Precisamos Falar Sobre James escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 15
14. Precisamos falar sobre o roubo





[Segunda à noite]

Marlene McKinnon

Online

Péssima ideia (21:13) ✓✓

Essa é uma péssima ideia (21:13) ✓✓

Você tem uma melhor? (21:14)

 

Lily desviou o olhar do celular para a grande casa à sua frente, apenas para reafirmar o que esteve pensando durante todo o dia.

Aquela era uma péssima ideia.

Uma das partes mais difíceis do todo o plano foi a ideia de sair de casa tão tarde durante a semana, mas não poderiam esperar mais. Dorcas saberia que ninguém leu o que ela espalhou pela escola e poderia decidir imprimir mais.

A pergunta que Lily não conseguia responder era: Como que Dorcas conseguiu soltar todas aquelas folhas se não estava no colégio? Algum cúmplice? Ou ela entrou sem o conhecimento das pessoas, aproveitando o horário do almoço, para fazer tudo aquilo? Mas correria o risco de ser pega por alguém. E também corria o risco — e correu — de descobrirem antes da hora, impedindo-a.

Exatamente por isso não poderiam esperar mais, mas isso não tornava as coisas mais convincentes ou fáceis para Lily.

Isso não tornava aquela ideia mais fácil.

Marlene pensou em usar os vídeos que tinha — sobre Dorcas dando em cima de outros garotos —, mas o que poderiam fazer com aquilo? Uma troca? Era apenas um vídeo com várias interpretações, a garota nunca concordaria com aquilo. Sairia na desvantagem, já que poderiam divulgar o vídeo quando tivessem o diário em mãos, ou poderiam vingar-se mutuamente, mas Lily sairia mais prejudicada. Outras pessoas sairiam mais prejudicadas.

Marlene McKinnon

Online

Onde você está? (21:17)

Na frente (21:18) ✓✓

Você está planejando invadir pela cerca? (21:18)

Pare com isso (21:19)

Venha para os fundos (21:19)

 

Lily mordeu a língua, querendo amaldiçoar a amiga. Deu mais uma olhada para a casa, que parecia deserta, mas muito bem protegida, antes de dar a volta, escondendo-se por trás de árvores e arbustos.

— Essa é uma péssima ideia — ainda sussurrou, chegando ao lado da amiga.

Marlene chiou para que ela se calasse.

Pegou o celular de dentro do bolso da calça e desbloqueou a tela, apenas pressionando a digital no sensor.

— Esse não é o celular do James? — perguntou Lily, arregalando os olhos.

— Não! — Marlene franziu o cenho — A minha digital está registrada no celular dele, mas eu não teria como pegá-lo sem ser notada, ele é tão apegado àquilo...

— Então...?

Ela ergueu a tela, mostrando o perfil de Facebook do James aberto.

— Eu sei todas as senhas dele — disse Marlene, voltando a tela para o seu lado novamente — É só mandar uma mensagem para ela e pronto. Caminho livre!

— E se ela quiser conferir pelo WhatsApp? E os pais dela? — perguntou Lily.

— Por que ela confirmaria pelo Whats? E os pais dela estão viajando.

Ela começou a digitar para Dorcas, concentrada, escolhendo cuidadosamente as suas palavras. Lily conteve uma observação — eles só conversavam por WhatsApp — observando nervosa as luzes apagadas da casa. Quando uma das janelas iluminou-se, ela sobressaltou-se, ansiosa.

— Ei! Relaxa! — Marlene colocou a mão em seu ombro, guardando o celular e escondendo-se atrás da moita.

Lily seguiu o seu exemplo. Viram como as luzes acendiam-se e apagavam-se conforme ela descia as escadas. Imaginou como seria passar um tempo sozinha em casa, sem os pais, sem Petúnia. Uma casa tão grande quanto aquela. Aparentava ser bem solitário.

A porta da garagem abriu-se, e o carro de Dorcas saiu pela rua.

— Rápido! — exclamou Marlene, saindo correndo.

Lily quase gritou, antes de segui-la, embora seus instintos dissessem para ela esperar mais. Marlene escondeu-se atrás de uma árvore, mandando uma nova mensagem. Lily olhou na direção do carro, que ainda era visível, nervosa. Viu a sombra de Dorcas abaixar-se e a luz do celular. Marlene puxou-a pelo braço, correndo em direção à porta da garagem, que lentamente descia. Assim que entraram pela pequena abertura, ficaram submersas na escuridão.

— Uma mensagem final para ela não prestar atenção em nós — disse Marlene, sorrindo — Ela é tão controladora que não pode esperar um segundo para responder a James.

— Isso é um pouco assustador — Lily não sabia se estava falando da obsessão de Dorcas ou da escuridão em que se encontravam.

Parecendo considerar as duas opções, Marlene ativou a lanterna do celular, iluminando a grande garagem para elas.

— Sairemos por aqui também? — perguntou Lily, vendo um canto em que poderiam se esconder.

— Ou pela janela — a outra deu de ombros, encontrando a porta que dava para dentro da casa — Quando Dorcas voltar, não vai mais responder às mensagens do James, então perderemos nosso álibi, ou como quiser chamar.

Subiram rapidamente as escadas que davam para a cozinha da casa, que era grande demais para quem comia salada pronta de supermercado, a não ser que tivesse mudado seus hábitos alimentares depois de sua amizade com Lily ter acabado.

Passaram para a sala de estar, Marlene parecendo conter-se para não quebrar as coisas ou qualquer outra vingança que passasse por sua cabeça. Subiram as escadas até o segundo andar, sem ousarem acender as luzes, o caminho iluminado apenas pelo brilho do celular. Marlene tomou à frente, abrindo e fechando as portas à procura do quarto certo.

— Para onde você mandou Dorcas? — perguntou Lily.

— Casa do James. Tia Dorea vai odiar isso.

Conhecendo a mulher e sabendo de seu desagrado em relação à namorada do filho, sabia que Marlene estava certa. Ela odiaria tal inconveniência.

Mas Dorcas ia querer explicações sobre as mensagens de James. O que ele pensaria? Mudaria a senha? Isso poderia prejudicá-las posteriormente?

— Aqui — Marlene abriu uma porta que parecia ser roxo, até onde o celular conseguia iluminar.

Elas entraram com cuidado e Lily também pegou o seu celular para terem uma melhor visão do espaço.

— Onde você guardaria um diário que contém segredos que podem acabar com a vida de algumas pessoas? — Marlene perguntou a si mesma, olhando ao redor com a ajuda do celular.

— Elas não esperaria que alguém viesse aqui pegar — disse Lily, abrindo a gaveta do criado mudo, ao lado da cama.

— Ela faz muitas festas, tem empregadas enxeridas, amigas tão interesseiras quanto ela... Não poderia deixar tão à mostra.

Lily fechou a gaveta, hesitando.

— Então por que esconderia no quarto? — perguntou.

— Isolada do resto da família, aqui é o canto pessoal dela, aqui ela tem tudo às mãos, inclusive um computador e uma impressora que podem reproduzir cada uma dessas páginas.

Quebrá-los não era uma opção, apenas atrasaria os seus planos, ela era rica e poderia comprar outros facilmente.

Invadir o computador e procurar por algum segredo dela também era uma opção descartada, já tinham combinado que chantagem não adiantaria de nada, ela tinha uma carta na manga, e não sabiam quanto tempo gastariam na casa antes que ela voltasse.

Lily aproximou-se de um dos quadros da parede. Deixou o celular virado em cima da cabeceira, tirando a paisagem retratada do lugar.

A parede estava vazia. Deixou o quadro de lado, passando as mãos pela superfície do papel de parede. Nada. Pegou o quadro novamente, escutando o som de algo caindo. Marlene rapidamente iluminou o chão.

— Você é um gênio! — ela pegou o pequeno caderno.

Abriu-o para ter certeza, embora não seria ruim se o diário fosse de Dorcas.

— Vamos sair daqui — disse Lily, colocando-o no bolso da calça.

— Não podemos sair pela janela, o alarme ativaria — disse Marlene, ao vê-la aproximar-se de lá.

Estava agindo mais tranquila do que Lily se sentia com aquela informação.

— Garagem? — perguntou Lily, engolindo em seco.

— Se ela resolver fechar manualmente, ficaremos presas aqui dentro — ela respondeu.

— Então como faremos? Tentar desativar o alarme? Alguma porta dos fundos?

— O alarme vai desativar quando ela voltar.

Lily segurou-se para não pular no pescoço de Marlene. Ela não estava ajudando.

— Então nos escondemos e depois saímos? — ela perguntou, esperando por outra resposta negativa.

— É o jeito...

Estava odiando aquele plano.

— A gente podia queimar isso aqui logo — resmungou Lily.

— Ativaria alarme de incêndio, mas tenho uma ideia melhor.

Elas entraram na porta do banheiro, Lily erguendo-se na janela para ver se tinha alguma movimentação do lado de fora. Marlene começou a rasgar as folhas do diário e jogá-las, uma por uma, dentro do vaso sanitário, dando descargas.

— E se ela tiver alguma cópia? — perguntou Lily, ansiosa.

— Você é tão positiva...

Estavam lidando com a sorte? Pois Lily não andava se saindo muito bem naquele jogo.

— A Dorcas salva todos os arquivos online, desde que um dos computadores dela deu defeito — explicou Marlene — E eu sei a senha dela. Lembra? Apaguei tudo!

— Essas coisas não deixam rastros?

— Se apagou, apagou.

Ela deu mais uma descarga, como que provando o seu ponto de vista.

— Vamos para um dos armários — disse, descendo a tampa do vaso, decidida.

Algumas horas se passaram e Dorcas não voltou.

— Talvez ela tenha ficado por lá mesmo — disse Lily, desanimada.

Não conseguia acreditar que Dorea permitisse isso.

— É melhor tentarmos sair então — Marlene declarou, impaciente — De manhã será bem mais difícil.

Desceram novamente até a garagem, procurando por um dos controles da porta, sem sucesso. Não tinham ideia de onde desligava o alarme.

— A gente vai ter que correr — disse Marlene.

Antes que Lily pudesse protestar, ela abriu a janela. O alarme começou a soar ensurdecedoramente. Ela passou as duas pernas para o outro lado e pulou para um canteiro de flores que parecia confortável.

Lily sentiu as mãos suarem, imitou a amiga, caindo no mesmo lugar.

— Deveríamos ficar escondidas? — ela sussurrou.

Ignorando-a, Marlene levantou o capuz do casaco, correndo até pular a cerca. O alarme continuou soando, e ela não sabia se era melhor ficar escondida ou correr o mais rápido possível.

Também levantou o capuz do casaco, seguindo a amiga, correndo o máximo que a sua adrenalina permitia. O som de sirenes, do lado oposto, fez com que Lily ficasse mais nervosa ainda.

Algumas quadras depois, diminuíram o ritmo e entraram em uma lanchonete qualquer. Marlene tirou o casaco.

— Vai ser a primeira coisa que dirão — disse, sábia — Capuzes.

Lily seguiu o seu exemplo novamente, ainda letárgica pelo que tinham feito.

— Mas... Câmeras? — ela sussurrou.

Marlene deu de ombros, parecendo contudo preocupada.

— O que está feito, está feito.

Elas seguiram o caminho para as suas casas, tentando manter-se acordadas o suficiente.

Ao passarem pela casa de Lily, tiveram a desagradável surpresa.

— Senhorita Evans? McKinnon? — um policial aproximou-se delas — Vão ter que prestar esclarecimentos na delegacia.

— Por estar fora de casa sem consentimento dos pais? — perguntou Marlene, debochada.

— Por hacking, talvez. Da próxima vez, eu não deixaria o GPS do celular ligado.

Apesar de perguntarem, não tinham mais respostas respondidas. Lily evitou olhar para os seus pais enquanto era guiada até a viatura.

— Eu não hackeei aquela conta — disse Marlene.

— Ela não é sua — observou o delegado.

— Ela é do meu amigo, eu sei a senha. Isso não é hackear.

Alastor Moody era assustador, e a última coisa que Lily precisava ver naquele momento.

— Mas vocês usaram essa conta para tirar Dorcas Meadowes da sua casa e invadir — ele disse.

— Nós só queríamos pregar uma peça nela — Marlene revirou os olhos — Coisa de colégio, líderes de torcida, você já deve ter visto algo assim.

Moody permaneceu sério, olhando-a fixamente.

— Invasão de propriedade é crime.

Marlene não respondeu, encarando-o sem medo.

— Nada foi pego, quebrado... O que vocês queriam naquela casa? — ele perguntou.

Lily abriu a boca para responder, mas então paralisou.

Tinham destruído o diário.

Não teriam como justificar a sua ida até a casa de Dorcas naquelas circunstâncias.

Elas estavam sem saída.

Sem provas.

E Dorcas jamais diria que um diário, fosse de quem fosse, tinha sumido, isso se ela já tivesse notado o sumiço de sua arma secreta. Isso poderia tanto prejudicá-la quanto ajudá-las. Pelo menos, ela aprenderia a aumentar a segurança em casa, e também a não mexer no celular enquanto dirigia. E a não mexer com Lily Evans e Marlene McKinnon.

— Estou esperando — disse o policial.

— Esse olho é de verdade? — Marlene perguntou, parecendo genuinamente interessada.

Lily escondeu o rosto em suas mãos, sem conseguir acreditar em toda aquela situação. Era absurda demais. De todos os delegados de Londres, elas tinham que parar justo na DP de Alastor Moody?

Enquanto ele tinha uma aparência assustadora, cheia de cicatrizes — e aquilo era uma perna de pau? —, parecendo um verdadeiro pirata, tinha uma fama de capturar os criminosos mais perigosos, e colocar muita gente na cadeia. Ele era como um Sherlock Holmes da atualidade, com mais ação que investigação.

Se Lily se tornasse policial, seria inteiramente por influência dele, mas ela preferia mesmo era escrever. E, naquele momento, ela estava em frente a ele, mas como uma adolescente infratora.

As coisas estavam dando muito errado.

Alguém bateu à porta e entrou, sem esperar por uma resposta do delegado.

— Delegado, sou Susan McKinnon, advogada.

Ferrou muito.

A mulher não dirigiu um novo olhar à sua filha, apenas focando-se em conversar com Alastor, tentando convencê-lo a liberá-las, sem um registro na ficha — se tivessem sorte.

— São apenas adolescentes — escutaram-na dizer.

— Senhora McKinnon, não é a senhora quem está a par do caso Severus Snape? — Moody perguntou, repentinamente — Como pode dizer que são “apenas adolescentes”, enquanto...

— Ele tentou estuprar uma garota! — Lily gritou, sem conseguir acreditar que estavam sendo comparadas — Participava de uma verdadeira gangue do crime! Nós fomos até a casa de uma colega nossa para pregar-lhe uma peça. Foi errado? Foi! Mas podemos generalizar e dizer que os crimes têm o mesmo peso?

Ainda irritada, teve o foco todo para si, já que Marlene não manifestou-se — a traíra. Pensou que aquele seria o resto de sua noite: uma visita pelas instalações do presídio. Então, Moody soltou uma risada fraca — ele não parecia acostumado a rir.

— Podem ir — ele disse.

Marlene levantou o olhar de suas unhas, sem entender. Susan não esperou por mais tempo, puxando a filha e Lily pelo braço, saindo rapidamente do escritório.

— Vamos, eu te deixo em casa — ela disse a Lily.

Quando ela contornou o carro para ir ao banco do motorista, Marlene virou-se para a amiga.

— O que foi isso?

Ela bocejou, abrindo a porta do passageiro.

— Eu não tenho a menor ideia — respondeu.



Notas finais do capítulo

Observações do capítulo:
• Para quem estava se perguntando o que a habilidade de descoberta de senhas da Marlene traria: ela não invadiu o Face da Dorcas, foi só a casa mesmo.

O Seen tá com um novo capítulo, uma conversa ligeira de quando Lily e James se conheceram. Vai na página de PFSJ, clica em "Update" e aparecerá uma janelinha, avisando que o jogo foi atualizado. É só você confirmar o download do novo capítulo e pronto :)



Hey! Que tal deixar um comentário na história?
Por não receberem novos comentários em suas histórias, muitos autores desanimam e param de postar. Não deixe a história "Precisamos Falar Sobre James" morrer!
Para comentar e incentivar o autor, cadastre-se ou entre em sua conta.