Casamentos, Amigos e Amores escrita por Nat Rodrigues


Capítulo 4
Capítulo 4


Notas iniciais do capítulo

Boa noite! Eu disse que postaria no domingo, então aqui estou hasushs Desculpe a demora. Hoje meu dia foi realmente corrido. Boa leitura!



A cada passo que eu dava, xingava-me mentalmente. Estava tão distraída e brava comigo mesma que quase passei reto por Jaqueline quando cheguei ao restaurante que tínhamos marcado. Recriminei-me pela última vez antes de cumprimentá-la com um beijinho no rosto.

— Desculpa! Estou tão avoada com a promoção que quase passei reto. – Ri, com um sorriso amarelo colado no rosto.

Vai lá, pode se juntar a minha consciência: Eu sou uma masoquista. Depois de tanto tempo resguardando meus sentimentos, evitando ver Jaqueline e André, além de aceitar ser madrinha do casamento, agora quero saber detalhe por detalhe, desde o pedido, ao chá de cozinha, despedida de solteiro, convidados, igreja, decoração, salão de festas, e etc, etc, etc. Tudo pela revista, claro.

— Percebi! Chamei três vezes – Jaqueline concordou.

Ela não está mais com aquele ar de sonhadora e cautelosa que estava em meu apartamento. Com o cabelo castanho preso em um rabo de cavalo, um colar de pedras alaranjadas, uma maquiagem bem aplicada e um terninho social, ela dava de dez a zero em seu estilo de advogada bem-sucedida a minha camisa jeans, calça e all stars de jornalista.

— Fiquei surpresa com seu convite. Quer dizer, surpresa, mas feliz. – Acrescentou. Posso estar sendo tendenciosa, mas seu sorriso estava mais falso que o meu. Sem o André ao lado ela não precisa se forçar a parecer tão simpática.

— Eu não consegui pensar em outra pessoa quando pensei em casamento. – Esclareci, sentando-me a mesa. O que não deixava de ser verdade (uma verdade dolorosa se quer saber).

Jaqueline pegou o cardápio e começou a olhá-lo. Acabei por fazer o mesmo e logo um garçom veio pegar nossos pedidos.

— Mariana... Não me entenda mal, mas não foi um pouco precipitado ter aceitado a coluna? – Jaqueline indagou levantando uma sobrancelha.

Respira fundo.

— Foi. Mas eu já esperava por um espaço na revista há tanto tempo que não medi as consequências. — Como ter que te aguentar.

— Entendi... André sempre falou que você era impulsiva, agia sem pensar muito no assunto. – Sorriu de canto para depois me encarar de forma séria. – Assim como parar de falar com a gente depois daquela discussão do Dani e do André no Olimpo.

 Fiquei sem graça. Não tinha me preparado para ter essa conversa com ela. A realidade é que eu nunca dei uma explicação muito boa para ter me afastado dos dois, afinal, não poderia falar que estava fazendo aquilo porque queria esquecer André de vez. A ideia da faculdade e do ciúme do Daniel sempre foram as melhoras escolhas quando algum deles me chamava para sair. Lembrar-me daquela noite não trouxe sensações muito agradáveis.

Hoje já deve fazer cerca de três anos que fomos à Olimpo, boate aqui da cidade, e não me lembro muito bem do que aconteceu, pois estava bêbada. Um dos motivos deles terem brigado era exatamente esse: Eu ter passado da minha cota de bebidas. Normalmente André e Daniel discutiam sobre ideologias políticas, entretanto nunca evoluiu de comentários irônicos e ofensas veladas. Naquele dia, houve socos e chutes.

Daniel estava demorando muito no banheiro e como eu não estava em condições, Jaqueline foi procurá-lo. Depois de certo tempo levantei-me da mesa com o intuito de ir atrás dele, mas me desequilibrei e caí no chão. André era o único entre nós que não bebeu, pois estava dirigindo, e acho que isso era um dos fatores dele já estar irritado com a demora de Daniel a ponto de ter mandado sua namorada ir atrás.

— Machucou Mari? – André questionou me levantando com cuidado.

Não lembro se respondi. Só me lembro da sensação de proteção e carinho que ele estava me passando, e do quanto seu rosto estava tão próximo do meu enquanto me levantava. Sentia-me embriagada sim, mas não por qualquer bebida. Estava embriaga por ele. Queria beijá-lo, essa é a verdade. E acho que impulsionada pela falta de lucidez, assim que ficamos de pé, foi o que eu tentei fazer.

Daniel chegou no mesmo instante e achou que André estava tentando me agarrar, iniciando a discussão. Fiquei perdida em meio aos seus gritos de raiva e a música que tocava, distinguindo apenas coisas como: “Deixa ela em paz de uma vez”, “Você está louco”, “Ela merece coisa melhor”, “Se gostasse dela devia ter tentado antes” e “Vá à merda”.  

Antes que eu pudesse fazer alguma coisa os dois começaram a se bater, e meu choro ou Jaqueline pedindo para pararem não foi suficiente. Fomos expulsos do local e Daniel e André numa mais se falaram direito.

Na época eu ainda não estava muito firme quanto a namorar Daniel, mas, depois de tudo aquilo, decidi que precisava mudar logo de atitude. Sinto vergonha de mim mesma por saber que quase deixei meu corpo falar por mim. Sem contar que para André e Jaqueline toda a culpa do mal-entendido é atribuída para Daniel. Nunca ninguém parou para pensar que a culpa era minha.

— Você sabe que o André já deixou toda essa história de lado faz tempo, não é? – Jack chamou-me de volta a realidade. Então recorri a mesma saída que recorri para o convite.

— Sei, claro que sei... O problema é Daniel que nunca admitiu que só brigou porque não estava pensando com clareza. E com o ciúme dele, a faculdade e o estágio eu realmente fiquei sem muito tempo...

Jaqueline pareceu querer falar sobre algo complicado, mas antes que pudesse pronunciar qualquer coisa o garçom chegou com nossos pedidos, e o assunto pareceu ter morrido. Só pelo fato de ter tocado nele, já pude sentir que na verdade quem lembrou de mim para madrinha fora André, e que havia certo ressentimento deles comigo. Maravilha.

— Mas então, andei pensando e resolvi que farei uma “linha cronológica” para a revista... Como foi que André pediu a sua mão? – Questionei tentando me animar. Marquei o encontro com essa finalidade, não para reviver memórias desnecessárias. Jaqueline deixou a máscara séria cair e começou a contar animadamente o quanto ficou surpresa e como foi tudo muito romântico.

Poderia aqui narrar para você todos os detalhes que Jaqueline me descreveu. Entretanto, não reviverei isso. Acho que o principal motivo seja para manter a minha sanidade e não alimentar minha inveja que insiste em aparecer toda vez que me pego pensando imaginando como seria se fosse comigo e não com ela. Fraquejar nesse quesito me gera enormes dores de cabeça (não entendo como posso ter um sentimento tão teimoso). Em resumo: Os dois estavam em uma viagem a Santa Catarina, em Camboriú. Lá há um morro que através de bondinhos te leva para a praia de Laranjeiras, e Jaqueline não queria ir pois tem medo de altura. Depois de muito insistir ele a convenceu. Quando chegaram ao topo, desceram para tirar fotos no mirante e viram que além dos bondinhos havia também uma tirolesa, e foi descendo essa tirolesa que em meios aos gritos desesperados de Jaqueline, André a pediu em casamento (o anel ele comprou depois).

Para falar a verdade não achei muito emocionante ou romântico; está mais para cômico. O que realmente me “emocionou” e fez ficar paralisada foi ver que em uma mesa atrás de nós Daniel almoçava junto com alguma... Amiga.

— O que foi? – Jaqueline perguntou olhando ao redor.

— Ah, nada! Eu só me lembrei que tenho que correr de volta para a revista porquê... – Comecei a mentir, mas foi tarde demais. Jaqueline nem estava mais prestando atenção no que eu dizia quando me interrompeu falando:

— Aquele não é o Daniel?

Senhora maré de azar, dá pra passar logo?!



Notas finais do capítulo

e então, o que achou? Eu reescrevi esse capítulo no mínimo cinco vezes porque nunca gostava de como a briga tinha acontecido sahusahas Gostariam de um pedido de casamento nas alturas? (eu, sinceramente, nem ia escutar por conta do pânico kkkkkk)
Obrigada por ler. Beijos!



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