Alvo Potter e a Sala de Espelhos escrita por Tiago Pereira


Capítulo 15
Capítulo 15 — Grifinória versus Sonserina


Notas iniciais do capítulo

E aí, gente. Tudo bom? Espero que sim.
Hoje vos trago uma boa notícia. Prontos? A FANFIC VAI DURAR MAIS DO QUE EU ESPERAVA!
Sim, isso mesmo. Lembra que eu havia dito que iria até o capítulo 21? Pois é, parece que ela vai durar mais mesmo. Mas não só por isso, também soma-se o fator viagem. É, galera, eu farei uma viagem no dia 18 e não tenho uma estimativa para voltar, mas será breve, em meados de janeiro. Tentarei postar o máximo que puder!
Bom, agora que eu já dei o recado...
Boa leitura!



 

 


NAQUELA NOITE, ENTRETANTO, Alvo e Wayne deixaram de lado a discussão sobre quem ajudou a Legião Escarlate a entrar em Hogwarts. Ficaram sentados junto à lareira do barulhento Salão Comunal, comendo sapos de chocolate e trocando figurinhas.

Flávio Belby — Wayne leu o verso da figurinha, enrugando o cenho. — Será que ele é parente da Sandy Belby? Hum... Osvaldo Beamish eu já tenho... Alvo! Achei uma carta com o seu nome!

Alvo, que estava distraído lendo a biografia de Inácia Wildsmith, foi pego de surpresa. Agarrou a figurinha e encarou a face do homem velho de nariz comprido e torto. Ele o reconheceu, não porque já tinha o seu cartão, mas porque o vira na sala da diretora, sob forma de um quadro. Embaixo do retrato estava escrito: Alvo Dumbledore.

— Eu sei quem ele é... — disse Alvo, cheio de excitação. — Eu o vi em Hogwarts.

— Dumbledore? — rebateu Wayne. — Alvo, Dumbledore morreu há vinte anos.

— Sim, sei disso, só que...

Alberico Grunnion! — Wayne abriu mais um pacote. — Este aqui é novidade.

Alvo, ligeiramente irritado com o amigo, baixou os olhos para encarar Dumbledore, mas o seu rosto não estava mais lá. Sumira, deixara-o. O menino sacudiu a figurinha, sussurrou para que Dumbledore voltasse e nada aconteceu. Virou o verso:


Alvo Dumbledore, ex-diretor de Hogwarts. Considerado por muitos o maior bruxo dos tempos modernos. Dumbledore é particularmente
famoso por ter derrotado Grindelwald, o bruxo das Trevas, em 1945, por ter descoberto os doze usos do sangue de dragão e por desenvolver um trabalho de alquimia em parceria com Nicolau Flamel. O Professor Dumbledore gosta de música de câmara e boliche.

Alvo virou de novo o cartão e arregalou os olhos quando Dumbledore voltou e sorriu para ele, como fizera no escritório da Profa. McGonagall. “Alvo Severo”, lembrou-se das palavras do Sr. Potter. “Nós lhe demos o nome de dois diretores de Hogwarts. Um deles era da Sonserina e, provavelmente, foi o homem mais corajoso que já conheci.” Será que o seu pai se referia mesmo a Alvo Dumbledore? Possivelmente, pois, pelo que havia lido, parecia ser um homem muito corajoso ao derrotar um bruxo das Trevas. Alvo ficou pensando se caso ele derrotasse Hotwan, seu rosto também estaria em uma figurinha de sapo de chocolate. Seria o máximo.

Rose estava afundada em uma das poltronas fofas e redondas, o nariz grudado nas páginas de um livro mofado. Ela não falara quase nada desde que os amigos voltaram da cabana de Hagrid. Absorvia cada palavra com sofreguidão, nem dava atenção às colegas ou às primas. Lucy, Dominique, Molly e Constantina se aproximaram de Alvo com azedume.

— O que deu na Rose? — perguntou Molly. — Ela não para de ler nem por um segundo.

— Aposto que ela está contraindo síndrome de Lucy — debochou Dominique.

Molly e Constantina gargalharam; Alvo riu baixinho para não ofender a prima.

— Cale a boca — resmungou Lucy.

— Eu só estou brincando — disse Dominique. — Uns amassos em Daniel Dencourt melhoraria muito seu humor.

As meninas voltam a rir. Lucy desaprova inteiramente.

— Não é engraçado — repreendeu, corando. Seus olhos pairaram no time de Quadribol da Grifinória agrupado em um canto. — Engraçado mesmo é saber que minha prima anda se encontrando às escondidas em Hogsmeade com alguém de outra Casa.

Desta vez as risadas se inverteram contra Dominique.

— Cuidem da vida de vocês — resmungou Dominique.

Alvo começou a recolher as suas figurinhas, atirando as embalagens de papel na lareira. Não estava com muita paciência para aturar aquela discussão, por isso, ele e Wayne se afastaram até a poltrona onde Rose estava, sentando-se um em cada braço.

— Parece que a visita ao Hagrid não lhe fez muito bem — comentou Alvo.

Rose parou por um instante e Alvo achou que levaria um tapa por ter atrapalhado a sua leitura.

— Lembram do ana-grifo que Hagrid nos falou que Hotwan estava atrás? — disse. — Então, acho que sei o que é.

Alvo e Wayne se empertigaram.

— Foi difícil de encontrar — assumiu Rose, cheia de si –, ele só é citado uma vez em Aflições e Males Comuns na Magia. Chama-se antaglifo e é uma pedra que tem a virtude de fazer que a pessoa não se admire com nada. Entendem o que isso quer dizer?

— Não. — Alvo e Wayne responderam juntos.

— Poder — Rose falou sucintamente. — Admirar-se significa render-se a virtudes que não possuímos. Sem admiração, nos colocamos acima de tudo e de todos, preponderantemente.

— E então não existe medo — Wayne raciocinou. — Logo eles conseguem poder para fazerem o que quiserem.

— Exatamente — Rose confirmou.

Alvo aplaudiu a prima.

— Rose Weasley, você é brilhante — confessou. — Agora, como sabe que eles estão atrás do antaglifo?

Em resposta, Rose mostrou um pingo de tinta que lembrava uma ave de asas abertas no rodapé da página. O mesmo pingo que estava no livro sobre o espelho de Apate.


O dia seguinte amanheceu com o céu muito claro, apesar do frio. O Salão Principal estava perfumado com o cheiro de bacon e prorrompendo conversas sobre o jogo de quadribol que ocorreria logo mais. Tiago comia ao lado do irmão, Bocavoraz — sua tarântula — pousada em seu ombro.

— Pronto para a partida? — perguntou Alvo.

— Eu nasci pronto — respondeu arrogantemente Tiago.

— Tomara que ganhemos — disse Fergus Finnigan. — Apostei vinte galeões com uns alunos da Sonserina. E eu nem tenho vinte galeões!

— Se depender do Dencourt... — Tiago fez uma careta e murmurou para o irmão. — Ele treinou mal essa semana. Não agarrou o pomo nenhuma vez. Ele diz que é o nariz quebrado que está atrapalhando. Besteira, só fala isso para fazer Violeta se sentir culpada. — E terminou de raspar o fundo do prato com ovos e presunto. — Uma pena que ele não saiba que os apanhadores são sempre os que acabam aleijados.

Perto das onze horas, a escola toda começou a descer em direção do campo de quadribol. Na entrada das arquibancadas, Fred e Roxanne distribuíam rosetas vermelhas para todos que passavam por eles. De longe eram os alunos mais entusiasmados: pintaram o rosto de vermelho e dourado e agitavam bandeirolas da Grifinória.

— Bom jogo, pessoal — desejou Fred, sorrindo.

— Vocês terão uma surpresa... — Roxanne riu com o rosto de desentendimento dos amigos.

Nas arquibancadas, havia um mar em vermelho. Por um instante, Alvo teve a sensação de estar de volta à Copa Mundial de Quadribol, tamanha era a agitação. Ele, Rose e Wayne ficaram perto de Louis, Ravi e Fergus, aguardando a entrada das equipes. Do outro lado, atrás das balizas da Sonserina, centenas de torcedores estavam cobertos de verde e sacudindo uma bandeira gigante com uma serpente prateada no centro. A Profa. Monet puxava cantos como: “Já falei, vou repetir: a Sonserina é quem manda aqui.”

— Isto me lembra as partidas de futebol que minha mãe me levava — comentou Wayne, enlevado.

— É porque você nunca foi a um jogo da Copa Mundial — disse Alvo. — Prometo levá-lo no próximo verão... — Então baixou o tom de voz. — Se nada der errado...

— Que acham que Fred e Roxanne farão? — questionou Rose, preocupada.

“Sejam bem-vindos”, ecoou uma voz pelos terrenos. “Senhoras e senhores, bem-vindos a mais uma temporada do campeonato intercasas de quadribol!”

  Os espectadores começaram a gritar e aplaudir. Alvo procurou a origem das vozes e encontrou, no pódio dos locutores e sob vigia do Prof. Flitwick amontoado em caixotes, Fred e Roxanne. Dava para reconhecer de longe aquela icônica dupla de rostos pintados.

“Para quem não me conhece eu sou Fred Weasley e esta aqui do meu lado é minha companheira — menos bonita –, Roxanne Weasley. Dê um alô para o público, Roxy.”

— Narradores? — Rose bateu palmas. — Por essa eu não esperava. Ninguém em juízo perfeito deixaria esses dois irradiarem uma partida.

“E agora, damas e cavalheiros”, disse Roxanne em um tom desanimado, “vamos dar boas-vindas, ou uma chuva de tomates... Brincadeira... ao time da Sonserina. Pickwick, Buckner, O’Flannagan, Crawford, Barnes, Copeland e... Montmorency...”

Apesar da falta de entusiasmo de Fred e Roxanne, a torcida da Sonserina recebeu os sete jogadores vestidos de verde com assovios e gritos puxados pela Profa. Monet.

“É praticamente o mesmo time do ano passado, ao que parece”, comentou Fred. “Exceto pela nova artilheira, Alícia Crawford, do primeiro ano, do batedor Clayton Barnes e do apanhador Marcus Montmorency — sim, aquele que perdeu a memória.”

— Weasley, seja mais sensível — reclamou o Prof. Flitwick.

“Chegou a hora de saudar o novo time da Grifinória!”, Fred alteou a voz. “O goleiro: Daggerfall!”

Alaric veio de uma entrada abaixo das arquibancadas, vestido de vermelho, montado em uma vassoura sob aplausos frenéticos da torcida da Grifinória. Haviam até alunos da Lufa-Lufa infiltrados e ovacionando os jogadores.

“Potter! Brunner! Glascott! Aingremont! Mumps! E... Dencourt!”

Apesar do apoio, houve uma grande onda de vaias por parte da torcida da Sonserina. O Prof. Bagman, vestindo suas tradicionais vestes dos Vespas de Wimbourne sobre seu barrigão, pediu para que os capitães se cumprimentassem e Glascott e O’Flannagan apertaram as mãos com força. Dava para sentir a tensão em seus rostos.

Os catorze jogadores montaram em suas vassouras.

— Quando eu apitar — disse o Prof. Bagman. — Um, dois... três!

Houve um silvo forte e as quinze vassouras subiram no ar, dando início ao jogo.

“COMEÇOU!”, anunciou Fred. “A Sonserina inicia com a posse da goles. Crawford, vai carregando sozinha. Passe para Buckner... boa finta em cima de Brunner... A goles é passada para O’Flannagan. NÃO! Que recuperação de Potter! Ele parece uma bala de canhão montado na Varápidos. Potter voa em direção das balizas, toca para Glascott e... Ai! Um balaço de Copeland acerta em cheio o capitão da Grifinória... Roxanne, avise o público se avistar o pomo de ouro.”

“Pode deixar, Fred”, Roxanne começou a assistir ao jogo por um binóculo.

Os três artilheiros da Grifinória voavam juntos, Sean centralizado e mais à frente do que Tiago e Violeta Brunner.

“Oh, é a formação cabeça-de-facão? Vem a Grifinória, mas a Sonserina já vai formando um verdadeiro paredão para impedir o ataque adversário.”

PAM!

“Que rebatida de Matilda Mumps! O seu balaço acertou Buckner bem na nuca, espero que ele esteja machucado... Mais uma brincadeirinha... Agora o caminho está livre, Glascott deixa a goles escorregar para Potter, ninguém segura ele, agora é Potter contra Pickwick, as balizas estão logo a frente e... GOL DE POTTER!”

A torcida da Grifinória encheu o estádio de berros, agitando as suas bandeiras.

“Um ótimo achado de Glascott, o Potter, um grande jogador, dizem que ele tem um primo extremamente bonito e engraçado...”

Menos, Weasley! — ralhou o Prof. Flitwick, rindo.

“Muito bem, muito bem. Sonserina no ataque. O artilheiro O’Flannagan vem para o ataque, se esquiva perfeitamente do balaço de Aingremont, toca para Crawford, que passa por Potter, por Brunner...”

— OOH! — protestou a torcida da Sonserina. Sean Glascott havia impedido o gol bloqueando bruscamente a passagem de Alícia, não derrubando-a por pouco.

O Prof. Bagman apitou e deu um pênalti para a Sonserina. Sean ficou gesticulando contra o Prof. Bagman, que deu as costas e voou para perto das balizas da Grifinória.

— Veja só, Alícia já está em pé — resmungou Wayne.

— Sean foi muito bruto — discordou Rose. — Poderia ter machucado seriamente a Alícia.

Alvo e Wayne lançaram um olhar incrédulo para a amiga.

— Desde quando você se importa com Alícia? — Louis também pareceu não acreditar.

Rose girou os olhos para o alto.

— Diferentemente de vocês, eu não deixo o fanatismo me cegar, só isso.

Uma grande agitação começou na torcida da Grifinória, embora não fosse em reclamação da marcação do lance livre.

— Desculpem. Cheguem para lá. Andem, com licença.

— Hagrid...! — Alvo sufocou um grito. — Você está me esmagando.

Os amigos se ajeitaram e abriram um generoso espaço para Hagrid. Alvo mal conseguia assistir direito o jogo quando os sonserinos começaram a vibrar de alegria.

— Estive cuidando de uns serviços especiais para Copperfield, na floresta proibida — contou Hagrid, orgulhoso. — Nada de especial. Quanto está o placar?

— Dez a dez — respondeu Wayne. — A Sonserina acabou de empatar.

— Nenhum sinal do pomo? — Hagrid tentou caçá-lo com os olhos.

Wayne negou.

Daniel Dencourt ficava voando de um lado para o outro, Marcus Montmorency adejando muito próximo, apertando os olhos para enxergar qualquer brilho dourado que se mexesse.

Passados quinze minutos, houve uma chuva de gols para o lado da Grifinória: noventa a trinta. A torcida grifnória não parava de cantar e provocar os sonserinos, Fred narrava com muito mais entusiasmo; nada poderia estragar aquela festa.

Fred ainda comentava.

“Brunner com a goles, passa por Buckner! Escapa do balaço de Barnes, incrível! Passe de revés para Potter, ele agarra e PONTO PARA GRIFINÓRIA! QUE PONTAÇO!”

A arquibancada pareceu que iria cair de tanta euforia. Hagrid abraçou Alvo, Wayne e Rose — um dos seus típicos abraços de partir as costelas. Tiago dava loops para extravasar a emoção que sentia. A Grifinória parecia imbatível. Daniel foi se juntar com o time para uma comemoração, até que uns murmúrios começaram a se espalhar pelo estádio.

“Um gol fenomenal que vai coroando o massacre em cima desses — espera aí — Roxanne, é isto mesmo que eu estou vendo?”

Roxanne espiou pelo binóculo, só que todos — inclusive Marcus Montmorency — já conseguiam ver o lampejo dourado voando pelo campo, o pomo de ouro. Marcus imprimiu toda a velocidade contra a vassoura, Daniel apressando-se em voltar para o jogo, as pessoas gritando incentivos. Até mesmo os jogadores da Grifinória pararam por um momento para assistir a captura; a distração foi tão grande que eles nem viram Buckner passar pelo time todo e anotar mais dez pontos para a Sonserina.

Então a alegria deu lugar a angústia. Alvo afundou o rosto no casacão de Hagrid, Wayne começou a roer as unhas e Rose apertou os olhos, quase chorando. No campo, Sean gritava para os batedores impedirem Montmorency imediatamente. Não era à toa. Por mais que a Grifinória tivesse uma vantagem boa, se o apanhador da Sonserina pegasse o pomo, somariam cento e cinquenta pontos e venceriam o jogo.

A onda verde do outro lado se ergueu, assim como a torcida da Grifinória; até mesmo a Profa. McGonagall ficou em pé para contemplar a disputa, embora sua torcida fosse claramente dirigida à Grifinória. Marcus estava na frente, mas a velocidade da Thunderbolt VII era incrível, fazendo com que Dencourt pudesse voar na esteira dele.

Nesse meio tempo, a Grifinória ainda conseguira marcar mais um gol, enquanto o time da Sonserina estava somente defendendo. Obviamente eles estavam apostando todas as fichas em Montmorency.

A testa de Fred suava tanto que a tinta no seu rosto começava a se misturar em um laranja-cobre tosco. Entrementes, Carl Aingremont rechaçava um balaço violento e inexorável na direção de Montmorency, não tinha como escapar...

— UH! — urrou a torcida da Grifinória quando o balaço passou assoviando pela orelha do rapaz.

“Pelas barbas de Merlin!”, exclamou Fred. “Por mais um centímetro de pele e cartilagem Montmorency perdia a orelha. O que seria ótimo, pois eu já teria um presente de Natal para o meu pai. Brincadeirinha de novo, professor... Mas o que é isso? Dencourt está prestes a ultrapassar Montmorency, vai, vai, acelera!”

Foi incrível — Daniel Dencourt conseguira trespassar por Marcus, estava apenas a alguns segundos de alcançar o pomo... agora a alguns dedos... faltava muito pouco...

— Cuidado! — esganiçou-se Rose, fechando os olhos.

— Vai bater! — berrou Wayne.

PAM.

E eles tinham razão: Suzan Copeland e Clayton Barnes rebateram o balaço juntos, ganhando um impulso que acertou em cheio a vassoura de Dencourt, despedaçando a cauda. O estádio se encheu de xingos e vaias quando o apanhador da Grifinória começou a rumar em direção ao chão, erguendo terra para todos os lados.

— Falta! Falta! — vociferava a torcida grifinória.

— O pomo, cadê o pomo? — perguntava Alvo.

Marcus Montmorency, então, começou a voar em zigue-zague, manifestando sua alegria. Com o punho lá no alto, um brilho dourado entre os dedos, aterrissou e foi abraçado por todos os outros companheiros de time. A torcida da Sonserina veio abaixo, aplaudindo com estrépito e cantando como antes da partida.

Eu já falei,

Vou repetir,

A Sonserina é quem manda aqui.

O jogo terminou em uma confusão só. Fred e Roxanne xingaram tanto que o Prof. Flitwick teve que fazê-los parar de narrar, Tiago, Carl, Alaric e Violeta desceram para ver o estado de Daniel, que caíra estatelado e gemia de dor. Matilda e Sean foram para cima do Prof. Bagman, insistindo que ele anulasse a captura do pomo, pois a jogada dos batedores fora ilegal.

— Aquilo foi uma dupla-defesa de batedores — explicou o Prof. Bagman, ajeitando a camisa que deixava a barriga exposta. — Foi um movimento brilhante e legalíssimo!

Alvo, Wayne e Rose, como todos os outros que vieram torcer para a Grifinória, estavam aborrecidos à beça. Aos poucos, foram deixando o estádio em um clima de pesar e raiva, cada um procurando uma desculpa ou uma palavra de alento.

— Foi um grande jogo — Hagrid consolou as crianças.

— Mas perdemos — lamentou Alvo.

— É, perdemos — disse Hagrid. — Pelo menos seu irmão jogou bem.

— Mas perdemos — repetiu Alvo, emburrado.

— Ora, águas passadas não movem moinhos, não é mesmo? — Hagrid sorriu e começou a marchar até o seu casebre.

— Vocês não acham que Hagrid está feliz demais? — Alvo fez a pergunta que mais lhe aturdia.

— Com certeza — confirmou Rose. — E aquele papo de serviços especiais para Copperfield?

— Copperfield é um homem do Ministério da Magia, deveríamos confiar nele — disse Alvo, incerto. — E Hagrid é nosso amigo, não faria nada de ruim conosco.

— Como sabe que Copperfield é confiável? — questionou Wayne. — Nós nem sabemos o que ele faz.

— Eu vi a maneira que ele falava com a Profa. McGonagall — contou Alvo. — Ela parecia confiar nele.

Wayne parou e lançou um olhar enigmático para Alvo.

— Confia nele ou no ministro da Magia?


O Natal se aproximava. Na primeira semana de dezembro, o Prof. Longbottom recolheu o nome de dos alunos que ficariam em Hogwarts durante as férias de inverno. Alvo não via a hora de voltar para casa e rever sua família. O Natal era sempre uma época especial, onde os Potter e os Weasley reuniam todos os amigos n’A Toca para uma grande ceia.

— Onde vai passar o Natal? — perguntou Alvo a Wayne.

— Aqui — Wayne gesticulou com o garfo cheio de ovos mexidos. — Meus pais vão à Rússia, visitar minha irmã. Ela tem uma competição de poções lá. Nada que me atraia.

— Sua mãe também vai? — tornou a indagar Alvo, com delicadeza e intimamente surpreso.

Wayne assentiu.

— Fico feliz que eles se revejam de vez em quando — confessou, com um ar deprimido.

Rose lançou um olhar para Alvo do tipo você-sabe-o-que-tem-que-fazer.

— Venha passar o Natal conosco — convidou Alvo.

O rosto de Wayne se iluminou, mas o garoto não quis demonstrar emoção.

— Não quero atrapalhar ninguém...

— Deixe de modéstia — Rose falou com dureza, sorrindo em seguida. — Por favor.

Corando, Wayne apenas anuiu e comeu uma garfada dos ovos. Eles não precisavam dizer mais nada, apenas se olharam e começaram a rir. Era tudo que Alvo queria: manter os amigos por perto, ou melhor, ter um amigo que não se interessasse pelo seu sobrenome.


As reclamações dos alunos do primeiro ano se estendeu até o corredor do sétimo andar, durante a noite de segunda-feira. Estavam absolutamente exaustos de tentarem transformar xícaras em ratos e das broncas da Profa. Aingremont.

— Eu não engulo mais nenhuma palavra dela — resmungou Ryan McGonagall.

— Ela mais grita do que ensina — Anne Marie acrescentou.

— Já notaram em uma coisa? — Rose olhou por cima do ombro.

— Eu cortei as pontas do meu cabelo — disse Rhonda com um sorriso.

— Não — Rose replicou com impaciência. — Os aurores não estão patrulhando os corredores. Nenhum deles.

Todos começaram a mirar todos os cantos, soltando murmúrios em concordância.

— Tem razão — disse Arepadma. — Eu não os vi o dia todo.

— O que vocês acham que aconteceu? — Fergus puxou o colarinho das suas vestes.

— Devem ter se retirado para o Natal — arriscou Ravi.

As crianças continuaram especulando até chegarem no retrato da Mulher Gorda, que confabulava com uma bruxa encarquilhada. As duas tomavam uma xícara de chá e riam alto, ignorando completamente a existência dos primeiranistas.

Abhaya pigarreou:

Chifre de unicórnio.

A Mulher Gorda continuava a desprezá-los.

— Você está surda? — Rose alteou a voz. — Chifre de unicórnio.

Desta vez as duas figuras pararam e encararam os estudantes. Pouco a pouco, o corredor do sétimo andar ia ficando amontoado com os alunos da Grifinória que subiam para o Salão Comunal.

— Eu não vou dar passagem até vocês serem educados comigo. Sinceramente, estou cansada de ser tratada como uma mera pintura por todos — disse a Mulher Gorda, inflexível. — Aonde estávamos mesmo, Violeta?

Se dependesse do temperamento de Rose, o quadro já tinha sido arrancado da parede, mas os amigos conseguiram acalmá-la. Louis tomou as rédeas:

Chifre de unicórnio. Por favor, Mulher Gorda.

Ainda com um ar petulante, o retrato girou para a frente, satisfeita, dando passagem para os estudantes passarem, muitos deles criticando duramente a atitude da Mulher Gorda. E não eram somente os que acabaram de entrar que tiveram este problema, a maioria dos colegas mais velhos também se queixavam em ter de ficar dez minutos tentando convencer o quadro a dar acesso à sala comunal.

Estou cansada de ser tratada como uma mera pintura — Rose parodiou, zangada. — Ela esperava o que? Que fizéssemos uma reverência? Desmiolada.

O resto da noite não foi dos melhores para Alvo. Tinha de terminar o seu dever de Astronomia, cuja tarefa Rose e Wayne fizeram parecer a mais fácil do mundo. Ele não conseguia sse orientar pelas suas anotações, pois a maioria eram desenhos distorcidos dos planetas ou caricaturas do Prof. Godunov. Os amigos, no entanto, não deixavam ele copiar seus trabalhos (“Assim você não vai aprender nada”), embora, quando Alvo pedia ajuda, recebia sempre os nomes das luas.

Já era quase dez e meia no momento que Wayne começou a enrolar os pergaminhos.

— Terminei — disse. — Quer que eu te espere?

— Não, não precisa. — Alvo bocejou.

Sozinho, iluminado pelas chamas rutilantes, o menino adormeceu. Estava tendo um sonho estranho, onde ele estava de volta à Sala de Espelhos, seu corpo formigando. Havia uma grande plataforma no seu final, uma mesa, na verdade. Ele caminhou até ela e encontrou uma pedra: o antaglifo que Rose falara sobre.

— É só pegar — entoou uma voz por trás dele.

Alvo se virou. Rodric Hotwan, o homem de cabelos longos e sujos, estava parado atrás dele, sorrindo maliciosamente. Sem saber por que, o menino sentiu que podia confiar em Hotwan. Esticou o braço até a pedra, mas outra voz começou a ecoar pela sala; a voz da Mulher Gorda.

— Você não pode simplesmente apanhá-la. Peça por favor!

Alvo a ignorou e mergulhou a mão na pedra e a cena toda começou a derreter como cera quente. Alvo começou a afundar, até ficar de ponta cabeça, sem saída, sacudindo em pleno ar. Gritava desesperadamente:

— Por favor! Por favor! Me tirem daqui!

— Alvo, pare de gritar — sussurrou Tiago.

Alvo, finalmente, abriu os olhos. Estava no mesmo lugar, a cabeça latejando com o desconforto de ter de ficar apoiada na mesa. Seu pergaminho agora estava com alguns amassos e a tinta preta fazia um rastro na mesa, gotejando no chão. O garoto se aprumou na cadeira, as costas doendo.

— Precisamos nos apressar — continuou Tiago com urgência.

— Você está maluco? — grasnou Alvo. — Já passou das onze horas, presumo.

— Eu sei — disse Tiago, impaciente. — Mas é importante.

— E o que é tão importante que você não pode esperar até o amanhecer? — guinchou Alvo.

Tiago puxou um pergaminho do interior das vestes e começou a desdobrá-lo. Jogou os materiais de Alvo no chão e estendeu o pedaço grande e quadrado de pergaminho na mesa, revelando ser o mapa saqueado do pai.

— Está vendo? — Tiago percorreu o dedo indicador pelo Mapa do Maroto até um pontinho que se movia em direção da orla da floresta.

Alvo quase caiu da cadeira. Era Carver, o assassino de Yancey.



Notas finais do capítulo

TAN TAN TAN!
E aí, gente, que acharam do capítulo? Manifestem-se, estou morrendo de saudades de vocês. :(

Bom, galera, como muitos sabem, esta semana aconteceu a maior tragédia esportiva e jornalística do mundo. E envolvendo um clube tão querido por nós: a Chapecoense, a Chape. Deixo aqui minhas condolências e minha homenagem a todos que acabaram afetados pelo acidente, desde à família e amigos das vítimas aos torcedores e cidadãos de Chapecó. Não se esqueçam que, nas palavras de Alvo Dumbledore: "Para uma mente bem estruturada, a morte é apenas uma aventura seguinte."

#ForçaChape

✮ ✮ ✮ ✮

Curiosidade do capítulo: Flávio Belby (1715 - 1791) foi um bruxo que sobreviveu a um ataque de uma mortalha-viva em 1782, quando passava as férias em Papua, na Nova Guiné. Conseguiu se livrar do aninal graças a um Feitiço do Patrono e a lembrança do dia em que foi eleito presidente do Clube das Bexigas de sua cidade. Seu relato de como sobreviveu ao animal é o mais antigo relato de um ataque de mortalha-viva (as pessoas geralmente morriam sem deixar rastros). Ele é sim parente da Sandy Belby!

Até o próximo capítulo.

Att,
Tiago



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