Descobrindo Sombras escrita por Lucy Devens


Capítulo 2
Olhos




Disseram que o dia seria ensolarado e foi por isso que eu aproveitei o final de semana com sol para dar uma volta no centro da cidade. Sair sozinha era melhor do que ficar sozinha no meu dormitório da faculdade durante todas as férias.

Vanilla, minha melhor amiga, estava estudando para se tornar uma detetive e queria sair comigo no sábado, mas estava ocupada com o estágio e o caso do estrangulamento de Stacy Jones. Nilla tentava ser durona por fora, mas por dentro era uma manteiga derretida, sonhando com o Advogado criminal chamado Daniel que ela achava incrivelmente sexy.

Mas é claro que ela não dizia isso. Para ser sincera, ela evitava contar metade das coisas, mas ela não conseguia parar de pensar nisso. O que ela não sabia era que eu sabia o que ela estava pensando. E não apenas com ela, mas com quase todos que eu encontrava em meu caminho.

Incluindo aqueles que estavam comigo no metrô. Eu estava de pé, me equilibrando enquanto segurava em uma barra de metal, ouvindo Led Zeppelin bem alto que me ajudava a ignorar a velha que estava sentada na minha frente, pensando em como o volume dos meus fones de ouvido estavam altos demais e dessa maneira eu acabaria surda, e o homem ao meu lado que usava um terno, preocupado com um horário de uma reunião que mudaria a sua vida. Quem faz reuniões em um sábado de sol?

Aumentei o volume do meu iPod, agora estava no máximo e os pensamentos das pessoas pareciam leves sussurros enquanto o solo da guitarra de Stairway To Heaven me fazia entrar no ritmo da música.

Olhei para o chão, mais precisamente para minhas sandálias e pensei no próximo semestre da faculdade que começava na próxima semana. Logo a minha rotina voltaria ao normal, minhas amigas estariam de volta para me fazer companhia. Era difícil não ter uma família, não ter um lar para voltar durante as férias e feriados.

O metrô parou e eu continuei olhando para os meus pés, algumas pessoas entraram e outras saíram nessa estação. Alguém resolveu ficar ao meu lado. Sem mover a cabeça, deduzi que fosse um homem, mas pouco me importava. Não tinha muita paciência para a maioria dos homens que eu conhecia, apesar de Vanilla sempre me dizer que eu deveria aproveitar meus olhos para encontrar alguém legal. Nilla adorava o fato de eu ter olhos avermelhados e achava que eu deveria aproveitá-los para seduzir alguém. Bobagem.

As portas se fecharam e o metrô voltou a andar. Tirei os olhos das minhas sandálias e olhei para as botas do suposto homem que estava ao meu lado, me entretendo com elas e pensando se eu poderia comprar botas assim para mim.

O trem parou de repente.

Merda

Braços fortes me seguraram antes que eu caísse no chão. Com o coração acelerado pelo susto eu olhei para o moço para poder agradecê-lo por ter me segurado, mas as palavras sumiram da minha boca.

Ele tinha o cabelo preto e a pele bronzeada e seus olhos... Seus olhos eram vermelhos. Não apenar vermelhos ou avermelhados como os meus, ele tinha olhos vermelhos cor de sangue. Ele era lindo.

Tudo ficou em silêncio. Não ouvia minha música, não ouvia pensamentos, não ouvia absolutamente nada enquanto encarava aqueles olhos.

— Está tudo bem? - Perguntou o rapaz, me tirando da minha transe.

Então tudo voltou ao normal. As pessoas xingavam o metrô, os pensamentos de todos invadiram minha cabeça ao mesmo tempo com toda a força que tinham, a música voltou a gritar nos meus ouvidos.

Me livrei dos braços do homem e arranquei meus fones de ouvido, me sentindo completamente tonta.

— Estou bem - Tentei dizer.

Peguei minha bolsa com pressa

— Você esta tremendo - Observou o rapaz e sua voz percorreu pelo eu corpo como um choque elétrico.

Olhei para as minhas mãos trêmulas e mais pensamentos invadiram minha cabeça aos berros.

Apesar daquela não ser a estação que eu deveria descer, saí do metrô num impulso assim que a porta se abriu e fui para longe. Eu não podia ficar perto daquele homem.





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