigo editor do meu marido, não fui com a sua cara. Sempre disse para Felipe que você o olhava de um modo diferente, mas ele nunca me ouviu.- disse seria enquanto olhava em seus olhos.

—Se eu fosse você, não ficaria tão animada com essa reconciliação, afinal ele já se separou de você uma vez.- Iara apontou seria.

—Se Felipe quisesse você, ele teria seguido em frente com o divorcio. O que não foi o caso.

—Essa historia ainda não acabou Valentina. No final vamos ver quem realmente irá ficar com ele.

—Isso é uma ameaça Iara?- questionei seria e ela sorriu debochada.

—Entenda como quiser. Agora, saia da minha sala.- ela disse furiosa enquanto apontava a saída.

Sem dizer mais nada sai da sua sala, tentando me controlar para não voltar lá e cometer uma loucura com aquela descarada.

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—Ela disse isso?  E você não fez nada?- Felipe questionou enquanto ajudava Rafael a pintar o livro de colorir do pequeno príncipe, o qual ele havia lhe dado de presente junto com uma vasta coleção de giz de cera e canelinhas coloridas.

Sarah havia nos autorizado a levar Rafael ao cinema para assistir ao novo filme da Disney, Moana, um mar de aventura. Assim que terminou a sessão, decidimos levá-lo a praça de alimentação para fazermos um lanche, e agora continuávamos na mesa pintando o livro de colorir.

— Disse. E eu não fiz nada.  Por que você não acredita?-questionei e ele riu.

—Porque conheço a mulher que tenho, sei muito bem que ela não consegue deixar nada passar.- Felipe disse e revirei os olhos.

—Mas a ameaça velada dela me deixou preocupada.- sussurrei para o meu marido, afinal não queria que Rafael escutasse.

—Iara não seria capaz de nada.

—Felipe, eu via o jeito que ela te olhava. Aquela mulher é louca por você. E não é no bom sentido.- sussurrei preocupada e ele suspirou antes de segurar a minha mão e olhar nos meus olhos.

—Não se preocupe, vou sair daquela editora e pedirei para Paul reforçar a segurança.- ele sussurrou e beijou a minha mão enquanto eu agradecia.

—Acho que pleciso de mais azul. O que acha tia Valentina?- Rafael perguntou para mim mostrando o desenho do pequeno príncipe recém pintado, mudando assim o nosso foco.

—Não querido, ele está lindo.- assegurei suave olhando em seus olhos azuis e ele sorriu doce antes de me pedir para ajudá-lo a pintar a outra página.

Assim que pintamos boa parte do livro, Felipe teve a ideia de levarmos Rafael para brincar no parquinho do shopping e concordei.

Passamos horas na piscina de bolinhas brincando com ele, até que vi no celular que tínhamos que ir.

 Essa era a pior parte.

Saber que teríamos que devolver o nosso pequeno príncipe ao orfanato, cortava o nosso coração.

—No horário como sempre.- Sarah disse suave assim que entramos no orfanato.

Felipe carregava Rafael no colo, que havia dormido no caminho para cá, e eu carregava algumas sacolas que possuíam vários brinquedos e alguns livros. Todos escolhidos por Rafael.

—Ele se divertiu?- ela questionou assim que se aproximou de nós e fez um gesto de que pegaria Rafael no colo.

—Tudo bem Sarah, eu o levo até a cama.- meu marido disse e ela concordou enquanto indicava o caminho.

—Sim, muito. Nunca pensei que uma criança de três anos pudesse ter tanta energia. Ele ganhou até da minha sobrinha.- Felipe sussurrou suave assim que chegamos ao quarto que Rafael dividia com mais três meninos da sua idade.

—Gostariam de colocá-lo na cama?- Sarah sugeriu e sorrimos concordando.

Orientados pela luz do abajur que o quarto possuía, Felipe colocou Rafael com todo cuidado para não acordá-lo na única cama vaga, em seguida tirei os tênis dele e o cobri com todo cuidado para que não sentisse frio.

—Durma com os anjos meu pequeno príncipe.- sussurrei antes de beijar a testa de Rafael com carinho.

—Bons sonhos meu querido.- Felipe sussurrou com carinho antes de beijar a testa de Rafael com amor.

Nos despedimos de Sarah e fomos para o carro.

—Está tudo bem?- Felipe questionou assim que destravou o carro e me ouviu soluçar de leve.

—Não. Não quero mais ter que deixá-lo aqui. Quero nosso filho em casa conosco.- solucei com dor e Felipe me abraçou com carinho. Enquanto tentava me consolar.

—Eu também quero amor, mas precisamos ter paciência. Você melhor do que ninguém, sabe como essas questões jurídicas demoram, ainda mais uma questão que envolve o futuro de uma criança.- ele sussurrou acariciando meu cabelo de leve.

—Eu sei.

—E além do mais, não sabemos se Rafael quer ficar conosco.- ele disse e levantei meus olhos do seu peito para vê-lo.

—Mas ele gosta de nós. E nós gostamos dele.- disse confusa e ele sorriu.

—Eu sei, mas ele nos vê como amigos e não como pais dele.

—E se ele não quiser ser nosso filho?- questionei já com os olhos cheios de lagrimas.

—Vamos ter que respeitar a decisão dele. Por mais doloroso que nos seja.- Felipe disse suave e beijou o topo da minha cabeça enquanto me reconfortava.

Não podia se quer imaginar que Rafael poderia não querer ficar conosco, acho que isso me mataria.

Então, decidimos que antes de avançarmos com o processo de adoção, deveríamos perguntar a ele se queria ser adotado por nós.

E foi o que fizemos no dia seguinte.

—Tio Felipe. Tia Valentina. - Rafael gritou feliz assim que nos viu no jardim e veio correndo até nós.

Sem pensar duas vezes Felipe o pegou no colo e o encheu de beijos fazendo-o rir, e depois o inclinou para mim, para que eu pudesse beijá-lo também.

—Estava com saudade de vocês.- ele comentou enquanto íamos para a mesa onde o encontramos quando viemos ao orfanato.

—Também estávamos com saudades querido.- disse suave e ele sorriu.

Assim que Felipe acomodou Rafael em cima da mesa nos sentamos de frente para ele, e olhei para o meu marido pedido que ele começasse.

Felipe respirou fundo algumas vezes antes de começar a falar.

—Rafael, gostaríamos de lhe perguntar algo. Tudo bem?- Felipe questionou suave.

—Sim.

—Gostaríamos de saber, se você quer ser o nosso filho?- Felipe questionou nervoso e Rafael olhou confuso para nós dois.

—Ué, pensei que já tivesse falado.- ele disse confuso enquanto olhava para nós dois.

—Não querido, você não falou.- disse e ele olhou para nós dois por um tempo antes de voltar a falar.

—Eu quelo. Quelo se filho de vocês. Quelo muito.- ele disse feliz e sorri em meio as lagrimas antes de Felipe e eu o abraçarmos juntos.

E ali estava a resposta para a pergunta que nos atormentava.

Havíamos sido escolhidos por aquele pequeno príncipe para sermos seus pais, e não havia alegria maior do que ser escolhida por uma criança.

O amor que sentia por Rafael era algo tão grande e indescritível, desde que o vi pela primeira vez tive a certeza de que ele era o filho que não tinha. E tenho certeza que Felipe sentia o mesmo.