MELLORY — entre Deuses e Reis escrita por Lunally, Artanis


Capítulo 26
Amantes proibidos ou predestinados?


Notas iniciais do capítulo

SEMI

ou

MISE?

Escolham o ship e vamos lá♥
Amor sem fronteiras é aqui e não na tim! ~kkkk




Serena contorcia-se em meio a seus edredons de lã. Imagens confusas projetavam-se em sua mente, fazendo-a suar frio e tremer como uma criança abandonada à mercê das ruas congelantes no inverno. Os cabelos pesados grudavam em sua face e a incomodavam, lágrimas respingavam de seus profundos olhos e sua testa estava franzida.

O pesadelo merecia uma complexa interpretação. A Alfa sonhava com a primavera de seu reino, Premin. Como em todas as estações, os escravos trabalhavam nas minas, as crianças vendiam grãos nas feiras e a família real caminhava no centro da cidade. O Alfa Mathias costumava rondar os arredores do palácio para espiar os rumos de seu império. Logicamente, levava como companhia sua astuta filha, Serena, a pequena estrategista.

A mão fria do homem apoiava-se nos ombros de sua primogênita, que parecia gostar do gesto. Ele lhe pedia conselhos e opiniões durante a caminhada. A menina, com seus dez anos, argumentava sobre os prós e contras das decisões de seu pai, sem medo de expressar o que pensava, afinal, o Alfa a respeitava e amava. Uma criança molambenta que passava pela realeza, reverenciou a princesa e esta a olhou com profundo descaso. Não gostava de moribundos, ainda mais jovens moribundos. 

Seu pai sorriu com o gesto indiferente da filha. Sentia nela o reflexo da tirania que ele insistia em exercer. Com o sorriso de seu pai, o mundo começou a arder. A cidade desmoronou e chamas queimaram os corpos de todos perto da Alfa. Mathias foi reduzido a pó e a voz de Nathaniel ecoava por todos os lugares, como um timbre ensurdecedor e sofrido.

Liliana ria ao fundo de tudo e uma outra mulher, com vestes sacerdotais claras, estava sendo segurado pelos braços da madrasta de Serena. A lâmina pontiaguda da faca que a rainha segurava percorreu o pescoço da mulher, que sangrando, gritou de dor.

— Não! – Serena berrou, despertando de seu pesadelo estranho. O suor pingava sobre seu travesseiro e sua camisola estava encharcada.

— Serena? O que foi? – um baque na porta anunciou a entrada de Miguel, que vendo o estado da Alfa correu e subiu no dossiê. Estava sem camisa, apesar do frio e utilizava uma calça confortável de linho.

— Eu não sei... – A Alfa ainda estava alterada, flashes de seu sonho ficavam indo e voltando em sua mente. Agora, o choro era copioso e infantil.

— Ei, está tudo bem. – Miguel a abraçou, buscando acalmá-la. Acariciou seus cabelos e beijou o topo de sua cabeça. – Você está em casa.

Serena retribui a carícia, apertando seu rosto no peito esculpido do Alfa e permitindo que as lágrimas caíssem abertamente. Recobrando a calma e a lucidez aos poucos, desvencilhou-se dos braços de Miguel, um pouco envergonhada.

— Pode dormir aqui hoje? – perguntou, o ruge perceptível em suas bochechas. Estava com um sincero medo de ficar sozinha naquela noite fria.

Olhando o desespero da Alfa, Miguel não conseguiu negar o apelo dela.

— Claro. Não sei porque dormimos em quartos separados mesmo.

Serena sorriu com o comentário irônico do Alfa.

— Obrigada. De verdade. – beijou o rosto de Miguel e deitou-se de um dos lados da cama. O Alfa juntou-se a ela, um pouco rígido e sem jeito. Serena percebendo a falta de tato de seu marido, agarrou um dos braços do Alfa e passou por cima de sua cintura. - Quero que fique perto de mim. – sussurrou, sorrindo.

— Como quiser, minha senhora. – O Alfa relaxou e permitiu-se desfrutar do frescor proveniente do corpo de sua esposa. Ela cheirava a jasmim e ervas do campo.

[...]

O sol curioso adentrava pelas brechas da grande janela do quarto da Alfa. As cortinas creme pesadas não conseguiam cobrir a luz vinda do grande astro. Quando iluminado, o cômodo era bem mais vivido do que a noite, as poltronas de camurça clara e recobertas com pesadas peles de urso tornavam-se ainda mais aconchegantes, as paredes com desenhos de mapas topográficos feitos por Serena ganhavam linhas mais vivas e traçavam estratégias esplêndidas.

A Alfa dormia tranquila nos braços de Miguel, que respirava adormecido em sua nuca. Cedo, pela manhã, Dalila havia entrado em silêncio no quarto e deixado uma bandeja com frutas, pães e sucos sobre o criado mudo barroco ao lado da cama da Alfa. A velha senhora gostava de ver o sentimento de zelo crescer entre Miguel e Serena. Uma vez unidos, poderiam salvar ambos os reinos.

Miguel remexeu-se um pouco incomodado pela luminosidade e abriu os olhos, confuso em primeira instância sobre onde estava. As lembranças da última noite voltaram rapidamente em sua mente e ele virou-se novamente para a Alfa ao seu lado, apoiando um cotovelo na cama para poder observá-la melhor. O suor havia evaporado e a pele de Serena brilhava radiante, seus longos e volumosos cílios uniam-se a suas pálpebras que descasavam, suas costas morenas estavam expostas e eram provocantes. O Alfa não resistiu e beijou a região delicadamente.

Serena estremeceu um pouco com o carinho repentino e um calor gostoso percorreu seu corpo. Virou-se e ficou de frente para o Alfa, passando a mão por seu peito musculoso, abraçou-o e permitiu-se continuar dormindo. Miguel afastou alguns cabelos rebeldes dos olhos de Serena, jogando-os para trás. Ela era tão linda e tão singular. Ele a amava, mesmo discordando de seu próprio coração.

— Não vai acordar, dorminhoca? – sussurrou no ouvido da mulher.

Serena abriu os olhos vagarosamente, voltando sua visão para o belo homem a sua frente. Naquela posição e com aquelas vestes, ele era similar a um deus. Sua beleza era perfeita e seu olhar, puro e sincero. Sem pestanejar ou pensar muito, uniu seus lábios aos dele, roçando-os de maneira rápida e um tanto inocente. Os olhos do Alfa se fecharam, ela pode sentir.

— Temos mesmo que levantar? – indagou em tom de revolta, após se desvencilhar do beijo.

— Não se você não quiser. – Miguel fez cócegas na barriga da Alfa, que explodiu em um milhão de risadas.

Entre um gargalhada e outra, disse, ofegante:

— Ok. Ok. Eu me rendo.

Pulou para fora da cama e buscou seu robe de seda imperial no banheiro de seu quarto. Amarrando-o em sua cintura e caminhando pelo lugar, falou:

— Obrigada por ontem. Eu nunca dormi tão bem.

— Digo o mesmo. Por isso, devemos repetir sempre. – provocou o Alfa, com um sorriso perigoso.

— Bobo. – Serena tacou um almofada nele, que saiu e levantou-se da cama. Com um movimento rápido, agarrou as costas da Ômega e beijou-lhe com posse.

A Alfa não recusou o beijo, pelo contrário o retribuiu com muito gosto.

— Venha! Vou alimentá-la.

Pegou a bandeja preparada por Dalila, sentou-se em uma poltrona e pôs Serena em seu colo. Ofereceu-lhe algumas uvas e morangos, roubando alguns beijos quando possível. Beijando sua nuca, murmurou:

— Por Helias, como pude não te conhecer antes?

— O importante é que me conhece agora. – Serena respondeu sorrindo, o olhando nos olhos.

O Alfa retribui o sorriso, feliz e completo. Havia achado sua dama. Sua amada. Sua esposa. Por mais impossível que isso parecesse.

[...]

*

O vento gelado estremecia as entranhas dos prisioneiros. Mathias tossia secamente, apoiado nos ombros de sua mulher. Liliana, apesar de magra, mantinha a elegância cotidiana de uma rainha. Seus olhos estavam fundos pelo cansaço e pela fome e sua pele um tanto maltratada devido à falta de cuidados. O calabouço onde foram postos após seu crime hediondo encontrava-se no subsolo do Palácio do Leão Rei, onde moravam desde o casamento dos Alfas.

O lugar era uma prisão de segurança máxima, as celas eram protegidas por encantamentos lançados pelos antepassados do Alfa e impossíveis de serem abertas pelo lado de dentro. As grades eram espessas e pouco se via do exterior do local, além disso, a luz era escassa e reluzia, apenas, através de uma pequena brecha na claraboia acima deles.

Um guarda vigiava a entrada da cadeia, de prontidão e bem armado para qualquer ato indesejado partindo dos reclusos. Josef, que guardava o turno da noite, recebeu uma visita sorrateira e inesperada durante seu expediente. Uma mulher branca, com olhos semelhantes a esmeraldas e com cabelos castanhos lisos e espalhados até os ombros, se aproximou devagar do vigia. Ele pode perceber que ela não estava armada e que parecia uma sacerdotisa.

Erguendo uma carta para o guarda, ela disse, com a voz calma e segura:

— Pode entregar esse documento a seu antigo Alfa, que se faz prisioneiro aqui?

Josef leu e avaliou o conteúdo da carta. Parecia um simples recado de um parente distante, afirmando que sua mãe estava doente e que precisava de alguns remédios extraídos do ouro. O que ele não percebeu foi que o envelope escondia um fundo falso, que sob ação da alquimia, só poderia ser desvendado nas mãos do Alfa.

— Está bem, mas é necessário que a senhora se retire. – o guarda respondeu em alto e bom tom, se posicionando de modo a impedir a passagem da mulher. – Visitantes não são permitidos.

—Como desejar. – ela concordou e se retirou silenciosamente do calabouço, subindo algumas escadas, até se deparar com um janela, da qual pulou e não foi mais vista.

Josef tilintava sua faca de bolso nas grades das celas, o barulho era irritante e incomodava os prisioneiros. Assobiando e despreocupado, pensando que o que fazia se tratava de uma boa ação e que Amom o iria recompensar no futuro, seguiu até ler o número quinze grafado em ouro na parede de metal que recobria um dos enclausuramentos.

— Mensagem para você, verme. – gritou para Mathias, usando o chamamento típico entre os guardas. O Alfa estava recolhido num dos cantos da cela, acuado e sem muitas forças. Reunindo suas restantes energias, levantou-se e caminhou, devagar, até alcançar o guarda. Arrancou a carta, enojado com o traidor a sua frente. Josef havia sido um dos betas de confiança do antigo Alfa. O vigia se retirou do local, não queria estragar sua chance de piedade futura por uma simples provocação de um recluso,

Mathias abriu a parte superior do envelope e leu, em primeira estância, o mesmo escrito que o guarda. Sem entender, uma vez que nunca houvera tido parentes. Vasculhou o envelope novamente e viu que pequenas runas se formavam em baixo relevo nas costas da carta. Exclamou o que estava escrito em voz baixa, para não chamar a atenção dos guardas. Uma pequena abertura se revelou e um pequeno bilhete caiu no chão de metal polido. Recolhendo-o, o antigo Alfa o leu:

Quanto tempo, Mathias.

Deve estar pensando em quem sou eu, mas não gaste muito sua memória, não pretendo revelar minha identidade, ainda mais a um traidor como você. Você me enoja, por isso nem posso pensar em meu nome sendo pronunciado por sua boca imunda. Mas, este é um assunto para outra carta.

Sua esposa deve o estar acompanhando, soube que ela andou maltratado alguém que não devia, vou fazer questão de visitá-la qualquer dia desse. Tomara que ela saiba lutar.

Vim, por meio destas, lhe informar que alguém de seu pleno e pessoal interesse já está fora das fronteiras de Premin. A alma dela fede a vingança devido a seus atos nojentos como Alfa. Esteja preparado, querido rei. Ela não parece disposta a perdoá-la e saiba que tudo isso é sua culpa.

Que os vermes comam sua carne impura e que você padeça pela eternidade,

G.

Com a voz trêmula, o Alfa pronunciou:

— Serena. Serena fugiu.



Notas finais do capítulo

E ai meus amores?



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