A chegada do inferno escrita por Andrew Ferris


Capítulo 18
Na rota da incerteza


Notas iniciais do capítulo

Mais um capítulos pra vocês!!! Espero que gostem!!!



Jade e eu passamos por alguns bocados como quase ter dado de encontro com os Assassinos em um mercado e em um armazém, com os Templários em algumas indústrias e cidades menores pelo caminho e com a polícia, já que independente de eu ter sido considerado morto, os Templários ainda estavam infiltrados na sociedade, inclusive na polícia e poderiam me reconhecer em encontro ao acaso. Fora isso, tinha a comida que racionávamos o máximo possível. Tínhamos de encontrar a base secreta abandonada pela Abstergo e concluir a missão dos Assassinos antes que a comida acabasse, e pelas minhas contas restavam quinze dias.
— Podemos arrumar mais - Observou Jade com um olhar cuidadoso.
— Eu sei o que você quer dizer com isso - Afirmei sério olhando para o lado de fora da caverna onde estávamos - Melhor não. Se os Templários realmente estiverem atrás de nós e houver um padrão desses disponível, nos pegarão com uma facilidade inacreditável.
— Por isso sou da opinião que deveríamos cuidar desse fardo dos Templários antes de você se aventurar novamente pelo Animus - Como continuo quieto, ela resolver prosseguir - Como já estamos aqui, vamos adiante. Só espero que isso nos leve a algum lugar.
— O que aconteceu? Dias atrás estava empolgada e determinada a chegar ao fundo disso, agora parece que quer apenas se ver livre dessa caça - Jade termina de comer sua lata de sopa e deixa aquele lado da caverna enquanto me sento e começo a pensar. Precisava compreender melhor minhas habilidades e assim ter uma chance maior de enfrentar os Templários em um futuro próximo. Tento me concentrar para enxergar além, com uma luz alaranjada cobrindo os arredores como se um arrebatamento fosse se desenrolar. Encaro a mochila de Jade com incerteza, então minha concentração cessa de imediato, e é quando decido tomar a mochila e abri-la. Por mais óbvio que fosse, eu ainda queria saber. Mexo em algumas coisas e encontro itens pessoais, até achar uma pequena caixa de metal, a qual abro sem conter a curiosidade. Dentro da caixa não havia nada demais além da foto de Alex. Não precisava de mais nada. Naquele instante as coisas se tornaram bem claras na minha mente. Eu podia não dar a mínima, mas obviamente Jade ainda estava magoada, de luto e possivelmente a verdadeira razão pelo qual tinha me procurado era porque queria fugir do que tinha acontecido. Com as ideias claras o bastante para ser compreensivo dali em diante, resolvi guardar a mochila no canto onde estava e voltar a me concentrar em meus poderes. Quando menos esperava, Jade ressurgiu naquele canto da caverna e pediu que eu parasse com aquilo por algum tempo.
— Você está muito dependente do seu poder - Observou indignada - Um verdadeiro Assassino não depende de nada, exceto de si próprio. Somos treinados com o propósito de nos desviarmos do mundo material e enxergar além de tudo isso que o homem construiu. Nossa filosofia atravessou milênios até aqui e você não irá destruir isso - Ela ergue um bastão, lançando-o em minha direção antes de apanhar um segundo e pular em sinal de ataque de maneira que quase não houve tempo para reagir. Mal havia pego o bastão, Jade se abaixou e girou a arma sobre minhas armas, a qual me forçei para trás, lançando a ponta do meu bastão contra sua cabeça, que defende em uma linha reta, avançando pela lateral com um poderoso ataque, que bate nas minhas costela se volta semelhante a um chicote. Tamanha a força do golpe, suspiro repleto de dor com a mão na região da barriga, mas Jade não quer dar tempo. Com uma velocidade e ritmo difíceis de acompanhar, ela corre em zigue-zague atacando em diferentes pontos, os quais bloqueio na medida do possível senão desvio com desespero. Continuamos naquele impasse por mais algum tempo, não fosse uma rasteira súbita que me leva ao chão sem aviso. Os dentes se batem, então sou tomado por novo ímpeto, me recompondo depressa para atacar. A todo momento sou lembrado daquele poder, de sua capacidade, de como tudo parecia tão fácil quando ativava aquilo sobre mim, acelerando meus movimentos e reações de maneira sobrehumana. No entanto, eu sabia o que Jade queria. Ela queria me mostrar o quanto eu passei a depender do poder para tudo, esquecendo de ampliar minhas próprias habilidades Assassinas, um erro que poderia me levar á morte futuramente. Sendo assim, continuo meu contra-ataque sem jeito, usando tudo o que eu aprendi contra minha professora, até ela cansar daquele duelo e resolver terminar com tudo, me derrubando com uma rasteira do mesmo lado que antes e dando um chute certeiro no meu peito, que me deixa sem ar por algum tempo.
— O poder é uma droga que consome o ser humano. Nós tentamos estabelecer uma distância entre esses polos - Ela larga o bastão ao meu lado antes de tomar seu lugar outra vez - Não se torne aquilo que almeja destruir - Com essa última frase nossa noite termina, já que não voltamos a conversar após a luta. Recolhemos nossas coisas bem cedo e partimos da caverna rumo à base secreta da Abstergo. Atravessamos um curto deserto, passando por estradas desertas e áreas de preservação até cruzar uma pequena montanha de areia, alcançando o topo de onde avistamos uma grade de arame contornando um prédio bem conservado apesar de ter sido abandonado há meses. Nós descemos a montanha, pulamos a grade e, por fim, entramos na base das Indústrias Abstergo. Mantemos a guarda, com os mecanismos de nossos pulsos prontos para atacar qualquer coisa que ainda estivesse viva ali, caso não estivesse de fato abandonada. Quanto mais adentramos a base, mais difícil se torna enxergar, já que não havia muitos pontos luminosos restando, o que leva Jade a procurar uma caixa de resistores, acendendo um interruptor do andar. Mesmo com a fraca iluminação, conseguíamos enxergar bem o suficiente para ter reações mais imediatas, mesmo que no final das contas tanta preocupação tivesse sido em vão. Depois de passar por uma sala onde havia um mapa da base, nos dirigimos à câmara onde a Abstergo manteve seus equipamentos danificados, dentre eles, aquele que eu tanto precisava reencontrar. O chão metálico ecoa com nossos passos, o que pressiona por mais que o lugar estivesse vazio, então avisto no fundo do galpão uma cama semelhante àquela que me tanto me colocaram quando estive em cativeiro. Me aproximo rapidamente, tirando a blusa e os mecanismos em minhas mãos para me deitar confortável na cama, enquanto Jade me observa incerta do que estava por vir.
— O que eu devo fazer?
— Veja se encontra algum tubo na parte inferior. Ele deve ter fios que se conectam ao meu corpo - Ela procura abaixo da cama até encontrar a dita caixa.
— Aqui - Ela mostra os tubos gelados de cobre.
— Veja se consegue ligar a desgraça - Ela mexe no painel até que os fios parecem ganhar vida, se conectando a meus braços, tronco e pernas, provocando tamanha dor que fico surpreso por ter aguentado aquilo todos os dias.
— Tem certeza disso? - Pergunta Jade me encarando receosa.
— É a única coisa que tenho certeza - Respirei fundo e me concentrei em meus poderes, ao mesmo tempo que recordava da junção de minha consciência com a de meu ancestral, Wilkar Azhiph. Os fios conectados a meu corpo queimam com intensidade, então penso estar funcionando, até que tudo simplesmente para e sou tomado por um terrível choque interno, como se meus músculos e ossos se chocassem uns contra os outros e a qualquer instante meu corpo fosse se despedaçar. Acordei um pouco tonto, com Jade segurando minha cabeça fora da cama, ela de joelhos no chão da câmara.
— O que aconteceu? - Questionei irritado - Porque não funcionou?
— Eu não sei. Parecia que iria funcionar, mas de repente você começou a se debater e por um segundo achei que estivesse morto.
— Eu tenho que tentar de novo - Afirmei me levantando com dificuldade, sendo ajudado por Jade, que me observa repleta de indignação - Stonenberg disse que o Animus e eu estamos ligados. O que eles usam para ativá-lo é irrelevante, eu sou o combustível para funcionar.
— Talvez isso signifique outra coisa - Me deito na cama e a encaro com seriedade, esperando que ative a caixa outra vez, mas ao invés disso, Jade enfia uma seringa no meu pescoço e pega meu sangue até puxar todo o êmbolo. Sem dizer nada, ela coloca o sangue em um tubo da maquinação, que milagrosamente funciona como se tivessem injetado o líquido em minha veia. Primeiro a tontura aumenta, sem que eu consiga distinguir nada, então vem um forte brilho que me cega, me levando a sentir, cheirar, ouvir e ver coisas que não existiam mais. Eu tinha voltado ao tempo de Wilkar. Antes que minha consciência tivesse voltado plenamente eu já podis sentir o cheiro forte de pólvora, ouvir o tinir de espadas e lâminas menores umas contra as outras e uma porção de gritos por todos os lados, uma verdadeira carnificina se desenrolando. Quando recobrei a consciência, havia um Templário habilidoso à minha frente, armado com duas espadas estranhas para mim, mas não para Wilkar. No mesmo instante que o atacante parte para cima com sua aparente vantagem, tomei impulso para baixo, me esquivando a poucos centímetros da espada na mão esquerda antes de chutar meu oponente na virilha e penetrar minha lâmina oculta em suas costas, escutando novamente o som familiar do metal descendo pelo mecanismo de encontro à carne, a qual cortei feito jantar, de cima a baixo, chutando o corpo do sujeito para longe enqunato este espirra sangue e grita em agonia sobre os corpos de seus irmãos. Naquele momento tomei ciência, se tratava de duas espadas persas. Avançando pelo interior do que percebi ser um palácio de ouro maciço e decoração de classe, descobri um homem enfrentando três Templários de uma vez. Ele rebate os golpes de espadas antes de derrotar o primeiro e receber meu apoio, comigo matando um dos invasores e ele matando o que restou, quebrando o pescoço do sujeito com a mesma facilidade que o faria com uma galinha. Ele sinaliza com a cabeça mostrando um cumprimento que me revela estarmos do mesmo lado
— Wilkar, são muitos deles e não temos como distingui-los - Avisa o homem com uma expressão desesperada.
— Eu sei majestade, mas precisamos ser firmes, se eles tiverem o pedaço do Olho, entraremos em apuros. Pior que isso, o povo estará em perigo - As palavras saem de minha boca sem que eu consiga controlar, fruto dos fatos exercidos por meu ancestral.
— Não sei por quanto tempo mais vamos conseguir suportar - Confessou o rei erguendo sua espada torta desesperançoso.
— Se conseguirmos por tempo bastante, pelo menos até recuarem, já estaremos a salvo - Um persa entra no pequeno cômodo e avança sobre nós com habilidades assombrosas, mas o Wilkar que havia em mim não se intimidou. Tomando com gentileza a espada do rei, o Assassino, agora não tão jovem quanto antes, bloqueia os golpes e dispara com outros até conseguir acertar a garganta do jovem soldado, que provavelmente não passava dos vinte.
— Uma falha na defesa do pescoço - Observei com cautela e uma dosagem de desconfiança que não provinham de meus pensamentos. Prosseguindo com o ataque, avisto mais um jovem soldado trajando roupas persas, este salta um muro turvo e demonstra mais rapidez. Quem o treinou se empenhou em explorar o ponto mais forte de seu homem, que decididamente não era a atenção. Cortei uma corda por onde erguia-se um mastro, que cai atrás do soldado, deixando-o paralisado de susto por tempo o bastante para que eu ataque. Entretanto, diferente do que eu imaginava, o tempo de reação do segundo soldado persa era menor que o do primeiro, e este rasga as vestes do meu braço esquerdo que tive de sacrificar para não perder a vida. Subindo depressa, aparei três golpes de espada antes de girar entorno do soldado e atingi-lo em cheio com minha lâmina em sua jugular.
— Isso não foi distração ou excesso de velocidade, foi uma falha no aprendizado - O curioso dessas observações táticas de Wilkar era que ele também possuíra a mesma falha que terminou corrigida por um de seus mestres, o homem que ele matou anos atrás. Ferrien Grambert. Depois de despachar mais dois soldados tão jovens quanto os anteriores, me descobri no interior de uma sala reservada, quase um museu, um lugar feito especialmente para guardar tesouros valiosos. Quando me aproximo de um homem envolto pelas sombras, me deparei com uma figura que não via há anos, desde meu julgamento na Irmandade. Sem que minha vontade consiga assumir o controle das memórias para permanecer ali, sou levado para muitos anos antes daquela batalha, para a morada dos Assassinos e meu antigo lar, o vilarejo onde eu morava, então reparo uma imensa quantidade de irmãos sentados em uma grande roda e, ao centro, meus dois mestres Assassinos, Turin Ohero e Augustus Rabelac.



Notas finais do capítulo

Derek está se aprofundando no passado dos Assassinos e desvendando os mistérios por trás das armas que podem trazer o inferno, resta saber como destruí-las!!!



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