Remember-Uma Vida Pra Viver escrita por Thay Paixão


Capítulo 7
Tempo


Notas iniciais do capítulo

Demorei! Mil desculpas gente! estou com outra fic em fase final, e me dedicando mais a ela... mas não abandonei essa não!
boa Leitura ♥



Remember

Tempo

 

Dessa vez eu vi a morte de perto. De novo. Eu estava grogue entre uma bolsa de sangue e outro. Médicos, enfermeiros, meu pai, meu avô... Todos ali, próximos a minha cama falando do ‘’milagre’’ e eu sem poder me mexer.

Eu precisava saber de Bella. Como estava? Estava num quarto próximo? Quando eu poderia vê-la?

Pareceu ter se passado um bom tempo até que finalmente eu pude focar em algo e manter meus olhos abertos.

—Bom dia raio de sol. – uma voz muito conhecida por mim sussurrou. Afagou meus cabelos.

—Mamãe? – consegui pronunciar. Abri meus olhos para a claridade do quarto. Esme Cullen tinha o rosto banhado em lágrimas.

—Meu menino! Graças a Deus você está bem! – ela tentou me abraçar.

—Esme, querida, tenha cuidado. – ouvi a voz da minha avó. Esme se recompôs e afastou-se. Secou os olhos.

—Edward você me deu um baita susto! – ela reclamou.

—Em todos nós. – Vovó Elizabeth disse com um sorriso. – O importante é que está bem.

—Bella... – Minha voz era muito fraca.

— Ela está passando por baterias e mais baterias de exames querido. Porem logo teremos noticias. Agora se foque em ficar bem. – Vovó disse com a voz tranquilizadora.

—Você foi muito irresponsável! – Esme ralou.

—Desculpa. – sussurrei sem saber o porquê me desculpava.

Ela sacudiu a cabeça como se tentasse se livrar de uma ideia.

—Você poderia ter morrido! Tem alguma noção de como passei esses dois dias? – reclamou.

—Esme. – Vovó falou seria tocando o braço dela. – Edward acaba de acordar, passou por muitas coisas e salvou a vida de uma moça. Apenas o deixe descansar e nos poupe da sua ladainha.

Minha mãe parecia querer retrucar, mas pensou melhor e recuou. Passou as mãos pelos cabelos castanhos claros tentando fazer um rabo de cavalo que se desmanchou pelas suas costas.

—Tem razão Elizabeth. Desculpe. – ela disse e pegou minha mão entra as suas. – Foi muito bonito o que você fez. Mesmo, e eu te admiro por isso, mas você tem noção de que poderia ter morrido?

—Eu ainda estou vivo. – falei fraco. – E Bella? – falei olhando para vovó.

—Eu já falei Edward. Agora vamos chamar o medico para te ver. – foi o que disse antes de sair e me deixar com Esme.

—Desculpe, mãe. Não queria magoar você.

—Eu sei meu amor. Agora tudo ficará bem. - ela afagou meus cabelos.

—Eu dormi por quanto tempo?- questionei

—Você estava fraco de mais filho. Foram dois dias muito longos. Seu pai foi um grande irresponsável!

—O que meu pai tem haver com isso? – suspirei

—O que ele tem haver? Bom só o fato de você não ter tomado seus remédios direito já é motivo mais do que o suficiente para coloca-lo em problemas.

—Mãe eu não sou bebê.

—Então por que age como um? – ela foi ríspida. Eu podia ver que por de baixo da fachada irritada ela estava sofrendo.

Tentei ser calmo e claro.

—Nós dois sabemos que eu não vou melhorar.

Ela sacudiu a cabeça.

—Filho... Você não entende. Vai ficar bem. Tem essa moça que eu procurei e estou certa de que ela é sua irmã biológica. Ela já esta aqui, veio comigo. Aliais é graças a ela que você está se recuperando. Seu corpo não estava reagindo a outras transfusões de sangue, ela chegou comigo ontem à noite e já foi se oferecendo para doar. Graças a isso você está melhor.

—E onde ela está?

—Descansado. Você precisou de mais de uma bolsa. Ela vai ficar bem, não se preocupe, é uma moça forte.

A forma banal como Esme falava da menina me deixou com raiva. Droga, a garota havia cruzado o mundo para tentar me salvar, e já chegou perdendo quase todo o sangue. E Esme via isso como? Um ato banal?

—Não é obrigação dela salvar a minha vida, você sabe.

—Ela é sua irmã Edward. Vamos deixar que ela decida o que é obrigação ou não.

—A obrigou a vir?

—O que? Como você diz isso! Deve estar confuso pelo excesso de soro, não te darei mais ouvidos hoje.

Ela ficou emburrada.

Essa foi à deixa para o medico entrar.

—Ora, ora rapaz. Você nos deu um baita susto. – ele começou a me examinar, me fazia perguntas curtas enquanto mantinha suas mãos ocupadas pelo meu corpo. O grande exemplo do que é eficiência.

—Me parece bem Edward. Amanhã mesmo poderemos fazer o transplante de medula.

—Mas o medico dele não esta aqui ainda. – Esme protestou.

—Senhora Cullen seu filho precisa disso o quanto antes. Só quero dar tempo para que a jovem Bradon se recupere.

—Como ela está? – perguntei.

—Só sonolenta. Também passou por grandes emoções ao encontrar o irmão há tanto perdido. Por falar nisso vou checa-la, e mandar que tragam comida para o jovem aqui, você gostaria de um pouco de alimento sólido certo rapaz? – confirmei com a cabeça mesmo sem ter certeza de que conseguiria manter algo no estômago.

—Procure não se esforçar muito. Vou dar uma olhada na Isabella Swan, nossa garota milagre está causando um alvoroço na cidade.

Esme bufou.

—Ninguém quer lidar com aquele bando de jornalistas lá fora.

—Como assim?- perguntei

A resposta veio de vovó.

—Toda a imprensa dos estados unidos está aqui! Todos querem a historia em primeira mão do milagre!

—Eles estão proibidos de entrar no hospital. – o médico me assegurou. Olhou o relógio e completou – tenho que ir, qualquer coisa me chamem.

Quando a comida chegou Esme me deu na boca, o que me fez sentir-me um incapaz completo. Vovó ficou falando da loucura que era ligar a TV e ver que eles haviam arrumado uma foto minha da escola, e uma de Isabella, e nos chamavam de o ‘’casal sobrenatural’’. Ridículos.

—E eles apareceram poucas horas depois de vocês darem entrada aqui no hospital.  – completou.

—Elizabeth, acho que Edward precisa descansar. – Esme disse firme.

—Querida você precisa tanto ou mais que ele. Vá para casa, tome um banho, como algo e durma um pouco.

—Não vou sair do lado do meu filho! – ela parecia ofendida.

—Mãe por favor. Preciso de você forte. - apelei. Ela sorriu para mim e percebi que a havia ganhado.

—Mas Elizabeth... Você não pode passar a noite aqui.

—Carlisle virá. Peça para que Antony venha, assim volto para casa com ele.

—Acho que só vou dar uma passadinha e volto para passar a noite.

—Mãe você precisa descansar.

—Posso dormir bem naquele sofá ali. Sou pequena. – ela piscou e eu tive que rir. Esme nunca sairia do meu lado se pudesse evitar.

—Rosalie sente sua falta. – vovó falou tentando camuflar seu tom acusador.

—Também sinto falta dela.

—Então passe a noite com sua filha, Esme.

—Mas Edward...

—Ficará bem.

Pode parecer egoísta da minha parte, se levar em consideração que Esme faria qualquer coisa pelo meu bem estar, porem eu estava mais do que feliz quando ela saiu me deixando com a vovó.

—Você fez um excelente trabalho filho.

—Vó... Eu preciso vê-la.

—Só fazem dois dias Edward. A mãe dela chegou ontem à noite junta com sua mãe, imagine só! Pobre Renée... Está em choque ainda. Passou por todo período de luto com a morte da filha e não está sabendo lidar com tê-la de volta.

—Ficando feliz já é um jeito.

—Ela está, querido. Mas é informação de mais...

—E o Cherife?

—O Charlie? Esse está ótimo, fica dando ordens e não sai do lado de Bella.

—Quando vou poder vê-la?

—Que tal quando você estiver melhor?

—Vovó! – reclamei. Ela riu.

—Vou ver o que posso fazer. – piscou e sair a passos apressados. Quando voltou trazia uma cadeira de rodas e uma enfermeira bastante jovem.

—Querido essa é a Amber, ela é jovem e gosta de quebrar regras. – explicou. Amber riu vindo me checar.

—Depois de ouvir a historia de vocês eu não poderia me negar a ajudar. Isabella estava acordada da ultima vez em que a vi, vou te ajudar a sentar aqui e vamos.

Fiquei nervoso agora. Será que ela se lembraria de mim?

Precisando da ajuda de Amber mais do que pensei, sentei na cadeira e ela mesma a empurrou pelos corredores.

—Teremos que passar pelas janelas de vidro e do outro lado tem uma multidão de jornalistas zumbis. Mantenha a cabeça a baixada, eles não podem saber que é você.

—Eu estou bem diferente da foto que eles tem. – afirmei e era verdade. Na foto de colégio eu tinha cabelo e não estava tão pálido, foi na época em que tinha melhorada e namorava com Tanya. Agora estava muito magro e careca de novo.

E minha cor? Transparente poderia ser uma boa opção.

Amber andou com habilidade pelos corredores, vovó havia ficado no meu quarto, sua presença alertaria os abutres ( jornalistas) de que era eu ali.

Quando paramos em frente ao quarto 565 ela me deixou e entrou para me anunciar.

—Você esta com sorte rapaz. Ela esta sozinha e acordada!

Quem deixaria a menina que passou seis meses dada como morta sozinha?

—Está pronto Edward? – ela perguntou e eu apenas confirmei com a cabeça.

O quarto de Isabella era menor que o meu, mas tinha muitas flores e ursinhos, creio que presentes das pessoas da cidade felizes com a sua volta.

Ela estava recostada nos travesseiros haviam aparelhos ligados a seu peito medindo seus batimentos, e uma bolsa de sangue e outra de soro ligadas também a ela.

Ela estava muito magra. Eu não me lembrava dela assim, porem as imagens que eu tinha dela não deviam ser cem por cento reais. Tão pálida quanto eu, com os olhos roxos como hematomas, ela me olhava meio de lado, e ali tive a certeza; ela não fazia ideia de quem eu era.

—Bella, deixe me apresenta-la; Edward Cullen, seu salvador.

—Você ama um floreio, Amber. – Bella disse sua voz não passava de um sussurro.

—Sempre querida. Vou deixa-los um pouco, tenho outros pacientes para ver, na hora do jantar venho pegar o Edward.

—Sabe do meu pai? – Bella a interrompeu.

—Ainda está com sua mãe. – A enfermeira disse em tom de desculpas. O que se passava com a família dela?

Bella parecia triste quando respondeu.

—Minha mãe deve estar ficando louca com tudo isso. – ela disse.

—Ela está feliz por tê-la de volta querida. Não duvide disso. – falou e saiu. Então a pressão no quarto subiu.

Eu não sabia o que dizer. Bella tomou à dianteira.

—Então você é o famoso Edward. – constatou.

—Não famoso. Edward sim. – fiz uma careta. Ela sorriu. O sorriso dela me encheu de alegria. Ela estava aqui, era real!

—Você salvou minha vida Edward. Serei eternamente grata a você.

—Do que se lembra? – eu precisava saber. Ela fitou a janela a sua esquerda.

—Não muita coisa... Iria pular do penhasco com o Jake, Mas o mau tempo não permitiria. Cheguei muito perto da beirada e acabei caindo. – ela deu de ombros. – isso poderia ter acontecido ontem, mas não é o que parece.

—Seis meses. – sussurrei.

—Eu não... Sei como posso ter sobrevivido. Lembro da agua, das ondas, do frio, lembro de uma faca. Quando tudo o mais se vai, lembro-me dessa faca. E apenas isso. Mas quando olho pra você... Sinto que te conheço. Como me achou?

Contar a ela as coisas sobrenaturais que haviam acontecido? Não era uma boa hora com certeza.

—Vamos dizer que eu tive uma ajudinha sobrenatural. – falei com um sorriso.

—Ok, o grande espírito dos Quileutes te ajudou? – ela desdenhou.

—Acho que você deveria ter mais fé no sobrenatural. Tipo... Passou seis meses presa numa gruta, apenas com uma faca na mão.

—A faca? É de verdade? – ela se espantou.

—Quando te achei estava com ela. E o homem, que nos ajudou...

—Paul. – ela disse. – meu pai disse que o Paul de achou comigo na praia.

—Isso, Paul. Ele viu a faca e disse que pertenceu a terceira esposa.

Bella parecia mergulhar em pensamentos.

—Acha que o espírito dela me manteve viva? – ela sussurrou.

—O que eu sei é que nunca teria te tirado de lá sem ajuda. E você também não teria sobrevivido todo esse tempo sem uma ajuda sobrenatural. Vamos esquecer isso por hora, e apenas ter fé, era o seu destino sobreviver.

—Venha cá Edward. – a olhei em duvida. Eu estava bem ao lado dela já! – me dê sua mão – explicou.

Nossas mãos unidas era algo extraordinário, apesar de que ambas eram frias de mais no momento.

—Obrigado. Você é um estranho e eu já me sinto tão ligada a você... Como se te conhecesse por toda minha vida.

—Eu me sinto da mesma forma. Dizem que é a experiência de quase morte. – tentei descontrair. Ela riu fraca.

—Então? Eu tenho que ganhar peso, fica forte, recolocar vitaminas e proteínas no corpo... Mas e você? O que tem?

Ela era bem direta no assunto.

—Bom não estou aqui por quase me afogar. Tenho Câncer, por isso a ausência de cabelos. – tentei fazer piada. Ela ficou seria.

—Mas você... Vai ficar bem, certo?

—Luto contra isso desde muito, muito novo. – sussurrei. O cansaço dos anos se abatendo sobre mim. Ela apertou minha mão. Seu aperto era fraco.

—Eu não... Sei muito sobre isso. – ela se desculpou.

—Tudo bem. – fiquei fazendo carinho nos seus dedos. Nossa! Bella era real e estava mesmo aqui, viva. Eu poderia morrer amanhã de manhã e ficaria tudo OK.

—Mas você ainda pode ficar bem não é? Existe tratamento. – ela parecia querer muito uma confirmação minha.

—Eu já recebi todo o tratamento disponível.

—Então você está tentando aceitar uma sentença de morte? Não parece certo! Quer dizer... Eu conheço seus avós e até mesmo o seu pai! Eu prometi a sua avó que te mostraria a cidade, você não pode morrer me desculpe. – ela terminou fazendo um beicinho. Ri um pouco.

—Quando prometeu isso?

—Há uns dois anos. Não faz diferença.

—Quando prometeu não achou que iria me conhecer de verdade. – protestei. Ela me olhou esperta.

—Eu sabia Edward Cullen. Sempre soube que te conheceria, seja quando seu avô disse que tinha um neto inteligente de mais, ou quando sua avó me disse que você era bonito e quietinho como eu. Eu sabia que um dia nos encontraríamos, só não imaginei que você salvaria minha vida dessa forma. Você não pode morrer.

—Nossa agora eu estou me sentindo meio coagido a viver. – tentei brincar, a intensidade do seu olhar chocolate me desconcertava de muitas maneiras.

—Vamos encontrar um jeito. – prometeu. – se eu posso voltar dos mortos, você pode vencer o câncer.

—Eu só estou sendo pessimista, minha mãe achou minha irmã biológica, e ela é minha doadora cem por cento compatível. Se ela estiver bem, faremos um transplante de medula amanhã.

Ela ficou boquiaberta.

—Isso é maravilhoso! – seu rostinho abatido se iluminou.

—É. – foi tudo o que disse. Ela percebeu.

—O que tem?

—Essa mulher... Minha irmã; eu não me lembro dela. Eu sou adotado pelos Cullen. – isso a pegou de surpresa.

—Eu não sabia.

—Não é de conhecimento publico. – brinquei.

—Você ainda não a conheceu?

—Não. Eu... Queria ter alguma lembrança dela pra usar de base. Ela se lembra de mim.

—E deve te amar muito. – disse. Bella era uma menina amorosa, estava claro. Depois da experiência de morte, ainda tentava me animar.

—Deve. – concordei.

—Vamos Edward! Esse jeito emo não combina com você!

—Desculpe?! Emo?!

—Sim! Aquele pessoal de preto e maquiagem pesada? Você esta parecendo um! – riu. Tive que rir também porque sua risada era contagiosa.

Ficamos conversando mais um pouco, os minutos se transformando em horas, e quando a enfermeira Amber quis me levar de volta, Bella e eu fizemos birra, e argumentando que seria indelicado deixa-la jantar sozinha, a boa enfermeira pediu que meu jantar fosse servido ali mesmo.

Doce, simpática, amorosa... Esses eram apenas alguns adjetivos que eu podia atribuir a Isabella Swan.

 Eu esperava ter tempo para atribuir-lhe outros.



Notas finais do capítulo

olha a amizade surgindo *_* não deixem de comentar, isso me ajuda muito a escrever! :)
bjs :*



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