Damaged Memories escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 9
Capítulo 8 - Dealing


Notas iniciais do capítulo

Desculpem pela demora. Sério mesmo! Estive muito enrolada, e poderia fazer uma lista dos motivos que me levaram a atrasar esse capítulo. Provas, bloqueio criativo, simulado... Entre outras coisas.
Espero que não tenham me abandonado, e que gostem do capítulo ♥




James sonhou naquela noite.

Na maior parte, foram imagens distorcidas e confusas. Grandes borrões coloridos, em que a cor mais destacada era o vermelho. A cor de maldições, entre elas as imperdoáveis, que ele pôde reconhecer com facilidade, por fazerem parte de seu dia a dia. Além de uma mistura branca e o laranja do pôr do sol, compondo a cena que mais fazia sentido, no conjunto de imagens.

Ele sonhou com um casamento. Quando abriu os olhos, pela manhã do dia seguinte, era como se ele ainda estivesse em Hogwarts. Um garoto ingênuo da Gryffindor, e não um Death Eater próximo de Voldemort.

Balançando a cabeça para dispersar os pensamentos, ele notou que não estava sozinho no quarto. Privacidade era algo que não se respeitava naquela casa.

— Bom dia — ele disse, sem fazer um movimento para erguer-se.

— Por que não jantou à mesa? — perguntou Narcisa, diretamente.

James franziu levemente o cenho, olhando a figura altaneira da irmã de Bellatrix.

— Sempre jantou — continuou a dizer, sem esperar por uma resposta — Rodolphus estranhou. Bellatrix não se importou muito, ela até agradeceu.

— Creio que meus motivos não dizem respeito a ninguém — ele retrucou, um pouco ríspido.

— Bem, considerando que voltou de uma batalha muito dura ontem, e agiu estranho desde então... — disse Narcisa, sem parecer ofender-se — Poderia ter sido enfeitiçado com algo que pudesse prejudicar seu relacionamento com o lorde das trevas e os outros.

Do modo como a loira falava, era como se fosse uma professora de Hogwarts. Sua atitude lembrou-lhe levemente à professora McGonagall, sendo tomado por uma sensação de nostalgia, que sumiu no mesmo instante.

— Não diga sandices, Potter! — Minerva ralhava, levantando-se de sua cadeira — Francamente! Esta é a coisa mais estúpida que já ouvi, e olhe que já ouvi muitas coisas.

— Mas, professora... — James tentou argumentar.

— Já chega! — ela retrucou — O professor Dumbledore não está em sua sala. Você não irá incomodá-lo com uma tolice dessas...

— Não é tolice — ele retrucou, sentindo o sangue ferver.

— O professor Dumbledore é um homem muito ocupado — disse McGonagall, sem modificar a sua expressão rígida — Além do mais, terá de aprender a conviver com pessoas as quais não lhe agradam. Se essa briga não resolver-se, sinto muito, mas terá que conformar-se. Somente um dormitório disponibilizado para cada ano. E não discutiremos mais isso. Volte para a sua cama!

A professora que sempre lhe agradou tanto, melhor amiga de seus pais... Outra a não acreditar em suas palavras. Além do mais, nunca fora tão grosseira, nem nos momentos em que ele e Sirius exageravam.

Evans era querida até mesmo por ela.

Narcisa olhava curiosa e levemente interessada para as suas mudanças de feição, incluindo a sua mandíbula travada, pela raiva contida.

— Não se preocupe — ele suspirou, mais calmo — Se o lorde desejar, posso ir vê-lo mais tarde. Assim, ele poderá comprovar que não há nada de errado comigo.

— Rodolphus não disse nada a ele — Narcisa apressou-se a dizer — Ele não queria preocupar o lorde com apenas suspeitas, mesmo que viessem de você.

— Certo... — respondeu James.

— De qualquer forma, ele pediu a Lucius que o avisasse para falar com ele mais tarde. Quando for a hora, avisaremos. Será na mansão Malfoy, por se tratar de um assunto mais... — ela pendeu a cabeça levemente — Confidencial.

— Estarei a postos — ele respondeu, aguardando pelo momento em que ela sairia.

Como se escutasse os seus pensamentos, Narcisa levantou-se da cadeira, indo até a porta.

Como Death Eater, era natural que ele se sentisse sufocado, algumas vezes. Contudo, eram batalhas que levavam à exaustão, e torturas por fracassos. Nunca havia a preocupação mascarada pelo desinteresse. James seria tolo se não tivesse percebido.

Ele não sabia o que estava acontecendo, mas estava tentado a descobrir.

Assim que chegou à sala de jantar, percebeu que não teria a mesma sorte da noite anterior. A família Lestrange não era a melhor visão em uma reunião de café da manhã, e James ali só tornava as coisas mais estranhas. Bellatrix tinha uma maneira de comer, que fazia você sentir pena da comida. Ela nunca foi muito de seguir a etiqueta.

— Narcisa passa mais tempo aqui do que em casa — observou James, ao sentar-se, afastado dos outros.

— O lorde das trevas tem encarregado Lucius de muitas missões — quem respondeu foi Rabastan.

— Já mandei-a deixar de ser estúpida — disse Bellatrix, rispidamente.

— É a sua irmã — disse James, tranquilamente, enquanto os elfos entregavam-lhe o seu prato feito.

— E daí? — Bellatrix levantou o olhar.

James sustentou o seu olhar.

— Ela me odeia.

A ruiva estava jogada no tapete do Salão Comunal da Gryffindor, o seu rosto era iluminado pelas chamas da lareira, como se o seus cabelos alaranjados já não chamassem toda a atenção.

— Impossível alguém te odiar — ele respondeu, fazendo-a sorrir abertamente.

— Bem, minha irmã me odeia...

Bellatrix revirou os olhos, quebrando o contato visual.

James abaixou o olhar, irritado. Era incrível como as lembranças pareciam vir com mais força desde o ataque. A sensação piorou quando sentiu o ardor em seu braço.

— Sem fome? — observou Rabastan, assim que James levantou-se, o prato quase que intocado.

Sem vontade de explicar, ele arregaçou a manga rapidamente, mostrando a marca enegrecida e quase viva.

Seria da ética dizer algo como “volto mais tarde”, mas, com o lorde das trevas, nunca teria como saber. Tudo dependia da vontade dele. Portanto, ele apenas recolheu a sua capa, e partiu até a lareira, sem ser incomodado por qualquer um dos residentes.

— Milorde — ajoelhou-se, assim que pisou para fora da lareira de uma casa abandonada, e encontrou Voldemort sentado em uma poltrona, na frente do lugar em que acabou de sair.

— Levante-se — disse Voldemort, de uma forma um pouco ríspida — Temos coisas a fazer ainda hoje.

— Do que se trata, milorde? — perguntou James, tentando ocultar a sua curiosidade.

— Você já verá — o homem sorriu satisfeito — Só precisamos esperar por Yaxley, ele nos será muito útil.

James afastou-se da lareira, supondo que o companheiro aparecia por ali em breve, mas sem atrever-se a sentar. Uma simples atitude como aquela poderia causar castigo por desobediência, e ele não estava muito ansioso para receber uma maldição imperdoável por tão pouco.

Se Voldemort notou sua atitude, nada comentou. Já era comum para ele. Por isso, os rebeldes, como os da Ordem da Fênix, eram como uma ofensa pessoal.

Não demorou muito mais tempo para que a lareira voltasse a se acender, o fogo adquirindo tons esverdeados, que tudo tinham a ver com o ambiente em que se encontravam.

— Milorde, se me permite perguntar, onde estamos? — James perguntou, ao não reconhecer o local iluminado.

— Essa casa pertence a um de nossos negociantes — disse Voldemort, tranquilamente, enquanto o loiro abanava as cinzas.

— Milorde — Yaxley curvou-se ligeiramente.

— Está atrasado — o bruxo disse, gelidamente.

— Perdão, milorde, eu estava no Ministério — o homem tremelicou ligeiramente, antes de conseguir controlar-se.

— Alguma notícia relevante? — Voldemort perguntou, desinteressado.

— Nada que venha a nos ser útil — respondeu Yaxley.

— Quem decide o que será útil, ou não, sou eu — retrucou o bruxo.

— Perfeitamente, milorde — o outro voltou a curvar-se.

James precisou conter-se para não revirar os olhos diante de tão patética atitude. Yaxley era idêntico a Lucius, falava as coisas sem pensar, e depois estremecia de pavor. O tipo de gente que precisava aprender a controlar a língua.

O Lorde das Trevas levantou-se, observando com desgosto para o ambiente o qual era obrigado a estar. Para que o bruxo se dispusesse a aturar tal lugar, James só podia concluir que tratava-se de uma negociação importante.

Gigantes moravam dentro de montanhas e encostas. Além do fato de já estarem do seu lado da guerra, o clima de onde estavam era ameno, e não congelante, então James logo descartou a possibilidade.

A outra possibilidade não era mais agradável que essa.

Os lobisomens costumavam ter os móveis arranhados e mordidos, casas em péssimo estado, como aquela. Provavelmente, pegaram de algum morador, após se divertir com ele. Era o que faziam, e aquela vila estava assombrada por eles, até o momento em que se sentissem ameaçados, e partissem para outra.

Sanguinários e ambiciosos, eram ótimos aliados. Perfeitos para fazer o trabalho sujo.

Antes que prolongassem a conversa, ou James pudesse verbalizar seus pensamentos, uma luz verde surgiu do lado de fora da casa, era o que Voldemort parecia estar esperando.

— É um sinal de Travers — comentou o lorde, embora fosse desnecessário — Só estávamos esperando por vocês.

O brutamontes era uma boa opção. Claro que Voldemort jamais esperaria que os lobisomens se revoltassem, já que o homem era como a única esperança de liberdade deles, além do fato de que sua sede de sangue seria saciada. Só havia vantagens, eles ajudariam o Lorde das Trevas a tornar-se mais invencível do que já era, e em um tempo bem mais curto. Seria apenas questão de tempo.

Yaxley pareceu levemente ofendido pelo fato de ser mais um naquele plano, mas logo recompôs-se. Afinal, ele era um entre apenas três dos vários do círculo íntimo do lorde.

Os três bruxos saíram da casa, sem encostar nem mesmo na maçaneta. Um simples feitiço resolvia o problema da porta fechada, e eles logo encontraram-se em um cenário de uma guerra.

O vilarejo estava devastado. James não pôde deixar de comparar o cenário com o que eles deixavam, após um ataque. Isso serviu para deixá-lo mais à vontade naquele território inimigo, o que não seria uma reação normal para outras pessoas.

Não era como se um Death Eater tivesse sentimentos, para começo de conversa.

Vendo como o líder daqueles seres aproximava-se, seguido de perto por Travers, que não precisava ter a varinha à vista para impedir qualquer ataque, que não viria, James precisou concentrar para não permitir que uma nova memória se apossasse de sua mente.

Quando se sabe oclumência, você aprende a bloquear tudo de si, inclusive a sua essência.

— Greyback — disse Voldemort com satisfação na voz, o que era bem incomum, sendo que ele estava conversando com um lobisomem, a quem tanto desprezava — Ouvi falar muito de você.

— Também escutei falar muito de você — disse o lobisomem.

Era o mais assustador de todos os outros, o que já explicava o fato de ser o líder da manada. Ele era, evidentemente, bem informado, já que não ousou citar o nome do bruxo, considerando que foi tratado pelo nome.

— Isso facilita as coisas — Voldemort assentiu com a cabeça para si mesmo — Sabe, então, o motivo pelo qual viemos aqui, não é mesmo?

— A única parte que me interessa é o que vamos ganhar em lhe apoiar — disse Greyback, sem poupar fôlego ou perder tempo.

A cada fala, James estava mais certo de que seria terrível conviver com aqueles seres inferiores. Nem tanto conviver, já que eles ficavam sempre em seu canto, mas Greyback era o líder, e estaria sempre pelas reuniões.

— A questão seria o que não ganharia com isso — Yaxley resolveu intrometer-se.

Aquela simples intromissão seria o suficiente para que ele fosse torturado, sem importar-se na frente de quem estavam, mas Yaxley era diplomático, e talvez esse fosse o motivo para estar ali.

— Como assim? — Greyback perguntou inseguro, os braços cruzados.

Yaxley deu uma breve olhada para o seu lorde, que o encarava fixamente.

— Bem... — o loiro limpou a garganta — Vocês só têm a ganhar! Não terão que ficar mais por aqui, poderão alimentar-se de quem quiserem...

— Isso nós já fazemos — disse Greyback.

— A questão é que vocês não precisarão mais ficar escondidos. Poderão ir para o canto que quiserem, fazer o que quiserem, sem que tenha alguém do Ministério atrás de vocês — Yaxley finalizou, rapidamente.

Greyback não parecia confiante daquela promessa.

— Mesmo? — ele perguntou — E só precisamos apoiá-los quando precisarem?

— Exatamente — disse Voldemort, dando um passo para a frente — Lord Voldemort não faz falsas promessas.

James conteve o sorriso ao identificar o jogo de palavras usado.

Ninguém do Ministério, mas eles não eram de lá, certo?

— A Ordem da Fênix dizia o mesmo.

A simples menção da Ordem fez com que os Death Eaters travassem.

— O que garante que cumprirão?

James virou o corpo, percebendo que quem falava estava longe de sua visão, mas não era qualquer pessoa.

Era Remus Lupin.



Notas finais do capítulo

Talvez o próximo capítulo seja do James. As coisas estão cada vez mais tensas haha