A chegada do inferno escrita por Andrew Ferris


Capítulo 10
Em busca da verdade


Notas iniciais do capítulo

Mais um capítulo para vocês deleitarem, boa leitura!!!



Nós quatro nos realinhamos. Percebi que alguns guerreiros tinham uma preocupação em particular que era destruir minha casa, o que tornou útil meu excesso de desconfiamça a ponto de mandar Violet e Isain embora sem mim. Aquela batalha daria aos dois mais tempo para fugir, e isso era tudo que eu queria ter garantido. Em um movimento ágil, Haquèth e eu nos escondemos atrás de vigas para preparar nossa nova investida.
— Vá atrás do Arco - Grita Haquèth me olhando desesperado - Pode deixar que nós dois cuidamos das coisas por aqui?
— Como assim nós dois? - Perguntei confuso, mas minha dúvida foi esclarecida assim que Hornan apareceu e se colocou ao meu lado.
— Estou comtigo, Wilkar.
— Vão depressa - Afirma Haquèth avançando em uma dúzia de inimigos que vinham em nosso encalço. Depois de um breve momento de hesitação, nós dois corremos para longe de casa, atravessando os casebres e seus corredores estreitos para atravessar o vilarejo. Aproveitando nosso conhecimento acerca daquele local, usamos esses corredores para obter vantagens sobre os inimigos que apareciam por cima, pulando de casa em casa e nos atacando com suas longas lanças. Eles erram o ataque e aproveitamos para cortá-los sem piedade com nossas espadas, deixando um verdadeiro rio de sangue pelo caminho. Quando finalmente alcançamos a fortaleza dos Assassinos, encontramos dois irmãos com arcos na entrada, então retiro meu capuz para que me reconheçam.
— Sou Wilkar Azhiph - Os dois irmãos me encaram desconfiados.
— O que está fazendo aqui, Azhiph? - Questiona um deles aumentando o tom.
— Viemos informar que o vilarejo está sendo atacado por um inimigo bem preparado e em breve ele irá atacar nossa fortaleza. Precisamos proteger as famílias lá embaixo.
— Abram o portão - Ordena o irmão decidindo-se por fim - Quando finalmente atravessamos a enorme entrada, nossos irmãos estão preparando suas armas para a batalha.
— Onde eles estão se concentrando? - Pergunta o mestre Orhnof sacando seu arco.
— Próximo à residência de Wilkar - Informou Hornan antes que eu tivesse tempo de responder. Assim, o mestre parte na companhia de vinte Assassinos iniciandos rumo ao vilarejo sulista enquanto adentramos o palácio, mas o Assassino da torre desce um lance de escadas apressado para vir em nosos encontro.
— Mestre Azhiph, queria pedir desculpas por não ter permitido a sua entrada e a de Hornan, mas foram ordens diretas do mestre Grambert. Ele queria a fortaleza mais segura possível por conta do Arco - Hornan e eu nos entreolhamos antes de concordar.
— Não se preocupe irmão, em breve tudo será esclarecido - O irmão da Ordem se junta a outro grupo que se preparava para partir enquanto nós dois corríamos pelos corredores da fortaleza, atravessando os jardins centrais até ouvirmos um gemido agudo durante a passagem por um grupo de Assassinos que se dirigia à saída do salão. Hornan e eu nos abaixamos atrás de uma escada para ver a estranha movimentação no fim da sala escura.
— Acho que ninguém escutou o que aconteceu devido toda agitação do lado de fora - Sussurrou Hornan observando quem nós dois reconhecemos ser o mestre Grambert.
— Você vai me falar ou eu terei que te machucar mais um pouco, Dertrail?
— Por que está fazendo isso, mestre?
— Por que essa Ordem se perdeu no meio da própria causa. Estamos cegos e alheios aos nossos próprios feitos. Pensamos estar libertando as pessoas quando na realidade estamos prendendo mais ainda - Ele dá uma risada abafada antes de rasgar o pescoço do pobre garoto sem um pingo de clemência, uma coisa que eu também não pretendia ter.
— Pare mestre Grambert - Gritei erguendo minha espada em sua direção, acompanhado por Hornan, que estava um pouco receoso quanto a atacar.
— Azhiph? Por que não me escutou e foi embora com sua família?
— Por que eu sabia que tinha algo estranho nessa história. Você avisou os Templários a respeito da missão e deixou que se preparassem para nosso ataque.
— Sim, fui eu. Eu imaginei que seu ego e vaidade falariam mais alto e isso se confirmou. Você tenou matar o grão-mestre Templário sozinho e isso custou a vida de Menzao. Por essa dupla traição você deveria ser torturado antes da morte.
— Se eu traí o Credo foi porque o senhor traiu primeiro. O que quer com o Arco? - Pergunto tentando controlar minha vontade de partir para cima sem hesitar.
— O que eu quero? Não parece óbvio? - Ferrien sorri em tom de deboche antes de erguer a espada em nossa direção - Nenhum de vocês pode me deter.
— Você nos treinou - Afirma Hornan indignado - Você nos ensinou...e você nos traiu - Juntos, Hornan e eu partimos para cima de Grambert, que defende ambos os golpes, revidando tanto com as armas quanto com as pernas numa legítima dança marcial. Me concentro e o ataco pelas costas propositalmente, deixando que desviasse para que abaixasse a guarda e deixasse o caminho livre para um ataque de Hornan, que rasga as vestes de Ferrien num piscar de olhos. Levantamos espantados com aquilo, ele havia esquivado do ataque mais imprevisível de todos, tendo apenas o tecido de um braço rasgado, o que o faz rir em tom de provocação.
— Eu treinei os dois e tudo que conseguem fazer é isso? Crianças, parem com isso enquanto há tempo.
— Só quando você morrer - Respondi partindo para um novo ataque, o qual repele com uma espada, mas desta vez revido com a lâmina oculta, esta acaba sendo desviada pela bota do mestre. Ele me chuta para longe e, desviando um golpe de espada de Hornan que acaba fazendo ele perder o equilíbrio, atinge a perna do jovem com a espada longa, atravessando a arma sem pressa apenas para aumentar a dor em Hornan.
— É assim que quer me enfrentar, Azhiph? Esqueceu-se de quem sou? Ferrien Grambert, o Assassino das mil foices. Acha mesmo que pode me derrotar? - Me afasto. Largo a espada e fecho os olhos. Por algum motivo que desconheço, tudo ao redor fica alaranjado, então me vejo correndo de um lado para o outro, usando bases de energia alaranjada como se fossem apoios para escalada e ataco Grambert tantas vezes que ele simplesmente cai tonto no chão sem noção alguma de onde tinham vindo tantos ataques.
— Hornan - Chamei exausto. Parecia que todas as minhas forças tinham simplesmente desaparecido.
— Vá sem mim, Wilkar. Pegue o Arco e dê fora desse lugar - Sem outra opção, me afasto hesitante do salão e sigo para além daquele canto indo na direção de um santuário no centro da fortaleza. Sinto que Wilkar está pensando em fazer tudo de novo, mas desta vez usa um novo truque. Ele se concentra e o brilho alaranjado surge outra vez ao redor de todas as coisas, aos poucos revelando o que havia por trás de cada porta. Ele se concentra mais e finalmente sente onde está o Arco. Assim que tudo volta ao normal, sigo depressa para uma parede no canto do santuário, a qual começo a puxar diversos tijolos, mas eis que um grupo de Assassinos aparece e ergue suas espadas pedindo que eu abaixasse as armas. Subitamente sou puxado de volta ao laboratório de Samuel Baxter, onde ele me encara com uma expressão vitoriosa.
— Me diz que encontrou a entrada - Declara Baxter me segurando pelo colarinho.
— Você não viu?
— Não conseguimos. Outra vez a tela ficou branca e tudo que pudemos constatar foi a perda do aparelho. Parece que queimou pouco depois que trouxemos você de volta.
— Então não pode me levar de volta? - Pergunto decepcionado.
— Então o bebê gostou de ter conhecido o ancestral, foi? - Zomba Baxter me soltando na maca. Ele saca uma pistola e aponta para minha cabeça - Diga logo onde está.
— Que bom que respondeu minha pergunta antes que eu a fizesse, odiaria ouvir sair da sua boca.
— Que pergunta?
— Se você me mataria depois que eu dissesse o que quer saber.
— Não podemos correr o risco de você sair daqui e contar o que sabe aos seus amigos.
— Amigos?
Acha que sou idiota? Te observei durante a sincronia das memórias. Você conheceu seu passado, conheceu o Credo dos Assassinos e conheceu a causa deles, tudo por meio das experiências e pensamentos de Wilkar Azhiph. Vai me dizer que não deu vontade de ser um deles? Ainda mais depois de ter se tornado um deles por algum tempo? - Não respondi. Ele estava certo. Todo aquele tempo no corpo e mente de Wilkar me fizeram mudar. Quando cheguei naquele lugar era um homem perdido querendo se livrar da perseguição a todo o custo. Agora queria ir até meus perseguidores e descobrir o que estava acontecendo e como isso afetaria não apenas a mim, mas às pessoas ao meu redor. Estva disposto a enfrentar os Templários.
— Me diz uma coisa Baxter, se você me matar agora não vai ter o que sabe, e agora você sabe que só eu tenho o que você precisa, então seria bom você reconsiderar essa parte de me soltar.
— Nem pensar - Ouve-se um estrondo distante. A seguir outro, mas desta vez mais próximo e um terceiro mais perto ainda.
— Acho que nesse momento você tem assuntos mais importantes do que eu - Samuel sinaliza para seus homens, cuja maioria se retira do laboratório antes de fechar a porta.
— Agora podemos voltar aos nossos assuntos, ou eu terei de matar cada pessoa que conheceu para conseguir que me diga a localização - Eu me concentro durante alguns instantes, pensando em tudo pelo que havia passado, então sinto a mudança no ar. Tudo ao meu redor se torna lento, enquanto eu me torno mais rápido. Em um piscar de olhos me livro das algemas e dou um chute na pistola de Baxter, que voa para longe. Os cientistas tentam me controlar disparando sem habilidade alguma com as armas penduradas nas paredes, chegando ao ponto de acertarem uns aos outros, então eu alcanço um dos cientistas e dou um chute em sua barriga antes de roubar sua arma e atirar nos colegas dele sem pensar. Um segurança tenta me atingir com uma metralhadora, mas eu desvio com manobras de parkour que não fazia ideia de que conseguia realizar, mas logo volto a me concentrar em meua alvos e deixo meu espanto para outro momento. Assim que todos os cientistas e seguranças estão desacordados ou mortos, apanho um dos crachás e uso para abrir a porta, encontrando de cara Jade e dois amigos.
— Finalmente te encontramos - Afirmou fingindo não estar contente, mas estava claro em seus olhos. Preservando minha segurança, os Assassinos me guiam para fora do complexo, atingindo os seguranças que aparecessem para impedir nosso progresso. Quando enfim deixamos a base Templária, alcançando um veículo grande e subindo no mesmo para ir embora, percebi que haviam dezenas de soldados voltando ao complexo ao invés de nos perseguir.
— O que foi isso? - Pergunto a um dos Assassinos que não conhecia.
— Se chama prioridade, Azhiph. É mais útil se preocuparem em salvar a base deles do que vir atrás de nós.
— Eles pensam que ainda há um de nós lá dentro e é bom que percam seu tempo acreditando nisso - Afirma o outro Assassino abaixando seu capuz.
— Preciso ver o Harry agora.
— O que? - Questiona o Assassino que reconheço ser Victor se aproximando de nós.
— Sabemos que precisa, Derek - Esclarece Jade segurando meu pulso com força - Mas deixe suas perguntas para outra hora. Descanse enquanto pode - Como sempre, seu jeito rude e decidido me convence e logo eu me sento no chão do carro, deitando a cabeça para finalmente conseguir relaxar, estava livre dos Templários e com as pessoas que tinha de estar. Obrigado Wilkar, agradeço mentalmente antes de pegar no sono.



Notas finais do capítulo

O que acharam? Agora que Derek está a salvo dos Templários, ele se unirá a Irmandade dos Assassinos?



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