Casamentos, Amigos e Amores escrita por Nat Rodrigues


Capítulo 12
Capítulo 12


Notas iniciais do capítulo

Um dia de atraso, pois é. Mas está aqui o/ Acho que a maioria nem leu o anterior sahuhsauhs Enfim, Boa Leitura!



Domingo, sete horas da noite com a televisão como companhia. Após ter chego do shopping, fiz uma rápida faxina e organizei a cozinha, na tentativa de me distrair. Às vezes é libertador colocar músicas antigas e sair cantando enquanto varre e passa pano no chão. É uma pena que meus vizinhos de andar não pensaram como eu e ligaram na portaria para reclamar da minha bela voz.

A verdade é que mesmo enquanto estava com André ou limpando, fiquei à espera da ligação de Daniel. Durante a madruga ele havia dito que seria melhor nós dois conversarmos durante o dia, mas a lua já tomara o lugar do sol no céu e ele nem ao menos ficou online nas redes sociais. É patético pensar que estou insegura por causa dele, mas infelizmente não é algo que posso evitar. E foi pisando no meu orgulho que disquei seu número.

— Alô? – Uma voz feminina atendeu. Surpresa, afastei o celular da minha orelha para ver se havia discado seu número certo. Sim, era o de Daniel. – Olá?

— O-oi. O Daniel está? – Questionei.

— Ele está tomando banho. – A garota avisou. – Quer deixar recado?

— Ah... Não precisa. Obrigada. – Desliguei com vontade de tacar meu celular na parede. Se arrependimento matasse, eu estaria morta agora mesmo. Não sei porque no meu maldito sonho era Larissa que “tirava” Daniel de mim, afinal, pelo que parece, qualquer uma pode fazer isso.

Com meu orgulho esmagado no chão, decidi que não iria chorar novamente. Não sei o que estava se passando na minha cabeça quando me permiti confiar novamente em Daniel, afinal, todas as suas promessas são vazias. Aquela maldita foto não deve ter tanto significado a ele, já que ele até a rabiscou. Eu só caí na armadilha de cafajeste dele. Decidi que iria sair. Até cogitei a possibilidade de procurar na minha agenda o número de Theo, mas eu não estou desesperada a esse ponto. Iria ver algum filme no cinema, ou tomar alguma coisa em algum barzinho com boa música. Distrair-me.

Vesti-me com uma calça jeans escura e coloquei uma regata branca e jaqueta de couro preta. Queria ficar confortável, e o clima estava virando para chuva, então era bom estar preparada para o frio. Passei uma maquiagem leve, destacando meus olhos castanhos e deixei o cabelo solto e todo ondulado. Por fim coloquei um colar dourado e duas pulseiras. Estava mais arrumada do que pretendia, mas não tinha problema, eu queria me sentir bonita e valorizada. Antes de deixar meu apartamento exagerei no perfume e colei um sorriso no rosto. Cinema aí vou eu.

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Uma das minhas características mais marcantes é agir por ímpeto. Sair de casa foi uma atitude impensada e estúpida, pois agora me encontro de frente aos cartazes de filmes completamente indecisa sobre o que ver numa noite de domingo completamente sozinha. Dos filmes de romance, os dois em cartaz tem cara de que irão me fazer chorar; apesar de ter um filme de ação que até parece interessante, ele é misturado com terror e se com outras pessoas eu já não assisto filme de terror, imagina num cinema sozinha! Comédia não há nenhum que pareça realmente chamativo; o que me sobra são três filmes para crianças... Quem sabe eu não dou alguma risada com as piadas infantis?  Com certa vergonha, fui até a fila e comprei ingresso para um dos filmes de desenho com cara de musical.

— Aceita pipoca e refrigerante? – A Atendente indagou e quando fui responder, fui interrompida pela pessoa que estava atrás de mim na fila.

— Mariana?! Olha só... Você não está me seguindo, está?

Nessa hora, mais que tudo, senti vontade de enfiar minha cabeça no chão e ficar por ali, fingindo me esconder. Olhei para trás suspirando.

— Oi Theo. – Voltei a minha atenção para a atendente, e respondi que queria sim. Após pagar tudo, olhei novamente para o garoto atrás de mim. – E não, não estou te seguindo.

Andei para a o lado, afim de pegar minha pipoca e refrigerante e ouvi algo que quase fez eu derrubar minha bolsa no chão:

— Eu quero um ingresso para o mesmo filme que aquela moça. Isso, na cadeira ao lado.

— Pelo visto é o contrário, não é? – Reclamei quando Theo se afastou da bilheteria e caminhou até mim. Deus, se você ouviu eu cogitando a ideia de chamar Theo para sair comigo, era brincadeira!

— Fica de boa. Faz uma hora que marquei com a garota aqui e ela me deu um bolo. E eu quero me divertir hoje, então quem melhor para eu irritar do que você?

Apenas o analisei dos pés à cabeça. Realmente ele estava “arrumado” casualmente, seu cabelo até estava preso em um daqueles coques bregas que os homens insistem em usar hoje em dia (tudo bem, eu acho brega, você, leitora, pode gostar), e ao invés do chinelo que usava da última vez, agora trazia um tênis vans preto.

— Daniel vai odiar saber disso, e você quem irá ouvir, porque está sendo meu stalker. – Menti, dando-lhe as costas e indo para sala do cinema. Aquele canalha nem precisa saber que eu saí e encontrei Theo; não devo satisfações a ele assim como ele também não deve a mim.

— Se ele vai ficar bravo, porque não está aqui com você? – Theo provocou me acompanhando. – Aliás, nem precisa me responder. Está na cara que ele não queria ver esse filme de criança. – Riu.

— Eu só queria rir um pouco. – Defendi-me. Entregamos nossos bilhetes e a garota do cinema nos deu espaço para passar.

— E você acha que isso vai ser engraçado?

— Acho. Às vezes é bom ouvir um pouco de piadas infantis para aliviar a tensão e ver que o mundo não é cinza e chato.

— Tenho certeza que te atrapalhar o filme todo será muito mais divertido. – Pronunciou enquanto subíamos as escadas para chegar até a nossa fila. Senti-me um pouco incomodada ao constatar que havia no máximo cinco pessoas na sessão. Nós dois parecíamos um casal.

— E eu tenho certeza que com toda essa sua infantilidade, você se sentirá envolvido pelo filme e nem vai lembrar da minha existência. – Rebati.

Chegamos as nossas cadeiras, mas minha vontade era de me levantar e ir embora. Se ele realmente fosse ficar o filme todo me atazanando eu não saberia o que fazer. Não quero que o dia termine pior do que já está.

— Hum... Então que tal batermos uma aposta? – Theo propôs. Mesmo com a sala estando com poucas luzes acesas, eu conseguia enxergar o seu sorriso malandro. – Se você estiver certa, eu pago uma bebida para você. Se eu estiver certo, você que paga.

— Não, obrigada.

— Ah, qual é! Você não confia em si mesma?

Sua frase me provocou bem mais do que ele poderia imaginar. Confiar em mim? Eu ter saído de casa foi uma das coisas que tentei fazer para agradar o meu próprio ego. Porque querendo ou não, eu não confio que sou a melhor amiga que André pensa que sou, não confio que sou atraente ou interessante ao ponto de manter ao meu lado um homem como Daniel, não confio que continuarei firme na minha nova coluna na revista e nem que conseguirei manter a pose de “não importa se estou machucada, a vida segue” por muito mais tempo.

— Theo, eu não vou sair com você. – Argumentei, já me sentindo cansada. No telão, os trailers começaram a rodar.

— Não sei se percebeu, mas já estamos saindo. – Sorriu e piscou para mim. Maldita piscadela que ele sempre faz no final de suas frases. Maldita sensação de abandono e carência que estou sentindo. Maldita situação em que me meti. Maldita percepção de que ele está me distraindo e divertindo -mesmo que irritando mais que tudo.

— Tudo bem. Tenho certeza que você vai gostar do filme. – Concordei com um suspiro.

— Isso nós vamos ver.

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Se foi por carência ou coisa do momento eu não sei, só sei que ao final da sessão eu e Theo conversávamos animadamente, como dois velhos amigos, sobre o filme. Eu estava certa, no final das contas, ele gostara do filme, por mais infantil que fosse.

— Bem, admito minha derrota. Eu quase cantei junto com eles até! – Theo se pronunciou assim que deixamos o cinema. Ri, insegura do que viria a seguir. – Onde quer ir? A bebida é por minha conta.

— Ah, Theo... Não sei se é uma boa ideia. – Murmurei, segurando minha bolsa. Ele cruzou os braços e levantou uma das sobrancelhas em resposta. O meu ego pedia para que ele insistisse por minha companhia; minha razão me mandava ir embora; minha emoção... só queria companhia por mais um tempo.  

— Se seu medo é que eu te agarre depois de bêbado... É, não posso garantir nada.

E lá vem o Theo idiota voltando novamente.

— Porque cheguei a achar sua companhia agradável? – Questionei retoricamente, me preparando para ir embora.

— Está bem, está bem. Frase errada. Que tal: “Já que está fazendo jogo duro, e eu estou com fome, porque não comemos algo por aqui mesmo?”

Ponderei o que devia fazer. E acabei por escutar minha emoção, afinal, eu também estava com fome.

Depois de eu ter concordado e termos feito nossos pedidos na praça de alimentação, nos sentamos à espera dos lanches. Aproveitei para ligar o celular, que desde o começo da sessão estava desligado, e não pude deixar de rir amargurada quando a tela mostrou “Cinco ligações perdidas de Daniel”.

— Que foi? – Theo perguntou franzindo o cenho.

— Ah, nada. – Respondi, e coloquei o celular na mesa, ignorando as ligações. Antes que eu pudesse impedir, Theo apertou na tela, e ela se iluminou mostrando as ligações perdidas. Bufei, tomando o celular da mão dele.

— Vocês brigaram? Por isso estava aqui sozinha? – Indagou. Incrivelmente, não havia deboche em sua pergunta, ele parecia estar realmente interessado em saber o que aconteceu.

— É... Mais ou menos. Digamos que levei um bolo, igual a você. Depois ligo para ele e resolvo as coisas.

Theo pareceu surpreso com minha resposta, tanto é que tratou de puxar um outro assunto. Enquanto ele não me lançava cantadas estranhas ou agia como um adolescente, sua companhia era agradável. Talvez, mas só talvez, ele tenha crescido um pouco desde a última vez que eu me lembre de ter saído junto com ele e a turma.

Ao final da noite, acabei por pegar seu número e passar o meu. Frisei que não tinha interesse algum nele no quesito amor, mas ele apenas sorriu e mandou uma de suas piscadelas antes de ir embora. Não queria ter que sair da bolha de conforto que tinha formado ao esquecer um pouco todo o meu drama com Daniel e André, mas não consegui fingir que não escutei o celular tocando quando cheguei em casa. E nem que minha vontade era de atender o telefone e me gabar fingindo que não me importava nenhum pouco com todas as ilusões que criei sobre Daniel.

— Alô? – Atendi, tentando me manter indiferente.

— Mari. Por que não me atendeu antes?

— Porque o celular estava desligado. – Expliquei o óbvio.

— E nem se interessou em me ligar depois de ver que eu já havia te ligado umas oito vezes?

— Cinco, na verdade. E eu estava dirigindo, não podia retornar a ligação.

— Ah sim... Olha, sobre a garota que atendeu antes...

— Você não precisa me dar explicações, Dani. – Tentei fingir doçura na voz. – Afinal, não temos nada de verdade, não é? Só tome mais cuidado, porque eu descobrir é uma coisa, mas se André ou Jack te ligarem... Aí o jogo terá que acabar, assim como eu pedi a você semana passada.

Senti que sua respiração ficou mais pesada atrás da linha telefônica. Como ele não me respondeu por uns cinco segundos, iria desligar. Só não o fiz, porque ele retornou a falar.

— Eu sei... Eu sei que perdi toda a credibilidade com você. Mas é que-

— Já disse que não precisa se explicar. Eu não quero ouvir. – Interrompi, perdendo a compostura. – Quanto antes você me disser que desiste dessa história louca que criei, melhor.

— Não vou desistir.

— Então por favor, pare de me fazer acreditar em você. Só não suporto mais ser enganada.

— Essa não é uma conversa para se ter por telefone...

— O ideal era nem ter a necessidade de tê-la, não é? Olha, Daniel, já está tarde e amanhã cedo eu preciso ir para a redação e dar uns retoques na matéria antes de entregá-la. Depois nos falamos. Boa noite.

Não esperei por sua resposta e já desligue. Coloquei uma música para tocar e fui até o banheiro cantando para escovar meus dentes e colocar pijama. Ter tido o sonho não me serviu de lição. O quanto eu puder esconder meus sentimentos, o farei.  



Notas finais do capítulo

Pois é. A vida é assim. Cada um é canalha em um dia... sahuhsauhsusa Gente, eu queria me desculpar por duas coisas:
*primeiro: o cap passada tá com uns erros grotescos de português, mas logo eu edito.
* segundo: eu estava revisando a história e percebi que está parecendo um jogo de otome essa história kkkkkkkkkk -jogo de otome: tipo amor doce-. Desculpa, sério. Mas é que eu queria retratar um pouco algo real, afinal, quase nunca é como aquelas historias em q o principe aparece e só existe ele. E o principe da Mari ainda não está definido, né, então... hihi. É isso. Obrigada por ler! Tchau!