Damaged Memories escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 22
Capítulo 21 - Struggle





Uma luz forte acordou a Lily no meio da noite. Ao abrir os olhos, com um pouco de dificuldade, viu que se tratava de um patrono. Uma fênix.

— Reunião de emergência — foi apenas o que disse a voz de Dumbledore, antes da luz se dissipar.

Lily sentou-se na cama, calçando os chinelos e atirando-se à direção do marido, com cuidado por causa da bem volumosa barriga.

— James, acorde! James! — ela começou a sacudi-lo, apressada.

Ele não demorou a acordar, mas não sobressaltou-se, pois estava sonolento demais para isso.

— Reunião da Ordem, aconteceu alguma coisa! — Lily disse.

Poderia ser qualquer reunião, mas ela sentia que não era assim. Sentia que algo grande para acontecer. Pegou um hobby e cobriu-se com ele, sem tempo para pensar em vestir-se adequadamente.

James seguiu o seu exemplo, ainda um pouco letárgico pelo sono, e foram rapidamente para o lado de fora aparatar. Não era mais tão seguro usar a rede de lareiras com a proximidade do nascimento de Harry.

Lily segurou-se com força nos braços do marido até chegarem ao destino. Precisou de um pouco de tempo para recompor-se do enjoo da viagem, antes de irem rapidamente para dentro da casa.

— Estão todos com as suas varinhas, espero — disse Dumbledore, assim que todos estavam reunidos — Ótimo.

— O que houve, Albus? — perguntou Dorcas.

Às vezes, Lily perguntava-se se a auror dormia de roupas, já que sempre parecia preparada para um ataque, enquanto o resto era pego desprevenido.

Para piorar o fato de que suas pernas estavam ocultas apenas por um tecido longo quase que transparente, ainda precisava compartilhar aquele momento com Snape, que estava ao lado direito de Dumbledore. Tentou esconder o seu desconforto, mas escondeu-se atrás de James, incomodada.

— Severus veio me comunicar assim que foi informado — disse Dumbledore, olhando para o Death Eater — Voldemort está desconfiado que tem mais por trás da profecia do que pensava. Está decidido a ir ao Ministério esta noite e pegá-la do Departamento de Mistérios.

— Ele seria tão estúpido? Estará cheio de aurores por lá! — comentou Frank, abismado.

— Estúpido não, mas certamente desesperado — retrucou Dorcas — Se ele escutar a profecia completa, será o nosso fim.

— Ou não. Ele não terá saída! — disse Alice — Se não reagir, será derrotado. Isso é certeza!

— Talvez ele não interprete assim — Moody rosnou, irritado — E só estamos perdendo tempo com essas suposições. Precisamos agir. Agora!

A última palavra gritada assustou a algumas pessoas, que ainda estavam desatentas pelo sono.

— É melhor vocês ficarem aqui — disse Dumbledore a Lily e James.

— Nada disso! — protestou Lily — Você nos acordou e nós vamos.

— Os acordou para ficarem a par de tudo — disse Edgar.

— Parados? Sem fazer nada? — James apoiou a esposa — É a nós que eles querem! Precisamos estar lá!

— Justamente por quererem vocês! — gritou Alice — Não podem ficar expostos assim!

— Seriam uma boa isca — disse Dorcas, repentinamente.

A maioria olhou para ela como se estivesse louca.

— Somente aqueles a quem se refere a profecia podem tirá-la de sua estante — ela explicou — Harry não nasceu, então James e Lily são os responsáveis legais. Além do mais, o orbe reconhecerá a magia de Harry de dentro de Lily.

— Não seria prudente que Dumbledore o fizesse — Snape pronunciou-se — Além de que é o único capaz de deter Voldemort tempo o suficiente para que retirem a profecia de seu lugar.

— Está decidido — disse Dumbledore.

— Não pode estar falando sério! — gritou Frank — Isso também poderia envolver a mim e a Alice. Nós também poderíamos ir lá pegar a profecia! Nem Neville nem Harry nasceram, nenhum dos dois foi marcado!

— Voldemort já decidiu há muito tempo que eles seriam os escolhidos. Desde que James foi manipulado — argumentou Dorcas.

— Estamos perdendo tempo — resmungou Moody, outra vez.

— Precisamos de um plano rápido e  eficiente. O que acham, Alastor, Dorcas? — Dumbledore perguntou.

— Vão os quatro, vão todos, desde que não percamos mais tempo! — disse Moody.

Dorcas convocou alguns mapas do Ministério que ela mesma tinha desenhado, e os aurores uniram-se para avaliar a melhor forma de agirem.

— Eu já volto — Lily deu um beijo na bochecha de James.

— Onde você vai? — ele perguntou, preocupado.

— Ao banheiro, não se preocupe.

Assim que parou em frente ao espelho do lavabo, viu como estava pálida e tentou amenizar com um pouco de água fria. Sabia que estava apenas cansada por ter dormido tarde e sido acordada daquela forma, a gravidez a cansava muito, e seu mal estar não devia passar disso.

Destrancou a porta e saiu, esbarrando com Snape na esquina do corredor.

— O que você quer? — ela perguntou, já na defensiva.

— Tem certeza de que irá ao Ministério? Será perigoso! — ele disse.

— Sim, eu tenho — Lily cruzou os braços, decidida.

— Então fique com isso.

Ele estendeu um medalhão com um “S” cravado.

— Para quê? — ela perguntou, sem entender.

— Vai te proteger — disse Snape.

Lily ficou em dúvida, mas ele estava ajudando a Dumbledore, não?

Esperava que não estivesse se deixando ser enganada novamente pela mesma pessoa.

— Certo — ela disse, ainda indecisa.

Ele passou a corrente do medalhão por cima de sua cabeça, evitando contato físico, o que ela agradeceu.

— Obrigada — murmurou.

Snape não respondeu, indo na direção contrária conversar com algum outro integrante da Ordem sobre o plano decidido. Lily achou melhor esconder o medalhão por baixo da blusa, não queria que fizessem perguntas.

Mesmo assim, sentiu como se Dumbledore estivesse completamente ciente da breve conversa que tiveram.

O átrio do Ministério estava silencioso, o que só tornava o ambiente mais tétrico. Era assustador como um grande grupo, fosse de Death Eaters ou mesmo de bruxos da luz, pudesse entrar sem ser percebido por qualquer pessoa que fosse, não importando a hora que fosse.

O Ministério devia ser um dos lugares mais protegidos da Inglaterra, mas a realidade era bem distante daquela.

— Você está bem? — James sussurrou.

— Estou — respondeu Lily, a mão indo automaticamente para o medalhão, que a fazia sentir-se um pouco estranha — Não se preocupe.

Dorcas fez um sinal.

Lily enrolou o seu braço no de James e eles foram cautelosamente até o elevador, sendo seguidos de Frank e Alice. No outro elevador, Dorcas, Moody e alguns outros também subiam ao mesmo andar.

— Eu não estou me sentindo bem — declarou Alice.

— Se você quiser voltar, eu aviso aos outros — disse Frank.

— Não tem como voltarmos atrás agora.

Eles trocaram olhares preocupados, preocupando também a Lily e James.

Nível 9. Departamento de Mistérios.

A voz mecânica ecoou pelo elevador, e eles saíram, apertando as mãos uns dos outros, mais tensos ainda. O elevador ao lado ainda não tinha chegado, mas não poderiam perder tempo.

— Por aqui — disse Frank, apressando-se em direção ao final do corredor — Não fechem a porta!

James pegou uma pedra de seu bolso e a colocou entre o vão da porta, impedindo-a de fechar-se. Enquanto isso, o outro auror concentrou-se nas informações dadas pelo informante inominável que Dorcas possuía.

Depois de pensar um pouco, ele abriu uma das portas escuras e deu exatamente na sala certa.

— Vamos — disse Alice, tensa.

O grupo caminhou rapidamente por entre as prateleiras, esperando que os aurores surgissem atrás deles a qualquer instante, mas sem esperar por eles.

Beco noventa e sete, tinha dito Dorcas.

Eles seguiram caminhando tensos, perguntando-se se nenhum inominável fazia horas extras por ali. Poderiam entrar e sair impunes, sem serem notados?

A cada passo que dava, Lily agitava-se. Não sabia o motivo, mas era uma angústia. Podia parecer loucura, mas era como se o medalhão estivesse causando aquilo nela.

S.P.T para A.P.W.B.D

Lorde das Trevas e

— Como eu disse — sussurrou Alice, incômoda — Não sabem quem será.

Lily e ela trocaram olhares entre si e com seus maridos. As duas ergueram as mãos, tocando no orbe ao mesmo tempo e tirando-o de seu lugar.

James e Frank agiram rapidamente, protegendo-as dos feitiços que vieram em seguida.

— Quebre-o! — gritou Alice.

Lily negou com a cabeça, aproveitando que estavam escondidas para fazer uma réplica e quebrar o original. Outros orbes caíram ao chão com o impacto dos feitiços, então o que seria um orbe quebrado junto aos outros?

Seguraram o objeto com força e correram para o outro lado, sendo seguidas por Frank e James.

— Vamos sair daqui! — gritou James, procurando dar a volta para irem novamente para a entrada.

Lily quase tropeçou em um rato que corria na direção contrária.

— Pettigrew — ela sussurrou, sendo arrastada pelo marido, mais apurado ainda.

Eles entraram em uma sala pequena de estudos com uma mesa grande e alguns outros orbes, mas eles eram diferentes. Alguns estavam quebrados, outros estavam vazios, sem profecia.

— Desculpe-me, Lily — escutou James sussurrar.

Quando virou-se para perguntar o que houve, ele e Frank fecharam as portas.

— Frank! — Alice bateu na porta repetidas vezes, desesperada.

— Não saiam daí! — gritou ele do outro lado.

Lily uniu-se a Alice, tentando abrir a porta, mas sem sucesso.

Olhou o orbe que estava em sua mão e guardou-o no bolso.

— Está tudo bem? — perguntou Lily, ao ver que Alice sentava-se em uma cadeira, parecendo mal.

— Está — respondeu Alice, incômoda — Só estou preocupada. Uma sensação ruim...

— Sim, eu também sinto isso.

Um baque na porta fez com que elas corressem à parede contrária, as varinhas em punho.

— Camananinvisibelis — Lily apontou a varinha para Alice, sem que ela pudesse protestar.

A porta foi arrancada de seus trincos, e ela encolheu-se, evitando que algum estilhaço a atingisse. Antes que pudesse ajeitar-se, sua varinha foi derrubada ao chão, e ela foi levada. Alice permaneceu, invisível.

— Socorro! — Lily gritou, tentando que alguém a escutasse.

Bellatrix deu um tapa forte em seu rosto, quase fazendo-a cair.

— As proteções saíram, vamos! — ela disse.

Todos aparataram, e Lily só sentiu a sensação ruim fortalecer-se.

Não saíram do Ministério, foram para o corredor do lado de fora, e começaram a levá-la até as escadas dos tribunais.

— Socorro! — Lily voltou a gritar.

Quanto mais escadas desciam, mais ela sentia que não ia aguentar permanecer de pé. Então, abriram uma sala qualquer, e entraram, jogando-a ao chão. Ao mesmo tempo, Lily sentiu suas roupas molharem-se.

— Accio profecia!

O orbe saiu voando de seu bolso.

A sala ficou em silêncio por um tempo, esperando que a profecia começasse a ser dita, o que não ocorreu.

— Revele os seus segredos! — disse a voz escandalosa de Bellatrix — Não está funcionando!

— Ela só se revela uma vez — retrucou Lily, juntando as pernas com força.

— Mentirosa! — a outra gritou, jogando o orbe contra a parede — Vocês esconderam a original! Fizeram uma réplica! Para nos enganar!

Ela tentou afastar-se, mas a bruxa puxou-a pelas pernas, obrigando-a a abri-las.

— Ótimo! — Bellatrix deu uma risada maníaca — Ele está nascendo!

— Não, ele não está — Lily disse, desesperada, tentando enganá-la.

— Isso acabará esta noite. Avisem ao milorde. Mataremos a sangue ruim e o seu bebê de uma só vez.

Quando James e Frank viraram naquele mesmo corredor, viram que a porta da sala estava aberta.

— Droga! Droga! Droga! — James correu até lá, seguido do outro, correndo os olhos pela sala — Elas foram levadas!

— Frank.

O outro levantou a varinha.

— Finite Incantatem.

Alice estava encolhida à sala, e Frank foi logo em sua direção.

— O que houve? — ele perguntou.

— Levaram Lily — ela respondeu — Aparataram.

— Impossível! O Ministério é protegido! — retrucou James, esperando que isso fosse mesmo verdade.

— Então ainda devem estar aqui — disse Frank, olhando para o amigo — Deve ter apenas quebrado os escudos entre os departamentos.

— Vão embora vocês dois — ele aconselhou — Hoje é 30 de Julho. Se Lily e Harry não...

— Eles vão ficar bem — disse Alice, segura disso.

James apenas assentiu, saindo da sala. Viu como Frank transformava um dos objetos dali em uma chave de portal, mas não parou para vê-los partir, precisava agir rápido.

O som do relógio contrastava com as batidas do seu coração.

Segundo por segundo, batida por batida.

Ambos os sons ecoando pela sala, ou era isso o que Lily sentia. Estava indefesa, sem sua varinha, em uma situação nada privilegiada, e sem forças para lutar.

Estava em trabalho de parto, mas era uma realidade cruel demais para ela enfrentar, acreditar que estava mesmo acontecendo. Parecia um pesadelo, um destino sem chances de dar certo.

Seu filho nasceria, mas perto de pessoas que queriam matá-los. Como poderiam escapar daquilo? O seu rosto estava suado, e ela chorava, de desespero e dor.

— Que decadência — disse Bellatrix com asco — Chorando em frente aos inimigos. Pensei que tivesse um pouco mais de respeito próprio, sangue ruim.

Horas pareciam se passar, e o seu desespero só aumentava.

O tempo não passava ou não notavam mesmo a sua falta?

Ela tinha gritado tanto, implorado tanto para verem-na, socorrê-la, e agora sentia que de nada tinha valido aquilo.

A garganta arranhava, mas não conseguia parar de gritar. Sentia como se estivessem cortando-a ao meio, como se uma maldição da tortura estivesse sendo aplicada nela, apenas com a força do pensamento daqueles que a rodeavam.

— Incrível, não é mesmo?

A porta abriu-se, e Voldemort entrou por ela.

— Incrível como isso pode causar tanta dor — ele completou.

— Milorde — disse Bellatrix com adoração.

— Escolheram uma excelente sala.

Lily viu que uma mulher loira observava de longe e não demorou em reconhecer Narcisa Malfoy. Não podia evitar lembrar-se da conversa que tiveram. Pela sua aparência, ela já tinha tido o seu filho, e ele devia estar sozinho em casa, sendo cuidado por elfos domésticos.

Ainda lembrava-se da conversa que tiveram?

Lembrava-se de tê-la ajudado a escapar?

De quê havia adiantado? Estavam ali novamente, e dessa vez não teria como ajudá-la.

— Certifique-se de que essa criança nasça — Voldemort dirigiu-se a ela.

— Sim, senhor — Narcisa aproximou-se, ajoelhando-se à sua frente.

Seus olhos não se encontraram uma vez que fosse, ela apenas permanecia observando como Lily contorcia-se pela dor de seu filho estar nascendo, um filho que já tinha o seu destino traçado. Um destino trágico.

Deu um último grito antes de escutar um choro de bebê.

— Por favor, me deixe segurá-lo — ela pediu a Narcisa.

A mulher deu um olhar a Voldemort, antes de concedê-la aquele último desejo.

Harry era lindo. Beijou-o na testa, sem importar-se com o sangue. Ao fechar os olhos, mais uma lágrima espremeu-se pelo espaço limitado.

Esperava que tirassem-no de suas mãos, mas o bruxo apenas preparou a varinha e apontou-a. Planejava matá-lo em seus braços.

— Não! — ela chorou.

Sabia que clamar por misericórdia era inútil, e que não tinha mais forças para gritar. Apenas encolheu-se, protegendo a Harry com o seu corpo.

— Por favor! — implorou mesmo assim.

— Avada Kedavra!

Aquelas simples palavras fizeram com que o seu choro se intensificasse mais ainda.

A morte estava próxima, ela morreria protegendo o seu filho.

A luz verde iluminou toda a sala, que antes estava escura, mas voltou a desaparecer depois de um tempo. A porta abriu-se bruscamente, e outras luzes estalaram ao seu redor.

Lily sentiu que ficou instantaneamente surda, esperava pelo momento em que o raio a atingiria, mas isso não aconteceu. Olhando por cima do ombro, o feitiço bateu contra uma barreira invisível e voltou em direção ao bruxo, que desapareceu, assim que o raio verde o atravessou.

Narcisa foi afastada rapidamente por um dos aurores, Bellatrix gritou frustrada, tentando atingi-la, terminar o serviço que seu mestre não conseguiu.

Só voltou a escutar e entender o que acontecia quando James aproximou-se, e Harry voltou a chorar.

Eles estavam vivos.

Como isso era possível?

James levou-a para uma outra sala, ainda no nível 10 do Ministério, onde Arabella Figg ajudou-a a cortar o cordão umbilical e limpar Harry, deixá-los o mais estabilizados possível para serem transferidos ao St. Mungos.

O resto daquela noite foi um verdadeiro borrão para Lily, que foi medicada e sedada rapidamente. Só lembrava-se de escutar outros gritos, que ela sabia virem de Alice, a alguns quartos do seu.

Assim que acordou, pensou que tudo tinha sido um pesadelo. Então notou que faltava algo.

— Ai, meu Deus! — ela começou a chorar desesperada, colocando as duas mãos em sua barriga.

Escutou passos apressados e James apareceu.

— Ei! Calma! — ele abraçou-a, tentando acalmá-la.

— Foi tudo real? — ela perguntou — Onde está Harry?

— Ele está bem.

Insistindo muito, foi guiada até o berço do outro lado da cortina, onde Harry dormia calmamente, sem parecer ciente do quão próximo da morte esteve.

— Como isso é possível? O que aconteceu? — Lily sussurrou, com medo de acordar o pequeno.

— Dumbledore disse que queria falar conosco assim que você acordasse — disse James.

Uma ideia veio à sua cabeça, e ela apoiou-se nele para poder voltar para a cama. Ainda sentia-se fraca pelas emoções do dia anterior.

— Voldemort está morto?

James deu de ombros, indicando que não sabia e não aparentava se importar com isso.

— É melhor você descansar — ele disse — Ainda está cedo. Precisa estar bem para o nosso filho.

Ela sorriu inconscientemente.

Assim que deitou-se à cama, sentiu o cansaço tomar o seu corpo novamente, e adormeceu sem maiores dificuldades.

No dia seguinte, Lily e Harry foram liberados. A medibruxa disse que ele nasceu um dia antes do previsto por causa da tensão nervosa que Lily estava no Ministério, além dos sentimentos negativos que o afetaram. Deve ter mencionado sobre magia negra, mas Lily ficou pensativa com isso. Ela estava sentindo que tinha algo de negativo no Ministério, e Alice também sentiu, mas não era possível. E os sentimentos não eram seus.

Foram direto para casa, e Dumbledore teve o bom senso de ir até eles, em vez de pedir para que fossem até a sede. Daquela vez, Snape não estava com ele, e Lily agradeceu por isso.

— Tenho certeza de que estão confusos com tudo o que aconteceu — disse Dumbledore, assim que acomodaram-se.

— Voldemort morreu? — Lily perguntou.

— Sim e não — ele respondeu, sem explicar-se.

— Por que ele não pôde matar a Lily e Harry? — James perguntou.

— É aí onde eu queria chegar — aprovou Dumbledore, tirando algo de seu bolso — Reconhece isso, Lily?

Era o medalhão que Snape a deu, antes de sua partida.

— Sim, eu estava usando-o no Ministério — ela respondeu.

— Isto é o medalhão de Salazar Slytherin — explicou Dumbledore — Um artefato mágico muito poderoso, mas eu acredito que ele foi usado para um propósito sombrio.

— É de Slytherin, claro que tem um propósito sombrio — James deixou escapar.

— Não, não se trata disso — ele negou — Severus e outros seguidores fiéis de Voldemort foram encarregados de recuperar esta peça. Confiou a eles o segredo de que isso era muito importante para ele, e que foi o motivo pelo qual Regulus Black foi morto.

Lily trocou um olhar com James, ainda sem entender muito bem sobre o que estavam conversando.

— Tem uma magia negra muito forte dentro deste artefato, e ele salvou-a da morte, Lily — Dumbledore continuou dizendo — Você estava usando-o, e o feitiço ricocheteou exatamente neste medalhão. Para isso ter acontecido, só há uma hipótese possível, que condiz exatamente com os boatos que escutei sobre as viagens de Voldemort após sair do colégio.

— Do que se trata? — James perguntou.

— Horcruxes — ele respondeu — Voldemort dividiu a sua alma e a guardou dentro de objetos valiosos para proteger-se. Com esses objetos intactos, ele é imortal. Por isso, ele morreu, mas não morreu. O seu corpo foi morto, mas a sua alma permanece em pedaços.

— Está nos dizendo que Voldemort foi morto pela própria alma? — Lily arregalou os olhos.

— Apenas duas coisas no mundo podem matar uma horcrux. Ele lançou uma maldição da morte, e o medalhão reagiu. De certa forma, podemos dizer que ele envenenou-se com o seu próprio veneno.

Ficaram em silêncio, digerindo o que tudo aquilo significava.

— Temos de destruí-lo — disse Lily, assim que recuperou-se.

— Certamente — Dumbledore concordou — Mas precisamos descobrir onde estão as outras partes da alma dele, se queremos destruí-lo definitivamente.

— Professor, — disse James — a profecia não concluiu-se, certo? Nem Harry nem Neville foram marcados por ele.

— Infelizmente, a profecia ainda pode ser concluída. Não é dito quando a criança nascida ao final de Julho deve ser marcada, apenas que ela será marcada. Tenho minhas conjecturas, no entanto, de que o acontecimento desta noite mudou tudo. Se formos rápidos o suficiente, talvez Harry e Neville jamais precisem passar por isso.

Lily concordou, era o que ela esperava, e sabia que Alice também.

— Para todos os efeitos, Voldemort foi morto — disse Dumbledore — A Ordem agora precisa prender a todos os fugitivos.

— A guerra nunca acaba — comentou James, com um pouco de seriedade e um pouco de brincadeira.

— Não, não acaba — ele suspirou, levantando-se — Bem, acho que é isso. Tomem cuidado e, se puderem fazer algo sobre isso, eu os avisarei.

— Obrigada, Albus — disse Lily, sinceramente.

Se pudesse, o levaria até a porta, mas preferiu permanecer sentada, aninhando a Harry. James o levou em seu lugar, e voltou parecendo mais descansado do que em meses. Se duvidasse, ela também estaria assim, mas ainda sentia-se desgastada pelo parto difícil e Harry estava ocupando todo o seu tempo agora — ela não se importava realmente com esse detalhe.

Antrax apenas observou o bebê de longe, parecendo incomodado por ter um novo morador na casa, mas logo se acostumaria.

As coisas começavam a entrar nos eixos, e Lily não podia agradecer mais por isso.

Reuniria as suas forças para buscar as horcruxes restantes e evitar que o seu filho — e outras tantas crianças recém nascidas pelo mundo — passassem um terço que fosse do que eles passaram durante aqueles anos.

A missão da Ordem não tinha acabado, estava apenas começando.





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