Damaged Memories escrita por Clenery Aingremont, Clenery Aingremont


Capítulo 15
Capítulo 14 - Faith


Notas iniciais do capítulo

Consegui terminar a one que precisava, e fiquei com um tempo livre para escrever DM. Espero que estejam gostando dessas atualizações próximas, eu estou amando poder postar mais vezes do que uma ao mês.
As coisas estão COMEÇANDO a se resolver, mas não se enganem: se vocês já estavam confusos, que nem o James, é provável que fiquem mais confusos ainda nessa etapa.
Bem, estão avisados. Boa leitura, espero que gostem ♥




Os olhos de James não afastavam-se do curioso relógio pendurado à parede. Não era como os usuais, que mostravam as horas. Os ponteiros eram muito, em torno de vinte, e havia treze pontos, cada um com um lugar escrito: casa, perdido, Azkaban, Ministério da Magia, perigo, à caminho, Hogwarts, próximo, Casa dos Gritos, St Mungus, missão, sede e Diagon Alley.

Naquele momento, um ponteiro com seu nome e foto estava apontado para “perdido”, enquanto que Dorcas, Lily e Sirius estavam com os ponteiros virados para o canto escrito “à caminho”.

Parecendo notar a sua atenção incomum, Alice virou o olhar exatamente na direção em que ele olhava.

— Frank, nós esquecemos de tirá-la! — ela sacudiu levemente o braço do marido.

James engoliu em seco, desviando o olhar do ponteiro “Marlene McKinnon”, que apontava para “perdido”. Eles deveriam acrescentar um ponteiro escrito “morte”, assim não precisariam ficar correndo atrás de partes de corpo, como ocorreu com Fenwick.

— Quantos ponteiros já foram retirados? — ele perguntou, tentando não soar muito interessado.

— Com esse, quatro — respondeu Alice, o relógio em mãos, cabisbaixa.

James só conseguia pensar que Peter poderia ter, facilmente, enfeitiçado o ponteiro de Evans para enganá-los, em vez de tê-la sequestrado. Evadia o olhar dele desde que foi deixado a um lado da sala, sem querer conversar sobre o que aconteceu no resgate.

— Obrigada — disse Alice, repentinamente.

Ele levantou o olhar, sem entender.

— Eu sei que está sendo difícil para você lutar com essas memórias — ela explicou — E sei que, seja lá o que tenha acontecido, você odeia a Lily, mas mesmo assim você nos ajudou. Obrigada.

— Lice, já chega — Frank sussurrou próximo do rosto da esposa, temendo que ela tivesse ido longe demais.

Alice apenas olhou irritada para o marido, antes de voltar a atenção para o relógio. O ponteiro já fechado em uma de suas mãos. Ela colocou-o de volta na parede, erguida na ponta dos pés, e Frank não atreveu-se a tentar ajudar, sabendo que ela se irritaria com isso.

— Chegaram! — ela sussurrou, os olhos arregalados para os três ponteiros, que moviam-se para “sede”.

— É melhor eu chamar os outros — disse Frank, dando uma última olhada para o relógio, mostrando a maioria dos outros ponteiros pousados em “próximo”.

Alice correu para a porta da sala onde se encontravam.

— Ninguém precisou me contar, está bem? — Alice olhou para Remus e Sirius, suspirando triste — Lily está grávida.

James sentiu a nuca pinicar, e balançou a cabeça bruscamente, ignorando a tontura.

— Os Malfoy têm uma masmorra.

— E se for uma armadilha? Você a quer morta.

Olhando para o lado, percebeu como estava sozinho na sala. Aproveitou para levantar-se da cadeira, as mãos ainda presas por um feitiço que, além de grudar um pulso no outro, o proibia de sair da casa sem disparar um alarme.

O seu ponteiro permanecia em “perdido”, e era exatamente assim que ele se sentia.

Perdido.

Seguiu para uma porta aberta, em um dos lados do corredor, o banheiro. Fechando-a com o pé, ele abaixou o rosto, sentindo como as lágrimas desciam.

Um trovão iluminou o céu, e James viu como Dorea Potter estava caída no chão, um rastro de sangue deslizando pela sua boca, morta.

Piscando os olhos com força, tentando enxergar, a cena mudou.

— James, meu querido — a voz fraca de Dorea disse, vindo de uma maca.

Estava no St Mungus, o uniforme de Hogwarts em seu corpo.

— Mãe — ele sussurrou, a voz chorosa.

— Está tudo bem — ela sorriu fracamente, mas nem isso era o suficiente para lhe confortar.

— Por que não me contaram? — James perguntou, pegando em sua mão gelada.

— Nós não queríamos te preocupar, meu anjo.

— Onde ele está? — ouviu vozes agitadas, afastadas do banheiro.

— Ele está com um feitiço, não pode desfazê-lo — escutou Moody dizer — Se ele quiser se esconder, deixe-o. Vai aparecer uma hora ou outra.

— Eu estou com medo — confessou Marlene.

— Eu vou te proteger. Eu te prometo.

James balançou a cabeça mais uma vez, a sua nuca pinicando mais fortemente agora. Levantou o braço, decidido a passar a mão por aí, mas foi impedido pelo feitiço. Batendo a cabeça na porta, irritado, ele voltou a fechar os olhos.

— Varíola de dragão — James soltou uma risada seca — Dá para acreditar nisso?

Uma mão quente pousou em cima da sua, e ele levantou o olhar.

— Eu entendo o que você está sentindo — disse Lily, sorrindo tristemente.

Ele apenas deitou a cabeça em seu ombro.

A coisa que mais queria no momento era livrar-se daquele feitiço para poder puxar os seus cabelos, e ver se isso ajudava a esclarecer tudo o que estava se passando por baixo deles.

Ouviu batidas tímidas na porta, e ficou em silêncio, respirando ofegante.

— James — foi apenas um sussurro.

— Você sempre terá um lugar em nossas tropas, James Potter — disse Voldemort — Fico feliz de que tenha aberto os olhos, e espero que os seus amigos também o façam, um dia.

— James — dessa vez, foi Remus quem bateu à porta.

Ele levantou-se, secando o rosto com o antebraço, sem importar-se com isso, antes de abrir a porta, desajeitadamente.

— Vamos — Remus sorriu levemente, ao ver o seu estado.

James tinha tomado uma decisão.

Os dois caminharam, lado a lado, até chegar à sala, que já tinha grande parte dos membros ativos da Ordem da Fênix. Todos os olhares foram para a direção deles, mas logo desviaram-se, e James agradeceu por isso.

— Narcisa vai levar a culpa pelo que aconteceu? — perguntou Lily a Sirius, preocupada.

— Ela jamais ajudaria se isso a arriscasse — ele respondeu, sorrindo tranquilizador — Ela tem um plano, e já deve tê-lo posto em prática.

— Um álibi? — perguntou Dorcas, curiosa.

Ele apenas assentiu, os olhos voltando-se para James e Remus.

— Lily, o que aconteceu na mansão Malfoy? — perguntou Dumbledore, por fim, assim que as conversas paralelas finalizaram-se.

— Ele me ofereceu um lugar no exército dele — disse Lily, olhando para o chão — O objetivo dele não era fazer uma troca.

James sentiu como se um balde de água fria tivesse sido derramado em cima de si.

Voldemort lhe ofereceu um lugar? Sabendo de todo o seu ódio para com ela? Oferecendo lugar a uma nascida trouxa?

— Isso é impossível! Você é nascida trouxa! — disse Dorcas, abismada.

— Ele veio com uma conversa. Disse que, se modificasse as minhas memórias, eu agiria como uma sangue pura, e ninguém se importaria — ela disse — Disse que... Se eu aceitasse, ele faria James se lembrar de mim.

Todos ficaram em silêncio.

— James — Lily dirigiu-se a ele, e alguns ficaram tensos, já colocando as suas mãos em suas varinhas, caso ele reagisse bruscamente — Quais foram... Quais foram as últimas palavras da Lene?

Sirius, que estava ao seu lado, levantou-se.

— Eu não vou... Eu não vou escutar isso — ele balbuciou, antes de sair da sala.

— Deixe-o — Remus aconselhou, ao ver que Frank ia levantar-se para procurá-lo.

— James! Eles estão te manipulando! Eles te enfeitiçaram! Você não é assim! Dorea e Charlus...

— Por favor, não me faça responder isso — James fechou os olhos, sem importar-se em parecer fraco.

— Por favor, eu preciso saber — Lily pediu com sua voz suave, embora estivesse quebrada pela dor.

Ele sentiu vontade de abraçá-la, de fazer com que a sua dor sumisse, de alguma forma. E só tinha uma forma de isso acontecer.

— Ela... — James engoliu em seco, e sentiu o braço de Remus em seu ombro — Ela começou a discutir com Bellatrix. Ela... Disse que estavam me enganando.

— Ela tentou abrir os seus olhos — disse Remus, suavemente.

— Eu prometi que a protegeria, e eu não cumpri.

Ele abriu os olhos quando sentiu dois braços ao seu redor. Sua primeira reação seria afastá-la, mas seus braços não obedeceram, envolvendo na cintura de Lily Evans. Enterrou a cabeça em seu pescoço, sentindo o seu cheiro doce e floral.

— Lily Mary Evans, você aceita James Charlus Potter como seu legítimo esposo?

James abriu os olhos. Ele já tinha visto essa memória, em seus sonhos. Olhando disfarçadamente, viu que um fino anel de ouro adornava o dedo anelar. Por um momento, perguntou-se onde que teriam deixado o seu anel.

— Vai ser difícil — disse Remus, despertando Lily daquele momento, fazendo-a afastar-se rapidamente.

James olhou para o canto da sala, onde um nervoso Peter observava toda a cena.

— Eu preciso entender o que está acontecendo — ele disse, lentamente.

— É claro — concordou Dumbledore — E nós vamos te ajudar. Sirius, Dorcas, não tivemos a oportunidade de conversar antes.

Virando-se, James viu como Sirius observava a cena, do batente da porta. Ao escutar o seu nome, ele balançou a cabeça, entrando de vez na sala.

— Ele não se lembra de quando eu me mudei para a casa dos pais dele — disse, prontamente — Nem da aposta do sétimo ano.

Ele lançou um olhar cúmplice a Remus, que apenas riu.

— Voldemort não tinha essa informação — Dumbledore assentiu.

— Bem, ele não lembrou-se de nada, mas ficou bem perturbado com as fotos — disse Dorcas, recebendo um olhar irritado de Lily e reprovador de Alice.

— E não é para ficar? — perguntou Lily, secamente.

— Era de se imaginar que ele se lembrasse de quando reuniu uma das partes de Benjy — a loira retrucou.

— Já chega! — Dumbledore interrompeu-os — Acredito que todos estão cansados, depois deste dia. Conversaremos depois para ver o que podemos fazer em relação às suas memórias, James.

Ele apenas assentiu, sem saber o que responder.

— Lily, me acompanhe, por favor — pediu Dumbledore.

Ela não contestou, apenas seguiu-o porta afora.

— Como está Mary? — Alice perguntou a Frank.

— Vai ficar bem — ele respondeu — Acho que Lily vai falar com ela, antes de voltar para casa.

Peter fez menção de chegar perto de James, mas ele virou-se para Remus.

— Se vocês dizem que sou uma pessoa tão boa assim, por que o meu Katoamistaika é negro? — ele perguntou.

Sirius fez uma expressão surpresa em seu rosto.

— Negro? De onde tirou isso? — ele retrucou — Quando você saiu do Ministério, a fumaça estava branca, como quando nós treinamos isso no curso de aurores.

— Talvez você devesse mostrar a memória para ele depois — sugeriu Remus — Vamos conversar sobre isso com o professor Dumbledore.

— Uma coisa que não ficou clara — Sirius jogou o cabelo dele para trás, mas de nada adiantou — foi o feitiço que Voldemort usou.

— Obliviate, é claro — disse Remus — Senão, ele não diria a Lily que só ele pode desfazê-lo.

— Ou algum feitiço das trevas — Peter interrompeu a conversa — Eu vou levar James lá para baixo.

— Não precisa disso, cara — Sirius disse, descontraído.

— Ah! Precisa!

Peter não deixou que a discussão continuasse, erguendo a varinha, e conduzindo James para fora da sala. Só começou a falar quando chegaram ao porão.

— O que deu em você? — ele gritou, enfurecido — Colocou todos os planos do milorde por água abaixo.

— Ela está grávida! — replicou James — Essa situação poderia tê-la feito perder...

— E daí? — Peter perguntou, desafiando-o com o olhar — E daí que perdesse? O que você tem a ver com isso?

— É uma criança que não tem culpa do que os pais fazem ou já fizeram!

Peter recuou, diante de seu grito.

— Eu não consigo te entender! — o Death Eater disse, frustrado.

— Ótimo! Se você não me entende, eles também não!

Respirando fundo, Peter acalmou-se o suficiente para pedir:

— Dá para você explicar?

James sentou-se em sua cadeira de madeira, ajeitando-se com majestosidade.

— Eu nunca disse que Lily Evans era a culpada pela morte de meus pais — ele disse.

— Disse sim! Disse isso a mim, a Sirius, Remus... Até para a McGonagall! — interrompeu-o.

— Eu a confrontei, e ela não parecia uma assassina — James negou com a cabeça — Ela estava encobrindo alguém. Uma cúmplice. Foi por isso que eu a chamei de assassina.

Peter conjurou uma cadeira para si, sentando-se imediatamente.

— Você nunca me disse isso — ele observou.

— O que você estava fazendo lá? — James perguntou, empurrando-a para frente e para trás repetidamente.

— Chega! Me solte! — Lily soltou-se, nervosa — Está sendo brusco, Potter. E se dando uma intimidade que eu não...

— Sempre ele, não é mesmo?

— Você quer um traidor para entregar ao milorde — disse James — E eu vou te dar. Severus Snape.

— Como é que você tem tanta certeza? — perguntou Peter, confuso.

— Você não acha estranho que Voldemort tenha me aceitado, sabendo que eu tinha ódio pelo Snape? — ele sugeriu.

— Não o chame pelo nome! E eu acho estranho que você, sabendo disso, tivesse se aliado. Matar a um dos nossos é sentença de punição! Snape é um dos nossos melhores pocionistas, assim como a Evans é para a Ordem.

James sentiu a nuca pinicar novamente e, já livre do feitiço, passou a mão por ali, tentando aliviar o problema.

— Eu só... Tinha que fazer isso, está bem? — ele mentiu — Você me apoiou quando eu mais precisei. Você estava nervoso quando entrou, lembra? Eu fui para te apoiar. E, de quebra, matar os sangues ruins, que me fazem lembrar a maldita Evans a todo o momento.

— Mas você a abraçou lá embaixo — disse Peter, desconfiado.

— Eu preciso fingir, ou você acha que eles vão confiar em mim assim?

Segurou o suspiro de alívio quando Peter concordou, impressionado.

— Tem razão! — disse, assobiando levemente — Mas... Você vai me deixar falar ao lorde...?

— Vá em frente! — disse James, antes que ele pudesse completar a frase — Você mesmo disse que está por um fio. Isso, com toda a certeza, te ajudará a subir lá dentro.

Peter fez uma expressão estranha, como se estivesse se sentindo culpado por alguma coisa.

— Obrigado, cara — ele disse, a sua voz soando envergonhada.

— Está tudo bem? — James franziu o cenho, sem entender.

— Claro! Claro! — Peter desviou o olhar — Eu vou... Falar com ele agora mesmo. Ele vai entender... É importante...

— Sim, é sim — ele sorriu levemente.

— Certo... Tchau!

Peter saiu apressadamente, sem esperar pela resposta.

— Tchau — disse James, ao vento.

Alguns minutos depois, ele escutou saltos ecoando pela escadaria do porão.

— Potter — disse Dorcas, um olhar preocupado no rosto.

— Você escutou? — ele perguntou, olhando para o teto.

— Escutei — ela respondeu, olhando para o outro lado — Já devia ter desconfiado. Você estava se dando muito melhor com ele do que com os seus melhores amigos.

— Eu achei que ele era um amigo — disse James, voltando o seu olhar para ela, e ela retribuiu.

— Por que está fazendo isso? — Dorcas perguntou — Eu sei que você ainda não está cem por cento confiante em nós.

— A questão, Screw-Doe, — ela fez uma careta, e ele quase sorriu — é que Voldemort não foi sincero comigo. E essa proposta que ele deu a Evans só comprova que ele não se importa com ninguém mais além dele mesmo. Eu quero as minhas memórias de volta.

— E se as suas memórias, hipoteticamente, mostrassem que nós somos os inimigos?

Era incomum de uma auror falar mais do que deveria, mas James já tinha pensado naquela hipótese, e Dorcas era o tipo de pessoa que lhe agradava: a que mostrava as duas faces do problema, sem importar-se com o quão problemático poderia ser se ele desse para trás.

— Então eu teria que aceitar que não estou de nenhum dos dois lados — ele respondeu, sinceramente — Obrigado pela informação. Eu já desconfiava, mas...

— É sempre bom uma confirmação — Dorcas concordou — Só para você saber, a Lily estava considerando te soltar, ver se você confiaria um pouco mais nela desse jeito.

James não respondeu, os flashes de memórias falsas e reais ainda o confundiam.

— Ela sabe oclumência? — ele perguntou.

— Não — disse Dorcas — Pessoas impulsivas tem dificuldade para controlar a mente. Na dúvida, você pode pegá-la desprevenida.

James assentiu, entendendo o recado, e já tendo uma ideia do que faria.

— O que farão a respeito de Pettigrew? — ele perguntou.

— Conversarei com Albus e Alastor — disse Dorcas — Precisamos cuidar disso com muita cautela. Quem sabe, aproveitar a oportunidade, já que entregamos Snape.

— Você não confiava nele — observou James.

— Não, eu não confiava. Só Dumbledore o fazia, na verdade, mas não se preocupe. Eu cuido disso. Você trate de se recuperar. Você tem uma esposa e um filho, que precisam de você!

Dorcas deu as costas para ele, indo em direção às escadas.

— Ei! — James chamou, fazendo-a virar-se novamente — Se Snape se safar, Pettigrew vai estar em problemas.

— De qualquer forma, isso vai acabar muito em breve — ela concordou, antes de seguir o seu caminho, sem maiores impedimentos — Amanhã, outros de nós viremos.

— Mal posso esperar — ele comentou.

Sabia que era uma jogada arriscada, que estava confiando cegamente naqueles que prometeu, um dia, não confiar, mas era o que o seu coração dizia. E ele estava cansado de seguir a sua razão, que não parava de traí-lo, a cada dia mais.

Escutou um novo som vindo das escadarias, e engoliu em seco, sentindo como as suas mãos ficavam pegajosas pelo suor.

— Eu já vou indo — disse Lily, um pouco hesitante — Você vai ficar bem aqui?

— Já estou acostumado — respondeu James, um pouco formal demais.

— Deveria ter te dado uma cama, pelo menos — ela franziu o cenho — Moody é um pouco sádico demais...

— Eu não me importo. De verdade.

Tinha medo de que ela, com um simples olhar, conseguisse desvendar todo o seu plano com Dorcas. Não era algo errado, mas não sabia o que ela podia pensar sobre isso, e ficava particularmente nervoso.

— Obrigada — ela disse, levando as suas inseguranças para longe com a mesma facilidade com a qual trazia — Por ter me salvado.

— Eu não fiz nada — ele deu de ombros.

— Você disse onde eu estava.

— Sirius descobriu o endereço.

Lily revirou os olhos, ignorando completamente as suas tentativas de tirar a sua participação em seu resgate.

— Bem, então obrigada por não ter tentado fugir — disse, por fim.

— Como está o seu pescoço?

A pergunta pulou de sua boca, sem que pudesse controlar, e a ruiva levou a mão até o local arroxeado, quase que instintivamente.

— Ah! — ela disse, sem graça — Melhor. Suponho que mereci, seja lá o que eu tenha feito.

Ela sempre defendeu Snape, e James sempre odiou isso, mas ela não era assassina. Ela não seria capaz de esconder algo tão sério, ainda mais lutando para a Ordem da Fênix. Certo?

“Certo” pensou quase que automaticamente.

— Melhoras — disse James, engolindo em seco novamente.

— Obrigada. Tenha uma boa noite — disse Lily, olhando ao redor, com uma careta — Ou o melhor que possa ter.

Ela deu a volta, indo para o mesmo lugar de onde veio.

— Você... — ele limpou a garganta, conseguindo a sua atenção — Você vai voltar amanhã?

— Vou — ela sorriu, mas não era inteiramente sincera, e James desejou mais do que nunca tirar aquela dor de sua expressão.

— Certo — ele abaixou o rosto, escutando como ela, depois de uma hesitação, voltava a subir escada por escada.

Sentiu um vazio enorme em seu peito quando o som de seus passos sumiu.

Passou horas e horas com os olhos abertos, sem conseguir cair no sono, os pensamentos a mil, desejando ter um relógio para observar o passar do tempo. Quando ganhou a batalha contra a insônia, teve sonhos regados de lembranças felizes.

— Não!

Acordou com um pulo para trás, a cadeira despencando para trás, junto consigo, a marca negra queimava. E ele não conteve-se, começou a gritar, pois aquela dor era maior do que ele jamais teve. Dedos frios encostaram-se à sua testa suada, e ele pôde escutar:

— Chame Dumbledore! Agora!



Notas finais do capítulo

Eu ia parar com a parte das "lembranças felizes", mas isso seria dar muitas esperanças a vocês, não é mesmo? *moonface*
Ei! É melhor terminar com um final tenso do que terminar com um final feliz e cheio de arco íris para começar o próximo capítulo tudo do avesso! Poupei vocês da ilusão!
Antes que me atirem pedras, eu devo dizer que tive a melhor professora de plot twists de acabar com o heart dos leitores. Miller, mais conhecida como Carolnaja Millerfica. Se você nunca leu uma fanfic dela, você não sabe o que é sofrer.
Beijos para quem é leitor dela ;)



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