Naruto, A Criança Hokage: escrita por Yori Sora


Capítulo 3
O Dia Que Sujei Minhas Mãos de Sangue:




Aquele cara era temível. Sim, eu havia percebido como fui idiota, um burro, por não ter reconhecido o cheiro antes. Ah, sou eu de novo, contando a minha história – conto com a paciência de vocês! E, ah, onde eu estava? Sim, eu estava falando sobre o generoso e isolado ninja conhecido como Uchiha Itachi.

 

Para ser honesto, eu só via Itachi na vila quando o mesmo carregava Sasuke em suas costas depois de um provável treinamento – considerando o suor e as pulsações mais rápidas pela exposição dos canais sanguíneos. – Itachi parecia um irmão cuidadoso, já adulto, dedicado ao clã e à Konoha. Um homem bem mais alto que o pirralho que eu era na época, possuía também o doujutsu do Clã Uchiha, ativado em sua expressão básica máxima: a das três tomoes.

 

— É a primeira vez que eu vejo o Sharingan pessoalmente, Uchiha Itachi – eu disse, sério. – O que está acontecendo aqui? – continuei interrogando.

 

— Não lhe devo satisfações, criança – ele me repreendeu. – Onde está o meu irmãozinho tolo? – ele perguntou.

 

— Vim no meu sunshin mais rápido, que mesmo assim não se compara ao seu. Sasuke vai demorar um pouco para ver essa... – eu olhei para os ninjas caídos ali, a maioria ainda não estava morta.

 

— Não é uma batalha – disse ele, com a voz serena e fria. – É um massacre.

 

Ah, eu havia entendido. Mas então, por que o olho esquerdo de Itachi tremulou, indo ligeiramente para cima e voltando à sua direção original em menos de dois segundos? Ele estava tentando se recordar de algo que viu, mas por quê?

 

— Cara, eu não tenho nenhuma chance contra você! – eu disse, dando o meu maior sorriso. – Mas vou me esforçar, não quero que você mate mais pessoas; mas para não perdermos o foco, você vai matar o Sasuke? – perguntei, queria testar algo.

 

Quando Itachi parecia decidir me responder ou não, eis que chega o garoto: Uchiha Sasuke.

 

— Nii...-san? – eu ouvi sua voz. Pobre Sasuke. – O que está acontecendo aqui... – antes que ele terminasse, tendo visto vários uchihas no chão, casas com vidraças quebradas e muitos uchihas chegando para embater o “invasor”, eu disse:

 

— Sasuke, não sou o seu irmão e também não sei direito – eu disse. – Olha, eu gosto de você – me virei, sorrindo para ele, e desapareci num sunshin bem rápido, indo para trás dele. O golpeei nas costas. – Mas você não deve atrapalhar... isso é pelo seu próprio bem – foram as últimas coisas que ele ouviu, antes de desmaiar.

 

O olhar de Itachi ficara levemente trêmulo. Era um ato arriscado, mas eu tinha que tentar.

 

— Itachi, eu estou abandonando a vila – eu disse. – Como você vai assassinar todo o Clã Uchiha, o que acha de vir comigo, como nukenin? Você vai matar o Sasuke ou eu o mato? Sabe, eu odeio que me chamem de monstro, mas você deve me entender... – dei uma pausa e sorri maliciosamente, pegando uma kunai da minha manga e encostando na jugular do Sasuke deitado. – Não é mesmo? – concluí.

 

Itachi deu um passo para frente, mas um grupo de ninjas começou a jogar várias shurikens e kunais com tarjas explosivas. Um passo para me impedir? Era o que esperava, até que aquele bom ator era previsível, mas de nada adiantaria entender aquele homem se tudo aquilo iria explodir e a gente morrer.

 

Eu não podia usar Fuuton em fogo, então decidi usar pela primeira vez, numa batalha real, um jutsu que o meu amigo anbu me ensinou pouco tempo atrás. Fiz um selo e gritei:

 

— Kage Bunshin no Jutsu! – eu disse, criando vários clones meus que usaram chakra fuuton para saltarem mais velozmente no ar e pegar a maioria das kunais e shurikens explosivas, indo para longe e explodindo com elas.

 

Em um sunshin, apareci ao lado de Sasuke.

 

— Entendo... – ele ponderou. – Era uma armação, certo? – ele me olhava.

 

— Claro! Pra quê que eu ia matar o Sasuke?! Hoje mesmo estava pensando em virar amigo dele – eu respondi, sorrindo para ele.

 

— Amigo do Sasuke? – ele perguntou, calmamente. Sasuke era um cara legal, mas muito isolado.

 

Era normal que, apesar do fan clube, tivesse poucos ou nenhum amigo.

 

— É, quem sabe? – eu retruquei. Mas tínhamos novos problemas, além da falta de associação de Sasuke.

 

Vários ninjas querendo nos matar. Gritavam e chamavam Itachi de traidor, mas traidor por quê? Eu não podia pensar muito no assunto, mas o complicado era que para lutar também seria bem chato, já que uchihas são especialistas em Katon e eu em Fuuton. Vento alimenta fogo, a não ser que...

 

— Itachi, você não precisa matar o Sasuke – eu proferi e fiz mais um bunshin. – Esse kage bunshin o levará para um lugar seguro. Bem, se estão te chamando de traidor, só posso presumir que já sabem que é você, mas os Uchiha são os melhores policias de Konoha.

 

Não pude terminar, pois um homem tentou me atacar com um golpe de kunai, que eu bloqueei com a minha, a mesma que eu “ia” usar no Sasuke. Concentrei bastante chakra na minha mão esquerda, na verdade, no meu braço; e o soquei no queixo, o fazendo cair inconsciente.

 

— Eu cuido de tudo aqui, Naruto-kun – disse Itachi, ao ver que o clone com Sasuke já estava longe. – Você é mesmo muito bom, é por isso que te chamam de gênio, mas você não é páreo.

 

— Eu sei, obrigado, e quem não é pareo? – eu disse, zombeteiro. Haviam muitos ninjas nos atacando, sendo nocauteados por Itachi.

 

Fiz alguns selos e gritei:

 

— Fuuton – Akuma Wandarã! – era um jutsu que eu havia desenvolvido, o “Demônio Andarilho”. Concentrando uma quantidade massiva de chakra Fuuton no corpo e com uma base de vento sólida nos pés, conseguia me movimentar numa ventania cortante, que me permitia nocautear vários oponentes.

 

Dei um salto mortal no ar para frente e atingi mais um com um potente soco de chakra, fazendo um pequeno buraco no chão. Nenhum deles estava morto, porém; provavelmente, com vários ossos quebrados e algumas lesões, mas não mortos.

 

— Kage Bunshin no Jutsu! – eu gritei, criando trinta clones meus. O meu eu verdadeiro sorriu para Itachi, que observava tudo surpreso, ali atrás. Sabia que não ia dar conta de todos, mas os clones gritaram:

 

— Fuuton – Akuma Wandarã! – e começaram a correr e nocautear outros uchihas, mas jogando bombas de fumaça, pois clones meus tinham habilidades de luta inferiores às minhas e, portanto, podiam ser vencidos pelo Sharingan, sem contar que eles poderiam prever o meu jutsu e contra atacar. As bombas de fumaça faziam o nevoeiro roxo ficar ainda maior e eu conseguia atingir eles, eu e os meus clones, pelos cheiros de suor.

 

Tinha nocauteado uns cinquenta uchihas, mas estava exausto, usei muitos músculos! Eu olhei para trás e Itachi vinha até mim saltando sobre as casas, preocupado. Olhei para ele e me sentei no chão, totalmente cansado – um ato infantil e impensado, de alguém sem experiência em batalhas, como eu na época, pois eis que surge um ninja que eu não havia detectado, descendo até a mim, com uma kunai em riste, pronto para me degolar de cima para baixo.

 

Na época, eu não sabia o que havia acontecido comigo, quando vi aquela sombra, aquele vulto, percebi que iria morrer. Senti um medo profundo, amargo e triste. Sim, por um segundo, pensei em tudo.

 

O que seria de mim sem eles?

 

Sem as tardes olhando as nuvens com o Shikamaru, sem os churrascos junto dos Akimichi e do Chouji.

 

Sem as brincadeiras românticas demais da Ino, sabendo ambos que éramos apenas bons amigos. Sem as ofensas sem sentido do Kiba, que era na verdade um amigo querido que eu nunca admitiria.

 

Sem observar Shino desconfortável com lojas com pesticidas e achar engraçado.

 

Risos, brincadeiras e, principalmente...

 

Tudo aquilo se passava num turbilhão, confuso, mas parecia claro na minha cabeça: toda a vida de risadas que eu poderia ter, eu podendo ser o maior Hokage da História e ser reconhecido e, principalmente, ter noitadas de ramen com a Hinata, em que eu comeria oito tigelas e ela uma singela tigela de ramen de legumes.

 

E eu falhei na minha promessa de sempre a proteger, de ver ela se tornando uma Líder Hyuuga incrível.

 

Eu quase sentia o metal da kunai encostando friamente no meu pescoço, aquele deveria ser o fim.

 

“Hinata... por favor, me desculpa. Pessoal, cuidem dela por mim”, eu pedi, em pensamento, aceitando o meu aparente destino.

 

Um ruído de gota. Um escapamento de um cano? Oh, aquilo era o outro mundo, o Além Túmulo?! Abri os olhos, percebendo que os meus pés estavam molhados, havia uma água chegando até os meus tornozelos, molhando um pouco a minha calça azul.

 

Mas eu não entendia como estava ali se nem senti a morte finalmente me pegar. Comecei a andar por ali, muito confuso, era um esgoto enorme! Mas então, eis que começo a sentir um chakra assustador: não era como o de Uchiha Itachi, um bom ator preocupado com o irmão – era o de uma maldade real, atemporal e, novamente, algo assustador.

 

Segui aquele chakra, de repente teria alguma explicação ali. Um garoto de dez anos procurando algo que simbolizava o Mal para ter explicações... É, eu sempre fui estranho.

 

Cheguei em uma “sala” com uma enorme cela, era realmente gigantesca, poderia acomodar um gigante; nela estava escrito “selo”, em kanji. Ergui uma sobrancelha e fiquei em guarda ao ver dois olhos também gigantescos e avermelhados me observando... eles tinham enormes fendas negras.

 

— Por que não se aproxima? – saiu dali uma voz estridente e monstruosa. – Não vou te machucar, garotinho.

 

— Claro que vai – eu respondi. – Mas mais importante, onde estou? Eu realmente morri? – perguntava.

 

— Não... – a voz disse, parecendo pensativa. – Ainda não.

 

— Ainda? – perguntei.

 

E então, eis que uma figura surge das sombras, se revelando uma enorme raposa de pelugem vermelha e sorrindo com suas presas. Um sorriso cruel e ansioso por carne e sangue. Eu devia estar com os olhos esbugalhados, de tanta surpresa.

 

— Está surpreso? – o ser perguntou. – Não tem medo da grande Kyuubi no Yoko? – continuou, com certa ironia.

 

— É... prazer – eu disse. – Espere um pouco – eu passei a refletir, repousando a mão na testa, como se estivesse com dor de cabeça. – Se você é o espírito da Kyuubi, mas eu não morri, significa que ou eu fui temporariamente para o outro lado ou...

 

— Exatamente – a raposa não me deixou continuar. – Eu estou em você.

 

Caí novamente no chão, dessa vez molhado, comigo sentado. Eu havia perdido o equilíbrio. Era por isso que me tratavam daquela forma, havia um ser diabólico em mim! Eu não estava morto e ele estava no meu corpo, ele era feito de chakra, então saí imediatamente do meu transe, depois conversaria com o Sandaime.

 

— O Yondaime te colocou em mim para depois morrer – eu afirmei. – Se você está aqui, me deve aluguel; logo voltarei para fora, então me pague com seu chakra! – eu ordenei, apontando-lhe o indicador.

 

— Moleque abusado – a raposa disse, sem demonstrar paciência. – Mas tudo bem, só não se acostume.

 

Da jaula/cela, começou a sair um chakra vermelho meio aquoso, que ia até os meus pés e subia pelo meu corpo, eu me levantei na hora, assustado.

 

— Aproveite – a raposa disse.

 

Com um instinto apurado, concentrei o novo chakra no meu corpo, fazendo o meu jutsu Fuuton, mas usando apenas o meu corpo e sem Fuuton, apenas o chakra do demônio. Quando a kunai ia perfurar o meu pescoço, simplesmente agarrei o braço da pessoa em um segundo e o quebrei com minha força. Em seguida, comecei a correr, emburrando o cara e sei que destruí algumas casas.

 

Assustado pelo pavor de morrer, o soquei várias e várias vezes, até me dar conta do que estava fazendo e parar.

 

— O que é isso?! – eu perguntei e exclamei, desesperado, olhando minhas mãos cheias de sangue. Eu sabia quem era a pessoa ali, era Uchiha Fugaku, líder do Clã Uchiha.

 

Eu estava afastado das casas, mas ainda no clã... e ele estava morto, no chão, cheio de sangue. Minhas luvas antes eram azuis, mas naquele momento estavam escarlate.

 

Dei passos para trás, atordoado, não acreditando em nada.

 

Eu havia de fato assassinado alguém.



Notas finais do capítulo

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