Talhos de Papel escrita por Arisusagi


Capítulo 1
Capítulo Único


Notas iniciais do capítulo

Beeem, acho que caí de paraquedas nesse desafio, e nem acredito que saiu alguma coisa no fim das contas, nossa.
O tema que tirei foi papel, e eu fiquei meio perdidinha com ele auehau. Mas no fim eu consegui escrever, ufa.
E eu ainda consegui usar minhas mais novas OCs, haha ♥ Espero escrever mais coisinhas com elas no futuro.



— Pessoal, vou entregar as provas, façam silêncio, por favor.

Letícia sentiu o seu estômago se revirar quando ouviu as palavras do professor de física. Aquela prova havia sido bem difícil e ela tinha certeza de que não ficaria nem um pouco satisfeita com a nota.

Seus colegas se levantavam assim que o professor dizia seus nomes e voltavam para suas respectivas carteiras com a prova nas mãos. Alguns pareciam decepcionados, outros estavam rindo; provavelmente da própria desgraça.
Cristiane, a namorada de Letícia, era uma das que ria.

— Três e meio, cara. — Letícia a ouviu dizer para alguém — Achei que ia ser zero, isso tá ótimo.

Um nó se formou em sua garganta. Ela sabia que a nota que viria não iria nem se comparar às horas e horas que passou estudando para aquela prova. Letícia queria conseguir ser como Cris, despreocupada, rindo de uma nota horrível como aquela. Por mais que o jeito descontraído de Cristiane a irritasse em alguns momentos, no fundo, Letícia desejava ter essa capacidade de rir mesmo quando tudo estava indo errado.

— Letícia Pereira.

Um frio correu pela sua espinha. Era agora: ela teria que ver a nota, querendo ou não.

Letícia quase tropeçou na própria mochila ao levantar e caminhou com passos apressados até a frente da sala. O professor entregou a prova com um sorriso, ao qual ela respondeu da mesma forma. A prova parecia mais pesada do que deveria, mais ameaçadora. Tê-la em mãos era sufocante.

Ela dobrou a prova sem nem olhar para o que estava escrito ali e voltou para o seu lugar.

— E aí? — Cris perguntou quando a viu. — Quanto?

— Nem olhei. — Letícia suspirou e se sentou em seu lugar, que ficava logo na frente da namorada.

— Quer que eu veja pra você?

— Pode ser. — Ela colocou a prova dobrada sobre a mesa de Cris e fechou os olhos. Suas mãos estavam mais suadas do que deveriam, e seu coração batia rápido demais.

— Ah, não foi tão ruim assim, não mesmo. — Cris riu. — Deve ser uma das maiores notas da sala, na moral.

— Quanto? — Letícia perguntou ainda de olhos fechados.

— Seis e meio.

Ela não soube descrever o que sentiu quando ouviu aquilo. Aquela nota não era, nem de longe, satisfatória. Era a pior que já havia tirado em física.

Quando se tratava de notas e de desempenho escolar, Letícia era muito dura consigo mesma. Ela sempre fazia o máximo para tirar notas boas e ficava arrasada quando não ia tão bem quanto o esperado.

A única coisa que Letícia queria fazer naquele momento era chorar e chorar até não conseguir mais. Ela passou, pelo menos, um mês estudando para aquela prova para tirar uma nota daquelas? Aquilo era inaceitável.

Por sorte, aquela era a última aula. Quando ela acabasse, Letícia iria direto para casa, onde ela poderia chorar sem ser vista por ninguém.

— Lê. — Ela estremeceu quando sentiu a mão de Cris apertando seu ombro. — Tá tudo bem?

— Tá. — Letícia se esforçou para sorrir, mas a expressão de Cris dizia que ela não estava convencida. Ela a devolveu sua prova sem dizer nada, mas ainda a olhando com ar de desconfiança.

Letícia pegou a prova, apertando a folha de papel enquanto olhava os erros de cada uma das questões. Nenhuma das respostas estava completamente incorreta, mas também não estava totalmente correta.

O professor terminou de entregar as provas e começou a passar uma matéria nova na lousa. Letícia fez o possível para prestar atenção na aula, mas volta e meia olhava para a prova, que estava debaixo de seu caderno.  Toda vez que ela via aquele “6,5” escrito e caneta vermelha, uma porção de pensamentos autodepreciativos pipocavam em sua cabeça.

Ela sabia que estava sendo muito exigente consigo mesma, mas não conseguia evitar, e isso era o pior de tudo.

O tempo demorou a passar e Letícia sentia cada vez mais dificuldade em esconder sua vontade de chorar. Ela soltou os cabelos longos e pretos, que estavam presos em um rabo de cavalo, e passou a enrolar algumas mechas nos dedos, na tentativa de se distrair.

Quando o professor finalmente encerrou a aula, Letícia sentiu uma mão em seu ombro esquerdo novamente.

— Quer ir lá em casa? — Cris perguntou enquanto colocava sua mochila nas costas.

Letícia mordeu o lábio inferior. Ela não queria recusar o convite, mas ao mesmo tempo não queria que sua namorada a visse chorando por um motivo tão patético.

— Eu… — Ela tentou pensar em alguma desculpa. — É que…

— Você não tem nenhum compromisso hoje, né? — Cris ficou de pé, ainda com a mão no ombro da namorada. — Eu queria conversar com você…

O olhar de preocupação de Cris dizia claramente que ela já havia percebido que Letícia não estava bem.

— Ok…

Era incrível como as duas se conheciam tão bem, mesmo com poucos meses de namoro, talvez por causa da amizade forte que elas tinham antes de começar a namorar. Elas aprenderam a ler as pequenas mudanças no comportamento uma da outra e conseguiam saber o que a outra estava sentindo através disso.

No caminho para a casa de Cris, Letícia não disse praticamente nada. Ela estava nervosa demais pensando no que diria para sua namorada quando elas finalmente chegassem a sua casa.

Cris morava em um prédio na mesma rua da escola, por isso, Letícia ia lá depois das aulas com frequência. A mãe e o irmão mais velho dela trabalhavam, e o seu pai morava em outra cidade, então as duas sempre conseguiam passar bastante tempo sozinhas.
Logo que passaram pela portaria do prédio, Cris segurou o braço de Letícia, que andava a alguns passos a sua frente.

— Você está estranha — ela disse, preocupada. — O que aconteceu?

Letícia olhou para o chão, sem saber o que dizer. Cris detestava que ela fosse tão exigente consigo mesma, disso ela sabia muito bem.  Por isso, sempre fazia o possível para esconder suas crises da namorada.

Cris a puxou até o hall do prédio e chamou o elevador sem dizer uma palavra. Letícia sentiu uma vontade ainda mais forte de chorar. Sua namorada estava brava e era tudo culpa dela.

Elas subiram em silêncio até o décimo primeiro andar. Quando saíram do elevador, Cris segurou a mão de Letícia, entrelaçando seus dedos, enquanto destrancava a porta do apartamento.

— Foi a nota, não foi? — Cris perguntou enquanto punha a mochila no chão.

— Desculpa…

Letícia fechou os olhos quando sentiu as lágrimas escorrerem pelo rosto. Ela estava extremamente envergonhada, se arrependia de não ter ido direto para casa.

— Não tem por que você se desculpar. — Cris a abraçou.

Letícia encostou a testa no ombro dela e chorou mais um pouco, abraçando sua cintura.

— Olha aqui. — Ela segurou o queixo de Letícia com delicadeza e a olhou nos olhos. — Você não precisa se culpar tanto assim por causa de uma nota. Você fez o seu melhor, eu sei disso.

Letícia balançou a cabeça. É claro que ela sabia que todo aquele desespero era infundado, mas era impossível não se sentir daquele jeito.

— Eu não estou brava com você, tá bom? — Cris beijou sua testa e a abraçou com mais força.

— Tem certeza? — Letícia murmurou, com seu rosto pressionado contra o peito dela.

— Tenho. Você precisa aprender a não exigir tanto de si mesma, mas isso leva tempo.

Letícia não estava cem por cento aliviada, entretanto era confortante saber que Cris não estava, de fato, brava com ela.

— Promete que vai falar comigo quando estiver se sentindo mal assim?

— Prometo.

Cris segurou o rosto de sua namorada com as duas mãos, passando o polegar pela maçã do rosto, e a beijou.

— Aqui. — Cris enfiou a mão no bolso da calça e tirou um tsuru meio amassado, feito com um pedaço de folha de caderno. — Eu fiz pra você durante a aula.

— Obrigada — Letícia esfregou os olhos e pegou o origami. Cristiane costumava presenteá-la com passarinhos de papel quando ela não estava se sentindo muito bem. Aquele seria mais um para a coleção.

— Agora vamos almoçar porque eu estou morrendo de fome — Cris disse, arrancando uma risada da outra.

Apesar de ainda não estar tranquila, Letícia se sentiu um pouco mais calma. Ela sabia que podia confiar na outra, mas ainda precisava aprender a se abrir mais para ela.




Notas finais do capítulo

2016 tá sendo um ano tensinho pra mim em termos de escrita **como já falei em várias outras notas de histórias** eu dei tudo de mim pra escrever isso aqui, mas ainda acho que poderia ter sido melhor :'3
Enfim, comentários e críticas são muito bem vindos ♥



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