Damaged Memories escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 3
Capítulo 2 - Awakening


Notas iniciais do capítulo

Que raiva! Eu queria alcançar as 2000 palavras, mas os acontecimentos sempre se direcionam para acabar em um momento certo. Não sei se você entenderam :/




A dor foi a primeira coisa que James registrou.

Ela estava presente em todas as partes do seu corpo. Sua mente alertava-lhe que havia algo de errado, mas o seu crânio parecia que ia partir-se ao meio de tanta dor. Portanto, ele decidiu ignorar esse pressentimento.

O simples barulho de um vidro batendo em outro foi suficiente para ele apertar as suas pálpebras com força, sentindo espasmos de dor cada vez mais fortes passarem pela cabeça.

Uma tortura física e, aparentemente, mental.

Quem quer que tivesse lhe feito isso, alimentaria o sentimento de vingança, que ele sentia subir por sua garganta, cada vez mais. Um ódio descomunal, que ele acreditou não ter sentido nunca. Contudo, ele não poderia jamais afirmar isso. Estava tão confuso, não conseguia registrar onde estava e o que tinha acontecido, somente a dor. Sempre a dor.

— Desculpe — ele ouviu um sussurro cuidadoso.

Algo molhado caiu em seus lábios, fazendo-os abrirem, quase que em um gesto automático, pela temperatura tão baixa. Então, algum líquido não identificado foi jogado garganta adentro. Por estar deitado, ele engasgou, levantando-se, para livrar-se dessa sensação, e também para tentar parar o fluxo de gelo líquido sendo posto garganta abaixo.

Abrindo os olhos, James agradeceu por não ser abatido por alguma sensação de luminosidade. As paredes do cômodo eram negras, e só havia uma pequena janela, coberta pelas cortinas curtas de cor verde.

— Como se você já não tivesse bebido coisas piores! — essa voz era diferente da outra, não mantinha qualquer zelo ou cuidado.

Ele olhou para as duas pessoas que estavam ao seu lado.

As mulheres eram o completo oposto. A loira dos olhos azuis, e a morena dos olhos cinzentos. Enquanto que a loira mostrava ser uma perfeita dama, a morena deixava claro que não estava ali para ser menos do que a melhor, uma guerreira.

Narcisa cutucou levemente a coxa da irmã, antes de deixar o frasco pela metade ao lado da cama, e sair do quarto, deixando-os sozinhos.

— O que aconteceu? — perguntou James.

— Você foi atacado pelo traidor do sangue — disse Bellatrix, sem mudar a expressão.

— Você poderia ser mais específica? — ele usou de todo o seu sarcasmo.

A sua reação pareceu surpreender a Bellatrix, mas ela se recompôs facilmente, fazendo-o se perguntar o que estava acontecendo.

— Sirius Black — ela disse, novamente.

Ele deveria sentir-se desconfortável pelo fato de que ela o olhava dos pés à cabeça, mas não era a primeira vez que isso acontecia, pelo que ele lembrava-se.

— Perdeu alguma coisa, querida? — James voltou a perguntar, levantando uma sobrancelha com ironia.

— Vejo que está perfeitamente bem — ela crispou os lábios — Apresse-se! O lorde das trevas planejou uma reunião.

Bellatrix saiu do quarto, os seus cabelos cacheados balançando no ar, em uma singularidade bela e, ao mesmo tempo, perigosa. A combinação perfeita para aqueles que não tinham medo de nada, como Rodolphus Lestrange.

James negou com a cabeça. Colocou a mão na cabeça, não encontrando quaisquer ferimentos. Olhou para a poção ao lado da cama, não conseguiu identificá-la, mas deveria ter curado as sequelas deixadas do ataque.

Levantou-se rapidamente, indo em direção ao banheiro, onde suas roupas estavam, em cima da pia. Olhou para os trapos que usava, e perguntou-se quem foi o idiota quem deu-lhe aquilo. Trataria de castigar a quem quer que fosse depois, pois ele não admitia essa humilhação, somente se viesse de seu senhor.

Lavou o rosto rapidamente, tentando tirar a palidez que possuía, o único vestígio que as suas dores foram reais. Olhou para o seu antebraço, ele pinicava um pouco, o que James não conseguia explicar. Não sentia isso desde que a marca lhe foi gravada.

Ela nunca esteve tão vívida.

Cobriu com a capa das roupas pretas, embora não precisasse preocupar-se com isso. Pelo ambiente, estava na casa de Rodolphus, o que explicava ter sido acordado pelas irmãs Black. A única que não estava ali era Andrômeda, era tão traidora do sangue quanto Sirius. Talvez por ela, ele tivesse tomado essa decisão. As influências causavam isso, era o que James acreditava.

Ele terminou de vestir-se, sem encontrar a sua varinha, e desceu as escadas apressadamente, levava sua máscara no bolso da capa, por precaução. Cada uma delas era feita especialmente para o Death Eater, mas os membros da Ordem jamais saberiam disso. Para eles, eram apenas máscaras.

Quando chegou à sala, todos os seus companheiros pareciam abismados por alguma situação, que Voldemort lhes contava, antes que ele chegasse. Permaneceu parado na porta, esperando a aprovação para entrar.

— James! Entre, por favor! — Voldemort o chamou, sorrindo satisfeito, uma visão um pouco incômoda.

— Milorde, perdão pelo meu atraso — ele apressou-se a obedecer — Eu... Não encontrava minha varinha.

— Ah! É claro! — ele disse, compreensivo — Bellatrix, por favor.

A mulher olhou temerosa a Voldemort, antes de deslizar o pedaço de madeira pela superfície fria da mesa.

— Obrigado — disse James, dando um sorriso debochado para ela, que engoliu em seco, sem dizer mais nada.

— Vejo que desceu já preparado! Excelente! Espero que esteja recuperado, hoje sairemos — disse Voldemort.

Todos exclamaram, extasiados. Contudo, James só conseguia observá-lo, tentando entender o porquê de tanta atenção posta nele. Ele era poderoso, disso não havia dúvidas, mas não era o braço direito, como Bellatrix, a ponto de tanto.

— Quero ver a reação da Ordem da Fênix. Eles esperavam que não nos recuperássemos tão facilmente — continuou Voldemort, ignorando as exclamações, como se fosse apenas mais um item em sua lista de tarefas — Segundo o nosso informante, eles estão ocupados em missões privadas, estarão despreparados.

Ele levantou-se, e muitos encolheram-se, não sentindo mais a felicidade de antes.

— Considere o meu presente, James — ele ficou por trás da cadeira dele, colocando as suas mãos no encosto — Por sua recuperação.

Pelo modo como todos agiam, ele concluiu que as coisas seriam diferentes dali em diante.

Não sabia o que tinha feito, mas devia ter sido algo grandioso, ele não era generoso com muitos seguidores.

— Como você pôde? — os olhos verdes brilhavam medrosamente, olhando ora para o seu antebraço, ora para o seu rosto impassível.

O arrastar das cadeiras afastou-lhe dessa lembrança.

— Não hesite — disse Voldemort.

— Eu não hesitarei — respondeu James, balançando a cabeça, para afastar a imagem da ruiva de sua mente.

Ele não podia voltar com as lembranças.

Lily Evans era uma sangue ruim, e ele não podia relacionar-se com ela. Não novamente.

Ele sorriu maliciosamente, sentindo-se satisfeito ao ver o seu medo.

— Você pagará por tudo o que você fez — ele disse.