Casamentos, Amigos e Amores escrita por Nat Rodrigues


Capítulo 6
capítulo 6


Notas iniciais do capítulo

Pois é, eu não postei no domingo. E nem vou postar no próximo. Eis a explicação: Tive que fazer uma cirurgia que meio que me atrapalhou para escrever e postar, e irei viajar esse fim de semana, então com muito amor e carinho venho postar hoje um cap maior q os outros para dar uma compensadinha. Espero que goste, boa leitura!



Após o início da semana ter sido conturbado, até me surpreendi com a calmaria que quarta-feira, quinta e sexta, passaram. Havia tantas coisas para que eu decidisse quanto à coluna de casamento e seu espaço no site da revista, que mal me lembrei dos problemas que causei a mim mesma por ter sentimentos teimosos e insistentes (aqui, caro leitor, se já tiver reparado em minha mania de esconder tudo o que sinto, saberá que não foi exatamente assim. Mas finge que acredita em mim, como eu também sempre faço).

No sábado, às oito horas da madrugada, minha mãe me ligou avisando que iria até meu apartamento para o almoço. Apesar de ter sido acordada, fiquei feliz em saber que logo mais a encontraria. Precisava colocá-la a par dos últimos acontecimentos. Aproveitei a falta de sono e resolvi fazer uma caminhada pela praça próxima ao meu prédio, como costumava fazer antes de pegar o emprego fixo na revista. Perder uns quilinhos para entrar melhor no vestido de madrinha não me faria mal (não acredito que estou me preocupando com isso).

Depois de uma hora e meia andando para lá e para cá, voltei para o apartamento e me enfiei no banheiro para tomar uma ducha demorada e relaxante. Após me sentir revigorada, vesti um vestido florido e fui secar o cabelo. Apesar dele sempre ter sido castanho claro liso, ultimamente suas pontas tem-se enrolado muito. Talvez seja um sinal de que está precisando de um corte.

Quando apenas uma parte do cabelo ainda continuava úmida, comecei a ouvir vozes. Com a porta do quarto e do banheiro fechadas, mais o som do secador, ficou muito abafado e difícil de distinguir a quem elas pertenciam. Deduzi ser minha mãe, pois ela possui uma chave daqui, mas com quem ela estaria conversando?

Com piranhas segurando metade do meu cabelo e a escova na mão, fui até a sala.

— Não entendo... Vocês eram tão amigos! – Escutei minha mãe murmurar.

— Mãe, com quem você está falan...

Ao chegar à sala, a escova caiu de minhas mãos e minha voz se prendeu dentro da garganta.

Após o choque inicial, fui a primeira a me mexer, soltando as piranhas do cabelo, deixando-o solto. André me encarava sério e minha mãe trocava o olhar dele para mim, claramente confusa.

— Filha, você não contou para André que terminou com Daniel?

MERDA.

— N-nós... Voltamos. – Gaguejei incerta do que responder. – O que está fazendo aqui? – Questionei, olhando para André, que continuava mortalmente sério.

— Eu o encontrei agora a pouco caminhando aqui na frente e o chamei para almoçar conosco. Ele acabou de me contar que vai casar. Não é maravilhoso?! E que história é essa que voltou com aquele traste?

Mamãe e sua eterna mania de falar mais do que a boca. Sentir o olhar gélido de André estava me fazendo querer tremer por dentro. Como iria me explicar?! Devia ter ligado para minha mãe e contado tudo por telefone mesmo, assim evitaria tudo isso.

Vendo que nenhum de nós estava disposto a falar, minha mãe continuou seu monólogo com o foco em reclamar de Daniel. Foi até a cozinha, depositou seus ingredientes sobre a pia, e voltou para a sala. Encontrou a mesma cena que havia deixado, com a diferença que desta vez eu encarava o chão, numa tentativa falha de fugir daqueles olhos castanhos.

— Já sei! Vou preparar meu famoso espaguete à bolonhesa e odeio gente na cozinha palpitando. Porque não vão caminhar um pouquinho? – Sugeriu, com um sorriso nervoso. Ao que me pareceu, ela entendeu que não devia ter mencionado meu término. – Vão, vão! Quando chegarem aqui o estômago de vocês irá roncar de nostalgia!

Completamente sem rumo, concordei com um aceno e fui em direção a porta, ignorando o fato de que meu cabelo devia estar estranho e que a escova ainda estava no chão. Preciso organizar meu discurso já.

Dentro do elevador, André parecia ainda mais aborrecido. De braços cruzados, seus tríceps ficavam destacados em sua blusa cinza. Foco no discurso Mariana. Foco.

— Então... O que estava fazendo por aqui? – Indaguei tentando fingir que tudo estava bem e que ele não tinha descoberto minha farsa com Daniel.

A porta do elevador abriu, e só quando chegamos a calçada em frente ao prédio, que André me respondeu:

 — Para falar a verdade, queria te ver.

Coloquei o cabelo atrás da orelha, em um ato para esconder meu nervosismo.

            — Quer dizer... Você está diferente do que me lembrava. A Jack me contou sobre o almoço e como você ficou tensa quando viu Daniel. — Linguaruda!— Lembrei que você tinha o costume de caminhar aos sábados e vim aqui, esperando te encontrar. Mas dou de cara com a dona Camila e ela fica extremamente surpresa quando digo que você vai ser minha madrinha, junto com seu namorado. Que história é essa que vocês terminaram?

Chutei uma pedrinha, pensando no que falar. Avistei a praça perto do prédio e caminhei até lá em silêncio. Só comecei a falar após me sentar em um dos bancos de madeira.

— Eu e Daniel... Tínhamos terminado, um tempo atrás. Mas o que importa é que agora reatamos.

— E porque tinham terminado? – André sentou ao meu lado e me encarou, preocupado. Se ele soubesse o quão lindo fica quando franzi a testa e deixa esse olhar de compaixão transpassar seus olhos...

Fiquei tentada a inventar uma história rápida e boba, mas mentir nunca foi meu forte –ao menos, mentir para André.

— Ele... teve um caso. Estava bêbado e não mediu as consequências. – Comecei a explicar, enquanto encarava minhas unhas da mão. – Mas depois de conversar muito com ele, entendi que aquilo havia sido um erro bobo e que um namoro de três anos não poderia ser jogado no lixo dessa forma.

Tais palavras não convenceram nem a mim mesma. Erro bobo? Eu estava era diminuindo muito o que realmente acontecera.

— Não quero me intrometer no relacionamento de vocês, mas você tem certeza que fez certo?

— Qual é, quem nunca sentiu vontade de beijar alguém aleatório quando está bêbado? – Enchi minha voz de ironia e dor.

— É por isso que digo que não te reconheço. Desde quando você lida tão bem com traição? – André também me pareceu irônico. Ele esticou os braços no banco de madeira e quis amaldiçoá-lo por nos fazer parecer um casal a quem quer que passasse de forma tão ingênua.

— Não lido. – Suspirei. – Mas tive que aprender a renegar certas coisas para continuar perto de quem amo. – Expliquei sentindo meu coração acelerar e a respiração que já não estava normalizada, se desregular mais ainda. A ambiguidade estava latente em minha frase.

— Não seria mais saudável amar pessoas que valham a pena?

Tive vontade de chorar. É claro que seria! Agora tenta explicar isso para meus sentimentos, porque por mais simples que pareça, eles não compreendem.

— E quem é que vale a pena? Não acha que já estou grandinha de mais para esperar um príncipe encantado montado em um cavalo branco?

Diante de minha acusação, André se silenciou. Ao me encarar, parecia estar pensando no que responder ou perguntar. A indecisão e preocupação eram visíveis em seu olhar.

— Porque você não me contou?

— Não queria envolver você em meus problemas amorosos estúpidos.

— Isso não é estúpido. Eu poderia ter te ajudado, ou pelo menos socado a cara de Daniel para você.

Minha risada saiu pelo nariz diante de sua afirmação. A vontade que eu tinha era de dizer “se ainda quiser, pode ir, ele mora na rua(...)”.

— Não tinha o porquê eu te atrapalhar com isso. Fora que a gente já não se falava a tanto tempo que me pareceu egoísta demais ir correndo até você só porque estava brigada com meu namorado.

— Você sabe que eu não me importaria e te acolheria de braços abertos, não é?

Não. Será que devo te lembrar que existe uma noiva que odiaria uma relação de amizade tão íntima assim?

Entretanto, não respondi. Apenas desviei o olhar para a árvore mais próxima, sentindo uma imensa vontade de gritar para que ele parasse de ser tão amável.

— Meu Deus... – Suspirou. – Tinha me esquecido o quanto você é cabeça dura. – Reclamou e eu ri, parcialmente irritada. André pegou minha mão que estava mais próxima a ele, e a segurou com suas duas mãos. – Você quer que eu implore por sua amizade de volta, é isso?

Dessa vez ri com vontade. Sua fala fez bem ao meu ego e ao meu imaginário, que já insinuava em minha mente que esta conversa estava mais para uma espécie de flerte velado.

— Quero. – Desafiei com as sobrancelhas arqueadas e um sorriso provocador. André me puxou pela mão que segurava e quase me derrubou do banco, colocando-me colada a ele.

Comecei a rir descontroladamente, sentindo cada célula de meu corpo vibrar com aquela nostalgia da adolescência. André riu um pouco também, mas não pareceu sentir o mesmo que eu. As sensações errôneas e pecadoras de flerte me vieram à tona novamente. Fica difícil me concentrar quando nossos rostos estão a apenas alguns centímetros de distância.

Senti-me conectada ao seu olhar, e, ao mesmo tempo, culpada. Então abaixei a cabeça e murmurei um “desculpa” antes de deixar algumas lágrimas rolarem.



Notas finais do capítulo

Ambiguidade é uma arma poderosa, concorda?
E aí, o que me diz sobre o André? Quis mostrar um pouco mais dele :) Até não nesse, no outro domingo! Beijos!



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