Casamentos, Amigos e Amores escrita por Nat Rodrigues


Capítulo 5
Capítulo 5


Notas iniciais do capítulo

Boa noite! Espero que goste. Ofereço esse cap a Isa por simplesmente ser como ela é, e a melhor leitora que poderia ter.
Boa leitura!



        

Sempre me surpreendi com a calmaria e a naturalidade que Daniel lidava com os diferentes problemas que enfrentava. Quando Jaqueline acenou para ele, rezei para que continuasse do mesmo jeito. Entretanto, sua feição demostrou certo pânico.

— Você já falou com ele sobre o casamento? – Jaqueline indagou enquanto encarava-o, esperando que viesse até a nossa mesa.

— Já. - Respondi. Aproveitei que ela estava de costas e sinalizei para que Daniel andasse logo.

Cachorro. Filho da mãe. Insinuou que queria voltar mas está almoçando com outra.

— Oi! Que bom que te encontrar aqui! – Jaqueline cumprimentou-o com um beijinho no rosto.

— Tudo bem? – Daniel respondeu com um sorriso contido. Olhou demoradamente para mim, como se estivesse pensando o que deveria fazer e o encarei da mesma forma. Não quero que ele me abrace ou me beije. Não gostaria nem que ele ficasse ao meu lado. Mas pelo bem de nossa farsa, abri um sorriso e me posicionei ao seu lado, mas sem tocá-lo.

— Olha, Daniel, eu estava comentando com a Mari de como eu e André ficamos felizes que vocês aceitaram ser nossos padrinhos. Espero que assim como nós, você já tenha esquecido toda aquela briga...

— Ah, claro, claro. Isso é passado. – Daniel concordou enlaçando seu braço a minha cintura. Sei que não é hora para um “piti”, e que a culpa de isso acontecer é minha, mas que me deu vontade de perder a compostura e mandá-lo de volta a mulherzinha que o esperava na outra mesa, deu.

— Que bom! Imaginei que como a Mari quis me ajudar no chá de cozinha, você também vai querer cuidar da despedida de solteiro, certo? Não confio nos tios de André, com certeza vão querer fazer alguma sacanagem com meu novinho.

Devo mencionar que aquele brilho apaixonado estava de volta aos seus olhos? Uma pena que Daniel não estava do mesmo jeito. Na verdade, ele pareceu ter odiado a ideia, me encarando com a sobrancelha levantada, como se pedisse uma explicação.

— Daniel vai ser ótimo! Ele que preparou a festa de despedida do primo dele, três meses atrás, não é amor?! – Indaguei achando graça da situação. – Só não espere que ele não vá se juntar com os tios do André... Esse aqui, menina, não se aguenta quando está bêbado!

Senti a mão de Daniel se desvencilhando de mim, e que Jaqueline não estava entendendo o porque minha sugestão havia saído tão irônica e acusatória. A verdade, caro leitor, é que foi justamente na despedida de solteiro de seu primo Arthur que Daniel me traiu. Sei que muitos homens (e até mulheres) ao ler isso, não consideraram muito relevante, já que despedidas não levam uma boa fama mesmo. Entretanto, eu levo (ou levava) um relacionamento de três anos a sério. Uma prostituta dançar na frente dele é uma coisa. Outra é ele ir com a mesma prostituta para um motel de quinta e fotografá-la com ele (porque é claro que meu ex-namorado fotógrafo precisava registrar uma noite como aquela). Uma pena que, mais um menos um mês depois, ele não lembrou de apagar as fotos do cartão de memória da sua câmera e eu acabei por descobrir.

— Pode ficar tranquila. – Daniel murmurou com a voz baixa. Não soube dizer se ele se referia a mim ou Jaqueline. – Vou fazer o possível para ser divertida e leve.

— Obrigada. Amizade e ajuda de vocês será muito bem-vinda! Tenho de ir, mas mantenho contato! Tchau. – Despediu-se Jaqueline, indo pagar a conta.

Assim que não havia mais sinal de Jaqueline perto de nós, arrumei minhas coisas, com a pretensão de ir embora sem nem mesmo olhar para cara de Daniel. Relembrar como fui traída não foi algo prazeroso.

— Mariana. – Chamou-me antes que eu saísse da mesa. Sua expressão estava indecifrável. Triste? Confuso? Com remorso? Preocupado? Não sei. Ao menos espero que seja um pedido de desculpas. – Porque você está se envolvendo tanto no casamento dos dois?

Revirei os olhos, impaciente. É claro que ele não iria se desculpar.

— Não lhe devo satisfações. Porque não volta a sua mesa? Aquela moça deve estar te esperando. Só não esqueça de pedir o número dela para que possa ir na despedida do André. – Acusei de forma ácida.

— Você andou chorando? – Contrário as minhas acusações, Daniel fugiu como pode e ainda quis dar uma de “te conheço melhor do que imagina”.

— Será que você está surdo ou o quê? Não lhe devo satisfações. – Repeti, com o tom de voz mais alto do que gostaria. – Se quiser desistir de me ajudar é só falar. – Cruzei os braços, na espera de uma resposta.

— Não entendo porque você insiste em se machucar. Tanto comigo quanto com André. Se não te faz bem, você deve falar. Virar “BFF” da noiva do cara que você sempre amou e se obrigar a fingir que namora alguém que claramente odeia deve estar te matando, não é? – Retrucou, colocando as mãos no bolso da calça jeans.

Foi como se ele tivesse jogado um balde de água fria em cima de minha cabeça. Não porque ele tinha certa razão, mas porque além de tudo, ele se achava no direito de se considerar vítima da situação, como se eu nunca tivesse o amado de verdade.

— Posso sim ter sempre amado André, mas eu aprendi a entender esse amor como amizade e companheirismo. Se há algum motivo de eu ter perdido isso por um tempo, esse motivo foi VOCÊ. – Discorri de forma rápida e irritada. Estava a ponto de me descontrolar e chorar em sua frente. Ali não era o lugar nem o melhor momento para termos uma discussão, mas não pude segurar minha língua. – Eu acreditei que... Acreditei em você... Não tente usar isso como uma desculpa para o que fez. NADA explica o que aconteceu, além da sua falta de amor. E quer saber? Não ligo mais.

Mentira atrás de mentira. Mas o que é melhor para consolar um coração partido do que uma ilusão?

Não fiquei no restaurante para ouvi-lo me acusar novamente de ser uma masoquista. Ele também não pareceu se importar em me ver partir, e decidi enquanto caminhava para a redação que cada lágrima que caía de meus olhos levaria um pedaço dessa conversa embora de minha memória.

Ao fim do dia, havia tanta coisa para fazer na revista, que até me assustei quando vi que Daniel havia me mandando uma mensagem de texto. Fiquei tentada a ignorar e seguir o restante de minha noite, mas a curiosidade e o coração machucado falaram mais alto.

Se você imaginou que seria um texto se defendendo, pedindo perdão ou exigindo explicações, se enganou. Ao invés de tudo isso, assim que abri a mensagem me deparei com a primeira foto que tiramos juntos, na redação, com uma única palavra a acompanhando:

            “Desculpe”.

Cheguei a digitar que o que acontecera não tinha como esquecer ou desculpar, mas não quis entrar em outra discussão. Percebi que se ele fosse andar junto com André para planejar a despedida, invariavelmente eles falariam de mim em algum momento, e Daniel precisava ao menos ficar a par do que acontecia em minha vida, já que era meu “namorado”. Então, como uma forma de explicação a minha proximidade com o casal, e esclarecimento do que fora discutido no restaurante, respondi:

            “Ganhei uma coluna da revista. Infelizmente, ela trata sobre casamentos”.



Notas finais do capítulo

obs: se alguma data ou tempo-espaço não estiver batendo com o que foi dito anteriormente, não repare. Preciso editar, mas só vou conseguir fazer isso amanhã. Beijo!



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