We Go Back And We Go Foward escrita por Mila Marconi


Capítulo 13
Capítulo 13




            Rose dirigia rápido pelas ruas ainda molhadas da última chuva até a casa dos Cullen. Ela havia conseguido tirar a informação de Honey bastante facilmente. Talvez sua raiva estivesse realmente transbordando para todos os lados e a adolescente soubesse que era melhor não contrariá-la, ao menos daquela vez.

            Algumas vezes ela teve medo de sofrer um acidente, mas sua mente estava tão cheia de outras emoções, de outras preocupações, que essa logo foi deixada de lado. Honey estava no banco ao lado, as mãos apertando os joelhos contra o peito, talvez também temendo um acidente. Bem, ela deveria temer o jeito como bebês híbridos arrumam para sair das mães.

            Mãe.

            Honey era uma criança.

            A casa apareceu, como sempre distante da cidade, como sempre feita em madeira e vidro, como sempre encantadoramente linda.

            Rose quase não viu nada disso, seus olhos estavam vermelhos de raiva pelo vampiro que um dia havia sido seu namorado, se a situação inteira já não fosse estranha o suficiente.

            Ela saltou do carro, Honey seguindo seus movimentos mais lentamente, dirigiu-se para o porta malas e retirou a ferramenta mais pesada que encontrou por lá, e partiu rumo a porta principal. Honey já estava na frente, mas Rose passou por ela, entrando rapidamente e seguindo para o vampiro grandão sentado em frente a TV.

            Ele a olhou confuso por alguns segundos e foi o suficiente para que ela acertasse a ferramenta o mais forte que pode em seu estômago.

            Com certeza doeu mais nela do que nele, mas ficou satisfeita quando ouviu um leve som de algo trincando. Mesmo que tivesse forças para desferir um segundo golpe, Carlisle tinha a ferramenta em mãos e Esme segurava seus ombros. Eles agora pareciam tão mais jovens que ela.

            Alice logo estava ali, Jasper centímetros atrás dela. Ela sorriu rapidamente dizendo levemente.

            - Eu não vi isso chegando.

            Carlisle foi o primeiro a falar diretamente a Rose.

            - Rosalie, mas o que...

            Ele foi interrompido.

            - Esse vampiro pervertido engravidou a minha filha.

            O tempo pareceu parar, tamanha a imobilidade dos vampiros na sala. Os olhos de Emmett estavam presos em Honey, que olhava para a mãe de olhos esbugalhados, que olhava para todos e para ninguém na sala.

            Carlisle descartou a ferramenta, aproximando-se de Rosalie e tocando seu ombro levemente. Apesar de parecer ter metade de sua idade, ele a olhou como um pai olha para a filha a muito tempo perdida.

            - Tudo bem, Rose. – Ele disse, calmamente. – Fique calma, tudo vai ficar bem, eu vou cuidar dela, nós vamos...

            Rosalie riu sem humor.

            - Nada vai ficar bem, Carlisle.

            - Bella e Renesmee estão perfeitamente bem. – Disse Esme, atrás de si.

            Rosalie se desvencilhou deles enquanto dizia:

            - Bella quase morreu e ela estava perfeitamente saudável. Que chance Honey tem?

            Eles pareceram confusos e Rose achou aquilo estranho.

            - Mãe, por favor. – Disse Honey, baixo.

            Emmett levantou-se, ficando quase duas vezes mais alto que Rose, olhando-a no fundo dos olhos.

            - O que você quer dizer com isso? – Ele perguntou.

            Rose arqueou uma sobrancelha, olhou para os outros apenas para ver que eles também ansiavam pela resposta.

            - Mãe, não. – Disse Honey. – Você não tem o direito, você...

            - Calada, Honey. – Rose virou-se para Emmett. – Honey está doente. Vocês... vocês não sentiram o cheio? Ela tem um tumor no cérebro.

            Alice olhou para Jasper, apertando sua mão no processo. Esme fechou os olhos, logo recebendo um aperto no ombro por Carlisle. Emmett apenas olhou de uma loira para outra.

            - Ela... – Ele começou. – Ela bebe muito, eu sentia o cheiro da bebida e não respirava perto dela.

            Eles não sabiam que ela estava doente, é claro. Honey bebia álcool como um camelo bebe água. Rosalie se lembrava de como era ser vampira, deveria ter imaginado, algumas vezes o cheiro de bebidas alcóolicas superava qualquer outro odor e esse não era um cheiro exatamente agradável. Eles não respiravam perto dela, então qualquer cheiro passava despercebido, inclusive o do tumor.

            - Por que você não contou para eles? – Ela perguntou à filha.

            Ela estava com raiva, sua expressão corporal era o suficiente para saber, caminhou até Rose com determinação dizendo:

            - Eu não queria que eles tivessem pena de mim. Queria conseguir isso sozinha.

            - O que? Ser vampira? – Ela questionou, quase não acreditando. – Se você queria tanto ser assim porque não me disse antes?

            - Você não me escuta! Você é egoísta, tinha uns amiguinhos de vida eterna e não falou sobre isso nem quando soube que eu ia morrer! Você prefere me ver morta!

            Aquelas palavras acertaram fundo e Rose teve que segurar com todas as suas forças as lágrimas que ameaçavam rolar.

            - Essa não é a vida que eu queria para você. – Ela disse, mas sua voz saiu tão pequena que talvez tenha sido melhor ter ficado calada. Rose engoliu o choro e continuou: - Não é a vida que eu quis, não é vida e me perdoe se eu achei que você era como eu. Mas isso? – Ela apontou para a barriga da menina. – Você percebe o quanto isso é idiota? Ao invés de tentar falar comigo ou com eles sobre o que você estava sentindo, você preferiu colocar a sua vida ainda mais em risco. Honey, o bebê é muito mais forte que você, ele vai te machucar, vai quebrar você, vai te matar, junto com o câncer, de dentro para fora...

            - Pelo menos eu não vou ouvir um não como resposta, vou? – Ela olhou para Carlisle. – Pode ser uma barganha, eu dou o bebê e eles me dão a minha vida.

            Rosalie olhou estupefata para aquela pessoa a sua frente, aquela pessoa que não se parecia em nada com a menina que ela criara. Ela teve que fazer um esforço enorme para se convencer de que Honey estava com medo, de que situações desesperadas requerem medidas desesperadas.

            - Eu não sei quem é você. – Rosalie disse, apenas para receber um revirar de olhos. – A minha filha não faria um coisa dessas, a minha filha não faria uma coisa estúpida como essa achando que é a coisa mais inteligente do universo, não a minha menina.

            - Que droga! – Ela explodiu, batendo o punho em cima da mesinha mais próxima. – É a minha vida, droga, sou eu que vou morrer não você, pare de agir como se entendesse o que eu sinto, porque você não entende! – Ela olhou-a por alguns segundos, raiva grudada em seu olhar. – Por que você se importa tanto?

            Um tapa no rosto, essa era a sensação precisa do que Rosalie sentia, como se tivesse levado um tapa.

            - Por que eu me importo? – Ela perguntou. – Porque eu sou a sua mãe. Eu me importo porque eu sei sim o que você está sentindo. Eu sinto a sua dor. – As lágrimas caíram, sua voz mais alta do que ela gostaria. – E sinto o seu medo. Eu me importo porque eu sei que se você morrer eu morro junto. Eu sinto o seu desespero, eu sinto até mais porque a minha filha, meu pedacinho de mim está morrendo e eu não sei o que fazer. E porque, Honey, a lista de pessoas que ama você e vai estar do seu lado, não importa o que aconteça, não importa o que você faça, começa e termina. Bem. Aqui.

            Ela apontou para os próprios pés, quase não conseguindo enxergar nada devido as lágrimas. Honey não chorava, mas parecia arrependida no mínimo. Esme soluçava a alguns passos atrás delas.

            Rose enxugou os rosto e os olhos e dirigiu-se para Carlisle e Esme:

            - Por favor, ela pode ficar aqui?

            Eles assentiram.

            Rose passou pela filha dando um leve aperto em seu braço direito e dirigiu-se para o carro.

—--*---*---

            - Isso não faz sentido.

            Henry estava sentado em sua cama, a cabeça quase entre os joelhos, desarrumando os cabelos com os dedos, como se aquilo fosse ajudá-lo entender melhor tudo o que Rose acabara de dizer para ele.

            Ela praticamente cuspiu todos os segredos de sua vida e as novidades sobre Honey, duvidando ela mesma se qualquer coisa que ela disse fazia sentindo. Ainda estava parada em frente a ele, estalando os dedos nervosamente e esperando que o choque passasse.

            - Se isso for uma brincadeira. – Henry continuou. – A hora de falar é agora.

            - Não é uma brincadeira. – Disse Rosalie. – É a verdade. Eu sei que é difícil de acreditar...

            Ele deu uma risada sem humor.

            - É completamente inacreditável. – Ele ergueu o rosto, uma mão em cada lado, olhando diretamente para a esposa. Olhando-a como se fosse a primeira vez. – Não faz sentido nenhum. Esse tipo de coisa... Esse tipo de coisa não existe, Rose.

            Ela suspirou, sentando ao seu lado e entrelaçando seus dedos.

            - Existe no meu mundo.

            Henry olhou-a.

            - Você matou pessoas? – Ele perguntou receoso.

            Bem, certas coisas não precisavam ser descobertas.

            - Não. – Disse Rose. – Eu me alimentava de animais.

            Henry suspirou, mais uma vez enterrando a cabeça entre os joelhos. Quando voltou a olhá-la, parecia mais calmo e decidido.

            - Você e esse Emmett... – Ele começou, mas quando Rose parecia que ia responder, ele a cortou, levantando-se da cama em um pulo. – Eu não quero saber. Não quero saber. – Deu círculos pelo quarto. – Ele é um vampiro.

            - Sim.

            - E Honey, minha filha, está grávida dele.

            - Isso mesmo.

            - E o bebê é mais forte que ela, provavelmente vai machucá-la.

            Rose assentiu.

            - Como bebês vampiros nascem? – Henry perguntou.

            Rosalie encolheu os ombros.

            - Não é bonito.

            Henry sentou-se novamente ao lado da esposa.

            - Ela pode morrer. – Rose assentiu novamente, passando um braço pelos ombros do marido. – Mas se eles conseguirem transformá-la a tempo, isso significa que ela vai viver.

            Ele fitou-a com seus olhos azuis tempestuosos e Rose faz um afago em seus cabelos negros, já com vários fios brancos.

            - Para sempre. – Rose respondeu. – O tempo que ela quiser.

            Henry fitou-a em silêncio por alguns segundos e Rose entendeu que ele pensava como Honey, que valia a pena dar uma chance. Um pequeno sorriso surgiu em seus lábios.

            - Eu vou ser avô. – Ele disse bobamente, fazendo a mulher loira ao seu lado sorrir, pensando sobre isso pela primeira vez. Mas logo o sorriso foi substituindo por uma cara de choro fingida. – Avô de um bebê vampiro. –Henry jogou-se para trás e Rosalie soltou um suspiro pesado. – Isso não faz sentido algum.





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