The Game of Life escrita por anabfernandes8


Capítulo 17
Capítulo 16 - A salvadora e o primeiro bilhete


Notas iniciais do capítulo

Oi meus queridos, finalmente voltei. Estou de férias da faculdade, finalmente! Então terei mais tempo pra me dedicar. Aqui está o capítulo, espero que apreciem. Um grande beijo e boa leitura a todos.



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— Aonde você estava? - É a primeira coisa que ouço quando me aproximo do local onde a maior parte das pessoas se encontra. A fala vem do Uchiha, a última pessoa que eu esperava que perguntasse esse tipo de coisa. Pelo que percebo, ele está sozinho; não há nenhum dos meninos em nenhum lugar perto dele. Não deixo passar sua semelhança com Itachi. Eles são muito parecidos. Sim, eles provavelmente são parentes, são do mesmo clã, tudo o que eu precisava descobrir era o grau de parentesco deles.

Itachi. Meu coração aperta, pensando na segunda oportunidade que escapa voando da minha mão. A primeira é o treinador Sabaku, que faz parte da Aliança do Norte e estava ali ao meu lado o tempo todo; e esta é a segunda. Em nenhuma das duas eu tive culpa, mas mesmo assim me sinto desanimada. É como se todas as chances estivessem ali, flutuando na minha frente, mas, por ironia do destino, eu não pudesse pegá-las.

Não respondo nada e percebo o exato momento em que o moreno à minha frente percebe que estou com a flor em mãos. Reconhecimento brilha em seus olhos, seguidos de uma pitada de malícia. Não sei o que ele está pensando, mas por precaução amasso o envelope que se encontra em minhas mãos, sabendo que por mais que esse não seja o item mais importante, ninguém deve saber sobre ele. Há uma esperança lá fora e eu não posso perdê-la. Alguém da Aliança quer me dizer alguma coisa e eu não posso perder mais essa chance.

Um sorriso cruel começa a aparecer no lábios do Uchiha e aperto ainda mais minha mão, amassando ainda mais o envelope. A flor ainda se encontra em minha mão direita e dou um passo vacilante atrás, não tendo a mínima ideia do que pode acontecer em seguida.

Minhas costas se encontram com alguma coisa. Alguma coisa dura e firme. Volto meu olhar para trás e uma sombra de cabelos vermelhos surge ao meu lado. Algo dentro de mim cai em alívio. É o Sabaku. Ele está aqui. Juntamente com o Hyuuga, que surge um segundo depois no meu campo de visão.

O ruivo aperta meu ombro delicadamente e começa a andar, sem dizer absolutamente nada. Sigo atrás dele, com a flor em mãos e o envelope amassado em outra. Preciso arrumar uma forma de esconder este envelope em algum lugar que não seja a minha mão. Ele é pequeno, mas não posso ficar com a mão fechada durante todo o tempo; as pessoas irão desconfiar.

Saímos do tumulto, nos distanciando cada vez mais da casa de festas, voltando pelo mesmo caminho que viemos. Minha mente e meu coração estão calmos e fico meramente feliz por estarmos voltando para as dependências do The Game. A noite foi totalmente tumultuada, exaustiva e emocionante. Andamos por um longo tempo, até que o ruivo, que havia tomado a dianteira, parou abruptamente e logo todos nós estávamos parados, dispostos em um círculo, de frente uns para os outros. Ele provavelmente havia preparado algo para falar, algo que com certeza era importante, mas assim que ele me olhou e percebeu o que estava em minhas mãos, foi como se ele tivesse perdido a noção do que estava acontecendo. Apertei ainda mais o envelope em minha mão esquerda, atrás de mim. Eu não sei porque raios eu estava tão empenhada em esconder esse maldito pedaço de papel, mas eu não queria que ninguém soubesse disso. Absolutamente ninguém.

— O que você está fazendo com essa flor? Eu falei com… Eu… - Apesar da confusão, ele pareceu se tocar de onde estávamos e quem estava ao nosso lado. Os homens que saíram conosco não sabiam que havíamos saído para buscar a flor. Mas agora… Quando eu magicamente apareci com o objeto em mãos, acredito que tenha ficado meio óbvio qual era o nosso objetivo fora do The Game. - Nós vamos conversar quando chegarmos.

Aceno, apesar de não ver necessidade. É óbvio sobre o que vamos conversar. Mas tudo bem, se ele quer manter segredo, vamos lá.

— Tudo bem, nós precisamos de um plano. - Ele continuou, como se tivesse lembrado o que queria falar antes que o choque de me ver com a flor tivesse pegado ele. - Nós conseguimos sair, mas eu não consigo pensar numa forma de nos fazer voltar. Com o tumulto que a Haruno e a Hyuuga causaram, eles com certeza aumentaram a segurança. E estarão atentos à qualquer pessoa que queira entrar lá dentro. Precisamos de um plano.

Sem ideias. Eu estava totalmente sem ideias. Não podíamos simplesmente entrar pela porta da frente? Todos ficaram silenciosos, concentrados e pensativos. Devia ter uma saída, certo? Não era possível que o lugar não tinha absolutamente nenhuma falha.

— Nós podemos pensar enquanto andamos? Ainda há um longo caminho a percorrer e ficar parados aqui não vai nos levar a nada. - Diz o Hyuuga e pela primeira vez nossas ideias estão na mesma linha de raciocínio. Talvez um milagre possa nos salvar assim que tivermos chegando bem perto dos prédios.

E foi exatamente isso que aconteceu. Eu posso muito bem chamar aquilo de milagre. Porque foi. Foi um puta de um milagre, que surpreende não importa quantas vezes eu pense sobre isso.

Voltamos a andar, em silêncio total. O barulho das árvores e dos animais noturnos é o único som presente. Não faço a mínima ideia de que horas são. Andamos, andamos e andamos mais, até que nos aproximamos o suficiente para ver a entrada do The Game. Há dois guardas justo na primeira porta e pelo praguejar do Uchiha, sei que ambos são do seu clã. Não entendo a lógica, mas parece que ele não pode lidar com eles como lidou com os guardas para sairmos. A explicação foge da minha compreensão.

Estamos escondidos, em uma distância segura em que podemos ver sem sermos pegos, quando alguém coça a garganta atrás de nós. Fico gelada, imaginando todas as situações possíveis, todas as pessoas possíveis que nos reconheceriam e seriam ousados o suficiente para nos enfrentar de frente, inclusive o Hio-Sama. Viro, torcendo com todo o meu coração para que não seja ele. Porque se for, estamos total e completamente ferrados, eu sei. Eu sinto no meu coração.

Quando viro totalmente, no entanto, dou de cara com uma figura baixa, de cabelos róseos e expressão extremamente chateada. Shizune.

— Eu posso saber o que vocês estão fazendo aqui? - Ela está com a farda dos enfermeiros e percebo quando os três homens ao meu lado notam quem ela é e o que ela representa. Eu não sei o que se passa na cabeça de qualquer um deles, mas espero que não estejam pensando nela como uma ameaça aqui. Ou talvez ela seja, pelo tom de voz que ela fala. Seus olhos estão focados totalmente em mim, mas não abaixo a cabeça. A flor em minhas mãos atrai para si olhares, isso é inegável. Ela olha em meus olhos, em seguida olha para baixo, para ver o que tenho em mãos. Sei exatamente quando ela reconhece o objeto. Seus olhos voltam para os meus, mais gélidos do que nunca.

Ninguém abre a boca. Arrisco olhar para as pessoas ao meu lado, mas nenhum deles nem ao menos pisca. Suas expressões estão totalmente indecifráveis e eles continuam olhando para ela como se estivessem paralisados.

— Sigam-me. - Ela diz, depois que se dá conta de que ninguém irá responder sua pergunta. Também, é óbvio que ela já sabe a resposta, se olhou para o que tenho em mãos.

Shizune vai em uma direção completamente contrária a qual estávamos tentando ir. Conforme íamos andando, o The Game parecia estar ficando cada vez mais afastado. Olhei frequentemente para trás para confirmar isto, mas não me atreveria a dizer nada diante dessa situação. Passamos por diversas casas, viramos a direita, viramos à esquerda, até que paramos em frente a uma das casas, exatamente em frente à porta.

À minha vista, dali, parecia uma casa normal. O que será que estávamos fazendo, a essa hora, na casa de uma pessoa? E quem será que morava ali? Ela nos encarou, olhando diretamente nos olhos de cada um, para em seguida abrir a porta e entrar. Seguimos atrás e a porta foi fechada assim que o Hyuuga, o último entrou. Uma luz se acendeu, iluminando todo o local e estávamos nada mais nada menos que no centro médico do The Game. O local era exatamente igual a sala em que fiz meus procedimentos médicos de iniciação.

— Hyuuga, Uchiha, Sabaku. Para os seus quartos, já. Yamanaka fica. Precisamos conversar. - O Hyuuga foi o primeiro a sair perante a fala. O Uchiha, meio receoso, sem saber o que está acontecendo, parece querer perguntar algo. No entanto, desiste, e sai logo atrás do moreno de olhos perolados. O Sabaku é mais insistente.

— Eu preciso falar com a Ino. É urgente. À sós. - Ele olhou nos olhos da médica ao falar isso. Eu sabia sobre o que ele queria falar, eu sabia sobre o que ela queria falar, mas estava tão cansada e só queria ir pra cama, com minha flor em mãos. Sim! Eu ganhei esse bônus!

— Pro quarto, Sabaku, antes que eu perca a paciência. - Uau. Sim, ela estava muito chateada. Os dois se encaram brevemente, até que decido intervir.

— Tudo bem. Você pode falar na frente dela. Fale o que quer falar comigo. - Seus olhos se voltam para mim, confusos. Ele não está captando o que está acontecendo aqui.

— Como você conseguiu a flor? - É a pergunta de ouro. É claro que ele iria fazer essa pergunta. Na situação dele, eu faria a mesma coisa. Eu apareci misteriosamente com a flor. Sem nenhuma notícia da pessoa que estava anteriormente com ela.

— Durante o ataque, eu…

— Espere, que ataque? - Shizune interferiu. Suspiro, por que há uma longa história para contar e estou muito cansada.

— Eu já falo com você. - respondo a ela, o mais calmamente que posso. Volto-me novamente para o Sabaku, continuando minha fala. - Durante o ataque, tudo virou um caos. Eu não conseguia ver nada, todas as pessoas estavam correndo, gritando ou estavam caídas no chão e eu posso dizer que comecei a ficar desesperada. Logo nessa hora, ele passou na minha frente. Eu sei, foi sorte do destino. Ele passou na minha frente, com a flor, exatamente na minha frente e eu não tive tempo para pensar. Eu sei que isso não é algo para se orgulhar, mas… Eu posso tê-lo atacado. - Forço-me a ficar vermelha, para que a história pareça mais real. De fato, é vergonhoso atacar alguém que não lhe fez nada sem qualquer motivo aparente.

— Você o atacou? - Ele repete, incrédulo. Arregalo os olhos, imaginando que seria horrível se ele não comprasse a minha história. Era simples mas eu havia apostado no óbvio. O cara que me deu a flor, ele com certeza a tomou. Por que não há nenhuma forma de que o contato do ruivo entregasse a flor a outra pessoa que não fosse a ele.

Aceno em afirmação e ele explode em uma gargalhada alta. Shizune o olha feio e ralha com ele, por estar sendo escandaloso. Ele pede desculpas, e diz que não conseguiu se controlar. Observo toda a cena confusa, tentando entender como ele aparentemente comprou essa história idiota e qual era o motivo da risada.

— O que foi? - pergunto, com curiosidade.

— Estou feliz. Você me poupou o trabalho de ter que pagar. Não preciso dar dinheiro por uma mercadoria que aparentemente não tive contato com. Se ele foi roubado, isso significa que eu não tenho absolutamente nada a ver com isso. Obrigada, Yamanaka, você é sempre uma ótima aliada.

Comprimo os lábios, olhando tanto para ele quanto para Shizune. Será que posso simplesmente sair andando para o meu quarto? Meu corpo está mole e só quero me jogar na minha cama.

— Sabaku, seu quarto. Agora. - Shizune não parecia mais tão chateada, mas sua voz estava dura e firme. Ele levantou as mãos e deu de ombros, sem mais nenhuma objeção ao fato. Começou a se retirar do local, até que parou na porta que dava para as dependências do The Game e olhou para trás com um sorriso.

— Você tem contatos. - E saiu, me dando uma piscada. Fiquei parada, respirando normalmente. Ok, agora ele sabe que tenho algum envolvimento com Shizune, mesmo que não saiba a profundidade do nosso relacionamento. Suspiro e me volto para ela, sabendo que vem bomba por aí.

— Você. Comece a me contar agora o que estava fazendo do lado de fora do The Game. Como você saiu? E o que é esse envelope nas suas mãos? - Aperto tanto a minha mão que chega dói. Como será que ela havia percebido isso? Será que outros também haviam notado?

— Isso é uma coisa minha.

— Ino. - Sua careta ficou persistente, mas eu não estava cedendo. Suspiro, mais uma vez e começo a falar.

— Nós saímos atrás da flor. Foi ideia do Sabaku. - Ela bufou nessa parte, como se não estivesse surpresa com o fato.

— A família Sabaku e suas ideias mirabolantes de fuga. Prossiga.

— Tudo bem. Nós fomos a uma casa de festas. A Haruno e a Hyuuga distraíram os guardas enquanto nós saímos pelo lado sul, que tinha apenas dois guardas. O Uchiha fez… alguma coisa. Os olhos dele ficaram vermelhos e nós conseguimos atravessar o muro sem nenhuma dificuldade. - Eu tinha toda a sua atenção. - Eu fui dançar. De repente… - Eu não sabia se devia falar sobre o Itachi ou não. Entro em um dilema, parando a frase no meio. Contar ou não contar?

— De repente o quê? - ela força, ansiosa por mais informações.

— De repente houve um ataque. Bombas de fumaça tóxicas estavam por todo lado. Eu consegui escapar por uma saída nos fundos. Foi uma completa confusão.

— Ataque? Da Aliança? - Sua expressão é pensativa, como se ela tivesse analisando alguma informação que eu não sabia.

— Não foi da Aliança. - Assim que termino de dizer, ela olha diretamente para mim, e quando eu digo olhar, quero dizer que ela olha mesmo. Seus olhos estão grudados nos meus, vidrados.

— Como você sabe que o ataque não foi da Aliança? - Pergunta ela. Não sei o que responder. Ao invés disso, tento mudar de assunto.

— Shizune, estou muito cansada. Quero ir pro meu quarto descansar.

— Ino…

— Nós não podemos conversar amanhã? - Peço e vejo-a suspirar.

— Tudo bem, só porque está tarde. Vou acompanhá-la até o seu quarto.

Saímos em direção ao meu dormitório. Andamos silenciosamente, eu ainda com a flor em uma das mãos e o envelope, completamente esmagado, em outra. Afrouxo minha mão; não há mais motivo para esconder o papel, não há ninguém por perto.

Por sorte, não há realmente ninguém por perto. Chegamos ao meu quarto em instantes e nos despedimos com acenos de cabeça. Abri a porta e entrei. Saí dos meus sapatos logo na entrada do quarto e me livrei do vestido no caminho para a cama. Antes, coloco a flor, que está disposta em um ramo redondo, em cima da poltrona que tem no quarto. Ela é tão delicada e não posso me arriscar a perdê-la de hoje para amanhã.

Sento na cama, com o pedaço de papel, que está destruído. Tentei desamassá-lo, abrindo-o a fim de ver o que contém dentro. Tiro um papel dobrado de dentro. A folha está gasta, mas ainda serve para a sua função. Abro-o cuidadosamente, e leio, em choque, a frase escrita à mão.

Amanhã, depois do almoço, entrada do Mercado Inferior.


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Notas finais do capítulo

Espero que tenham gostado, qualquer comentário será muito bem vindo.
É sempre um prazer estar aqui com vocês, abraços e até o próximo capítulo, Ana.



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