Meus três simples motivos escrita por Moonpierre


Capítulo 1
Meus três simples motivos


Notas iniciais do capítulo

Uma história curta que escrevi :)
Beijos ♥



Eu te olhava na escola, te observava sem desejar que você percebesse.

Jurei que nunca admitiria meus sentimentos. Por três simples motivos:

Primeiro: Você é um menino.

Segundo: É o capitão do time de futebol, enquanto eu sou um reles nerd que ama Star Wars, jogos de RPG, e músicas Indies.

Terceiro: Nossos caros colegas homofóbicos me zoariam até o final do ensino médio se, por acaso, descobrissem.

Hoje você está sorrindo na aula de matemática, pois ganhou a partida de futebol. Seu sorriso sempre me deixa alegre.

É estranho você me deixar feliz sem fazer nada? Talvez.

Tento desvencilhar meu olhar - devo parar de te encarar tanto - os garotos da minha sala podem achar estranho, e especular se essa é a razão de eu nunca ter dado uns "pegas" numa garota (ou seja: acharem que sou gay). E terei de fazer bastante força de vontade para (tentar) provar o contrário, mesmo se essa é a mais pura verdade.

Foco no meu jogo, "Angry Birds", que baixei recentemente. Jogando por alguns minutos, conclui que ainda prefiro RPG.

O professor passa umas fórmulas estranhas, e eu tento inutilmente me concentrar nele. Tem tanta coisa melhor para fazer... eu poderia estar jogando, escrevendo alguma coisa, lendo, ou sei lá, rabiscando uns desenhos no meu caderno, talvez, até comendo um lanche...

Para evitar a ansiedade e me impedir de contar o minutos até o fim da aula, resolvo ir beber uma água. Dizem que é bom para "acordar". O professor me deixa ir, sabe que sou um ótimo estudante (apesar de às vezes jogar no celular e não prestar a devida atenção).

No corredor dou de cara com Maddy, minha amiga de infância:

—Por que saiu da sala CDF? — ela me sonda, meio espantada.

—Não é da sua conta artista frustrada.

Chamava ela desse jeito desde o fundamental, lá naquele tempo ela dizia que queria cursar artes visuais na faculdade, e quando ela fez um quadro horrível na aula, apelidei-a desse modo maldoso.

—Tem alguma garota nesse corredor? — ela dá um sorriso malicioso — não vá ser pego beijando-a. Você sabe que aqui eles dão advertência se verem algum casalzinho se agarrando nos corredores.

—Eu sei bem — ri de nervoso (Maddy acha que gosto de meninas) — você pegou essa advertência quando beijou o Matt. Um atleta de natação... se deu bem, heim?

Ela me olha meio espantada:

—Por que acha isso? Ele nem sabe beijar direito — e começa rir.

—Ok, Maddy. Preciso beber água, até mais tarde!

—Vá beber sua "água" logo CDF — ela diz com ironia.

Finalmente estou livre, um momento de paz e solidão.

Aperto o botão do bebedouro e a água espirra em toda na minha cara. Isso sempre acontece. Uma hora morro afogado.

Percebo uma pessoa parada atrás de mim:

—Vai demorar muito aí? — é a voz do garoto. Aquele garoto.

Me levanto rapidamente e passo a manga da camiseta para enxugar a cara e ficar um pouco mais apresentável. 

—Não. Pode beber, Daniel...

Os olhos dele, azuis, são lindos. Quase hipnotizantes.

—Qual é seu nome? — ele me indaga.

—Me chamo Alexandre.

—É um nome legal. Você gosta de jogar não é? Eu sempre percebo os professores brigando com você por causa do "uso indevido do celular na sala de aula".

—Sim — me assusto com a pergunta.

—Eu adoro jogar também...

E por uns minutos ficamos assim, olhando um pra cara do outro sem saber o que fazer ou como agir.

—Alexandre... Alex... eu te acho muito bonito — ele diz meio envergonhado.

Oi? Escutei direito? Fico besta.

—Eu também... te acho bonito... — respondo balbuciando, com pausas e engolindo em seco. Minha cara deve estar parecendo um pimentão. Isso é alguma pegadinha? 

—Sai comigo um dia desses? — ele dá um sorriso — não precisamos contar para ninguém. Podemos manter tudo em segredo.

—Tudo bem. Eu não quero contar para ninguém... provavelmente seriamos zoados até morte — começo a rir, e nesse ponto caiu a ficha, isso não foi uma pegadinha.

—Café? As três da tarde? No Starbucks do shopping? — ele me convida.

—Claro — replico.

Daniel vira a cabeça de um lado, e do outro, e checa alguma coisa:

—Por que você tá virando a cabeça? — inquiro curioso — o que está tentando checar?

Ele chega mais perto e me dá um breve selinho. Coisa muito rápida.

—Para fazer isso. Ninguém nos viu, relaxe. Tchau Alex! Te vejo a — ele fala, e começa a voltar para a sala de aula.

Fico ali tocando meus lábios, tenho certeza de que um sorriso idiota está aparecendo no meu rosto. 

Quem diria que esse capitão de futebol tinha um lado nerd?

Quem diria que ele pudesse gostar de mim? Foram grandes surpresas.

É tanta sorte que é quase inacreditável.

Meus três simples motivos eram muito idiotas.

Não preciso nem dizer que não me concentrei no resto da aula de matemática. Fiquei sonhando com esse encontro, e o espiando, sem querer que ninguém notasse (só ele).

Espero beijá-lo muito hoje a tarde...





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