Precisamos Falar Sobre James escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 6
5. Precisamos falar sobre consequências


Notas iniciais do capítulo

MINHA INSPIRAÇÃO VOLTOU ♥
Que felicidade!
O final do outro capítulo foi uma droga, mas este veio para recompensar (espero hehe)
Espero que gostem ♥




[Quarta de manhã]

— Está feliz agora?

Lily recuou, assim que Dorcas atirou-se à sua frente, furiosa.

— Treinadora Hooch me dispensou das líderes da torcida! — gritou Dorcas — E o professor Dumbledore ainda me deu detenção! Os meus pais terão que cancelar a viagem deles para a Majorca para ter que vir aqui por causa de uma reunião.

— Você quem procurou por isso — Lily cruzou os braços, sem assustar-se — Se não tivesse espalhado aquele vídeo, nada disso teria acontecido. E não fui eu quem falei com ela.

Dorcas colocou a mão em sua própria boca, e Lily ficou pasma ao ver o quão dissimulada ela conseguia ser.

— Você vai pagar muito caro por isso, Evans! — ela disse, apontando o dedo em sua direção, lágrimas de crocodilo começando a transbordar por seus olhos.

— Se chama carma. Ele só está voltando para você — disse Lily, ainda séria.

Assim que James viu-as, aproximou-se, a sua face mudando de surpresa para preocupada.

— Doe! O que houve? — ele dirigiu-se diretamente a ela, ignorando a presença de Lily, que revirou os olhos, afastando-se.

— Por favor, se algum dia eu resolver namorar de novo, me impeçam de ser essa pessoa cega — Lily cumprimentou as suas amigas assim.

Tonks estava com o rosto oculto por trás de um livro, que Marlene não demorou a pegar, assim que Remus passou por perto.

— Ei! — ela reclamou, mas a sua exclamação foi escutada por ele.

— Oi! — ele aproximou-se, e Marlene teve que esconder o rosto por trás do tal livro para não gargalhar da expressão surpresa e vermelha de Tonks.

— O-Oi! — ela gaguejou.

Apiedando-se da amiga, Lily puxou Marlene pelo braço, afastando-a de onde eles estavam.

— Posso falar com você, Lily? — James aproximou-se delas, assim que viu a brecha, e Lily arrependeu-se de ter se afastado da amiga.

— Lily? Meu nome é Kátia! — ela disse, sendo puxada por Marlene.

— Por que fizeram aquilo com a Dorcas? — ele insistiu.

— Porque é o que se faz quando espalham um vídeo sobre a sua melhor amiga — Marlene entrou na conversa — Sabia que o uso indevido da imagem é crime? Se Tonks quisesse entrar na justiça, sua namoradinha ia ser presa!

Os pais dela eram advogados, e ela entendia bastante sobre o assunto, já que era o que mais escutava, fosse na casa do seu pai, ou na casa de sua mãe. O ex-casal McKinnon não parava de trabalhar, o que não justificava o divórcio que tiveram.

— Eu esperava que vocês se dessem bem — disse James, sério — Pelo visto, eu pedi demais.

— Pediu mesmo! — disse Marlene, antes que Lily pudesse se pronunciar.

Sabendo que o primeiro tempo de aula seria livre, já que a professora Sprout faltou, Marlene levou-a para as estufas, onde Lily não demorou a sentar-se no chão mesmo, de costas para um canteiro de plantas, jogando a mochila a um lado.

— Eu não aguento mais! — ela desabafou.

— Conheço James desde criança, — disse Marlene — e nunca pensei que o veria agindo dessa forma. Bem, não pela Meadowes, de qualquer forma. Ele sempre teve tanta personalidade...

— Parece que a Dorcas consegue sugar as energias de qualquer um — suspirou Lily — Fico me perguntando como que Remus conseguiu aguentá-la por tanto tempo.

— Essa, minha amiga, é uma pergunta sem resposta. Acho que nem ele sabe.

Lily sabia que não deveria desistir da sua amizade com James tão facilmente, mas ele estava cego, e ela não aguentava mais dividir o espaço com Dorcas.

— Eu vou contar para ele — ela decidiu.

— Sobre o quê? — perguntou Marlene, despistada.

— No que você está mexendo?

Marlene deu um sorrisinho, mostrando um aplicativo que Lily nunca tinha visto na vida, o tipo de coisa que a amiga gostava de mexer.

— Okay — disse Lily, lentamente.

— Você não tem ideia do que se trata, não é? — foi mais uma afirmação do que uma pergunta.

— Não.

Ela deu uma risada, virando o celular novamente para o seu lado.

Hate With Friends — disse Marlene — Você pode ver quem te odeia, e marcar quem você odeia. E, olha, muitas pessoas odeiam a Dorcas.

— Você pode ver quem odeia as outras pessoas? — perguntou Lily.

— Não. Eu descobri a senha dela.

Marlene pressionou o dedo em um dos botões, e ela apenas observou-a, sem saber se falava sério ou não, mas conhecendo-a era melhor não desacreditar.

— Okay — repetiu, voltando a olhar para as plantas.

Uma visão bem interessante, realmente.

Resolveu pegar o seu celular também, dando de ombros. Ignorou as notas não terminadas de ideias para histórias que ela nunca escreveu, mas que esperava escrever algum dia, e foi direto para o WhatsApp.

Ela não gostava de acessar muito o aplicativo, mas as pessoas insistiam em comunicar-se somente por ali, então ela não tinha escolha.

— Eu deveria falar com ele privadamente? — perguntou Lily, indecisa, ao vê-lo online.

— Você quem sabe — Marlene deu de ombros — Eu falava por WhatsApp mesmo.

Ela também deu de ombros, pressionando o seu nome.

Por um momento, ela arrependeu-se por não ativar a verificação de mensagens. Tudo o que mais queria era ver aqueles risquinhos ficarem grossos e azuis, mesmo que fosse algo dos dois lados.

 

James Potter

Online

 

Tenho que te falar uma coisa (08:50) ✓✓

 

Lily, eu realmente não quero falar com você agora (08:51)

 

E você acha certo o que a sua namorada fez? (08:51) ✓✓

 

Não, mas não era para tanto (08:52)

 

Se ela tivesse gravado o Sirius em uma situação constrangedora, você também pensaria isso? (08:53) ✓✓

Tudo bem, Sirius não se importa (08:53) ✓✓

Então vamos usar outro exemplo (08:53) ✓✓

E se ela tivesse gravado Sirius fazendo algo ilegal? (08:54) ✓✓

Porque ele não é nenhum santinho (08:54) ✓✓

Ele se encrencaria (08:54) ✓✓

Você ainda acharia okay isso? (08:55) ✓✓

Acharia que não é para tanto? (08:55) ✓✓

 

São situações completamente diferentes (08:56)

E a Dorcas nunca faria isso (08:56)

Ela não quer prejudicar ninguém (08:56)

Ata (08:57) ✓✓

Não vou mais discutir isso contigo (08:58)

Só acho que deveria conhecê-la antes de tratá-la como anda tratando (08:58)

 

Acontece, James, que eu já a conheço (08:59) ✓✓

E muito bem (08:59) ✓✓

Você estava comigo quando a nossa amizade acabou, se lembra? (09:00) ✓✓

 

Lily (09:01)

Você é a minha melhor amiga (09:01)

Mas é muito estranho que você não tenha me dito coisa alguma, quando a amizade de vocês acabou, e agora, que estamos juntos, você venha querer falar sobre isso (09:02)

 

Lily abriu e fechou a boca, sem conseguir acreditar, sentindo a sua irritação subir cada vez mais.

 

James Potter

Visto por último há um minuto

 

Pense o que você quiser (09:04) ✓✓

Eu lavo as minhas mãos (09:04) ✓✓

 

Ela engoliu em seco, sem mais vontade de passar o seu tempo pelo aplicativo.

— Eu não acredito! — ela fechou os olhos, encostando a cabeça novamente ao canteiro de plantas.

— Ei! O que houve? — Marlene sentou-se ao seu lado, ao notar a sua expressão — Você não está bem. Quer que eu te leve à enfermaria?

— De quê isso vai adiantar? — Lily respirou fundo — Tentei contar a James o que aconteceu, mas ele nem quis me ouvir. Insinuou que eu estava tentando separá-lo da Dorcas! Olhe só! O que ele pensa? Que eu estou com ciúmes daquele ninho de pombo escroto?

Marlene soltou uma risada leve.

— Francamente, se fosse comigo, eu ia direto à senhora Potter — disse Marlene — Não que eu não possa fazer isso, mas a Dorcas vacilou contigo, vai parecer fofoca.

— Não vou meter a senhora Potter nesse assunto — Lily disse, chateada — Ela já deve ter preocupações demais.

— Então solte a bomba e se mande. Se ele não acreditar, pelo menos, você avisou — ela deu de ombros — Por WhatsApp, ele não vai te interromper.

E foi assim que Lily abriu o aplicativo novamente.

 

James Potter

Visto por último há cinco minutos

 

Vou deixar um lance para você no armário (09:08) ✓✓

É para o trabalho de inglês (09:08) ✓✓

 

— Você vai contar por carta? — perguntou Marlene, ao ler a conversa, por cima de seu ombro, sem entender.

— Eu ainda tenho o diário da época — disse Lily, dando de ombros.

— Isso não é muito pessoal?

— Não quero deixar argumentos para a Meadowes.

Ela não tinha nada a perder naqueles minutos antes do começo da outra aula, e não perderia muito caso se atrasasse, tinha um bom histórico. Portanto, deu uma passada rápida em casa, e voltou para o colégio quase em cima da hora. Agradeceu pelos cadeados terem senha, em vez de chave, e logo virou os quatro dígitos.

2703.

Porque a senha mais óbvia era a data de nascimento.

Ela revirou os olhos, esperando que James não sofresse por causa daquilo, antes de colocar o diário dentro do armário, e fechá-lo rapidamente, embaralhando os números novamente.

Voltou às estufas para pegar a sua mochila, vendo uma Marlene McKinnon impaciente por sua demora, e dirigiram-se ao auditório, onde seria dada uma palestra sobre a próxima matéria da grade, onde Lene aproveitaria para se atualizar nas redes sociais, como sempre, aproveitando que as cadeiras tinham costas altas para camuflar-se.

— Hoje vou dormir na casa de mamãe — contou Marlene, depois de terem se ajeitado — Se acontecer alguma coisa, eu vou ficar sabendo.

— Se pararmos para pensar, todos vocês moravam por perto — disse Lily.

— Sim, aí meus pais se divorciaram, e Alice foi morar com os avós — ela revirou os olhos — Você nunca morou por lá. Uma pena, realmente.

— Se tivesse morado, teríamos nos mudado pouco tempo depois, você sabe.

— É, eu sei.

Assim que o professor começou a falar, Marlene jogou a sua cabeça para trás, entediada.

— O que houve? — perguntou Lily, estranhando que ela não estivesse mexendo no celular.

— Confiscaram — ela resmungou — Lá na entrada.

— Sua fama não anda muito boa.

— Cale a boca!

Lily revirou os olhos, antes de tirar o seu aparelho do bolso da calça, e entregar para ela, discretamente.

— Você é a melhor amiga do mundo! — disse Marlene, sorrindo de orelha a orelha.

A outra apenas ignorou-a, prestando atenção no que era dito à sua frente.

A palestra acabou, alguns tempos depois, mas Marlene não pareceu ter notado, e o zelador Filch aproveitou a oportunidade para pegá-la no flagra.

— Celular no meio da palestra, não é mesmo, senhorita McKinnon? — disse o homem desagradável.

— Mas a palestra já acabou! — protestou Marlene.

— Pegue na coordenação, ao final das aulas.

Marlene olhou culpada para Lily, que apenas suspirou cansada.

— Vamos, você pode ficar com o meu celular — ela insistiu, assim que saíram do auditório, e pôde pegar o seu celular com a professora que tinha tirado dela — Até eu resolver isso.

— Não, tudo bem — disse Lily — Eu vou lá pegar. Sem problemas. Você é mais viciada que eu.

— Ei! — reclamou Marlene, mas foi ignorada.

Indo ao seu armário, ela viu como James abria o seu, e mordeu a unha, nervosa. Ele não tirou nada além dos seus materiais, e Lily não pôde deixar de sentir-se decepcionada. Assim que ele sumiu do corredor e o corredor esvaziou, ela puxou Marlene e foi até lá.

— Se ele não quis pegar, o problema é dele — disse Lily, girando o cadeado novamente na combinação.

Puxando os livros para um lado, e os papéis jogados para o outro, ela não encontrou o diário.

— Ele já deve ter visto, Lily — disse Marlene — Deve estar na mochila dele.

— É, pode ser — ela deu de ombros, um pouco mais chateada por isso, antes de empurrar a porta novamente.

— Vamos! É só o que nos falta agora... Filch aparecer e te dar detenção por mexer no armário alheio — Marlene puxou-a, revirando os olhos.

Lily riu, mas olhou para trás, nervosa, enquanto elas seguiam pelo caminho até o refeitório.

 

[Quarta de tarde]

Lily fechou o armário pela última vez naquele dia. Respirou fundo, dando um sorriso amarelo para Marlene, que insistiu em esperá-la sair, antes de ajeitar a alça da mochila e ir em direção à coordenação.

Era uma porta dupla de vidro que dava para outras portas de madeira: a da sala do professor Dumbledore, da professora McGonagall (que era vice-diretora depois dos seus horários de aula), a sala de espera, onde tinha a mesa das duas secretárias do colégio, e outra porta que dava para a sala de repouso dos professores.

Filch sempre andava por ali, reclamando sobre os alunos, reclamando sobre o emprego... Sobre tudo. Ninguém o suportava, mas ninguém atrevia-se a demiti-lo. Era quase tão antigo quanto as paredes que sustentavam aquele teto, o que dizia muito.

— Boa tarde — ela cumprimentou uma das secretárias, já que a outra estava ao telefone — O meu celular foi recolhido hoje, eu vim buscá-lo.

— Aqui está — para a sua surpresa, a mulher abriu uma gaveta e entregou-o — A professora McGonagall tem certeza de que você não tem nada a ver com isto.

Ela deu uma piscadela, e Lily sorriu, aliviada.

— Obrigada — ela disse, virando-se para sair daquela área.

Quando estava abrindo as portas duplas de vidro, ouviu gritos vindos da sala do diretor. A outra secretária levantou o rosto para lá, esquecendo-se de que estava falando com alguém pelo telefone.

Depois do choque inicial, Lily apressou-se a sair, ao notar que os gritos vinham de Dorcas e de seus pais, sem saber o que sentir sobre isso.

— O que houve? — perguntou Marlene, ao ver a sua cara — A professora foi dura?

— Marlene, vamos embora agora, por favor? — sua mãe estava impaciente, sentada no banco do motorista, só esperando pela filha para poder ir embora — Tenho que chegar ao escritório. Vocês podem conversar depois.

Um sorriso rápido e educado foi o máximo que Lily obteve de Susan Ross, e ela não pôde deixar de comparar a mulher com quem ela foi no passado. O divórcio e o excesso de trabalho a consumiam inteiramente, não apenas a sua vitalidade.

— Meadowes estava lá na sala do diretor com os pais dela — disse Lily, enquanto Marlene revirava os olhos, abrindo a porta do passageiro.

— O quê? — ela entrou, sem fechar a porta — E você não ficou lá para ver?

Susan deu a marcha e o carro começou a caminhar, de porta aberta mesmo. Sua impaciência provocou um leve arranhado no carro ao lado. Marlene arregalou os olhos para Lily, fechando a porta rapidamente, uma risada presa na garganta, já que sua mãe não percebeu. Nem conseguiram despedir-se devido a situação.

O carro ao lado pertencia justamente aos Meadowes, e Lily perguntou-se o quão sem sorte ela estava.

Não demorou para que sua mãe surgisse no estacionamento, e ela nem esperou-a estacionar. Entrou rapidamente no banco de trás, revirando os olhos ao ver que Petúnia tinha tomado o seu lugar na frente.

Sem resistir, desbloqueou a tela do celular, e acessou o WhatsApp, mas nenhuma mensagem vinha de quem ele mais queria.

“Talvez eles ainda não conversaram” concluiu.

Talvez.



Notas finais do capítulo

Observações sobre o capítulo:
• Ross é o sobrenome materno da Marlene que eu encontrei uma página estilo Wikia, só que de uma fanfic. Não lembro o nome dela, mas resolvi aderir.
• 27 de Março: nascimento do James (caso alguém não soubesse).
• O lance do aplicativo eu tive ideia depois de um comentário da Callie. Aí fui pesquisar "aplicativo Hate" e encontrei esse "Hate With Friends", que realmente existe, é só você conectar ao Facebook. Um Tinder às inversas.
• Sim, a Marlene pegou a senha da Dorcas. Não, não foi brincadeira. Se ela aprontou? Talvez.

Altas tretas.
O que vocês fariam no lugar da Lily? Ignorando o fato de que eles ficarão juntos, claro haha
Chegamos ao consenso de que Marlene é a melhor personagem EVER? Que faz o que todos queremos fazer? Okaaay haha
Até o próximo capítulo ♥



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