Damaged Memories escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 7
Capítulo 6 - Confusion


Notas iniciais do capítulo

Desculpem-me pela demora. Eu estive em época de testes, bem enrolada... Eu já tinha mais da metade do capítulo escrito, mas não consegui parar para finalizar. Mas agora estou de férias, então acho que as coisas vão facilitar mais para mim. Espero que gostem!




Tudo estava indo de acordo com o plano original.

James aguardou no saguão do Ministério, próximo das lareiras, a fim de impedir a chegada dos reforços, junto com dois novatos, que andavam destacando-se. Eles não sabiam, mas eram os primeiros a passar pela reestruturação das filas, sendo colocados à prova, precisavam provar que pertenciam mesmo aos ideais de seu lorde.

E qual não foi a sua surpresa ao ver Lily Evans e seus comparsas?

Era perfeito! Há quanto tempo não lutava contra a ruiva, que sempre procurava aniquilar-lhe? Estragar todas as missões que lhe eram encarregadas? Quantas vezes seu lorde não descontou nele suas frustrações por isso, acreditando que ele ainda tinha sentimentos por ela?

Evans estava mais lenta que o normal, parecia extremamente incomodada por algo. Talvez tivesse o reconhecido, embora estivesse com o capuz cobrindo-lhe o rosto. Ele fizera questão de não usar máscara, não tinha o porquê esconder o seu serviço, o seu lado da guerra. Enquanto McKinnon estava lutando contra dois (eles eram perfeitos para novatos, James não deixou de observar), ele tinha grandes chances.

Aquela seria a noite em que mataria Evans, e provaria ao seu lorde que ela não lhe afetava em absoluto.

Até que o traidor do sangue apareceu.

Sirius Black.

A luta ficou equilibrada, seria pedir demais que dois novatos pudessem manter a superioridade contra dois aurores especializados. Seu lorde o chamou, ele planejava ir embora, e tudo ficaria bem. É claro, ele não teria a oportunidade de dar o golpe final em Evans, mas a vingança era um prato que se comia frio, ele teria outras oportunidades.

Mas um Expelliarmus estragou todos os seus planos. Um feitiço tão simples foi o suficiente para derrotá-lo.

As coisas já estavam estranhas, quando Evans insinuou que chamava-se Potter (uma provocação que o irritou profundamente, jamais se envolveria com uma sangue ruim), mas ficaram mais ainda, quando seu capuz caiu.

Por que Black deixou sua varinha cair?

Por que Evans parecia tão branca quanto o professor Binns?

E por que a boca de McKinnon quase atingiu o chão, de tão escancarada?

Ele era um Death Eater, isso não era uma novidade para ninguém. E todos sabiam que ele era o melhor no que fazia, perdendo apenas para Bellatrix. Por qual outro motivo seu lorde o teria escolhido?

Um barulho nos elevadores despertou James daquela situação constrangedora. A pose de choque dos três aurores não iria manter-se por muito tempo, e não estava em seus planos ser capturado. Seu lorde ainda o esperava.

Sem poder alcançar a própria varinha, ele pegou a primeira que encontrou: a de Black, caída perto de seu joelho. Assim que pegou-a, aparatou, mas sem tempo suficiente para desfazer-se em fumaça, embora amasse fazer este truque.

Ainda tentava responder às perguntas quanto aos acontecimentos estranhos da noite, quando esbarrou em Pettigrew, que parecia particularmente nervoso, roendo as unhas. Como ele sempre agia assim, ele nem preocupou-se. Era como se ser Death Eater o tornasse mais medroso do que já era antes.

James pegou o seu braço com mais força do que deveria, sentindo uma dor de cabeça surgindo, enquanto entravam na mansão.

— O Lorde das Trevas não está! — disse Narcisa, assim que os viu.

— Mas sentimos a marca pulsar — James mostrou o seu antebraço negro, para comprovar o que dizia, mas a marca já voltara para a sua cor original — Mas...

— Eu também senti! — Peter mentiu.

— Talvez... — Narcisa parecia indecisa — Ele os chamaria, mas mudou de ideia. Eu não sei! Bem, já que estão aqui... Gostariam de um chá?

— Obrigado — James agradeceu-a, sorrindo levemente — De qualquer forma, eu precisei sair. Estava encurralado!

— Como encurralado? — perguntou Narcisa, depois de mandar os elfos fazerem o chá.

— Evans, Black e McKinnon — ele, praticamente, cuspiu os nomes — No átrio.

— Bem, já era de se esperar — a loira deu de ombros — Sentem-se, por favor!

A senhora Malfoy não parecia incomodada com as suas vestes sujas pela batalha. De certa forma, era uma honra estar lutando para o lado vencedor. A guerra não tinha acabado, mas era óbvio quem venceria. Sempre haveria uma resistência, mas todos se ajoelhariam aos pés do Lorde das Trevas, quando o Ministério caísse.

O que não aconteceu naquele dia.

Quando a reunião iniciou-se, e Voldemort entrou na sala, assustadoramente tranquilo, todos os combatentes do lado das trevas já estavam na sala de jantar da casa, não cabendo todos na extensa mesa.

— Milorde... — Lucius quase tremia de nervosismo, ao levantar-se.

— Eles agora sabem que nós temos a capacidade de invadir o lugar que quisermos — o mestre interrompeu-o, satisfeito — Essa missão foi perfeita!

Aliviados, os Death Eaters apressaram-se a concordar com o seu lorde.

“Bajuladores” pensou James, enojado.

— Derrotaremos Shafiq no tempo certo — continuou Voldemort, ignorando o que diziam a ele — Por enquanto, precisamos reduzir a Ordem da Fênix a trapos.

— É a nossa principal prioridade, milorde — disse um de seus seguidores, devotamente.

— Estão dispensados — ele disse — Potter, Lestrange, acompanham-me.

Todos obedeceram, sem contestar, nem dirigir um olhar a mais ao bruxo.

— Como foram as coisas? — ele perguntou, sentando-se na maior cadeira da mesa.

Antes de responder, James fechou as portas com a varinha, e lançou um feitiço silenciador, sob o olhar curioso de Rabastan.

— Os novatos não são espiões — James disse, seguro.

— E como pode ter tanta certeza? — perguntou Bellatrix, desafiadora, vendo como o bruxo sentava-se ao lado esquerdo do bruxo.

— Eu sei — retrucou James, sem abalar-se.

— Como foram os grupos de vocês? — Voldemort virou-se aos outros três, sem exigir mais provas do garoto de óculos.

— Pettigrew manteve-se à margem em todos os momentos da luta — disse Bellatrix, com repugnância.

— Perfeito! — o bruxo parecia satisfeito com essa informação.

James ficou confuso pela importância que essa simples informação tinha, mas resolveu que seria imprudente perguntar. Se o milorde considerasse que ele deveria saber, ele saberia.

— Talvez Regulus Black, senhor — disse Rabastan, cautelosamente — Ele desapareceu.

— Regulus Black, de fato, era um traidor — disse Voldemort, tranquilamente — Mas não precisaremos mais nos preocupar com ele.

— Milorde, não encontrei atitudes suspeitas em nenhum de minha equipe — informou Rodolphus — Houve alguém que não foi lutar?

— É claro que houve, Lestrange — Voldemort olhou-lhe, como se fosse uma pergunta estúpida.

— Perdão, milorde — ele retraiu-se, abaixando a cabeça.

— Uma hora ou outra, o espião será desmascarado. Só precisamos ter paciência e atenção. Qualquer situação suspeita, informem-me imediatamente. Entendido?

Aceitando a deixa, todos concordaram, antes de saírem da sala.

— Eu disse que você seria incluído — Bellatrix sussurrou, enquanto revirava os olhos.

— Ele tem maior apreço a você, Bella — observou Rabastan.

— Dei-lhe motivos para isso! — ela retrucou, ríspida, antes de seguir o caminho, à frente dos homens.

— Ela é perigosa! — disse James, risonho.

— Tudo pose! — disse Rodolphus, irritado.

Separando-se no topo das escadas, cada um foi para o seu quarto. O de James era aquele onde acordou, depois do ataque. Assim que tirou suas roupas e ficou de baixo do chuveiro ligado, o dia passou por sua cabeça, e ele sentiu um início de dor de cabeça.

Eram tantas coisas sem explicação, ele não conseguia tirar aquilo da cabeça.

O choque no rosto de Lily Evans era o que mais estava marcado, quando ele fechava os olhos, competindo com as lembranças da pior noite de sua vida, que tinha sido causada por ela.

Negando com a cabeça, ele sentia-se indisposto para continuar ali, de baixo da água fria, mas também não sentia a menor vontade de sair dali. Um ligeiro receio de cair na cama, e enfrentar os seus piores pesadelos. Depois de tantos dias desacordado, pelo ataque, não queria ficar fora de combate tão cedo, esse seria o maior prêmio que a Ordem poderia receber.

Depois do que pareceram sem hora, ele recuperou as energias, e desligou o registro. Revigorado, pegou novas roupas, antes de sair do quarto, logo seria momento do jantar, mas ele não sentia vontade de voltar para a sala, que tornou-se palco das reuniões. Ele só queria esquecer-se das luzes coloridas, por alguns momentos.

Passando pelos corredores escuros, em uma decoração medieval, paredes repletas de retratos que se moviam, ele sentiu-se completamente só, fora de lugar. Ele só não entendia o que estava errado.

Seguiu direto para as cozinhas, onde nenhum bruxo costumava pisar, mas ele não era dono da casa, então não tinha outra opção. Lembrando-se de sua elfa de infância, ele sentiu um embrulho no estômago, que nada tinha a ver com a fome ou falta dela.

— Eu vou comer no quarto. Levem o jantar para lá! — ele disse aos elfos, empertigando-se — Não estou passando bem, avisem aos seus patrões.

Ele virou-se de costas, sem ver o olhar confuso dos elfos, que não lembravam-se do hóspede. Por fim, decidiram ignorar, já que muitas pessoas apareciam na casa. Sua senhora lhes diria de quem se tratava, se fosse da incumbência deles.

Para a sorte dos elfos confusos, James esbarrou em Bellatrix, no caminho de volta para a sala de jantar.

— O que está fazendo aqui? — perguntou Bellatrix, esquecendo-se de usar seu tom ríspido, pela surpresa.

— Não sinto-me bem, pedi aos elfos que me levassem a comida no quarto — ele respondeu.

Ele esperou por um empecilho que não veio. Na verdade, Bellatrix parecia estar pensativa, um vinco formou-se entre suas sobrancelhas, como se tivesse detectado um problema.

— Certo, tenho que resolver uma coisa — foi apenas o que ela disse, antes de seguir o caminho pelo qual ele tinha passado.

Dando de ombros, estranhando a conversa que tiveram, James voltou para o seu quarto, quase perdendo-se pelos corredores extensos e idênticos da mansão. Por fim, deitado em sua cama, ele voltou a refletir em como as coisas pareciam tão estranhas. Quando os elfos levaram a sua comida, com uma postura diferente da que estavam na cozinha, ele decidiu que estava preocupando-se à toa, que não era a sua obrigação entender a mente de sangues ruins.

Ele já tinha tentando entender uma vez, e as coisas não acabaram nada bem.

— Do que você está falando? — Sirius observava-o, os olhos arregalados — Enlouqueceu?

— Eu vi perfeitamente bem o que aconteceu! — gritou James.

Os seus olhos, praticamente, imploravam para que eles acreditassem nele, mas foi ingenuidade demais.

— Ela nunca seria capaz... — disse Remus, com tranquilidade.

— O que vocês querem dizer? Que Prongs está mentindo? — Peter manifestou-se, surpreendendo a todos, inclusive a James.

— Não, estou dizendo que ele pode ter se confundido — explicou Remus, incômodo com a situação.

— Eu não estou confuso. Eu vi perfeitamente bem o que aconteceu! — disse James, com desgosto.

— Olhe, por que não conversamos com ela? Ela poderá... — Sirius tentou sugerir.

— Então, é assim?

Sirius e Remus arregalaram os olhos, ao ver os olhos enfurecidos de James.

— Prongs, se acalma! — disse Remus, cautelosamente.

— É muito fácil para vocês falarem isso — ele soltou uma risada de escárnio.

— Eu acho que você enlouqueceu, sim — Sirius retrucou, sincero.

— Padfoot! — exclamou Remus, quase que escandalizado.

— Não tenha tanta poupa, Lupin! — disse James, friamente — Eu sei que pensa o mesmo.

— Não, eu não penso! — ele continuou recuando.

— Vocês preferem acreditar em uma sangue ruim do que em mim!

Os dois olharam-no paralisados, sem conseguir acreditar que ele tivesse dito aquela palavra.

— Você não disse isso... — sussurrou Remus, negando com a cabeça.

— Estava bem escondido, não era? Esse tempo todo! — exclamou Sirius — E eu pensando que tinha arrumado um amigo de verdade. Quanto a minha família pagou para te colocar perto de mim?

— Sirius, por favor! — gritou Remus.

— Walburga fingiu muito bem nesse tempo! Dizendo que te odiava, e tudo o mais! — continuou dizendo Sirius, ignorando-o — Ela sempre foi uma ótima atriz!

— Que a Evans me odiava... Isso nunca foi novidade para mim — disse James — Agora, eu vejo que não era só ela. Ela, pelo menos, foi verdadeira... Até agora.

Ele saiu apressado do dormitório, ignorando os chamados dos amigos. Iria pedir a Dumbledore para que o mudasse de dormitório, e ele teria que mudá-lo. No meio do caminho, percebeu que Peter o seguia, em forma de rato.

O único que não o abandonou.

Ele caiu no sono, mergulhado em suas falsas recordações, de acontecimentos que nunca ocorreram.

Enquanto isso, outra pessoa era incapaz de dormir, sendo atormentada por outro tipo de lembranças. Lembranças reais, mas, não por isso, menos dolorosas.





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