Future of the Past escrita por Romanoff Rogers


Capítulo 12
Invisíveis




Wanda estalou os dedos que ficavam cada vez mais escarlates. Ela sempre fazia isso, mas nunca entendi por que. E agora, dentro de um jato a caminho da Inglaterra, onde podemos achar minha mãe morta, parecia óbvio.

— Você está nervosa? – dei um pequeno sorriso. Ela sorriu, rindo pelo nariz.

— Claro que sim. Sua mãe é como uma irmã. Tudo tem que dar certo, e estalar os dedos me acalma.

Assenti, com um sorrisinho. Wanda era uma pessoa muito boa.

Bruce conversava com Tony olhando para uma planta, Visão provavelmente mexia em seu computador interno e Sam comia uma maça. Já  tio Clint dirigia o jato com uma expressão séria e pensativa, enquanto e meu pai apenas encarava a janela. Nem imagino no que eles estão pensando. Ambos amam minha mãe incondicionalmente.

Balancei a cabeça. Não tinha motivo para ficar triste. Minha mãe estava bem.

Olhei para meu uniforme improvisado: uma das armas lasers mais modernas do tio Tony, - que no meu futuro era normalmente usada até na polícia -, facas no meu cinto, uma calça preta junto com uma regata e um casaco pretos.

Até que um barulho irritante no painel de controle  faz todos ficarem sobressaltados.

— Missel. – Clint notificou. - Segurem-se!

Pude ver o missel percorrendo os céus, e fazer uma curva, pronto para colidir conosco, quando o melhor piloto dos Vingadores faz uma curvona que quase me arrancou dos cintos. Mias mísseis, dessa vez 3, voam sobre nós. Clint faz uma volta de 360 graus, quase nos deixando de cabeça pra baixo, e os 3 misseis colidem. Um outro vinha do meu lado. Atingiria minha janela em segundos.

Tirei meu cinto e o da tia Wanda, e a joguei no chão com um berro. Me agarrei a ela e mais alguma coisa de ferro que não identifiquei, e fomos assim atingidos na asa que estava ao meu lado. Pude ouvir o grito do meu pai, e o tio Clint nos mandando segurar, já que pousaríamos em paz, já que de algum jeito o Hulk tinha vazado do jato, e acabado com os lança mísseis.

Quando íamos atingir o solo num impacto que mataria eu e Wanda, os braços fortes do tio Hulk nos seguram.

Oh Deus, minhas células gritavam no corte enorme e sangrento que se abriu em minha cabeça.

— Tia Wanda. – Ela estava imóvel em meus braços, e senti o desespero tomar conta de mim. – Tia Wanda, por favor.

Meu pai voou em cima de nós, e alternando o olhar de mim para Wanda.

— Wanda. – ele chamou, tocando sua bochecha, e ela piscou os olhos algumas vezes, confusa. Clint já lançava flechas e o tio Tony lançava os propulsores nos agentes lá fora. Era a HIDRA. Eu dava conta deles sozinhos. Mentira.

— Wow, minha cabeça ta rodando... James.. Obrigada.

— Você está  bem? – meu pai perguntou.

— Sim, vou ficar, não temos tempo. – ela assentiu, convicta, já se levantando. A ajudamos, e meu pai olhou pra mim com um olhar orgulhoso.

— Tudo bem?

Assenti, com o mesmo sorriso.

Comecei a atirar nos agentes com minha arma, já passando do campo aberto de mata amarelada da taiga inglesa, para a floresta de pinheiros a frente. Hulk gritou, derrubando vários deles, enquanto Tony rondava o local voando.

Sam atirava flechetes, Wanda usava seus poderes para derrubar e quebrar agentes por toda a parte, Visão atirava com sua joia e fazia bom uso de seus poderes.

Meu pai. Cadê meu pai.

Derrotava bravamente todos os que tentavam impedi-lo de chegar a minha mãe.

Ouvi Sam gritar, e logo pousar perto do jato. Ele tinha sido atingido.

— Sam? – A voz preocupada de Wanda encheu meus ouvidos.

— Fui atingido. – ele respirou fundo. – No braço. Oh Deus. – ele gemeu. - Continuem.

— Onde é a base? – Ele perguntou, lançando o escudo que bateu em vários agentes e caiu.

— 50 metros a frente, tem um morro. Lá tem portões de ferro que dão acesso a entrada principal. A base toda está em alerta, e devem ter uns 600 agentes servindo aqui... –Tony conclui com um tom preocupado.

— Sai voando se preferir. – meu pai diz irritado. Nossan, pain.

— Ou ou ou. – ele rebateu, incomodado também. - Não foi o que eu disse, mas, pense, Rogers, temos que pedir reforço. Sam foi atingido, estamos sem Thor e seu filho tem uma cachoeira de sangue na cabeça.

— Eu estou bem. –revirei os olhos, lançando uma faca num agente ruivo.

— Eu não!

Meu pai ficou em silêncio, e vi mais agentes saírem da base.

— Ligue pro Fury. Sam, pouse numa árvore alta.

Um agente disparou contra mim, mas eu desviei por pouco. Balancei a cabeça, e voltei a avançar.

Lá estava o morro, com uns 20000 guardas protegendo a entrada.

Não daria para entrar lá.

Tinha que ter outra entrada.

Segui pela direita, onde não via agente nenhum. Segui por alguns metros, olhando atentamente para o local.

Se a base era subterrânea num lugar frio, eles tinham que esquentar. Parecia uma base antiga então usavam fogo para isso.

Chaminés.

Olhei para as árvores atentamente, e pude ver uma superfície de metal sobre as folhas superiores. Aquilo era uma chaminé. Sorri comigo mesmo, já pegando duas facas.

Finquei uma delas no que devia ser uma árvore de pinheiro, e assim fui escalando-a. Quando cheguei lá em cima, a grande chaminé caberia fácil uma pessoa como eu por aquele túnel, parecia estar apagada.

Peguei uma pequena lanterna de plástico, e joguei até lá, que caiu no chão com um barulho alto. Pude ver madeira queimada lá, então estava apagada, sem fogo lá em baixo. Contei até três, e passei pelas folhas, pulando pela escuridão.

Meus pés doeram com o impacto, e eu rolei sobre a fuligem no chão, todo dolorido. Liguei meu rádio novamente.

— ... ames! James responda!

— Pai? – sussurrei. Esqueci que tinha desligado.

— MEU DEUS JAMES, QUE SUSTO. – Uma Wanda ofegante e aliviada disse.

— James. Onde você está?

— Estou dentro da base...

— O QUE? – Eles disseram juntos.

— Como?

— Algumas árvores são chaminés... Depois explico, tenho que ir.

— NÃO, James, volte pra cá! – Não.

Desliguei o rádio, e abri a porta da sala escura. O corredor era negro, e uma luz fraca vinha do teto, deixando algumas partes escuras.

— São os vingadores já fora, quem diri... – um agente parou de falar com o outro quando me viu.

— O que é isso? – um deles fez uma cara confusa. - Um tipo de criança machucada, ruiva meio loira com uns problemas míopes...?

— NÃO. SOU. CRIANÇA! – Me lancei contra os dois, já atirando em seus corpos com raiva, o que acordou mais agentes por aí.

Mais deles vieram atirando contra mim, mas me escondi atrás de uma pilastra gelada. Lancei uma das minhas bombinhas caseiras para pegadinhas, e fumaça rosa e azul começou a sair das capsulas. Atirei as cegas,  já passando pelos homens agora cegos.

— EU NÃO VEJO NADA!

— SOCORRO DEUS DOS CEGOS!

— AI MISERICÓRDIA, O GAROTO NOS CEG... – e o homem que gritava bateu de cara na pilastra.

Calma, o efeito dura algumas horas.

Dei um tiro na perna de cada um, e sai dali correndo.

Tinha que descobrir onde minha mãe estava.

Me escondi na primeira porta que vi, uma sala de computadores velhos, e assim que um agente passou, o agarrei pra dentro da sala.

— MAS O QUE É ISSO.

— Shhhh. – Tapei sua boca, o dei um mata leão, e rapidamente tirei a arma de sua mão. – Você só sai dessa vivo se dizer onde está a Viúva Negra. Se gritar, você morre no mesmo instante. – falei firme, apontando uma arma pra sua cabeça. Pude ver seu rosto ficar pálido.

Eu tinha imobilizado um adulto e feito ele acreditar que eu atiraria na cabeça de alguém com 16 anos! Uhul!!

— Ela está no andar de baixo. É um galpão onde torturam os prisioneiros. – sua voz tremeu. – Não me mate por favor, ó criança deformada do satanás! Ave Maria cheia de graça...

Ai que cara viajão. Revirei us olhos, e acertei um soco em sua cabeça, interrompendo sua oração.

Saí em disparada procurando a escada mais próxima, quando um agente ENORME, parou na minha frente. Quase trombei nele, e acabei escorregando na hora de freiar. Caí de bunda no chão, olhando para cima. Que homão da porr...

Ele agarrou meu braço, batendo meu rosto na parede. Gemi, mas não tive tempo de pensar, ele já tinha me jogando longe. Rolei, mas fiz esforço para me levantar  o vi com um facão correndo na minha direção. Ele tinha umas cicatrizes maluconas.

Peguei uma faca não tão grande do coldre, e usei para rebater, me aproveitando da minha agilidade. Passei por debaixo de suas pernas, fazendo um corte fundo em seu tornozelo. Ele rugiu como um ogro, e lançou o facão contra mim. Como na queimada, desviei, mas a faca abriu um cortesão que me fez gritar.

Com mais raiva que o Hulk, ele veio pra cima de mim, e, com sua mãozona, me deu um soco que me fez perder a cabeça por alguns minutos. Fiquei babando lá, vendo os dois agentes discutindo sobre o que iriam fazer comigo. Mas eu quase não os enxergava, e o gosto de sangue na minha boca era enorme.

Era agora. Eu morreria.

Sua mãe precisa de você.

Levanta, James.

Levanta. Seu pai acredita em você.

Minha consciência gritava.

Tirei minha arma sorrateiramente do coldre, e atirei dois tiros na cabeça dos dois.

Eu os tinha matado. Com um tiro na cabeça.

Pela minha mãe.

Respirei fundo, e me levantei, sem olhar pra nenhum dos dois, mortos no chão.

Minha cabeça doía pelo corte, mas felizmente tinha parado de rodar. Meus lábios inchados sangravam, e meu braço estava provavelmente cheio de hematomas. Larguei o casaco no chão, e desci as escadas devagar, para dar tempo de eu me recuperar. Resolvi ligar o rádio.

— Pai... – Minha voz falhando disse.

— JAMES! – A voz do meu pai desesperada no rádio pediu. - JAMES, A SHIELD ESTÁ CHEGANDO, E NÓS ENTRAMOS NA BASE POR CIMA, ONDE VOCÊ ESTÁ?!

— Indo até a mamãe. Ela está no galpão no último andar. – senti uma lágrima cair.

— NÃO, JAMES, POR FAVOR! - Sua voz era desesperada. Ele não podia perder nós dois. Eu não podia perder meus pais.

— Pai? – chamei, limpando a lágrima.

— O-O que? - Meu pai pareceu se acalmar por um instante.

— Eu te amo. Vou salvar a mamãe.

— JAME...

Desliguei o rádio, e abri a porta, já pronto para lutar.

Mas minha mãe estava lá, algemada e deitada no chão.

Resisti ao ímpeto de gritar seu nome.

Corri até lá, e coloquei sua cabeça em meu colo.

Tinham cortes em seus braços, rosto e pernas, enquanto sua camisa, antes branca, estava vermelha.

— Mãe, mãe, pelo amor de Deus... – senti as lágrimas pesarem meus olhos enquanto a tentava acordar. Procurei seus batimento no pulso, e o senti, fraco. Minha mãe estava viva. – Mãe, vou te tirar daqui, mãe, acorda...

Saquei minha arma, e atirei em suas algemas, longe dos braços.

— Natasha, mamãe, olhe pra mim... Papai está lá em cima, ele vai nos salvar. – sorri, beijando sua testa.

Vi seus olhos mexerem, e ameaçarem abrir.

— Isso mãe, olhe pra mim... A SHIELD está chegando...

— J-James... Onde...?

— Não, poupe suas forças, mãe. Tudo bem.

— James... Sai daqui... Você está machucado...

— Você também. Olha, aguenta mais alguns minutos, papai sabe que estamos aqui, a SHIELD está vindo...

— JAMES! – Ela berrou, tirando forças de sei lá onde. Demorei a entender o que acontecia, e só notei quando um tiro foi ouvido. Mas pelo jeito atingiu minha mãe, não a mim.

— NÃO!

Ela gritou de dor, e, de algum jeito, parei de sentir minha mão.

— MÃE! – Gritei, direcionando meu olhar pro atirador.

Quer dizer. Para a atiradora.

Sharon. Vaca. Carter.

— Boa tarde, James. Acho que devia dar uma olhada para sua mão.

Obedeci, tirando o olhar da minha mãe.

Meus dedos estavam ficando invisíveis.

Minha mãe estava morrendo.

Sem mãe. Sem eu.

 





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