Damaged Memories escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 6
Capítulo 5 - Ministry


Notas iniciais do capítulo

Fortes emoções... Boa leitura ;)




Assim que Lily pisou os pés na sala de jantar dos Bones, Peter correu para o lado oposto, e muitos seguraram as varinhas, por baixo de seus sobretudos, como forma de prevenir outro ataque de desespero. Contudo, ela não era o assunto principal daquela noite.

— Eu sabia, Dumbledore! — Moody gritava, batendo na mesa com força, enquanto o diretor mantinha-se impassível — Nos distraímos! Esse era o principal plano dos Death Eaters, e nós caímos nessa como uns idiotas!

— Alastor, controle-se! — retrucou Marlene, ácida.

A tarde agradável que passaram, fazendo compras, já estava completamente varrida de suas mentes. Sirius já estava sentado em uma das poucas cadeiras ocupadas, o semblante sombrio.

— Colocamos todos os nossos esforços em recuperar o garoto Potter, e agora houve um ataque bruto em Aberfoyle! — Moody ignorava as tentativas de ser acalmado.

— Com a ameaça de ataque ao Ministério, era de se esperar que colocassem todas as suas forças nisso — Alice Longbottom pronunciou-se.

— Não podemos dar palpites! — Moody virou-se rapidamente para ela, que não recuou, mas Frank aproximou-se de sua esposa, olhando ameaçadoramente para o auror — Esses palpites custam muitas vidas!

— E gritar e espernear é uma ótima maneira de fazer essas vidas serem devolvidas!

Lily virou-se para a porta, surpresa por ver a professora McGonagall ali. Não era mistério que a professora era parte da Ordem, mas ela raras vezes aparecia para as reuniões, já que lecionava no colégio.

— O ataque ao Ministério é um assunto mais sério a se tratar — Dumbledore tomou a palavra, assim que Moody deu a brecha — Por isso, precisamos de todos os membros possíveis.

— Professor, isso não seria uma emboscada? — perguntou Dorcas Meadowes.

— Depois de hoje, não podemos mais pensar — retrucou Moody.

— Não creio, senhorita Meadowes — respondeu Dumbledore, calmo — Voldemort quer o poder, isso é fato.

— Mas ele ameaçou — observou Sirius — Ele quer ser impedido?

— Ele quer um público — Lily ignorou os olhos em sua direção — Não é nenhum mistério que ele quer que todos vamos para o lado dele. Talvez, ele pense que, dominando o Ministério, conseguirá que nos rendamos.

— Foi o que eu pensei! — concordou Dumbledore, satisfeito com sua resposta — Mesmo que eu tenha certeza de que há mais alguma coisa por trás dessa ação... Ele parece ter plena certeza de que algum de vocês mudará de lado.

— Isso jamais, professor! — Sirius quem bateu na mesa, dessa vez.

Mesmo que Dumbledore não replicasse, Lily sabia que todos estavam pensando no traidor da Ordem. Era horrível a sensação de desconfiar das pessoas com quem você já passou tantos momentos. Eles salvaram as vidas uns dos outros, comemoraram as vitórias, sofreram as perdas...

Quem seria covarde o suficiente para trocar de lado, depois de tudo aquilo?

— Bem, saberemos amanhã — Moody despertou a todos de seus pensamentos — O que importa agora é nos organizarmos. Precisamos de muita gente, isso é verdade, mas não vamos tirar ninguém de suas missões. Já fizemos isso antes, e já vemos no que deu!

— Se o Ministério cair, os ataques aumentarão — argumentou Frank.

— Se o Ministério cair, não fará diferença alguma, moleque! — Moody apontou-lhe o dedo — Ele, de pé, não consegue conter os ataques. Se conseguisse, não estaríamos aqui, nessa organização.

— Contudo, as informações contidas no Ministério — disse Dumbledore, levantando-se — são de extrema importância. Quem irá participar? Precisaremos de ajuda em todos os andares, não sabemos de onde virão, mas o andar do ministro é prioridade máxima.

— Black, Longbottom, Longbottom, Bones, McKinnon — Moody começou a dizer os nomes, e parecia que eles já tinham decidido isso antes.

— Senhor, eu gostaria de participar desta missão — Lily interrompeu.

— Negativo — retrucou Moody, no mesmo instante.

— Alastor — chamou Dumbledore, fazendo com que o olho mágico do homem virasse em sua direção — A senhora Potter aparenta estar melhor, e uma distração lhe viria muito bem.

— McKinnon, você estará encarregada de sua amiga — decidiu Moody — Se ela demonstrar qualquer reação estranha, irá para os andares inferiores, e não quero saber.

— Certo... — murmurou Marlene, a contragosto.

Lily sentiu o rosto queimar, e a vontade de dar um soco em Mad-Eye subir pela garganta, como sempre acontecia desde que a Ordem começou. Ninguém suportava o mau humor do auror, mas não podiam negar que ele era peça fundamental para os planos, pelos seus conhecimentos.

— Acalme-se, Lil! — Marlene abraçou-a de lado, pressentindo sua irritação.

— Ele ensinou a James, e não parece estar nem aí para o que está acontecendo — ela sussurrou, irritada.

— Ele nunca está. Venha, vamos para casa! — a castanha sugeriu — Sirius nos contará os detalhes mais tarde.

Elas pegaram as suas bolsas e saíram, sob o olhar crítico de Moody.

Era a segunda noite desde que James tinha desaparecido, mas parecia que meses tinham se passado. A sua ausência fazia com que o tempo passasse dolorosamente devagar. O maior medo de Lily era que, com tantos ataques, o caso dele fosse deixado de lado, arquivado, como sempre acontecia.

Quando Benjy Fenwick foi morto, não se ouviu falar por meses. Já não tinham esperanças de encontrá-lo, até que, um dia, um pedaço de corpo foi identificado como vindo dele. O corpo tinha sido feito em pedaços, e cada pedaço estava jogado em um canto. Até aquele momento, não conseguiriam reunir todo o seu corpo, mas o que foi encontrado bastou para um funeral decente.

Era como a prova de que eles estavam lutando contra pessoas perigosas, capazes de fazer qualquer coisa. Não teriam pena dos sangues puros, se estivesse contra eles. Matariam até a própria família, para alcançar os seus fins.

— Vá descansar um pouco — disse Marlene, assim que aparataram na casa.

Não era seguro deixar a casa sem proteções, mas não era como se as proteções fossem inquebráveis. Elas estavam na Ordem, e viviam sob o perigo constante, ainda mais quando saíam de casa.

— Dumbledore vai escrever uma carta ao ministro, mas o Ministério tem muitos espiões por lá — disse Lily, ignorando o seu conselho.

— Somente os mais próximos do ministro saberão — disse Marlene.

— Isso já deve bastar — a ruiva retrucou.

— Lily, eles querem que estejamos lá — ela disse, depois de respirar fundo — Por algum motivo, eles nos querem. Então, que diferença fará?

Lily olhou para a lareira apagada, do outro lado da sala.

— Que tal se nós subirmos e escolhermos a roupa para a festa de amanhã? — a voz de Marlene estava carregada de sarcasmo — Compramos ótimos vestidos!

— Estaremos bem vestidas para morrer — disse Lily, sem emoção, recebendo uma piscadela cúmplice.

Muito tempo com Sirius e Marlene causava a mania de usar o humor negro, coisa que James também tinha adquirido, para os piores momentos.

Elas, praticamente, passaram a noite em claro, usando a manhã seguinte para repor o sono. Com a guerra estourada, a Ordem tornou-se um emprego de horário integral, embora elas não recebessem salário algum em troca da dedicação.

Pularam o café da manhã e o almoço, tendo tempo apenas para um rápido lanche, antes de partirem rumo ao Ministério da Magia. Lily tinha a ligeira sensação de que seus dias passariam sempre daquela maneira.

Apesar do dito na noite anterior, Lily colocou a primeira roupa que apareceu em seu guarda roupa, enquanto que Marlene levou a sério demais. Colocou um vestido preto que, se fosse mais vintage, poderia ser comparado a um que Bellatrix costumava usar nas invasões importantes.

— Sirius disse que gosta — ela deu de ombros, sob o olhar incrédulo da ruiva — Me faz parecer mais perigosa.

Cada vez mais, Lily tinha certeza de que algo tinha mudado a amiga, que antes nunca se preocuparia com esses pequenos detalhes. Ela era única, impossível de prever as suas reações. Em um instante, ela faria as coisas de um modo; enquanto que, em outro, ela mudaria completamente de ideia.

— Tanto faz! Só não vamos chegar atrasadas, Moody adoraria nos perturbar com isso — Lily puxou-a pelo pulso, depois de hesitar, pensando no que responder.

Antes que Marlene respondesse, sentiram a costumeira sensação do anzol puxando os seus umbigos. Não aparataram dentro do Ministério, ele era protegido contra isso, mas aparataram em um dos acessos externos, um beco abandonado.

— Um bueiro? — perguntou Marlene, incrédula — Eles tornam as coisas mais nojentas a cada vez, hum?

Lily apenas levantou a tampa, segurando a varinha na outra mão, e pulando dentro do buraco mal cheiroso. Precisava daquela ação, daquela adrenalina, para esquecer-se dos seus problemas.

Assim que saiu de uma das lareiras, direto no átrio do Ministério, ela ouviu um baque surdo, e um pouco de poeira caiu do teto. Marlene surgiu atrás dela, em seguida, verificando o relógio, rapidamente.

— Parece que a festa começou sem nós — disse Lily, seguindo pelo extenso corredor das lareiras, seguida da amiga.

Assim que chegaram aos elevadores, um feitiço roxo passou roçando pela perna de Marlene, fazendo-a virar-se.

— Parece que temos companhia — ela apontou a varinha para três encapuzados.

Lily estava em um dilema. Elas precisavam chegar até o primeiro nível, mas outros reforços chegariam, já enfrentando problemas. Ela apertou levemente o cotovelo da amiga, em um aviso mudo, e também sacou a sua varinha, estranhando a demora para serem atacadas.

Um dos encapuzados sacudia a cabeça levemente, fazendo Lily franzir o cenho.

— O que as senhoritas estão fazendo por aqui? — ele disse, uma sombra de riso sendo identificada na voz — Não deveriam ter vindo, não é seguro, vocês sabiam disso.

— Eu gosto do perigo — retrucou Marlene.

O estilo de luta entre elas era completamente diferente. Enquanto que Lily observava atentamente, aguardando o momento em que a atacariam, Marlene era a que atacava primeiro, considerando isso a sua vantagem. Não foi diferente daquela vez.

Um raio de luz vermelho foi lançado na direção do que parecia ser o líder daquele trio, que desviou-se com destreza. Não parecia o estilo de luta de qualquer Death Eater, com quem já tivessem lutado antes, mas as filas recebiam apoio todos os dias, então não era de se surpreender.

Insinuar que era indefesa, era o que mais irritava Marlene, e parecia que o encapuzado sabia disso perfeitamente. Não era um mistério para qualquer pessoa, afinal de contas, mesmo Lily irritava-se.

— Estressadinha! — o encapuzado riu entredentes, parecendo totalmente à vontade, como se fosse apenas uma conversa entre amigos.

Ele precisou calar-se, quando Lily atirou o primeiro feitiço. Marlene deu conta dos outros dois Death Eaters que usavam máscara, ao contrário do outro, que parecia não ter medo de mostrar o rosto, embora estivesse coberto pelo capuz. Esse fato tornava as coisas ainda mais assustadoras para Lily, ela sentia um calafrio percorrer sua espinha, desde que o homem começou a falar.

Um feitiço azul passou raspando por si, mas vinha de trás.

— Uma ajudinha aí? — Sirius correu para o seu lado.

— Seu idiota! — gritou Marlene, desviando de um dos feitiços — Era para você estar no andar superior.

— Está tudo tranquilo! — ele retrucou, não parecia nem suar no duelo — Pediram para que eu viesse ver o motivo da demora de vocês.

— Ainda bem! — Lily disse, interrompendo a reclamação da amiga.

Em muito tempo, ela não lutava com um Death Eater tão experiente, mas era de esperar. O Ministério era algo que elevaria a influência de Voldemort para além das fronteiras, assim como Hogwarts, mas a escola jamais seria invadida, enquanto Dumbledore estivesse lá para impedir.

Sem ter ideia de como, em questão de minutos, ela encontrou-se podendo apenas lançar o feitiço Protego. Observando de soslaio, viu que Marlene e Sirius estavam no controle, ao contrário dela.

— O que houve, Evans? — o encapuzado perguntou, quase gargalhando de prazer — Cansada?

— Parece que é desinformado — Lily pulou de um raio azul elétrico, lançando um contra ataque rapidamente, o que confundiu o adversário — É Potter.

Os colegas do homem caíram, ao mesmo tempo, depois de um ataque coordenado entre Marlene e Sirius, fazendo com que fossem três contra um. O encapuzado restante encolheu-se rapidamente, antes de recompor-se, deixando o antebraço à mostra. A marca negra estava mais negra do que nunca, e mexendo-se em sua extensão. Um chamado do Lorde das Trevas.

— Parece que nossa reunião termina por aqui! — ele disse.

Contudo, Sirius lançou um Expelliarmus rapidamente, pegando-o desprevenido.

— Sem despedidas? — Sirius perguntou, debochado, aproximando-se do vulto caído — Apresente-se, pelo menos!

Assim que ele puxou a cabeça dele para trás, e o capuz caiu, Lily desejou que ele não tivesse feito isso. Escutou, alucinada, como a varinha de Sirius escorregava de seus dedos e caía no chão.

Porque James Potter olhava-os, com um brilho maníaco em seu olhar.



Notas finais do capítulo

Gostaram? Amaram? Odiaram?
Lembrem-se que me matar fará com que a fanfic não seja mais atualizada *moonface*



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