A chegada do inferno escrita por Andrew Ferris


Capítulo 8
Derek ou Wilkar?


Notas iniciais do capítulo

Derek está cada vez mais acostumado com suas sincronias ao antepassado Wilkar Azhiph, mas o que isso muda nele?



Quando finalmente chegamos longe o bastante do palácio, atravessamos uma ponte e alcançamos um pequeno vilarejo sem muito a oferecer, nos encondemos atrás de uma casa abandonada, onde o mestre Zenith esbraveja palavrões enquanto lava suas feridas com água corrente de um riacho próximo de onde estávamos.
— O que aconteceu lá dentro, Wilkar? - Pergunta Haquèth indignado enquanto Zenith se reaproxima para explicar tudo.
— Deixe que eu diga. Ele se esqueceu do nosso propósito lá e decidiu por livre e espontânea vontade atacar o Grão-Mestre Templário no próprio covil.
— Isso é verdade, Azhiph? - Pergunta Hornan olhando de Arthur para mim, então abaixo a cabeça levemente arrependido do que havia feito.
— Isso não é o pior - Afirma Zenith me observando com raiva - O mestre irá nos perguntar como foi a missão e, se souber do que houve aqui, não tenho dúvidas de que mandará executá-lo - Todos me encaram descrentes do que haviam escutado. Todos conheciam muito bem o Codex, mas nenhum deles se atrevia a pensar nessa parte. Desviar-se do propósito encubido era pasdível de morte e Wilkar sabia disso, embora não se importasse nem um pouco.
— Se ao menos a missão tivesse sido bem-sucedida - Lamenta Arthur se sentando para descansar da caminhada.
— Isso eu posso garantir - Afirma Hornan sorrindo com orgulho ao revelar o Arco em sua bolsa rasgada e suja.
— Ótimo. Ao menos temos argumentos - Declarou Haquèth indo em direção ao riacho para lavar o rosto - Podemos voltar para casa - Dois dias de caminhada e enfim chegamos no castelo dos Assassinos, um lugar escondido o bastante para não ser encontrado por qualquer inimigo. Sem muitas perguntas, somos liberados para encontrar nossas famílias, o que costumava ser um tratamento incomum quando um membro da Irmandade retorna de viagem, mas não me importo com isso à primeira vista, já que finalmente iria ver meu filho, quer dizer, o filho de Wilkar.
— Papai - Afirma o garoto vindo em minha direção cheio de alegria, e mesmo com as fortes dlres nas costas, eu mantenho a calma e o recebo de braços abertos para que pulasse em mim. Por fim dou um sorriso que não dou há dias, ante sde beijar sua testa e devolvê-lo ao chão.
— Onde sua mãe está?
— No quintal - O garoto corre para o quarto ansioso para voltar a brincar, então eu sigo para o outro lado da casa, atravessando um pequeno corredor que dá acesso a um jardim caseiro e um quintal de tamanho mediano coberto por extenas e grossas paredes. Esta já foi a casa do meu finado pai.
— Violet? - Ela vem em minha direção com a expressão em um misto de apreensividade e seriedade, mas termina sorrindo de alegria e me abraçando com força antes de deslizar seus suaves e doces lábios para minha boca, dando um longo e apaixonado beijo.
— Você demorou - Afirma preocupada.
— Foi um contratempo que surgiu - Explico sem dar grandes detalhes.
— Você tentou matar quem não devia, não foi? - Desde sempre tinha sido assim, por mais que eu tentasse, Violet sempre sabia quando eu estava mentindo.
— Minha mulher sempre sabe o que me aflige - Declaro impressionado tomando-a mais uma vez em meus braços.
— Você que é péssimo em mentir - Constatou sorridente - Mas o que de fato aconteceu lá? O Conselho vai tomar alguma medida?
— Não se preocupe, osMestres serão justos, tenho certeza - Consolo tomando seu corpo em um forte abraço e, posteriormente, um beijo. Naquela noite, me levanto confuso com tudo o que acontecia, tendo recordações de alguém que não existia, alguém com o mesmo nome que eu, mas que não estava ali, pelo menos ainda não. Esse alguém queria conhecer mais sobre o próprio passado e descobriu além do que precisava. Vou até o quintal para refletir quando algo subitamente me puxa para além daquele lugar, tentando me tirar de tudo que eu tinha, de minha família, de minha vida e de minha Irmandade. Eu resisto, então reparo que aos poucos toda a paisagem, objetos e corpos alheios se convertem em pura energia, luz que se misturava em longos fios alaranjados se contorcendo e me puxando para dentro, até eu finalmente ser retirado dali.
— Não, não, não - Grito com a visão prejudicada enquanto uma série de vozes tentam me acalmar.
— Não se preocupe, vai ficar tudo bem - Diz uma voz masculina antes de eu cair em sono profundo. Ao despertar, um homem negro de olhos claros me encara com a expressão séria, porém preocupada, com uma ponta extra de curiosidade - Qual é seu nome? - Pergunta como se estivéssemos em um interrogatório.
— Sou Wilkar...Wilkar Azhiph - Declaro com veemência, mas a resposta não agrada o sujeito e ele meneia positivamente com a cabeça, e logo uma seringa é posta em meu pescoço, fazendo minha visão ficar embaçada outra vez enquanto um turbilhão de imagens sacudia minha cabeça, tanto as que eu estava com minha família quanto aquelas que pertenciam ao tal Derek. Um forte estalo confunde meus sentidos e em um piscar de olhos tudo volta ao normal.
— Quem é você? - Pergunta Samuel Baxter me encarando com frieza, como eu sabia o nome dele?
— Sou Wilkar Azhiph - Ele balança a cabeça decepcionado, e mais uma vez um doutor injeta algo em meu pescoço me fazendo todas as estranhas sensações, e aquilo se repete por vezes e mais vezes até eu ter um vislumbre de alguém, ou a sombra de alguém me observando.
— Pela milésima vez - Afirma Samuel impaciente segurando meu queixo seu que eu compreenda a real razão - Quem é você?
— Derek Azhiph seu escroto de merda - Ele sorri antes de dar um forte soco na minha cara.
— Que bom que voltou.
— Como assim voltei? - Pergunto sem entender.
— Você passou mais tempo nas memórias do que pretendíamos. Por alguma razão estava tão sincronizado que, de alguma maneira, não pudemos desconecta-lo.
— E todas aquelas visões estranhas?
— Foi a quebra da sincronia. As memórias invadiram sua mente de maneira que você passou a acreditar que é seu ancestral.
— Que bizarro - Afirmo sem conseguir pensar direito no que havia acontecido.
— Mesmo assim não podemos parar. Tenho certeza de que estamos perto das respostas que precisamos, então preciso que faça esse último favor para nós, senhor Azhiph. Assim que o fizer será libertado.
— Ah sim e, por falar em liberdade, o que aconteceu com os outros Assassinos que prendeu aqui e nas demais bases? - Baxter me encara com seriedade, então ignora minha declaração - Certo...onde está nosso traidor favorito? Gostaria de vê-lo um instante.
— Estou aqui - Declara Nathan se aproximando com um olhar furioso e destemido - Em breve caçaremos seus amigos. O velho Dustin e a bela, Jade.
— E eu vou enfiar a porra da espada nessa sua boca de merda - Vociferei revoltado - Pode esperar, mais dia menos dia vou acabar com cada um de vocês.
— Senhores - Samuel chama os seguranças - Levem o senhor Azhiph de volta ao quarto dele - Os seguranças me arrastam pelos corredores cumprindo a ordem de Baxter, assim me deixando sozinho outra vez naquele quarto pequeno e escuro. Eu bufava minhas ameaças, mas aquilo não era eu e sim Wilkar. Aquele homem tinha habilidade e experiência, eu não tinha nada exceto vontade. De repente me levanto e começo a recordar tanto as memórias quanto o que Baxter havia me dito. Ele contou que eu havia me sincronizado com o passado de Wilkar a ponto de me tornar o próprio, e se eu demorei tanto parar voltar era porque tudo ainda estava em mim. Eu sentia o que Wilkar sentia, entendia o que ele entendia, conhecia o mesmo que ele e, por fim, sabia tudo o que ele sabia. As habilidades dele estavam em mim, restava treiná-las.



Notas finais do capítulo

Agora Derek tem noção do que pode fazer com as memórias do ancestral, acompanhe e descubra o destino do nosso herói!!!



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