Precisamos Falar Sobre James escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 16
15. Precisamos falar sobre mensagens





[Terça de manhã]

Lily acordou de um jeito não muito agradável naquela manhã, e toda a sua rotina matinal em casa foi um verdadeiro inferno. Seus pais estavam irritados pelos acontecimentos da noite passada, e ela não poderia contar o que estava acontecendo com ela — de nada adiantaria, de qualquer forma. Pensou em como seria para Marlene, com ambos os pais advogados, que tinham a plena convicção de que ela seguiria a mesma carreira. Exceto pelo fato de que Marlene não ligava para o que os pais queriam ou pensavam, ela não ligava para muita coisa, então sentiu muito mais pena de si.

Pensou em como seria se Tonks e Alice estivessem na mesma situação. Alice entraria em pânico porque estava sempre em maus lençóis com a “sogra”, não importasse o quanto ela tentasse agradá-la. Já Tonks... Ela não tinha muita certeza de como ela reagiria, ou como os seus pais reagiriam. Na verdade, era capaz dela ficar apenas muito envergonhada por alguma coisa quebrada por um tropeço, que atrapalharia o plano delas, e seus pais apenas se conformariam, tendo que pagar pelo prejuízo.

É, se Alice estivesse lá, ela sentiria pena dela, mas, como não estava, continuava sentindo mais pena de si. Só era bom saber que não precisariam pagar por danos materiais, seria horrível ainda dar esse gosto à Meadowes, depois de tudo.

— Hey! — Marlene cumprimentou-a, à frente do colégio.

— O que houve? Pensei que faltaria hoje — perguntou Lily, notando que ela usava óculos escuros, e lamentou-se por não ter tido a mesma ideia.

— Eles me obrigaram a vir. Deve ser a ideia de castigo.

Alice veio correndo na direção delas, aparentando desespero.

— Lily! Pelo amor de Deus, me ajuda!

Sem esperar por uma resposta, ela pegou-a pela mão, puxando-a para a estufa do colégio, a outra mão segurando o celular. Marlene, mesmo sem ser convidada, foi logo atrás, andando um pouco estranho, como se estivesse de ressaca.

Assim que entraram, Alice deu o celular para Lily, olhando-a desesperada.

— Que mania de mandar áudio em vez de digitar! — ela reclamou.

— Ela conhece celular? — perguntou Marlene, olhando por cima de seu ombro.

 

Augusta Longbottom

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0:45 (7:55) ✔✔

 

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0:13 (7:56) ✔✔

 

— Eu ainda não tenho bola de cristal — disse Marlene, irritada com a demora de Lily em dar play nos áudios.

Como 45 segundos era um tempo muito extenso, decidiu pular para os últimos 10 segundos.

“Está tudo bem, então”

Quando ficou um silêncio, ela abriu a boca, quando voltou a escutar a voz doce de Alice — não sendo tão doce.

“Obrigada, sua piranha”

Marlene começou a gargalhar enquanto que Alice empalidecia mais.

— O que foi isso? — perguntou Lily, levemente assustada, já que não via a amiga xingando nem a Dorcas.

— Ela xingou a sogra e esqueceu de afastar o dedo da gravação — explicou Marlene, como se fosse óbvio — E esqueceu que deslizando pro lado cancela também.

— Não foi isso! — Alice quase gritou — Apareceu uma barata. E eu fui matá-la.

— Essa é a pior desculpa que já escutei.

Lily sabia que não era uma desculpa. Já tinha visto a amiga naquele tipo de situação e ela se mostrava bem agressiva.

— O que você vai fazer agora? — ela perguntou.

— Frank vai terminar comigo — Alice choramingou — O que vai pensar de mim?

— Que você gosta tanto da sua sogra quanto ela gosta de você — Marlene parecia divertir-se.

— Sai! Você não está ajudando! — gritou Lily, apontando para a saída.

Alice afundou o rosto entre as mãos, parecendo realmente mal.

— E o outro áudio? — perguntou Lily.

— Eu tentei explicar o que aconteceu, mas estava tão nervosa que não deve ter entendido uma palavra. E duvido que ela acredite.

Marlene passou os dedos por uma planta que encolheu as suas folhas.

— Encenação? — ela sugeriu — A gente podia gravar um vídeo como “ela enviou um áudio e a sogra achou que estava sendo xingada” ou algo do tipo. Poderíamos recriar a cena. É o tipo de vídeo que viraliza.

Lily olhou-a séria.

— Mas teria que ser bem feito. E uma barata aparecer? — ela escondeu um estremecimento.

— Existe de brinquedo, sabia? — Marlene revirou os olhos.

É claro que ela tinha algo como aquilo.

— E não vão descobrir? — perguntou Alice.

— Não se fizermos bem feito.

A sineta tocou, ensurdecendo-as por uns instantes.

— Sua casa ou a minha? — perguntou Lily.

— Sem nem uma bebida antes?

Definitivamente a desgraça alheia divertia a Marlene mais do que o recomendado.

Assim que Lily parou à frente do armário, sentiu o celular vibrar na mochila. Pegou-o distraidamente, enquanto retirava os livros do primeiro período. Assim que terminou isso, desbloqueou a tela. Colocou uma mecha de cabelo atrás da orelha, mas ela voltou a cair em seu rosto.

 

Número desconhecido

[Foto] (8:04)

 

Ela levantou o olhar para procurar ao redor quem tinha tirado uma foto dela enquanto olhava o armário. O corredor estava cheio de pessoas, passando ou cuidando de suas próprias vidas. Olhou para cada um que estava com um celular na mão.

— Lily.

Ela fechou o armário quase como um impulso, virando-se.

— James — disse, desanimada.

Já sabia sobre os acontecimentos da última noite?

— A aula da Burbage vai ser agora.

Estava esperando que fosse outro assunto, e isso manteve-a sem responder por alguns segundos.

— Ela não dá aula na sexta? — ela perguntou.

E conteve-se de perguntar também “Você é da minha turma desde quando?”.

— Parece que ela vai ter alguma cirurgia e adiantaram a aula dela.

Tudo que precisava era ter substituída a sua querida aula de filosofia por geografia. A geografia não a ajudava quando perdia-se na cidade. Eles deviam ensinar geografia dos bairros e municípios, em vez de darem tanta importância aos outros estados. Ela viajar era uma possibilidade, perder-se ali era uma certeza.

Aparentemente, todos os alunos do seu ano estavam naquela sala de aula. Lily perguntou-se quantos professores tinham sido prejudicados por essa mudança de horário. Como as salas eram incapazes de sustentar aquele número, todos foram levados ao auditório.

— Daqui a duas semanas teremos prova, e não temos quem fique com vocês semana que vem, portanto alguns professores me cederam os seus horários — Burbage parecia ficar nervosa em frente a tantos alunos.

Mesmo passando a revisão por meio de slides e umas folhas com questões, Lily não se sentia tão confiante. Seriam duas semanas de diferença.

Nas poltronas à sua frente, Lily viu Marlene e Sirius brigando, as mãos dela deslizando pela nuca dele, causando aparentemente alguns arrepios.

— Senhorita McKinnon! Que depravação é essa aqui na minha aula? — exclamou Burbage.

Tonks ao seu lado escondeu a boca por trás do caderno fechado. Alice nem fingia prestar a atenção, olhando nervosa para o celular, como se esperasse a notícia de que os Estados Unidos bombardeariam o Reino Unido.

— Cócegas — disse Marlene, sem conseguir acreditar que ela considerasse aquilo uma depravação, considerando tudo o que ela poderia fazer.

— No pescoço? Tá querendo deixá-lo excitado?

Tonks quase babou nas costas da mão quando segurou a risada, e Remus ao seu lado não parecia em melhores condições.

— Obrigado, professora! — agradeceu Sirius, fingindo indignação — Veja se pode uma coisa dessas! Estou me sentindo estuprado.

— Você bem que queria, Black — debochou Marlene.

Lily escutou algumas risadas e vaias, apoiando uma discussão entre os dois. Os seus olhos foram para onde James olhava atentamente para a folha de exercícios, ignorando e sendo ignorado por Dorcas, que conversava com as suas amigas das poltronas de trás.

— Assim você excita a todos nós — alguém disse.

Mais gargalhadas e a professora bem corada pegou o microfone para retomar a sua aula.

Ao final dos períodos seguidos, todas as meninas acariciavam as nucas dos garotos, enquanto eles fingiam ficar empolgados como autênticos cães, o que tornava a situação toda bem cômica.

— Se mais alguém fizer isso em minha aula, será colocado para fora — Burbage reclamou, saindo do auditório à frente deles.

O celular de Lily vibrou logo ao fim da aula. Desbloqueou-o, parando de caminhar.

 

Número desconhecido

[Foto] (9:45)

 

Outra foto.

Dessa vez, ela estava no auditório, olhando na direção de Remus e Tonks com um sorriso que nem percebeu ter dado.

Foi obrigada a seguir caminhando quando o fluxo de alunos a empurrou para a frente. Seguiu um arrepio descer a espinha, mas descobriu que não tinha relação com as fotos recebidas.

— James! — ela exclamou, apertando o casaco ao seu redor.

— Só queria ver se o que a Burbage disse servia também para meninas — ele sorriu divertido pelo susto que ela levou.

— Ah! Claro! Vou até trocar a minha calcinha depois dessa.

As palavras escaparam da sua boca antes que pudesse perceber.

— Você leva outras na mochila? — James perguntou, ainda com aquele sorriso.

— Não — disse, depois de fingir pensar um pouco — Eu teria que andar sem ela mesmo.

Deu uma piscadela para ele, virando as costas para continuar a sua caminhada. Não pôde mais controlar a sua vergonha, sentindo o rosto esquentar pela conversa trocada. E sentir o olhar de James em sua saia não ajudava.

Andar sem calcinha? Sério? Quem ela tinha virado? Dorcas?

Virou-se só para ter certeza de que não era paranoia, e flagrou James olhando para um pouco mais abaixo da sua saia. Quando notou o seu olhar, ele sorriu constrangido, tentando disfarçar, antes de seguir para outro caminho.

Ela mordeu a alça da mochila com força para evitar um grito no meio do corredor esvaziando. Estava literalmente surtando.

Entrou rapidamente em uma sala de aula, somente para descobrir que era a sala errada. James Potter conseguia confundir completamente os seus pensamentos. Indo para algumas salas depois, finalmente encontrou a sala de filosofia, que seria dada em seus primeiros tempos. A professora Babbling não parecia nada feliz pela mudança.

— Espero que tenham aprendido algo.

Se tirassem nota baixa nas avaliações, já era suposto que teriam que se ver com todos os professores que trocaram de horário. O que era injusto, pois não tinham pedido por aquilo.

Sentiu uma pancada leve no ombro e virou para trás, vendo Alice olhando-a com um significado nos olhos. Pegou o papel lançado, desdobrando-o o menos barulhento possível.

James quer saber se você pode ajudá-lo com geografia.

Quando que tinham se falado?

Lembrou-se que estavam sentados próximos, e que ele poderia ter se aproximado dela na saída do auditório. Mas por que não a perguntou diretamente? Pensou que não a veria?

Pegou o celular por baixo da mesa, digitando um SMS rápido.

Não hoje. Tenho que ajudar uma amiga.

A algumas cadeiras de distância, ela sorriu para o celular, antes de guardá-lo com medo de ser pega.

— Assim como geografia, a nossa prova será daqui a duas semanas — disse Babbling — E eu queria perguntar uma coisa a vocês.

Ela deixou a caneta do quadro em seu apoio de metal, sentando-se à mesa de madeira.

— Se eu disser aqui e agora para vocês que o clima da Inglaterra é tropical com poucas chuvas. O que vocês me diriam? — ela perguntou.

— Que está errado — disse Lily, sem entender como que a matéria da Burbage teria relação com filosofia.

— Por que está errado?

Ela arrependeu-se de responder, já que todo mundo parecia prestar a atenção.

— Porque é temperado e com chuvas abundantes — tentou manter-se calma.

— Como você sabe disso? — Babbling perguntou.

— Porque eu leio nos jornais e você disse isso ano passado.

— Então você sabe porque eu já disse antes. E se eu te disser que me enganei? E que tropical é o clima?

Lily ajeitou-se na cadeira.

— Não faria sentido. Inglaterra está longe da linha do Equador — ela disse.

— E isso você também aprendeu nas aulas de geografia — Babbling levantou-se da mesa — É um senso comum, mas por que não poderia haver criticismo nisso?

— Então devemos contestar tudo o que os professores dizem? — perguntou Héstia, parecendo divertir-se com isso.

— Você pode tentar — Babbling deu um sorriso estranho — A questão é se eles gostarão.

Algumas risadas foram escutadas.

— Não estou falando apenas do senso crítico e comum, mas também que às vezes vocês são obrigados a escrever algo que não concordam apenas para agradar aos professores — ela explicou — As coisas são assim. Eu queria saber se eu tivesse perguntado diretamente à senhorita Evans qual é o clima da Inglaterra e tivesse respondido “Não, você está errada!”. Alguém aqui teria a coragem suficiente de questionar algo dito por um professor? A questão é: vocês sabem questionar?

Como todas as aulas de filosofia, era difícil de saber o que ela estava tentando passar para eles, já que nunca dava uma conclusão do assunto, apenas deixando-os amontoados de pensamentos.

— Ela quer que nos revoltemos contra os professores, é claro! — escutou, quando a aula acabou.

Revirou os olhos, sem conseguir acreditar no que escutava.

— Para mim, ela só está nos dizendo que, se copiarmos o que eles dizem, agradaremos mais.

Saindo para o corredor, Lily parou ao lado da fileira de armários, observando Dorcas passar junto com as suas amigas. Ela não usava as suas roupas usuais de sempre, mas calças jeans e camiseta simples ocultada pela jaqueta do time da escola.

— O que ela está aprontando dessa vez? — perguntou Marlene, ao seu lado, desconfiada.

O seu celular vibrou e Lily começou a incomodar-se com aquela brincadeira de fotos. Seria capaz que fosse Dorcas? Olhou para a foto enviada e concluiu que não. Esteve observando-a daquela posição por todo o tempo, e nenhuma de suas amigas fez algo daquele tipo. Estava naquela exata posição, usando as mesmas roupas.

 

Número desconhecido

Quem é você? (10:37) ✓✓

 

— Você não me respondeu mais cedo — Marlene voltou a sua atenção para ela — Na sua casa ou na minha?

Lily levou algum tempo para entender do que se tratava.

— Seus pais deixariam? — ela perguntou — Você não está, tipo, em apuros?

Ela deu de ombros.

— Pode ser na minha — disse Lily, decidida a não olhar na cara da mãe da amiga por um tempo.

Começaram a caminhar para a outra aula. O celular não vibrou novamente.

— E como Ian reagiu? — ela perguntou.

Marlene riu, ajeitando a mochila no ombro.

— Você conhece a criaturinha — respondeu — Minha mãe fica louca com ele. Perguntou se eu dei a surra na piranha que tinha dito que ia dar.

— Seu irmão? — Lily riu.

— Minha mãe também.

Aí é que ela riu mais um pouco.

Sua mãe nunca a perguntaria algo como aquilo. Talvez o seu pai sim...

— E como anda com as histórias? — perguntou Marlene.

— Talvez eu escreva as nossas biografias — disse Lily, solene — O dia em que fomos levadas para a delegacia.

— E não fomos fichadas. Isso é algo a ressaltar.

 

[Terça de tarde]

Era muito estranho que toda aquela calmaria prosseguisse o dia do roubo. Assim que saíram de Hogwarts, foram até a cafeteria dos gêmeos ruivos, onde Marlene e Lily pediram um pouco de café para sobreviver a uma tarde sem uma soneca reparadora. Marlene olhando ao redor com o celular na mão, como se esperasse flagrar Dorcas dando em cima de outro rapaz.

Estava saindo da lanchonete, tomando um gole do líquido quente misturado com o gelado do chantilly, quando sentiu o celular vibrar outra vez.

 

Número desconhecido

[Foto] (13:29)

Por que você não descobre? (13:30)

 

Ela quase lançou o celular no chão de tanta raiva. Era só o que faltava agora...

— O que houve? — perguntou Marlene, ao notar a sua frustração.

— A gente tem que conversar sobre uma coisa. Vamos procurar Alice.



Notas finais do capítulo

O The Marauders Locks fizeram algumas lockscreens baseadas em fanfics, e PFSJ entrou na lista. Ficaram lindos! O link é esse: https://goo.gl/rX49J1



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