Casamentos, Amigos e Amores escrita por Nat Rodrigues


Capítulo 13
Capítulo 13


Notas iniciais do capítulo

Oi. Pois é. Não consegui postar todo domingo... Peço desculpas, e meu esclarecer está nas NOTAS FINAIS porque já fiquei tempo demais sem postar e vocês provavelmente não vão querer ficar lendo minhas explicações ao inves da historia. Só fica o meu DESCULPA aqui mesmo. E boa leitura!



Segunda pela manhã decidi caprichar na maquiagem. Queria me sentir bem comigo mesma, confiante. Já havia lido e relido toda a matéria três vezes e decidi enviar a Paulo primeiro por e-mail, a fim de saber sua opinião antes de mostrar para Fernanda. Falta menos de duas semanas para o fechamento do mês da revista e se ela não gostar precisarei reescrever tudo, e realmente não o quero fazer, afinal, gostei do resultado.

Oito horas em ponto, entrei dentro da redação. Estava tão ansiosa que acabei por passar reto por Rafaela na secretaria e nem fui pegar um café junto com Clarisse como sempre faço. Deixei minhas coisas rapidamente pela mesa, peguei minha pasta onde tinha colocado a matéria impressa e me dirigi até a sala de Paulo. Daria a ele a opção de leitura online ou impressa -quanto antes ele o fizesse, melhor. Antes mesmo que eu batesse em sua porta, ela foi aberta, e Paulo passou por mim afobado, bradando ao telefone.

— O que aconteceu? – Perguntei a sua secretária, que vinha logo atrás.

— Parece que deu errado o número de modelos para as fotos do fechamento da revista e a agência só avisou agora. Paulo está correndo atrás dos fotógrafos para ver se eles possuem indicações disponíveis para hoje à tarde. Se atrasarmos as fotos, atrasamos a edição toda... – Explicou-me parecendo desolada. Reprimi um suspiro. Correndo atrás destas coisas ele não teria tempo de revisar minha matéria antes que eu a entregasse para Fernanda.

— Quando ele voltar você pode pedir para que ele dê uma lida? – Questionei mostrando a pasta. – Mas só se ele não estiver ocupado, caso contrário não precisa.

— Tudo bem, assim que ele puder peço para olhar.

— Obrigada. – Agradeci e voltei a minha mesa. Como não teria uma resposta tão cedo, decidi trabalhar com a parte de e-mails da revista, para ocupar a cabeça.

— Bom dia! – Clarisse cumprimentou-me. – Quem você quer impressionar hoje? Está tão arrumada... – Comentou, maliciosamente. Sorri amarelo.

— Trata-se de uma tentativa frustrada de me sentir confiante. Mas tudo ruiu quando percebi que Paulo não terá tempo de me ajudar com o material da minha coluna... – Reclamei.

— Nossa, verdade! Fiquei sabendo mesmo do que aconteceu... Mas você deve estar feliz, já que o novo encarregado das fotos de hoje é o seu “ex-atual” – Informou me olhando de canto de olho, esperando uma reação. Demorou certo tempo para a ficha cair. Minha careta foi tão deprimente que fez Clarisse engasgar enquanto bebia seu café.

Nunca fui de acreditar em superstições, mas a partir de hoje nunca mais quebro um espelho ou passo debaixo de uma escada. Chega desse maldito azar na minha vida! Tudo que eu não quero hoje é ter que conversar com Daniel. Olhar para ele ou ter que respirar o mesmo ar – O.K., isso já está beirando ao drama, mas não dá para evitar quando você sente que foi idiota o bastante para cair na conversa de um cara duas vezes seguidas e ser traída essas duas vezes.

— Mari, posso ser sincera com você? – Clarisse perguntou se sentando em sua mesa em frente à minha e ligando seu computador. Odiava quando ela pedia para ser sincera, porque normalmente era mesmo.

— Pode.

— Sei que é difícil perdoar uma traição, mas porque não dá uma chance a ele? Assim você não teria que fingir nada e seguiria sua vida, assim como o André fez.

Senti-me como se Clarisse tivesse iniciado agora a carreira de atiradora de facas em um circo onde eu era sua assistente e ela errasse todos os seus arremessos, me acertando sem piedade.

— Não é tão simples assim... – Murmurei. Ainda não tinha contado a ela sobre o fim de semana. Acho que nem irei contar. – Ele já tem outra pessoa. – Aleguei.

— Então parte para outro. Vira essa página da sua vida! – Aconselhou e me mandou uma piscadela.

Senti um calafrio passar por todo meu corpo assim que associe o “outro” e a “piscadela”, lembrando do cinema na noite anterior. Céus, não.

— Acho melhor esquecer essas histórias e mexer nos e-mails... – Ri, nervosa e Clarisse concordou apesar de balançar a cabeça de um lado para outro enquanto ria.

A manhã passou de forma bem turbulenta na redação, com pessoas correndo para cá e para lá o tempo todo. Só pude conversar com Paulo no horário de almoço, quando ele me encontrou na cantina comendo junto com Clarisse e Rafaela.

— Mariana, preciso que você coordene umas coisas para mim hoje a tarde. – Informou rapidamente. Em sua mão apenas um lanche natural. – Assim que terminar aí, vá para minha sala. – Pediu. Estava tão agitado, que nem ao menos esperou minha resposta, e voltou para a redação.

As meninas me olharam de canto de olho esperando uma reação, mas apenas dei de ombros enquanto tratava de comer mais rapidamente. Pelo pedido, não me pareceu que ele leu a matéria. Estava mais para: “Oi antiga secretária! Que bom que já entregou tudo que precisava para o fechamento da revista, pois mais trabalho cairá para você”. 

Um tanto quanto temerosa, segui para sala de Paulo. Nem precisei bater na porta, pois esta já estava aberta. Sua sala não era muito diferente da de Fernanda, sendo simples e minimalista nos detalhes. Acho que a grande diferença se dava no fato de Paulo ter capas de todas as edições emolduradas e colocadas na parede, de modo que apenas um pequeno espaço ainda continuava branco.

— Que bom que chegou. – Disse quando me viu. Estava sentado em sua mesa, com metade do lanche natural de um lado e uma pasta cheia de fotos do outro. – Normalmente sou eu quem decide quais fotos irão para a revista, mas como a sua coluna é nova, quero que vá até o local da sessão e escolha livremente. Fernanda depois passará um pente fino, selecionando as melhores. Como já estará lá, quero que vistorie se todas essas modelos comparecerão e receba o lote de flores. É só assinar a prancheta e pedir para levarem até o espaço interno do clube, que a equipe saberá onde colocar. – Avisou e me entregou um maço de folhas com as informações das modelos.

Depois de uma rápida olhada pelos nomes, fiz menção de falar, mas ele me cortou.

— A sessão começa as três horas, e será no clube Água Diamante. Não tem horário para acabar, mas depois acrescentarei no seu salário como hora extra. Alguma pergunta?

Apesar de indagar esperando por dúvidas, Paulo não me deu nem tempo de respirar antes de voltar a falar. Avisou-me que deveria me dirigir até o clube imediatamente para não ficar presa no trânsito e conseguir fiscalizar todas as modelos. Sem muita escolha, apenas assenti e saí de lá. Peguei minha bolsa em minha mesa e as chaves de um dos carros da revista, para então me dirigir até o clube. Foi só quando fiquei parada em um engarrafamento que parei para pensar que invariavelmente passaria o dia todo com Daniel. O dia só ficaria melhor se chovesse e atrapalhasse toda a sessão de fotos.

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Já dizia minha mãe, com todo seu conhecimento popular, que palavras possuem poder. No meu caso, o pensamento. Após trinta minutos da minha chegada ao clube Água Diamante o tempo começou a fechar, escurecendo o céu com pesadas nuvens. Parte da equipe de maquiagem, cabelo e foto já tinham chego e o desânimo era parecia palpável em seus rostos.

— Se chover teremos que cancelar tudo? – Questionei um dos fotógrafos (graças a Deus ainda não tinha visto nem a sombra de Daniel ainda).

— Provavelmente. – Respondeu enquanto organizada um de seus equipamentos de luz. Comecei a me sentir mal enquanto imaginada a cara de desespero de Paulo lá na redação caso atrasasse tudo.

— Você que é a Mariana Oliveira? – Uma das garotas da maquiagem chamou-me. Assenti, dando espaço para que continuasse. – As flores chegaram.

Deixei a equipe de fotografia de lado e fui receber as flores. Alguns me acompanharam e ajudaram a trazer para a parte interna do clube e em alguns cenários específicos. Depois de assinar, fui checar as modelos. Não havia nem dois minutos que eu entrara no salão em que elas estavam reunidas para se arrumarem, que uma pesada chuva começou a cair.

— O Paulo vai pirar... – Murmurei encolhendo os ombros, preocupada.

— Por quê? – A voz mansa de Daniel perguntou.

Dizer que me assustei seria eufemismo. Não tinha reparado que Daniel tinha chego e muito menos que estava atrás de mim. O pulo que dei foi tão grande que fiquei com vergonha, já que algumas modelos me observavam. Por mais que eu soubesse que encontrá-lo seria inevitável, ainda não tinha me preparado emocionalmente e nem decidido qual expressão usaria na sua frente. Indiferença? Raiva? Alegria, como se nada tivesse acontecido? Acabei por me lembrar de Clarisse me pedindo para ser mais sincera. Raiva, então.

— Por que teremos que cancelar se essa chuva não ir embora. – Expliquei, com a cara fechada enquanto o analisava. O mesmo de sempre, só parecendo mais cansado que o habitual.

— Você está no comando? – Questionou com uma das sobrancelhas levantada. Ah legal, ele também assumira a pose de raiva. — Quer dizer, você nunca nem veio a uma sessão antes...

— Não. Só repassei o que me disseram. Mas já que o experiente aqui é você, e provavelmente o “fotógrafo-chefe” deixo nas suas mãos. – Sorri cínica. Daniel não alterou sua expressão, ignorando minha acidez. —Vou até ligar para Paulo, para avisar que você assumiu a responsabilidade de fazer com que tudo dê certo hoje mesmo, ignorando os imprevistos. Até!

Virei-me sem dar espaço para que ele me respondesse, e peguei o celular na mão. Entretanto, antes que eu discasse o número de Paulo, Daniel segurou minha mão livre.

— Entendo que esteja irritada comigo. Mas não misture com o trabalho, está bem?

Eu queria ter ficado brava com ele. Ter me soltado e saído com a cabeça erguida ou respondido de forma rude, não sei. Ter feito qualquer coisa que não mostrasse o quão frágil eu estava por dentro, mas não consegui. Porque Daniel estava se mostrando frágil, desde o aperto em minha mão a voz calma pedindo para que eu colaborasse. A única coisa que senti foi vergonha e tristeza. Ali estava eu agindo de forma estúpida enquanto ele estava sendo profissional.

— Eu... Tenho que ligar para Paulo, de qualquer forma. – Esclareci soltando sua mão. – E também... Estou responsável por escolher as fotos para minha coluna. Encontre um jeito de continuar a sessão em meio a chuva, apesar do tema ser primavera-verão. Por favor.

Terminei de discar e me afastei de Daniel. Tentei acalmar minha voz antes de explicar a Paulo o que realmente acontecia. Assim que a chamada foi recebida, escutei a voz de sua assistente. Avisei que as flores e as modelos estavam O.K., mas que por causa da chuva os fotógrafos estavam tentando bolar um novo jeito de organizar as fotos, mas que hoje mesmo seria realizado. Depois de desligar, percebi que estavam trazendo todas as flores para dentro do salão e organizando-as como num jardim. A expressão da equipe parecia mais relaxada, e todos se moviam para lá e para cá. Junto com os fotógrafos, percebi que quem dava as instruções era Daniel. Apesar de esnobá-lo, ele era realmente um bom profissional. Que pena que não é um bom namorado também.

Uma hora depois o salão já não parecia mais um salão. A sua parte leste se assemelhava a um labirinto de flores, das mais diversas cores e tipos. Algumas fotos já iriam começar a ser tiradas e todos agiam com rapidez, tentando melhorar a iluminação e dar os retoques finais nos modelos. Como eu não teria muito o que fazer, fui até a mesa que estava disposta na parte sul, cheia de frutas e alguns pães e sucos. Já estava cansada de observar Daniel pelo canto de olho. Realmente não entendo esse meu estúpido coração. Agir assim só faz com que ele saiba que estou machucada, mas não resolve nada.

Chacoalhei a cabeça para parar de pensar no assunto e fui atrás de algo doce para comer, queria açúcar no sangue. Atrás de alguns pães havia maravilhosos sonhos de goiabada.

— Se comer muitos desses vai engordar. – Escutei uma voz suave me provocar. Franzi a testa e tentei limpar a boca dos resquícios do terceiro sonho que comia antes de me virar para identificar a pessoa intrometida.

Morena, alta, olhos verdes como oliva, sorriso infantil, vestindo uma das marcas que patrocinam a Atual. Cabelo castanho liso e maquiagem forte, que escondiam muito bem sua idade. Não precisei de muito tempo para reconhecer a dona da voz como Sofia, vizinha de Daniel que sempre teve uma queda enorme por ele, mas é nove anos mais nova.

— Não tenho problema com isso. – Defendi-me com um sorriso forçado. Na realidade, estava pensando em emagrecer para ficar melhor no vestido de madrinha, mas ela não precisava saber disso.

— Ainda não sei como Daniel te preferiu... – Reclamou com um suspiro.

O.K., talvez você deva saber que ela me odeia desde... Desde sempre. Pelo que sei Daniel sempre foi a paixão dela não realizada e isso contava muito para Sofia pois poucos escapavam de seu charme. Apesar da pouca idade, o corpo esguio e a feição angelical junto com a voz suave, olhos claros e lábios cor-de-rosa conquistavam mais caras do que posso contar. Sei disso pois toda vez que ia a casa de Daniel e tinha a infelicidade de vê-la, ela fazia questão de ressaltar quantos garotos se declararam a ela e como foi chato ela ter que recusá-los pois não queria nada sério com nenhum. Se tornou modelo para se aproximar de Daniel e jamais aceitou direito o fato dele ter namorada. Bom, pelo menos que ele tinha... Para falar bem a verdade, nunca entendi se foi só por causa da idade que Daniel a recusou ou se havia outro motivo, já que ele sempre a tratou apenas como uma prima/irmã mais nova e quando eu insinuava algo, ele apenas ria achando graça da possibilidade.

— Gostei do seu vestido. Esse mês as roupas estão mais coloridas, não acha? – Mudei o foco da conversa para não ser grossa com ela. Já estava mexida com a presença de Daniel, não precisava de mais motivos para perder a compostura durante o trabalho.

— Claro, é primavera-verão. Tem certeza que trabalha em uma revista de moda? – Atacou. Quase pedi para ela secar a boca, pois um pouco de seu veneno estava escorrendo.

Paciência, sua linda, não foge de mim.

— Tenho. Estou responsável por uma das colunas e vou publicar pela primeira vez nessa edição. Legal, né? – Sorri cínica enquanto tentava controlar meu tom de voz.

— Sem graça. – Desdenhou e senti toda a minha expressão facial tremer. O copinho de plástico que segurava com água ficou todo amassado em minha mão. – E então, já resolveu a confusão que causei? – Indagou e a analisei, confusa. – O telefone... – falou como se isso fizesse todo o sentido. – Qual é! Me refiro à ontem. Daniel quase me matou quando descobriu que eu atendi o celular dele e falei com você. Tive que ouvir meia hora de sermão sobre não mexer nas coisas dos outros e você sabe que eu odeio quando ele assume o papel de irmão mais velho.

Desta vez, ao invés de amassar, o copo caiu de minha mão. Não precisei controlar minha expressão, porque acho que fiquei sem nenhuma. Por alguns instantes senti todo o meu raciocínio parar e apenas encarei aqueles olhos verde oliva para identificar se mentiam ou não.

— Mas... – Procurei sair daquele estado. – Porque estava na casa dele? – Consegui formular. Sofia levantou uma das sobrancelhas, parecendo não entender porque eu estava tão espantada.

— Vocês ainda não conversaram? – Questionou com uma digna cara de “affe”. – Eu não estava na casa dele. Tivemos uma sessão de fotos e o celular dele ficou dentro da minha bolsa... Quando fui devolver, toquei a campainha, mas como ele estava no banho não atendeu a porta. Aí você me ligou. Quer dizer, ligou para ele. Enfim... Não sou eu que vai ajudar vocês a fazerem as pazes. – Ajustou a última parte, parecendo contrariada pelo que tinha feito. Pegou uma maça da mesa de frutas e saiu de perto de mim.

Encarei o chão molhado por causa do meu copo, sentindo vontade de voltar no tempo e impedir toda a minha paranoia e ressentimento fizessem com que eu não escutasse o que Daniel queria me falar na noite anterior pelo telefone. Mesmo com Sofia já longe de mim, murmurei bem baixinho para ela:

Obrigada.



Notas finais do capítulo

Pois é, não aconteceu muito coisa fora a Mari quebrar a cara -pra variar sauhasuha- mas já estou trabalhando no próximo >—-<—-> Desculpa por ter ficado tanto tempo sem postar. Eu estava esperando o resultado do vestibular e isso meio que bugou minha cabeça. Agora que já saiu e eu passei -VIVA- estou tentando escrever sempre, mas a falta de inspiração também me assombra. Então, desculpa pelo tempo sem postar e obrigada se está lendo isso aqui. SIgnifica muito para mim!
—-> Nem tudo foi ruim com a minha oarada: por exemplo, eu editei toda a história. Tenho certeza que vc concorda comigo que tinha umas datas muito erradas e uns erros de portugues terriveis... Tentei concertar tudo e conhecer melhor os personagens para continuar a história da melhor forma possível.
Espero que você não tenha desistido da história pela demora... E obrigada por ler! -nem vou falar de review pq não to merecendo sahuah- Beijoo!



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