Damaged Memories escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 16
Capítulo 15 - Prophecy


Notas iniciais do capítulo

Agora é oficial, pelo amor de Deus, eu preciso escrever PFSJ! Os leitores daquela fanfic vão me matar >.




Lily caminhava de um lado para o outro, roendo as unhas, nervosa.

Os integrantes da Ordem da Fênix tinham enfeitiçado alguns medibruxos, e estavam tomando conta do hospital St Mungus, para o caso de os Death Eaters serem notificados da lesão de James, e quisessem aproveitar para levá-lo.

Se Arabella Figg não foi capaz de dizer o que tinha de errado com James, Lily sentia-se no direito de estar o quão nervosa que pudesse.

— Justo agora! — ela choramingou, dando uma pisada forte no chão — Justo agora que ele estava se recuperando!

— Ei! Ei! Ei! — Sirius largou as canecas de cerveja amanteigada em uma mesa, aproximando-se dela para abraçá-la — Isso não significa nada! Está me ouvindo? Nada! Ele só teve uma crise de dor por causa da marca negra, e estamos vendo como faremos para tirá-la.

— Ela não pode ser tirada! — disse Lily, irritada — O que planejam? Arrancar o seu braço? Por favor! Eu não vou permitir!

— Essa não é uma decisão sua — ele interrompeu-a — Sinto muito, Lily, mas só James é responsável pelo que farão em seu corpo.

— Ele não está consciente do que está acontecendo! É imoral colocarem nas mãos dele uma decisão dessas, nesse momento de nossas vidas!

Remus pegou as canecas de cerveja amanteigada, entregando uma para Sirius e outra para Lily, que segurou por costume.

— Vamos nos acalmar — ele disse, pacifista — Se estressar faz mal pro bebê.

Lily abaixou o rosto, olhando para a barriga quase que invisível, antes de entregar a caneca de volta para o lobisomem.

— E cerveja amanteigada tem álcool — disse, sentando-se — Não posso beber.

— Que triste — disse Sirius, bebendo um gole longo da sua caneca.

— Aquele lugar onde James está... — Lily balançou a cabeça — É horrível! Ele dorme sentado na cadeira! Está melhor em um hospital do que no porão da casa!

— Você sabe como Moody é — disse Remus.

— Falando na criatura, onde está? — perguntou Sirius, olhando ao redor — Dumbledore apareceu por aqui, mas sumiu logo depois, com Moody e Screw-Doe.

Remus colocou a mão na testa, ao escutar o apelido da mulher.

— Vocês não têm remédio — murmurou para si mesmo, exasperado.

— É um apelido legal! — exclamou Sirius, defendendo-se — E o James lembrou-se dela por causa dele! Levou o maior tapa na cara.

— Ela fez o quê? — Lily levantou-se de sua cadeira, furiosa, mas logo Remus sentou-a novamente, com delicadeza.

— O que é um tapa para um auror? — disse, conciliador.

Mesmo assim, Lily não se conformou, cruzando os braços.

Membros da Ordem passavam por ali, tentando convencê-la a voltar para casa, mas ela se negava a ir sem notícias de James. De quê serviria? Apenas uma noite de sono perdida, estivesse onde estivesse. E a casa estava tão vazia sem ele, apenas Antrax que esgueirava-se pelos mínimos lugares que conseguia encontrar.

Uma medibruxa parou em frente a eles.

— Familiares de James Potter?

Lily levantou-se imediatamente.

— Siga-me, por favor — ela pediu — Os senhores podem vir também. Quanto mais opiniões, melhor.

Seguiram caminhando por mais alguns corredores, antes de a mulher bater a sua varinha em uma porta, destrancando-a. Uma placa na porta dizia “Felicity O’Mayer”.

— Irlandesa — comentou Sirius, em voz baixa.

Lily apenas revirou os olhos, indo sentar-se na única cadeira disponível.

— O que ele tem? — ela perguntou, depois de engolir em seco.

— Vocês saberiam me dizer se o senhor Potter passou por alguma experiência traumática nos últimos tempos? — a medibruxa perguntou.

— Bem... — Lily olhou para Sirius e Remus — Quem não tem passado?

— O que quero dizer é se ele foi torturado — ela esclareceu.

De certa forma, o que ele estava passando era uma tortura.

— Sim — Lily respondeu.

— Os sintomas demonstram um... — Felicity respirou fundo, antes de voltar a falar — Transtorno Dissociativo de Identidade.

— O que isso...? — perguntou Sirius, os cenhos franzidos.

— Mais conhecido como dupla personalidade, um distúrbio psicológico muito mais encontrado em trouxas do que em bruxos, — ela completou — mas que não os torna imunes.

— Você está querendo dizer que... — Lily fechou os olhos — Ele vai passar o resto da vida alternando entre uma personalidade boa e uma ruim?

— Não necessariamente — disse a medibruxa — Escutem... Dumbledore me confidenciou um pouco sobre o que ocorreu. Disse que vocês estavam conseguindo trazer as suas memórias de volta, então não quer dizer que uma personalidade será inteiramente ruim.

— Foi isso o que Voldemort fez com ele? — perguntou Lily, abrindo os olhos — Ele meio que desativou uma personalidade, e ativou outra?

— Em um quadro geral, acredito que sim, foi uma consequência — Felicity confirmou — Sobre a marca negra... Somente magia negra pode desfazer os efeitos de magia negra. Pelo menos, uma magia tão negra quanto esta. É por ela que você sabe quem controla os seus seguidores, não acredito que será fácil livrar-se dela.

A marca negra era a última das preocupações de Lily, naquele momento.

— Eu vou ao banheiro — ela levantou-se, e saiu da sala, sem esperar por qualquer resposta.

Assim que alcançou a fileira de bancos, onde antes estavam sentados, viu que a porta do quarto tinha ficado aberta. Olhando ao redor, Lily aproximou-se, olhando pelo vidro como James dormia, parecendo tranquilo, bem diferente de como foi encontrado naquela noite.

— Voldemort tirou tudo de mim — ela sussurrou para o vidro — Eu não vou deixar que leve James e Harry também.

Sirius abraçou-a por trás, e ela fechou os olhos, aceitando o carinho.

— E se eu tivesse me entregado? — Lily perguntou — Eu poderia ter enganado-o. James se lembraria...

— Não, não poderia — Sirius disse — Ele iria apagar a sua memória também, e você não está em condições de lutar com suas personalidades.

Ela suspirou, antes de abrir os olhos cansados.

— Obrigada, Six.

Ele soltou-a, afastando-se, enquanto Lily permanecia com o rosto quase que grudado ao vidro da porta. Queria entrar, já que a porta estava aberta, mas temia que a impedissem de visitá-lo mais tarde. A grávida louca.

— Eu não pedi desculpas a Peter — ela disse, repentinamente — Pelo tapa.

— Que isso! Ele já deve ter se esquecido — tranquilizou-a Sirius.

— Ele está sendo tão bom com James, eu não sei como que pude desconfiar dele antes.

Os olhos de James abriram-se, e Lily sentiu como a sua respiração ficava presa em suas narinas. Isso durou por alguns segundos, logo depois ele caiu no sono novamente, o rosto virado em sua direção.

— Six — Lily olhou para trás, vendo como o amigo já estava ajeitando-se na fileira de bancos, preparando-se para tirar uma soneca — Nada não.

Ele apenas resmungou como resposta, o antebraço protegendo os seus olhos da luz.

— O que houve? — perguntou Remus, fechando a porta atrás de si, tendo escutado o chamado dela.

— Queria ir para a sede — ela disse — Fazer algumas poções, ser útil... E observar o ponteiro de James no relógio.

Remus apenas sorriu levemente, e Lily percebeu como o seu rosto estava pálido.

— A lua cheia está chegando? — perguntou, preocupada.

— Nada que eu já não esteja acostumado — ele tentou suavizar a situação, mas não podia enganá-la.

Lily voltou o olhar para o quarto.

Será que James estaria recuperado o suficiente para isso?

— É melhor que ele se recupere — disse Remus, parecendo ter adivinhado o rumo de seus pensamentos.

— Mas seria tão bom para ele se lembrar! — suspirou Lily — Época de colégio... Não importa qual personalidade ele tenha, isso o marcou.

— O James criado por Voldemort não é ruim — ele disse, cautelosamente — Você viu como ele agiu. Tentou torná-lo ruim, mas errou em vários detalhes.

— Eu acredito que Voldemort não esperava que James caísse em nossas mãos. Pelo menos, não até que pudesse aperfeiçoar o seu trabalho.

Remus concordou com a cabeça, aquela teoria fazia sentido.

— Às vezes, fazemos coisas que nem eu consigo acreditar.

Lily sorriu levemente, olhando mais uma vez para a porta do quarto, antes de levantar-se e seguir com o amigo para fora do St Mungus. Pelo caminho, viu como alguns colegas, como Emmeline Vance, suspiravam aliviados por ter um a menos para se preocupar.

Definitivamente, a sua popularidade tinha decaído desde que James sumiu.

Assim que chegou à uma das sedes da Ordem, a que estiveram usando com maior frequência nos últimos tempos, a segunda casa dos Bones, foi direto para o quarto de poções.

Estava mais aliviada, depois de ter conversado com Mary, e garantido que ela estava bem. O ruim era que aquela situação só serviu para que Mary decidisse sair definitivamente do mundo bruxo, até que a guerra acabasse, pedindo para que Lily não entrasse mais em contato.

Apesar de compreendê-la, não podia deixar de ficar frustrada. Isso a lembrava tanto de Petúnia...

Petúnia.

Lily passou a manga da camiseta por sua testa, secando-a do suor frio, que ela ignorou, enquanto aproximava-se para pegar os ingredientes, e a lista de poções que mais necessitavam, tanto para o estoque da Ordem, quanto para o St Mungus.

Será que Petúnia poderia ajudá-la, uma vez na vida?

Decidida, ela pegou um pedaço de pergaminho e uma pena.

— O que é isso, Lily?

Ela derrubou o pote de tinta, assustada.

— Remus, achei que tinha voltado para o hospital — ela disse, ainda assustada.

— Estou com a leve sensação de que você não está escrevendo a lista de ingredientes em falta — disse Remus, sério.

— Eu preciso fazer alguma coisa para ajudar a James. Alguma poção... Eu não sei!

Bastou falar a palavra “poção” para ele entender o que estava acontecendo.

— Você vai escrever para Snape? — ele perguntou, mais sério do que antes — E você acha mesmo que ele vai ajudá-la? Sabendo para que serve essa poção?

— Eu preciso tentar, Remus — Lily disse, já desistindo da ideia.

— Eu estive pensando, e um ódio tão descomunal quanto James tem pelo Snape não pode ter sido apagado das memórias dele — ele disse — Eles não estão no mesmo bando, e esbarrariam uma hora ou outra.

Lily negou com a cabeça, voltando a atenção para as poções.

— Eu não me importo mais com isso — disse — Não importa o que façamos, terá sempre um lado de James que vai ter esse instinto homicida.

— Então, por que ele não te atacou, quando foi desejar “boa noite” a ele? — retrucou Remus, cruzando os braços — Por que ele disse onde você estava?

— Eu não vou desistir dele — ela disse, suavemente, ao perceber que tinha sido mal interpretada — Só estou dizendo que eu não quero saber quais foram as malditas memórias que Voldemort colocou na cabeça dele. Eu sei que pode parecer egoísmo. Se ele quiser desabafar, eu vou escutar, mas não quero forçar a mente dele, não quero ver o que ele viu. Entende?

Apesar das palavras confusas, Remus assentiu, um pouco mais relaxado.

— Deixe-me sozinha, por favor — Lily fungou — Eu preciso fazer essas poções.

— A fumaça não é prejudicial para o bebê — ele perguntou.

— Só a partir dos quatro meses — ela disse — E algumas poções não são tão prejudiciais.

Remus beijou a sua testa, antes de afastar-se.

— Fique bem — ele disse.

— Manda-me notícias — ela pediu.

— Não faça nenhuma loucura.

Ele saiu, antes que Lily pudesse responder.

Ela olhou para a porta fechada, antes de voltar o olhar para o pergaminho abandonado. Suspirou, pegando um frasco de descurainias.

O maior livro de poções já estava aberto, em uma mesa única para ele, e Lily virou a página para chegar a uma poção que ela nunca fez, e que só faria por causa de James. Assim que acendeu os fogos abaixo de cada um dos caldeirões, e ativou o feitiço de alerta, antes de lavar as mãos na pia do canto do quarto, e sair em direção à sala.

Olhando para o relógio, James ainda estava no ponteiro “perdido”, e ela tinha a sensação de que ele não sairia daquela posição tão cedo.

— Lily, você é uma das melhores pocionistas da turma de 1971-1978 — Lily murmurou para si mesma — Você não precisa de ajuda, se quiser fazer uma poção!

No mesmo instante, a solução veio à sua cabeça, tão fácil, que ela não podia acreditar que não tinha pensado naquilo antes.

— Slughorn — ela disse para o ar.

Um dos ponteiros mudou de lugar rapidamente, e Lily virou o olhar, preocupada. Dorcas Meadowes, Albus Dumbledores, Peter Pettigrew e Alastor Moody apontavam para “próximo”. Não muito tempo depois, a porta da sede abriu-se bruscamente.

— Soltem-me! Soltem-me! — Peter debatia-se.

Lily observou a cena por algum tempo, antes de também levantar a sua varinha contra as costas de Peter, que estava de costas para ela, e de frente para os outros três.

— O que está acontecendo? — ela perguntou.

— Ele é o traidor — disse Dorcas.

Outra presença na sala fez com que Lily mudasse a direção de sua varinha.

— O que ele está fazendo aqui? — perguntou, abismada.

Severus Snape encarou-a de volta, inexpressivo. Na verdade, os seus olhos estavam em outra direção, e Lily colocou a mão disponível na barriga, como que para protegê-la do olhar do Death Eater.

— Precisamos conversar — disse Dumbledore, fechando a porta da frente — Amarre-o.

Dorcas empurrou Peter contra uma cadeira, e Alastor prendeu-o com algumas cordas.

— O que está acontecendo? — Lily voltou a perguntar, sentindo-se perdida.

— Fiz um acordo com Potter — disse Dorcas.

— Você agiu precipitadamente! — disse Dumbledore, aparentando estar furioso — Poderia ter colocado Severus em problemas.

— E o que importa isso? — perguntou Moody, bruscamente — Ele é um deles!

Lily sentou-se, afastada de Pettigrew, observando como se desenrolava a discussão.

— Severus é nosso espião — disse Dumbledore — Como James disse a...

— Como eu disse a ele — Dorcas corrigiu, apontando para o relógio — Temos um ponteiro a mais. Você o usa para controlar onde ele está, não é mesmo? E nenhum de nós nunca percebeu.

— Engenhosa — disse Snape — Não é uma completa tola.

— Você não tem o direito de falar assim com ela! — disse Lily, friamente — Na verdade, você não tem o direito de falar de qualquer forma com qualquer um que esteja aqui!

— Ele está nos ajudando — disse Dumbledore.

— Ajudando? — ela deu uma risada seca — É, eu vejo como que ele tem ajudado essa situação toda de James. Como pode confiar em um homem que entregaria um de nós sem nem pestanejar?

— Severus não entregou pessoa alguma. Peter quem o fez.

Lily virou-se para o animago, que encolheu-se.

— O que...? — ela engoliu em seco — Ele te considerava o seu amigo! Eu ia te pedir desculpas, seu...

Dorcas sentou-se ao lado de Lily, tentando acalmá-la, desajeitadamente.

— Você fez um acordo com ele? — Lily perguntou a ela, sem entender.

— Eu soube há pouco sobre o transtorno que a medibruxa O’Mayer o diagnosticou, — disse Dorcas — embora eu já imaginasse algo do tipo. Entreguei a informação sobre Snape e, em troca, Peter o entregaria. Escutei a conversa deles, o que provou que ele é o traidor.

— Eu sabia! — Peter cuspiu no chão — Quando ele falou que ficaria...

Dorcas virou a mão em seu rosto, antes que Lily tivesse a oportunidade de fazê-lo.

— Fique quieto! — ela rosnou, fazendo-o arregalar os olhos de medo — E eu não tentei estragar o disfarce de Snape! Tanto que os avisei sobre o plano!

— Maneira um pouco estranha de demonstrar — disse Dumbledore.

— Foi um plano genial! — disse Moody, olhando com renovado respeito para a sua pupila — E vocês precisam concordar comigo. Snape, você é um estrategista...

— Mesmo se ele me entregasse, ele não teria provas o suficiente — disse Snape.

— Mas eu não menti para ele — disse Dorcas, olhando-o — Eu não confio em você. Por qual motivo, de repente, mudou de lado?

Lily prestou atenção a essa pergunta.

— O que vocês estão escondendo? — ela perguntou.

Snape desviou o olhar, virando o rosto para o outro lado.

— Não é hora para falarmos sobre esse assunto — disse Dumbledore — Eu gostaria de falar sobre James. Voldemort trancou uma de suas personalidades, como você já deve ter deduzido.

— Sim — disse Lily, com renovado interesse.

— A dor que ele sentiu na marca negra foi por causa de Severus e Pettigrew, — ele lançou um olhar desgostoso para o animago — não por causa da sua personalidade, mas essa dor...

— A melhor forma de destrancarmos a personalidade natural de James — Dorcas interrompeu o bruxo, explicando de outra forma para Lily — seria como Moody tinha proposto antes. Usando a legilimência, ele também se lembrará de cada memória que surgir ao consciente.

— Mas isso vai ser uma invasão de privacidade, e ele sentirá dor — ela engoliu em seco.

— Ele sentirá mais dor se não fizermos algo.

Lily levantou-se, sentindo o alarme do quarto de poções disparar silenciosamente.

— Que Alastor ou Dorcas o façam, eu não confio nele — disse a Dumbledore, antes de sair.

— Lily, espere! — Snape acompanhou-a, antes que ela parasse.

— Para você, é senhora Potter.

Ele fez uma careta, mas assentiu.

— Tem um motivo a mais para o Lorde das Trevas ter feito o que fez — ele disse.

Lily soltou uma risada amargurada.

— “O Lorde das Trevas” — repetiu — Você é patético!

— Não seja infantil — replicou Snape, seco — É sobre o seu filho.

Lily olhou para trás, vendo como Dumbledore os observava atentamente.

— O que ele quer dizer com isso? — ela perguntou, sem virar-se de volta — O que meu filho tem a ver com essa história?

Dumbledore suspirou, contrariado, como se tivesse combinado com Snape de manter essa informação apenas para eles. Se duvidasse, era isso mesmo. Desde que James mudou, muitas informações tinham sido escondidas dela. Entendia que era para o seu bem, mas odiava que a considerassem menos capaz por estar grávida.

— Sente-se — ele disse, por fim, sob os olhares curiosos de Dorcas e Moody, o último empurrou Pettigrew para outra sala, para que não pudesse escutar o que diriam.

Lily não demorou a obedecer, sem olhar para Snape novamente, que entrou no quarto de poções, antes que pudessem reclamar.

— Há alguns dias, precisei resolver assuntos de Hogwarts, ficamos sem professor de adivinhação, e eu estava pensando em acabar com a disciplina — Dumbledore começou a contar — Uma candidata muito forte surgiu, e eu não pude recusar entrevistá-la, é a tataraneta de Cassandra Trelawney, uma grande vidente.

Lily não acreditava em adivinhação, mas permaneceu escutando o que o diretor dizia, sem interromper.

— Minutos de entrevista, e eu já estava disposto a dispensá-la. Ela, evidentemente, não possuía o mesmo dom que sua tataravó — ele continuou — Contudo, antes que eu pudesse fazê-lo, ela mudou. Sua voz não era a mesma, e ela não podia escutar-me.

— Ela predisse algo? — quase que afirmou Dorcas, surpresa.

Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas se aproxima. Nascido dos que o desafiaram três vezes, nascido ao terminar o sétimo mês, e o Lorde das Trevas o marcará como seu igual, mas ele terá um poder que o Lorde das Trevas desconhece. E um dos dois deverá morrer na mão do outro, pois nenhum poderá viver enquanto o outro sobreviver. Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês terminar — Dumbledore recitou.

— E o que o faz acreditar que se trata do meu filho? — perguntou Lily, na defensiva.

— Voldemort capturou James com o único propósito de matá-la.

— Mas então... Por que me oferecer um lugar junto deles?

Dumbledore considerou a pergunta.

— Talvez ele planejasse treiná-lo para os seus próprios propósitos — foi Moody quem respondeu — Ou mesmo matá-lo na surdina.

— Mas ainda assim... Pode ser o filho dos Longbottom — disse Dorcas.

— Ele precisa marcar a um dos dois, — disse Dumbledore — mas ele escolheu James para o seu experimento.

— Então, ele não planeja fazer isso com todos nós? — perguntou Dorcas, confusa.

— Planeja, — ele respondeu — mas James foi o primeiro, e isso quer dizer muito.

— Ele viu mais ameaça em um mestiço do que um sangue puro — disse Moody — Curioso, não?

— Nem tanto, considerando que o próprio Voldemort é um mestiço.

Enquanto discutiam sobre a profecia, Lily tinha outra pergunta em mente.

— Como ele soube?

Dumbledore dirigiu o seu olhar a ela, aparentando receio em respondê-la.

— Um de seus seguidores estava no mesmo bar em que nos encontramos, mas ele escutou apenas uma parte da profecia — ele respondeu.

— Então, Voldemort não sabe que sua ruína será atentar contra a vida de qualquer um deles? — notou Dorcas, surpresa.

— Não, não sabe.

Lily olhou em direção à porta do quarto de poções.

— Foi ele.

Dumbledore levantou-se, ignorando a sua última afirmação.

— Assim que tivermos mais informações sobre o estado de James, informaremos.

Saiu em direção ao quarto de poções, para chamar a Snape, antes que ela pudesse contestar. Mais irritada do que nunca, dirigiu o seu olhar para o relógio, vendo como o ponteiro de James estava apontando para St Mungus.

Voltou o seu olhar rapidamente para Dorcas, vendo que ela também olhava naquela direção, o cenho franzido. Pettigrew reclamou dentro da outra sala, e Moody foi rapidamente puni-lo, irritado.

— O que isso significa? — perguntou, a garganta seca.

— Vamos descobrir muito em breve — ela disse, trocando um olhar com o seu mentor.

Assim que Dumbledore retornou acompanhado, Snape dirigiu-se a Lily, como se ela fosse uma aluna.

— O ponto das poções terminará em uns cinco minutos — informou.

— Certo — disse Lily, engolindo em seco.

Ele virou as costas para ela, Dumbledore e os outros dois já estavam à frente da porta.

— Severus — ela disse, suavemente.

Ele olhou-a surpreso, antes que Lily virasse a mão em seu rosto.

— Está ficando boa nisso! — elogiou Dorcas.

Nenhum dos dois disse algo sobre aquele momento, Snape saindo rapidamente da casa, sob o encalço de Dumbledore, o rosto marcado pelos dedos dela.

— Esse é todo o carinho que ele vai receber — Lily disse a Dorcas, antes que ela saísse também.

Desceu novamente ao quarto, sem importar-se com o calor que ali começava a fazer, pelo estado das poções, vendo como a bagunça com o tinteiro derramado tinha sido arrumada. Negou com a cabeça, inclinando-se sobre o livro de poções aberto, encontrando outro menor sobre ele.

“Esse livro pertence ao príncipe mestiço”, dizia a primeira folha.

Ela negou com a cabeça, frustrada, jogando o pequeno livro em um canto qualquer, como forma de descontar a sua raiva.

Aquele com o poder de vencer o Lorde das Trevas nascerá quando o sétimo mês terminar.

— Tenho previsão para Junho. E você?

— Eu não sei. Final de Julho, talvez.

“Basta” Lily disse a si mesma.

Ela tremia, e percebeu isso quando pegou a varinha para finalizar uma das poções. Assim que conseguiu, sem nenhum desastre, cobriu os caldeirões com um pano, pegou o seu casaco, que estava jogado em cima da pia, e subiu as escadas, vestindo-o.

O ponteiro de James mudava novamente para “perdido”, mas ela não prestou atenção a esse detalhe, pegando um punhado de pó de um pote. Tacou-o nas chamas da lareira, que transformaram-se em verdes, e entrou desajeitadamente no pequeno espaço.

— Long-hatch-bottom — disse, sem ter muito tempo para pensar no quão estúpido era aquele jogo de palavras.

Dumbledore não proibiu-a de contar a Alice e, mesmo que o tivesse feito, Lily não poderia obedecê-lo. Se tratava do futuro das famílias Potter e Longbottom, além da salvação do mundo bruxo.



Notas finais do capítulo

Surpresos por eu ter colocado a profecia, não é mesmo?
E a lista de tapas que a Lily deu vai aumentando. Pettigrew, Malfoy, Snape... Quem será a próxima vítima?



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