Casamentos, Amigos e Amores escrita por Nat Rodrigues


Capítulo 11
Capítulo 11


Notas iniciais do capítulo

Ooi! Eu sei, hoje não é domingo. Atrasei alguns dias... Mas é que escrevo no pc do meu irmão e nós estávamos em cidades diferentes nesse feriado. Em compensação esse cap é o maior até agora sahushuas Espero que goste! Boa leitura!



Alguma vez já mencionei que guardar tudo o que sinto me faz mal (e mesmo assim continuo guardando)? Pois bem. O pesadelo que tive essa noite foi o ápice dos meus sentimentos mal resolvidos e oprimidos, como se eles precisassem gritar para me fazer enxergá-los (não precisava!).

Sonhei com o dia do casamento. Mas não o André e de Jack... O meu casamento. Apesar de não lembrar dos detalhes ou decoração, eu sabia que estava na igreja católica que costumava ir quando adolescente. A igreja estava lotada, inclusive com André e Jaqueline no altar como meus padrinhos. Do lado de fora eu esperava para entrar, pois o noivo ainda não tinha dado as caras. Meu falecido pai, ao meu lado, consolava-me dizendo que tudo ficaria bem. Decidi, num ímpeto entrar eu mesma na igreja e esperar sozinha no altar, e a existência do meu pai se apagou. Quando cheguei até lá, nem padre não havia, apenas Jaqueline me esperava e pelo volume de seu vestido na barriga, ela parecia estar grávida.

Não sei o que me motivava, mas eu sorria, extremamente feliz. Afinal, era o dia do meu casamento, não era? Eu finalmente iria formalizar a junção de um amor que pretendia levar para toda a vida. Me tornaria uma só com meu noivo.

Mais um tempo de espera, e ao me virar para os bancos, os convidados não estavam mais lá. Novamente, apenas Jaqueline encarava-me, com uma feição de desprezo. Comecei a sentir toda a felicidade esmorecer dentro de mim. Onde estavam todos? Porque ninguém mais compartilhava da felicidade que eu sentia? Onde estava meu noivo? Onde estava... Daniel?

— Vê agora como é agonizante ser traída por sua amiga? – Jaqueline perguntou com a voz carregada de desdém. Meus olhos se encheram de lágrimas e coloquei a mão na boca, tentando controlar o desespero. – Mesmo que tenha falhado tentando me separar de André... – Continuou a falar e acariciou a barriga. – Larissa não falhou ao roubar Daniel de você.

— Não! Ele não... Não... – Discordei apavorada. – Faria isso comigo...

— Ah, faria sim... Assim como já fez antes. É uma pena para você que André não seja infiel como ele, não é mesmo? Fique aí e prove do seu próprio veneno... – Propôs por fim, e saiu da igreja.

Com o coração acelerado, rosto todo molhado e borrado de maquiagem, cambaleei até a saída, gritando por Daniel. A ideia de ter sido abandonada me aterrorizava mais que tudo. Andando sem rumo e sem foco, acabei por enxergá-lo no fim da rua, vestido com seu jeans e camiseta xadrez favorita, a câmera no pescoço e o cabelo loiro desarrumado. Gritei, inúmeras seu nome, mas sua única resposta foi um sorriso triste, antes de se virar e sumir.

As três horas e cinco minutos da manhã acordei com o travesseiro manchado de lágrimas e uma vontade imensa de ligar para Daniel, apenas para saber que ele não me abandonara de fato. Não consegui voltar a dormir. E, mesmo sabendo que isso se tratava de meus sentimentos aflorados, impedi a minha mente de tentar entender tudo que eu havia sonhado. O vazio dentro de meu peito era grande demais para ser explicado. Nesses momentos vejo que não é a razão que determina a emoção, mas sim o contrário.

E foi a emoção que me fez, as quatros horas da manhã, depois de ter parado de chorar, mandar mensagem para Daniel. Um sentimento ambíguo se apoderava de mim: seria mais fácil se ele estivesse dormindo e só me respondesse depois, mas, ao mesmo tempo, ansiava por sua resposta o mais breve possível.

“Ainda está acordado?”

Minha mente perturbada capitava cada segundo como minuto, e cada minuto como hora. Ele devia estar dormindo mesmo. E eu devia fazer o mesmo. Quem em sã consciência manda mensagem para o “ex (atual-falso) namorado” e espera uma boa receptividade? Se o celular dele estiver com som, no mínimo ele irá me xingar por acordá-lo.

Com o celular na mão, aberto na janela de Daniel, prendi a respiração quando o sinal de “visualizado” apareceu. Em baixo do seu nome apareceu em itálico: online.

Depois de alguns minutos pensei que ele fosse me ignorar. Joguei o celular longe na cama e aceitei que um espírito de loucura deve ter se apoderado de mim para que eu fizesse isso. Sentindo-me mortalmente arrependida, senti meu lençol vibrar, e vi a tela do meu celular iluminar.

MINHA.NOSSA.SENHORA.DA.APARECIDA.O.QUE.EU.FAÇO.AGORA?!

Relutante, peguei o celular e atendi.

— A-alô? – Indaguei com o tom de voz temerosa.

— Mari?— Daniel questionou. Sua voz estava rouca, confirmando minha teoria de que o acordei. – Você está bem?

Senti minha garganta fechar, e impedi a todo custo os soluços que queriam sair. Eu não devia ter mandado mensagem para ele frágil do jeito que estou. Droga, Mariana, você nunca aprende!

— Eu... Estou s-sim. – Respondi tentando normalizar minha respiração.

— Aconteceu alguma coisa? Você não é de mandar mensagem a essa hora...

Quis dizer que sim, havia acontecido. Eu estava eternamente grata por ver que diferente do meu sonho, ele não me virara as costas. Que mesmo sendo quatro horas da manhã, uma mensagem minha foi capaz de preocupa-lo a ponto de me ligar. Que apesar de todo o medo que eu sentia de ser magoada de novo, era impossível esconder de mim mesma que algo muito forte dentro de mim ainda clamava por ele. E, por fim, que mesmo que eu tentasse negar, cada célula do meu corpo estava impregnada com o perdão que ele tanto me pedia.

— Eu só... Queria agradecer. Não pude contatá-lo antes e... Realmente gostei da foto e da flor. Obrigada.

Do outro lado da linha, pude ouvir Daniel rindo aliviado.

— Se era só isso podia ter me ligado logo pela manhã... – Comentou e mesmo sem vê-lo, podia imaginar seu sorriso sonolento. Ele estava feliz com a minha mensagem, até porque, ele me conhece bem o suficiente para saber que eu não faria isso por causa da mensagem.

— Desculpa. – Pedi. - É que eu queria ouvir sua voz...

— O que disse?

— Desculpe, eu não queria te atrapalhar a dormir.

— Não tem problema. Amanhã conversamos melhor, anjo.

— Tá bom.

— Boa noite.

— Boa noite.

Mais calma, porém ansiosa. Foi assim que me senti ao desligar o celular. A única constatação a que cheguei foi que eu realmente não entendo o que é esse bendito-maldito amor.

Dormir não me parecia ser algo possível, portanto, fiz um chá e abri meu notebook. Estava na hora tentar colocar meus pensamentos em ordem, e, finalmente, escrever a matéria da minha nova coluna.

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.

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Meio dia e quarenta eu me encontrava na praça de alimentação do shopping. Havia combinado de me encontrar ali com André para montar o “Quiz” do Chá de Cozinha, uma brincadeira clássica que sempre testa os conhecimentos da noiva sobre o noivo. Apesar de ter procurado algumas perguntas na internet, tinha esperança de que ele me fornecesse algumas que Jaqueline com certeza não saberia responder, afinal, a graça dessa brincadeira é a cada erro, a noiva receber um castigo diferente. Havia escolhido estrategicamente uma mesa no espaço ao ar livre, onde eu podia estar de óculos de sol sem parecer uma louca. Apesar de toda a maquiagem que usei, não consegui esconder por completo minhas olheiras e não queria preocupar André novamente. Fora que além de toda aquela coisa bizarra sobre Daniel ser meu noivo no sonho, eu também falhara tentando separar André e Jaqueline, entretanto... Eu não estou fazendo isso. Estou? Priorizar a felicidade deles é o que importa no momento, principalmente para que eu tenha mais inspiração e conteúdo para a minha coluna. Saber que mesmo assim eu ainda tenho essa vontadezinha de acabar com o casamento não é a melhor coisa a se pensar.

E foi tentando acalmar minhas confusas e complexas emoções que vi André chegando a praça de alimentação, com o olhar perdido. Não me importei de ficar acenando por praticamente um minuto, já que pelo menos assim eu não teria que ir para dentro e poderia analisar sua beleza de longe sem parecer uma maníaca-rouba-marido.

— Nossa. Achei que nunca iria me enxergar! – Reclamei brincando quando André chegou a mesa.

— Não tenho culpa se você quis se sentar longe de tudo. – Retrucou com um sorriso. Após cumprimentar-me com um beijinho no rosto, sentou à minha frente.

— Lá dentro o cheiro de comida está forte e tem muito barulho... – Argumentei com um sorriso amarelo.

— Realmente. – André concordou rindo.

Logo depois fomos cada um pedir o que iria comer, e após longos vinte minutos nos sentamos novamente a mesa, já com nossos pratos e bebidas juntos. Eu havia optado por um prato daqueles prontos que trazem estrogonofe e batata frita, enquanto André pediu uma porção de yakissoba. Após alguns assuntos triviais, fui direto ao ponto: as perguntas.

— Vamos lá, deixar eu ver as que anotei aqui... Sua cor preferida?

— Ah, você sabe essa Mari. – André desdenhou enquanto terminava de comer. Revirei os olhos, anotando “cinza” em frente a pergunta.

— Certo... Hum... Comida preferida?

Desta vez ele nem respondeu, apenas levantou as sobrancelhas e deu um sorriso. Suspirei, anotando “yakissoba”.

— Dia do aniversário da sua mãe?

— Tem certeza que precisa de mim para responder essas coisas? – André riu deixando seu prato já vazio de lado. Fiz acara feia para disfarçar minha vergonha, mas já anotei em frente a pergunta “16 de novembro”.

— Tenho! Vai que eu coloco errado e a brincadeira não dá certo? – Bufei. Seu sorriso não estava colaborando com minha sanidade já perdida durante a madrugada. – Essa por exemplo, eu não sei a resposta: Dia do primeiro beijo?

— Eita. – André fez uma careta e quase ri. Ele coçou a barba e pareceu pensar.

— Não vai me dizer que você não sabe?

— Não.

Não consegui segurar a gargalhada. Então André não tão romântico assim como eu pensava.

— Tira essa daí, pelo amor de Deus. E para de rir. – Pediu, mas sua expressão denunciava que também achava graça da situação. – O pior é que me lembro do dia que eu e você “ficamos sem-querer-querendo” na casa do Guto, mas eu e a Jack não.

Isso foi mais do que o suficiente para me fazer parar de rir. Minha mudança de expressão foi tão brusca que o clima pareceu ganhar um ar pesado. Ele não precisava ter dito aquilo, simplesmente não precisava me lembrar do dia que quis mata-lo e amá-lo com tanto fervor.

Auge dos meus quatorze anos, roda de violão na casa do Guto, um amigo nosso do colégio. Era feriado de sete de setembro, independência do Brasil, e mesmo tendo aula no dia seguinte, combinamos todos que iriamos faltar. Como os pais do Guto não estavam lá, os meninos decidiram que era o dia em que iriam todos se embebedar pela primeira vez juntos. Adolescentes, por favor, releve. Eu não estava muito a fim de entrar na “bebedeira”, então fiquei meio afastada junto com algumas outras meninas. Entretanto, quando já era umas onze da noite, a maioria dos garotos estavam inteiramente bêbados. E bêbado, que é bêbado, gosta de fazer burrice. E a burrice de André naquela noite foi ficar choramingando no meu ombro o quanto era ruim não ter uma namorada, e depois de seus amigos idiotas ouvirem aquilo ficaram gritando em uma espécie de coro “beija ela!”. Eu, na minha idiotice, já gostava dele. Então só conseguia rir nervosa com a situação e abaixar a cabeça, com o rosto completamente corado. Levado pelo incentivo dos garotos e da bebida, André me beijou. Na realidade, se tratou de um selinho de três segundos, mas eu o considero como meu primeiro beijo. Porém, depois de ele fazer isso, me olhou com uma expressão engraçada e disse:

“Isso foi estranho!” e todo mundo começou a rir. Ri junto, de raiva, empurrando ele para longe e fingindo na hora que nada havia acontecido, que o gosto de vodca não havia ficado em meus lábios.

Nem preciso dizer que foi a destruição de todas as ilusões que eu tinha criado. Fui embora da casa do Guto e fiquei sem falar com ele por três semanas inteiras. Para mim não adiantava colocar a culpa na bebida, afinal, dizem que quando as pessoas estão bêbadas, elas são mais sinceras. Para voltarmos a nos falar, ele prometeu nunca mas fazer nada do estilo -e para meu azar não fez mesmo.

— Também, foi o primeiro dia que você deu PT e depois nós dois ficamos sem nos falar por dias. – Debochei, tentando quebrar a tensão. André riu nervoso, e mordeu o lábio. Desviei meu olhar para as perguntas novamente.

— Para que time torce?

— Seleção Brasileira e olha lá. – Desta vez ele não falou o óbvio (que eu já sabia e não precisava perguntar), e agradeci mentalmente por isso.

— Que música você considera que seja A música dos dois?

— Hum... Acho que “Pra Você Guardei O Amor” do Nando Reis.

Dei um pequeno sorriso ao anotar sua resposta. Essa era uma música que sempre cantávamos em nossas rodas de violão. Apesar de antiga, sua letra continuava linda e tocante.

Depois de mais algumas outras perguntas, finalmente terminamos. André acabou me oferecendo carona, e mesmo eu sabendo que para meu próprio bem mental eu deveria recusar, aceitei. Havia ido até lá de ônibus, e sempre que é possível, prefiro o evitar.

No carro, André aproveitou para puxar um assunto que eu temia ter que discutir: Daniel.

— Como vocês estão agora? – Indagou.

— Bem. Estamos bem. – Respondi abrindo o porta-luvas apenas para me distrair. – Ele já conversou com você sobre a despedida?

— Já. Não quero fazer nada muito grande. Se der corda para meus tios, eles vão querer festar mais do que eu mesmo. – André comentou e eu ri.

— Porque não faz algumas brincadeiras tipo as do chá de panela? – Sugeri e recebi uma gargalhada como resposta. – Que foi, está com medo de errar as respostas? – Provoquei.

— Claro que não! Eu sei bastante coisa sobre a Jack... Mas é que isso é muito menininha. – Explicou.

— Bom, não sei se sabe, mas nessas coisas os padrinhos que estão organizando possuem algumas vantagens... Já estou até te imaginando pagando os castigos! – Ri. Quando ele parou em um sinaleiro, lançou seu olhar de incredulidade a mim.

— Você não seria capaz de mandar Daniel fazer algo assim, não é?

— Imagina... – Respondi com um sorriso malandro.

Quando chegamos a porta de meu prédio, e eu tirei o cinto, André se aproximou e retirou meus óculos escuros.

— Que foi? – Questionei surpresa. Com uma sobrancelha levantada, ele me devolveu os óculos.

— Nada. Só queria conferir se não tinha levado um soco ou algo do estilo.

— Claro que não! – Achei graça, abrindo a porta do carro.

— Mas se andou chorando por causa do Daniel de novo...

— Fica tranquilo. Eu tenho um trabalho que está me dando mais dor de cabeça do que Daniel no momento – Mentira – Obrigada pela carona!

Com um meio sorriso André se despediu e foi embora. Fechei os olhos e dei um longo suspiro.

Conclusão do dia: Eu realmente sou uma bagunça por dentro.



Notas finais do capítulo

Um pouco dos dois homens da vida dela porque sim. hasuhsaus Já tiveram algum sonho parecido com o da Mari? Eu não, graças a Deus! kkkk
Obrigada por ler! até o review ~se vc for lindo~



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