Segunda Chance escrita por KayallaCullen, Miss Clarke


Capítulo 11
10 - Amor de irmão




Dias atuais .....

Depois que havia admitido para mim o quanto tinha sido cruel com Felipe, tentei lhe pedir perdão, mas ele cortou qualquer tipo de contato que ainda tínhamos.

Era como se me ver, após ele ter confessado que ainda me amava, poderia fazê-lo desistir de seguir em frente. Mas dessa vez faria a coisa certa por ele.

Escolheria o caminho da razão, o qual não o faria sofrer mais.

Seria capaz de renegar todo o amor que sentia por Felipe, apenas para que ele fosse feliz. Feliz com alguém que desse o devido amor e valor que eu não fui capaz de dá.

E admitir que não tinha feito meu marido feliz durante os últimos anos, me deixava com raiva de mim mesma.

—Tem certeza que posso dá entrada na papelada?- Fabrício questionou receoso, despertando-me de meus pensamentos.

—Tenho. Felipe merece ser feliz. É a decisão certa. - disse antes de voltar a comer.

—O que foi que você fez com ela?- ele questionou para Laura que estava almoçando conosco.

—Nada, ela apenas começou a reavaliar a sua vida. - ela disse suave antes de tomar um pouco do seu suco.

—E isso me deixa orgulho, afinal ela está encerrando um capitulo para começar outro. - meu irmão disse e revirei os olhos fazendo-os sorrir.

—Devagar com isso. Não estou pronta para outro relacionamento, nem sei se algum dia estarei. Tudo que quero é reconhecer e perdoar todos os meus erros, e depois pedir perdão para Felipe por todas as coisas horríveis que disse a ele.

—É assim que se fala. - meu irmão me incentivou.

—Acho que depois do divorcio vou viajar. - disse e eles me olharam confusos.

—Viajar?- Laura questionou perdida.

—É, vou viver coisas novas. Aprender a ser mais feliz, a aceitar o que houve com meu... - sussurrei e respirei fundo antes de falar o nome do meu filho. O que já era uma vitória para mim, que evitava a todo custo pensar ou pronunciar seu nome. - Filho. Com o Miguel.

—Estou orgulho de você. Isso merece uma comemoração. - Fabrício disse orgulhoso enquanto pedia uma garrafa de champanhe para o garçom.

—Não precisa disso.

—Precisa sim, você não pirou quando disse o nome do Miguel. Isso é uma vitória. - Fabrício disse e todos concordaram.

Assim que o champanhe chegou meu irmão se ofereceu para fazer o brinde, tentei ao máximo evitar essa comemoração, mas os três me ignoraram então tudo que pude fazer foi comemorar com eles.

—A nova Valentina que está nascendo. Que ela aprenda com os erros da antiga, para que não os cometa na sua nova jornada. - meu irmão disse e sorri emocionada por suas palavras antes de brindarmos.

—Que lindo. Enquanto você está aqui comemorando com seus amigos o seu novo estado civil, meu irmão está se consumindo em dor por se separar de você. É assim que você prova que o ama?- Arthur questionou furioso em minha frente.

Arthur era o irmão mais velho de Felipe, ele me adorava no passado. Mas após a morte de Miguel, depois que disse coisas horríveis para Felipe, ele passou a me odiar plenamente.

Tinha certeza que ele deveria ser o torcedor numero um para que o irmão se separasse de mim.

—Não pedi o divorcio Arthur. Foi o seu irmão que o pediu primeiro, e como prova de amor a ele, darei o que Felipe deseja. - expliquei seria e ele sorriu.

—Como se eu não soubesse que você vai exigir metade do dinheiro dele.

—Jamais desejei o dinheiro do seu irmão.

—Claro que não, você só queria transformá-lo num ser infeliz. Você é incapaz de amar alguém além de si mesma sua vadia egoísta. - ele disse com ódio e meu irmão se levantou para encará-lo.

—Quem você pensa que é para ofender a minha irmã desse jeito? Você acha que só o seu irmão saiu machucando nessa historia? Não. A minha irmã também se machucou muito, e nem por isso fui até a sua casa ofender o seu irmão. - Daniel disse com raiva e me levantei para tentar evitar uma briga.

—Daniel, deixa isso pra lá. Arthur tem direito de falar o que pensa. Tudo o que importa, é que tanto eu quanto o irmão dele sabemos qual é a verdade. E a verdade é que fomos vitimas de uma fatalidade. Uma fatalidade que nos quebrou de uma forma dolorosa, que sufocou o amor que tínhamos. Uma fatalidade que nos fez sofrer e odiar um ao outro ao invés de nos unirmos. E você não tem o direito de falar nada, por que essa historia só pertence a minha e a Felipe. Agora, nós deixe em paz. - disse seria para Arthur enquanto ficava no meio dos dois.

—Sortudo foi o meu sobrinho que morreu sem conhecer a mãe. Uma pessoa tão egoísta e infeliz como você é. - ele disse com raiva e quando meu irmão ia partir para cima dele, alguém o impediu.

—Quem você pensa que é para falar do meu filho ou da minha mulher desse jeito, Arthur?- Felipe gritou furioso enquanto era segurado pelo pai, após ter dado um saco no irmão.

—Só disse a verdade. - Arthur disse serio enquanto segurava seu queixo.

—Você não sabe de nada. Nunca perdeu um filho, então respeite a nossa dor. - Felipe disse com raiva enquanto todos olhavam confusos e chocados para aquela confusão.

Principalmente eu, afinal jamais tinha visto Felipe perder a cabeça com alguém.

—Deus sabe o que faz, afinal ela nem seria uma boa mãe. - Arthur disse furioso.

Agora quem ia bater nele era eu.

—Quem você pensa que é para falar isso de mim? – questionei louca de raiva enquanto ia para cima dele, mas fui impedida por meu irmão.

—Já chega.- Charlotte, mãe de Felipe e Arthur, gritou furiosa.

—Vocês dois são irmãos, e não vivi até hoje para ver os filhos que criei com tanto amor brigando como dois inimigos. Não aguento mais a briga de vocês dois. - ela disse seria olhando para seus filhos. - Arthur, você é o irmão mais velho do Felipe. Dê o exemplo para o seu irmão. Entendo que não goste de Valentina, mas você tem o dever de respeitá-la e respeitar muito mais a memória do seu sobrinho. Você é pai, apenas se coloque um minuto no lugar dos dois e tente vislumbrar sua vida sem sua filha. Acha que será uma vida fácil?

—Não mamãe. Parece um inferno. Não sei se conseguiria levantar toda manhã. - Arthur admitiu com dor, apenas por pensar na hipótese de não ter mais sua filha.

—Pois bem, é isso que acontece há três anos com o seu irmão e com a Valentina. E tudo que eles não precisam é de você infernizando a vida dos dois. Agora, peças desculpas aos dois. - Charlotte exigiu autoritária.

—Mas mãe.

—Eu disse agora.

—Me desculpe Felipe e Valentina. - ele disse serio.

—Agora é a sua vez Felipe. - ela exigiu seria.

—Por que tenho que pedir desculpas, mamãe? Foi ele que começou. - Felipe se defendeu serio assim que o pai o soltou.

—Você bateu no seu irmão, e violência não resolve nada. Agora peça desculpas para o Arthur. - ela exigiu e ele suspirou antes de pedir desculpas ao irmão. - Agora os dois pro carro, já chega de escândalos por hoje. Não podemos mais nem almoçar como uma família por que vocês dois começam a brigar.

Tentei falar com Felipe, mas Charlotte segurou o meu braço me impedindo de ir atrás dele enquanto o pai de ambos os levava para o carro.

—Juro por Deus que não queria causar uma confusão dessas, muito menos uma discórdia entre seus filhos. - disse envergonhada e ela sorriu compreensiva.

—Sei disso querida. Mas adoraria saber o que irá fazer em relação ao divorcio?- ela questionou e pisquei confusa.

—Não há o que fazer Charlotte. Já decide assinar a papelada e me divorciar de forma amigável com o Felipe. Não vamos brigar nem pela guarda do Thor. Afinal, ele o deixou para mim. E a nossa casa será vendida e terá o lucro doado para uma instituição de estudos de doenças genéticas. – a informei sobre a ultima reunião que Felipe e eu havíamos ido, na qual acertamos todos os detalhes finais do nosso divorcio.

 Agora só faltava a assinatura de ambos para oficializar de vez o divorcio.

—A decisão de vocês foi muito comovente, depois de tudo que passaram. - ela disse orgulhosa e agradeci. - Mas, você nunca se questionou sobre uma segunda chance?

—Segunda chance?- questionei confusa e ela sorriu maternal.

—Valentina, seu o quanto meu caçula é louco por você. E sei também que você é louca por ele, só que os dois estão magoados demais para darem uma segunda chance ao amor de vocês. Só espero que não se arrependam por terem tomado a decisão errada. Apenas, pense nisso. - ela disse amorosa e se despediu de mim antes de sair do restaurante.