Damaged Memories escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 4
Capítulo 3 - Stable


Notas iniciais do capítulo

Desculpem-me pela demora! Estive ocupada com as provas e também com a coletânea de one-shots Jily.
Quem quiser ler, eu colocarei o link nas notas finais. É uma coletânea minha com outras quatro autoras, cada one tem uma história diferente e uma música diferente. Sim, a coletânea é inspirada nas músicas dos Beatles. Porque "All You Need Is Jily" ;)
Sem mais delongas: o capítulo!




Lily abriu os olhos, sentia-se horrível como nunca antes. Era como se um caminhão tivesse passado por cima de seu corpo, ela tinha escutado sua mãe dizer aquela frase uma vez, mas pensava se tratar de um exagero. Desde que entrou para a Ordem, começou a sentir os mais variados graus e tipos de dor possíveis.

A dor emocional, a dor física, e a dor psicológica.

E pior do que a impotência era a humilhação. Ela sempre foi uma mulher impulsiva, agindo sem pensar, mas nunca tinha perdido o controle como aconteceu na reunião. Descontar em Peter? Justo em Peter, que devia estar tão péssima quanto ela?

Lily odiava que sentissem pena dela, mas precisava agir de uma forma madura, fazer com que as pessoas parassem de ter esse sentimento por ela. Por isso, Sirius levou um susto quando viu Lily na cozinha, fazendo o almoço, enquanto que a mesa estava cheia de papéis.

— Estive pensando, e talvez James tenha sido sequestrado por perto da casa de Peter — ela começou a falar, assim que ele entrou, sem desviar os olhos da frigideira — Sei que Dumbledore já definiu locais de busca, mas eu não sei... Talvez tenha algo que não tenhamos pensado ainda! Afinal, ele ter sumido não significa, necessariamente, que está envolvido com Voldemort.

— Nossa, ruivinha! Contigo ou é oito ou é oitenta! — exclamou Sirius, impressionado — Fica tranquila!

— Eu não posso ficar tranquila — ela retrucou — Quero saber onde James está, e não aguento mais ficar esgotando a água do meu corpo para sustentar reservatório. Teve uma ameaça de ataque ao Ministério, eu quero ir.

— Espera! Ameaça? — Sirius franziu o cenho.

Lily apenas lançou um dos pergaminhos da mesa em sua direção.

— Voldemort, por algum motivo, quer nos atrair. Talvez pense que, assim, será mais fácil de nos destruir — ela voltou a falar — Ou, talvez, ele saiba perfeitamente onde James está, e quer ver o quão desesperada eu estou...

— Pensei que tinha uma porcentagem de chances de ele não ter sido sequestrado por Death Eaters — observou Sirius, dobrando a carta.

— Eu estava tentando soar otimista — ela fez uma careta — Acho que não é uma de minhas qualidades.

O moreno engoliu em seco, antes de aproximar-se dela, hesitante.

— Ei, vai ficar tudo bem! — ele passou a mão, desajeitadamente, pelo cabelo ruivo — James é forte.

— Ele é a minha força — ela fechou os olhos com força — Odeio sentir-me tão... Dependente.

A porta de casa bateu, fazendo com que Sirius fosse para a sala, rapidamente, com a varinha em mãos. Lily logo alcançou a sua, seguindo o mesmo caminho. Assim como ele, Remus pareceu bem surpreso de vê-la de pé, mas não tanto.

— Alguma notícia? — Lily perguntou.

— Não, os lo... — ele tossiu, despertando a desconfiança de Sirius — Não. Eu vim porque soube do ataque. Quero dizer, a ameaça.

— Dumbledore, com certeza, terá uma solução para essa situação — disse Lily, segura disso — E Peter?

— Bem... Eu estava com ele. Também vim por causa disso. Ele queria garantir que você estava bem — Remus continuou.

Sem que percebessem, Sirius tomou o caminho de volta para a cozinha da sala.

— Foi precipitada — disse Remus.

— E quando eu não sou? — ela replicou — Estava nervosa.

— Ele está mal...

— E eu não preciso que você me diga isso.

Remus suspirou. Olhando mais atentamente, ele estava mais velho do que nunca esteve antes, novas cicatrizes eram visíveis. Desde que os garotos entraram para a Ordem, era difícil seguir usando a Casa dos Gritos, e era mais difícil ainda que os quatro pudessem se encontrar na mesma noite de lua cheia.

— Certo, eu vou voltar para a... — começou Lily, incomodada pelo silêncio.

— Lily, você ouviu os boatos de um traidor na Ordem? — ele interrompeu-a, em um rompante.

— Acho que é um boato ridículo — ela cruzou os braços.

— É coincidência demais que Voldemort esteja tão na nossa frente, como se soubesse o que estamos planejando fazer — Remus negou com a cabeça.

— Onde você quer chegar? — a ruiva perguntou — Espero que não esteja insinuando que James faria uma coisa dessas...

— Enlouqueceu? — ele arregalou os olhos, pego de surpresa — É claro que não! Nunca! Eu confio a minha vida a James, ele é meu melhor amigo, nunca seria capaz de nos trair. Além do mais, ele foi o primeiro a me aceitar como sou, quem teve a ideia da animagia, eu sempre serei grato a ele.

— Desculpe-me — Lily esfregou a testa com a mão — Eu sei disso. É que esse assunto de traidor me deixa nervosa. Diga-me o que você ia dizer antes, por favor.

— Você viu como Sirius tem me tratado — disse Remus.

— Eu não esperava que você tocasse nesse assunto — ela descruzou os braços.

— Eu só não quero piorar as coisas — ele respondeu — Sirius pensa que eu sou o traidor, por estar mais afastado.

— Outra coisa que você não explicou — Lily retrucou — Essa tal missão que Dumbledore lhe deu.

— Eu... — ele começou, cansado.

— Mas eu jamais desconfiaria de você. Não sei quem Sirius anda escutando, mas... — ela suspirou — Quando encontrarmos a James, vamos fazê-lo voltar para a sanidade.

Assim que a conversa se deu por encerrada, Lily foi na direção da cozinha, mas não acompanhada. Remus virou-se para a porta de entrada.

— Remus? — perguntou Lily, estranhando.

— Eu não quero causar uma atmosfera pior do que a que já está — ele disse — Nos vemos, Lily.

O lobisomem deu um último sorriso cansado, antes de sair da casa, fechando a porta atrás de si.

Lily dirigiu-se rapidamente para a cozinha, vendo como Sirius mexia nos pergaminhos jogados na mesa, embora não parecesse prestar atenção a eles. Ela ia falar com ele, mas teve sua atenção distraída pela fumaça que saía do fogão.

— Ai! Que droga! — ela gritou, correndo para o eletrodoméstico.

Sirius percebeu a agitação, levantando o olhar, a tempo de ver a ruiva desligando o fogão e agitando a fumaça com a sua varinha.

Assim que as coisas acalmaram-se, Lily concentrou-se na tarefa de recuperar o máximo que podia da comida, tanto nos feitiços, quanto pegando algumas poções do armário.

Sempre que podia, ela tentava fazer as coisas da maneira trouxa, como foi ensinada, pois era a única ligação com sua mãe. Contudo, naquele momento, a última coisa que ela queria era fazer toda a comida novamente. Odiava fracassar.

— Tenho uma ideia melhor — Sirius apareceu ao seu lado — Por que não deixa essa comida aí, e vamos para algum restaurante? Depois você usa as poções e feitiços para consertar e não desperdiçar comida. Precisamos relaxar um pouco... E vai que James está andando pela Londres trouxa, sem memória?

Lily deu uma risada leve, sabendo que a última frase era mais para convencê-la a ceder do que por realmente acreditar naquela hipótese.

— Aproveita e me ensina a usar dinheiro trouxa. Cansei de parecer um idiota, na hora de pagar a conta — ele suspirou.

— Bem, pelo menos você não convida mais garotas trouxas para sair — ela respondeu — Tudo bem, vamos. Vou entender essa insinuação como um “eu pago”.

Sirius deu uma risada canina, enquanto a ruiva sumia escada acima.

Estancou na porta do quarto, sentindo como o cheiro de James impregnava a tudo. De um momento para o outro, ela esqueceu-se de que deveria pegar as suas roupas, pegando o travesseiro intocado para aproximá-lo de seu rosto. Ela estava tão desorientada no dia anterior, que nem preocupou-se com isso. Mas, naquele momento, ela estava bem consciente da falta que sentia. Não culpava a alguém, nem a si mesma, apenas queria que aquela situação se resolvesse.

Demorou para criar coragem para afastar o pequeno objeto fofo de perto de si. Mesmo as roupas que pegou para vestir tinham o cheiro de James. Nem preocupou-se em ajeitar a sua aparência, estar com Sirius, nos últimos tempos, tornou-se como estar com um irmão. Era uma grande mania referir-se aos amigos como se fossem seus irmãos, considerando que Petúnia nunca foi a melhor das irmãs.

Descendo as escadas, ela escutou como Sirius conversava com alguém. Aproximando-se, viu a uma cabeleira castanha.

— Lene! — Lily sussurrou.

Só bastou esse sussurro para que o casal se virasse para ela.

— Lily! — Marlene aproximou-se da amiga, os braços abertos.

A ruiva não demorou a fundir-se no abraço dela, esteve precisando tanto daquele apoio feminino. Sentia falta de Hogwarts, quando ela e Marlene ficavam no dormitório feminino, apenas elas, nos seus momentos a sós.

— Fique aqui, por favor! — ela viu-se dizendo — Por favor! Só até James voltar. Eu preciso de você...

— Ei! Calma! Tudo bem, eu fico! — Marlene sussurrou, esfregando as suas costas — Eu sinto tanto... Eu... Não estava aqui ontem.

— Nós sabemos que estava em uma missão, não se preocupe! — Sirius olhava de forma preocupada para ela, sem a mesma acusação com que olhava para Remus.

Lily estava feliz por Marlene ter a Sirius para lhe consolar, pois ela não estava com cabeça para isso. James e Marlene eram como irmãos, se conheciam desde crianças, por terem famílias sangues puras. Estava sendo difícil tanto para Lily quanto para Marlene.

— Recebemos uma ameaça de ataque ao Ministério — Lily disse, quando o abraço acabou — Provavelmente, haverá uma reunião para discutirmos sobre isso. Acho que pensamos a mesma coisa.

— Vamos deixar para resolver isso depois — Marlene esfregou levemente os ombros da amiga — Vocês iam sair, certo? Então vamos! Depois, vamos para outro lugar trouxa, levantar um pouco desse astral.

— Ih! Estou ferrado... — brincou Sirius, coçando a cabeça.

— Não gosto desses métodos, mas estamos precisadas, amiga — a castanha murmurou.

Lily deu um sorriso leve.

— Vamos sair um pouco do mundo bruxo, antes que Dumbledore nos envie um patrono — ela pediu.

— Seria engraçado se estivéssemos em uma lanchonete, e o patrono chegasse — disse Sirius, pensativo.

— Ótimo! Precisamos rir! — disse Marlene, fuzilando-o com o olhar, antes que Lily decidisse que não sairia.

— Vamos! — disse a ruiva, antes que os dois iniciassem uma discussão.

As ruas nunca pareceram mais vazias antes. Era a primeira vez que ela saía de casa sem aparatar, olhando para as pessoas de Godric’s Hollow. Olhou para a casa do outro lado, as janelas estavam fechadas. Não tinham muito contato com Bathilda Bagshot, mas era legal saber que moravam perto de uma historiadora tão famosa, que escreveu o livro de colégio deles.

— Eu não consigo acostumar-me com a ideia de morar junto com trouxas — disse Marlene, olhando ao redor — Qualquer problema que acontecer, piora para a gente.

— Eu gosto dessa integração — disse Sirius, distraído.

— Espero que esteja olhando para a estátua, ou te arranco os olhos.

Isso arrancou uma risada abafada de Lily. Ela e James arrumaram excelentes amigos, capazes de te fazer esquecer das piores desgraças existentes. E, juntos, eram o casal mais estranho visto antes. Na verdade, eles nem admitiam ter um relacionamento, mas todos sabiam que eles tinham a sua amizade colorida.

— Não precisa ficar com ciúmes, Leninha! — provocou Sirius.

— Não me chame de Leninha, Black! — reclamou Marlene.

— Não me chame de Black, Leninha! — ele retrucou, de cenho franzido — É Potter!

— Coitada de mim, ter um cunhado desses — alfinetou Lily.

Marlene e Sirius trocaram um olhar discreto, aliviados de que, talvez, pudessem distrair a ruiva. Nem que fosse por uma tarde.

Contudo, eles sabiam que, assim que virassem de costas, a tristeza estaria ali. Era algo que se alastrava discretamente, longe dos olhos. Quando você percebesse, ela está lá, e já é tarde demais para livrar-se. Eles próprios sofriam, mas um casamento era uma ligação completamente diferente.

Uma ligação que eles nunca entenderiam.

Sirius sempre teve uma péssima visão de família, tendo sua mãe como exemplo. Era um tipo de medo de casamento, junto com a falta de vontade. Ele sentia algo forte por Marlene, mas não sabia se era amor. E ela sentia-se da mesma forma. Ninguém os entendia.

Assim como ninguém podia entender a James e Lily.

Cada casal tem uma história. Não existem histórias iguais, e não cabe a ninguém entender, mesmo porque não tem como. O amor é um sentimento sem explicações, que acontece quando menos se espera, e se vem de onde menos se espera. Cabe apenas admirar um sentimento tão lindo. Um sentimento que Voldemort jamais entenderia.

A história de amor de James e Lily continuava, mas muitas dificuldades ainda viriam.



Notas finais do capítulo

Essas 2000 palavras foram sofridas... Espero que o final não tenha ficado extenso demais, mas tomei como desafio pessoal escrever, pelo menos, essas 2000 palavras. Espero conseguir escrever essa quantidade no próximo. Espero que tenham gostado!
Estou esperando coisas demais...
Link da coletânea (para quem quiser ler): https://fanfiction.com.br/historia/697471/All_You_Need_Is_Jily/



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